Relatório do
Unaids indica que meta de redução de mortes não será cumprida em 2020.
Preocupação é que a pandemia dificulte acesso a medicamentos cause interrupção de
tratamentos.
O Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV e
AIDS (UNAIDS) divulgou hoje o Relatório
Global de Atualização de AIDS para 2020. O documento mostra
que o mundo não vai conseguir cumprir metas críticas para 2020, incluindo a
redução de 50% das mortes relacionadas ao HIV entre 2015 e o final de 2020.
Este objetivo, entre outros, foi acordado por todos os Estados Membros da ONU
na Declaração
Política de 2016 sobre HIV e AIDS.
De acordo com o UNAIDS, 690 mil
pessoas morreram de causas relacionadas ao HIV em 2019. Ainda
que o número seja o mais baixo desde 1993, ainda é alto demais e significa que
o mundo não está no caminho certo para cumprir a meta de 2020. A cobertura do
tratamento também é muito baixa. Até o final de 2019, 67% das pessoas (25,4
milhões) que precisam de tratamento com antirretrovirais (ARVs)
tinham acesso aos medicamentos. Isso deixa uma lacuna de 12,6 milhões de
pessoas vivendo com HIV que ainda precisam de tratamento e não têm acesso a
ele.
A organização internacional Médicos Sem Fronteiras
(MSF) ressalta a importância de programas e políticas públicas
para reduzir o número de infecções por HIV e comorbidades relacionadas ao
retrovírus, especialmente em meio à pandemia de COVID-19. Assim, MSF se juntou
ao UNAIDS para instar os países a implementarem práticas para reduzir o impacto
da COVID-19 nos serviços de tratamento do HIV, incluindo maneiras de fornecer
às pessoas com o retrovírus condições de continuar o tratamento por vários
meses, reduzindo assim o número de deslocamentos necessários às unidades de
saúde.
“Apesar das promessas, o mundo falhará no
compromisso de reduzir as mortes por HIV até o final de 2020. O custo de não
cumprir esses compromissos está evidenciado nestas 820 mil mortes adicionais
desnecessárias, de acordo com o UNAIDS”, lamentou o médico Eric
Goemaere, Coordenador da Unidade de HIV/TB e líder do projeto de COVID-19 de
MSF na África do Sul. “O que esses números nos dizem é que as mortes
relacionadas ao HIV não estão diminuindo rápido o suficiente, mesmo antes da
COVID-19. ”
Segundo o médico, a COVID-19 ameaça causar
interrupções nos tratamentos de pacientes com HIV. “Agora,
tememos que, com qualquer interrupção nos atendimentos de pacientes de HIV
devido à pandemia, mais vidas sejam perdidas. Não podemos nos dar ao luxo de
voltar atrás na epidemia de HIV/AIDS à luz da pandemia de COVID-19”,
ressaltou.
O relatório também mostra evidências crescentes
vindas da África Subsaariana de que pessoas vivendo com HIV e pessoas com
tuberculose correm maior risco de serem infectadas e de morrer pelo
novo coronavírus. O UNAIDS também alertou para as implicações
das interrupções nos serviços de assistência a pessoas com HIV como
consequência da COVID-19.
“Estamos muito atrasados em enfrentar adequadamente
o número inaceitável de mortes de pessoas vivendo com HIV”, explicou Goemaere.
“Devemos fazer todo o possível para redobrar nossos esforços, continuar a
ampliar o tratamento contra o HIV e manter os ganhos e as vidas salvas com
tanto esforço. Não podemos nos arriscar a retroceder, pois o progresso até o
momento é precioso demais para não ser preservado.”
Sobre Médicos Sem Fronteiras
Médicos Sem Fronteiras é uma organização
humanitária internacional que leva cuidados de saúde a pessoas afetadas por
conflitos armados, desastres naturais, epidemias, desnutrição ou sem nenhum
acesso à assistência médica. Oferece ajuda exclusivamente com base na
necessidade das populações atendidas, sem discriminação de raça, religião ou
convicção política e de forma independente de poderes políticos e econômicos.
Também é missão da MSF chamar a atenção para as dificuldades enfrentadas pelas
pessoas atendidas em seus projetos. Para saber mais visite o site de
MSF-Brasil.
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