Os
avanços científicos e tecnológicos sempre geraram perturbações e inquietações
no ser humano. Até que nos acostumemos com as novidades, o nível de insegurança
e ansiedade sempre é muito alto. Foi assim com os aviões, computadores e está
sendo assim com as futuras viagens espaciais e a inteligência artificial,
amplamente divulgada em anúncios em todas as mídias.
Talvez
a principal preocupação das pessoas com a inteligência artificial seja a
questão envolvendo os empregos ou o trabalho, dependendo do regime de
contratação. Existem dados animadores, como os do Fórum Econômico Mundial, cuja
perspectiva é que, em 2022, por volta de 75 milhões de postos de trabalho sejam
impactados, mas que outros 133 milhões serão criados. Segundo estudo da
Consultoria Gartner, um saldo positivo de dois milhões de novos empregos será
oriundo da Inteligência Artificial.
Porém,
outros dados não são tão animadores. A consultoria Oxford Economics, prevê que
em 2030, até 20 milhões de trabalhadores poderão ser substituídos por robôs. O
McKinsey Global Institute, por sua vez, afirma que entre 40 milhões e 160
milhões de pessoas que realizam trabalhos em escritórios terão de ser
realocadas para atividades que demandam mais habilidades em razão da
substituição das suas atividades pela Inteligência Artificial.
Independente
do cenário, copo meio cheio ou meio vazio, a Inteligência Artificial já está
batendo na porta. Se terá ou não todo o impacto previsto, o futuro mostrará,
mas os sinais são de que serão impactos fortes.
Diante
de tanta incerteza, inclusive sobre profissões que podem desaparecer, o que
estaria ao alcance das escolas, em especial as públicas? Importante mencionar
que, de acordo com o IBGE, quase 75% dos estudantes do Ensino Básico estudam
nas redes públicas. Seria prudente o Brasil preparar seus jovens estudantes,
desde a entrada na escola, e em todos os níveis, em especial na educação
básica, para esta nova Era. Crianças e adolescentes aprendem rápido, mas na
prática a escola muda pouquíssimo. Para a maior parte de nós, parece a mesma
para netos, pais e avós.
O
segredo poderia estar no que as previsões chamam de “habilidades de ordem mais
alta”. Uma vez a dificuldade de saber quais serão os conhecimentos específicos
necessários ao trabalhador do futuro, inúmeras pesquisas mostram que
habilidades que envolvem solução de problemas, criatividade e trabalho em
equipe estão no topo das demandas das empresas, desde já pesando nos processos
de seleção. Estas podem ser trabalhadas estrategicamente em qualquer escola e
em conjunto com diversas aulas e atividades já realizadas cotidianamente pelos
professores. Porém, é fundamental avançar nessa direção com o devido apoio
profissional para obter os resultados esperados.
Apoiando
os professores com formação para inserção das habilidades do século XXI junto
com os conteúdos específicos das ciências naturais e matemática, como, por
exemplo, faz o STEM Brasil, da ONG Educando (programa que atende centenas de
escolas em todo o Brasil), é possível, além de trabalhar as valorizadas
habilidades do futuro do trabalho, criar condições mínimas para aumentar o
engajamento dos alunos na escola, melhorar os índices de aprendizagem e
ajudá-los a seguir carreiras atraentes e interessantes para a Geração Z. Além,
ainda, de gerar o desenvolvimento econômico e social necessário ao Brasil.
Marcos Paim - professor e diretor do programa STEM Brasil da ONG
Educando.
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