A psicopedagoga e especialista em educação
especial, Ana Regina Caminha Braga, dá dicas para famílias que precisam manter as terapias realizadas com os autistas dentro de casa
A
chegada do novo coronavírus ao Brasil lançou um desafio extra aos pais e responsáveis que precisam lidar com crianças
com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Como agir e manter uma rotina de
cuidados específicos dentro de casa? Devido à medida restritiva de isolamento
social, grande parte das famílias se encontram sem alternativas para
complementar a rotina dos pequenos, que antes tinham uma agenda cheia com
atividades escolares e terapias presenciais.
Esta
falta de rotina pode refletir em instabilidade emocional e agressividade cada
vez com mais frequência em crianças autistas. Entretanto, apesar de parecer que
estamos vivendo um momento de crise e instabilidade, é possível levar esse
período de forma equilibrada e saudável. De acordo com Ana Regina Caminha
Braga, psicopedagoga e especialista em educação especial, saber usar a
criatividade e se reinventar é essencial para que pais e responsáveis consigam
manter o tratamento das crianças. Quando falamos sobre confinamento, o ideal é
que as famílias tentem seguir a rotina do autista o máximo possível, criando
atividades similares àquelas vivenciadas em situações normais.
“Faça um
cronograma de todas as tarefas a serem desenvolvidas durante o dia, siga
corretamente o calendário. Todo ser humano necessita de rotina para cultivar
uma mente saudável, principalmente as crianças autistas”, explica a
especialista. Isso serve, também, para terapias e acompanhamentos com
profissionais. Sempre que possível, os pais e responsáveis devem manter os
atendimentos de forma online, a fim de receber as devolutivas terapêuticas para
prosseguir o tratamento em casa. “Se a criança faz uso de medicamento, é ainda
mais importante que ela mantenha contato com o médico para verificar a dosagem
e a evolução da criança”, aponta a psicopedagoga.
De
acordo com a especialista, oferecer um ou dois brinquedos diferentes, para que
a criança possa explorá-los de forma significativa, é muito importante para
continuar o desenvolvimento psicológico do autista em casa. “Caso a criança
desregule, é possível utilizar um pedaço de tecido para brincar com ela sem
verbalizar e deixá-la à vontade. A criança senta no tecido e você pode segurar
duas pontas do tecido e puxá-la com movimentos pelo ambiente em que esteja”,
complementa Ana Regina. Apesar das dificuldades, o mais importante em um
momento de isolamento social é manter a criança regulada e estável, a fim de
preservar a saúde psicológica dela e da família. Como última orientação, a
psicopedagoga aconselha os responsáveis a se atentar aos gestos e movimentos
das crianças de forma consciente e sem culpabilidade. “É possível vermos
autistas com dificuldade para se comunicar e se expressar da forma verbal. Por
isso, é relevante que os pais tenham um olhar diferenciado, atento e ainda mais
carinhoso com eles neste momento”, finaliza a especialista.

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