Relaxamento com
os cuidados diários com a boca durante o isolamento social preocupa
especialista. Boca também pode revelar sinais de baixa imunidade do organismo
A boca é órgão de deleite para um dos maiores
prazeres do ser humano - a alimentação - mas é também é porta de entrada para
bactérias e outros microrganismos. Nela pode começar outros problemas de saúde,
que vão além das cáries, gengivites e problemas nos dentes. Para se ter uma
ideia, um estudo divulgado pelo Instituto do Coração (Incor), da Universidade
de São Paulo (USP), aponta que 45% das doenças cardíacas têm início na cavidade
bucal, podendo ser nos dentes, lábios, gengiva, língua e bochecha. Entre elas
estão a endocardite bacteriana, aterosclerose, arritmia, AVC (acidente vascular
cerebral) e até mesmo o infarto.
Por isso, manter a higiene bucal em dia e estar
atento a alterações na boca é essencial. Mas o cirurgião-dentista André
Ferreira, que possui um consultório no centro clínico do Órion Complex, em
Goiânia, tem observado que, devido ao isolamento social, muitas pessoas têm
descuidado de cuidados básicos como a escovação frequente. “A boca não é
separada do restante do organismo, pelo contrário, através dela bactérias,
vírus e fungos acessar a corrente sanguínea e se espalhar pelo restante do
corpo, chegando aos outros órgãos”, explica.
Até mesmo pacientes internados em unidades de
terapia intensiva (UTI) precisam de cuidados odontológicos. “Quando os médicos
detectam alguma infecção na boca do paciente nos acionam, independente se o
paciente está com alimentação convencional ou não, o que determina nossa
intervenção é a gravidade do caso”, revela André. Ele detalha que nestas
situações os dentistas realizam a remoção do foco de infecção, a qual pode ser
dar por meio de profilaxia (limpeza simples), raspagens (limpeza profunda),
eliminação de doenças gengivais, abcessos, cistos, entre outros.
Cuidados
O dentista recomenda que não se deve negligenciar os cuidados básicos da higiene bucal, como usar o fio dental e fazer a escovação regular após as refeições. “As pessoas devem fazer um check-up bucal no mínimo uma vez ao ano, no qual o profissional faz um exame clínico avaliando os dentes, bochechas e demais regiões bucais. Se necessário, são pedidos exames complementares”. Além disso, André ressalta que é preciso cuidar da alimentação. “Antigamente se falava que um grande vilão para os dentes era apenas o açúcar. Hoje sabemos que há lesões não cariosas e outros problemas que acontecem pelos alimentos ácidos”.
É na boca também onde aparece vários sinais da
baixa imunidade, como aftas, diversas formas de estomatite, amigdalite, herpes
e inflamações gengivais e periodontais. O ideal, diz o especialista, é observar
sua cavidade bucal e procurar um especialista sempre que perceber sintomas
recorrentes ou persistentes, além de aspectos físicos diferentes.
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