Em 30 dias, os registros da
doença em território paranaense cresceram assustadoramente segundo dados da
Sesa
A Secretaria de Estado da Saúde do Paraná (Sesa) acaba de divulgar
um novo Informe Epidemiológico referente aos casos de sarampo. Cada vez mais
alarmantes, os casos avançaram 1044% em apenas 30 dias, entre 10 de setembro e
10 de outubro. Agora, o Paraná já registra 103 casos confirmados da doença em
2019. Segundo o informe, a Região Metropolitana de Curitiba concentra quase a totalidade
dos casos. Apenas em Curitiba, 80 pessoas
estão infectadas.
O sarampo é uma doença considerada de contágio fácil, similar ao
da gripe, com a transmissão feita por meio de tosse, fala ou contato íntimo.
Outro fator que agrava as chances de epidemia é que um paciente contaminado
pode transmitir o vírus para, em média, 18 pessoas. Entre os principais
sintomas do sarampo estão manchas vermelhas na pele, tosse persistente, manchas
brancas na parte interna da bochecha e irritação nos olhos. “As vacinas são
consideradas um dos grandes avanços da medicina e salvam vidas todos os dias há
mais de 200 anos. Doenças como o sarampo, já vencidas, retornam em surtos por
conceitos equivocados de ‘movimentos antivacinas’, gerando um retrocesso na
saúde”, explica o Dr. Aier Adriano Costa, clínico geral e coordenador médico da
Docway.
A doença pode ocasionar febre, convulsões, infecções,
conjuntivite, perda de apetite, diarreia e, em casos mais graves, até lesão
cerebral e infecções no encéfalo. A enfermidade é considerada de maior risco
para crianças menores de 5 anos, podendo causar meningite, encefalite e
pneumonia. “Em casos mais graves, o sarampo pode ocasionar até a morte do
paciente. Em locais onde a vacinação ainda não está implantada nos sistemas de
saúde, a doença está entre as principais causas de morte de crianças de até 5
anos de idade”, afirma o médico.
Sem um tratamento específico, a única prevenção garantida é a
vacinação. “A doença pode ser prevenida por meio da vacina tríplice viral
contra sarampo, caxumba e rubéola. Uma dose gera imunidade em aproximadamente
93% dos vacinados. O emprego de duas doses possui eficácia de proteção em torno
de 97%”, explica Deivis Junior Paludo do grupo Diagnósticos do Brasil. De
acordo com a Sociedade Brasileira de Imunização e o Ministério da Saúde, a
primeira dose deve ser aplicada aos 12 meses de vida e a segunda aos 15 meses,
que pode ser substituída pela vacina tetravalente. “A vacina contra o sarampo é
altamente efetiva e com certeza a melhor forma de prevenir a doença”, confirma
o Dr. Aier.
Apesar de, na maioria dos casos, o diagnóstico do sarampo ser
feito por meio de avaliação clínica, o especialista do Diagnósticos do Brasil
ressalta que está disponível no mercado nacional o exame que identifica a
doença. “Ele é realizado por meio da sorologia, que detecta a presença de
anticorpos IgM e IgG específicos, com resultados em até 10 dias úteis”, explica
Deivis.
Em 2016, o Brasil recebeu o certificado de erradicação do sarampo,
emitido pela Organização Pan-Americana de Saúde, mas o título foi retirado em
fevereiro deste ano após a verificação do surto ocorrido em 2018. O motivo da
epidemia da doença é extremamente preocupante, pois se resume à redução da
cobertura vacinal, proporcionando um ambiente populacional menos protegido ao
vírus. Na cidade de São Paulo, por exemplo, a cobertura vacinal chegou a ser em
torno de 100%, em 2014, mas caiu para 90% no ano passado.
“A vacina contra o sarampo integra o calendário nacional de
vacinação, e é de extrema importância que a população retome seus cuidados em
segui-lo à risca. Afinal, esta é a única maneira comprovada de se prevenir
contra essa e muitas outras doenças que podem ter consequências graves”,
reforça Deivis. O Ministério da Saúde indica que crianças de seis meses a um
ano de idade, que vão se deslocar para municípios que apresentem surto ativo de
sarampo, devem ser vacinadas contra a doença pelo menos 15 dias antes da data
da viagem.
Adultos que ainda não foram imunizados contra o sarampo,
também devem seguir as indicações das autoridades: pessoas de até 29 anos devem
receber duas doses para a imunização. “Para a população entre 30 e 49 anos, o
indicado é que recebam uma dose da vacina tríplice viral. A exceção fica para
pessoas imunodeprimidas, acima 50 anos ou mulheres grávidas, que não devem
tomá-la”, completa o Dr. Aier.

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