Fake news tornou-se
uma preocupação mundial, não apenas de especialistas em comunicação, mas também
e principalmente de governos. Por isso, o tema é hoje pauta e manchete de
grandes veículos de comunicação em todo o mundo. Por ora, o alvo principal das
notícias inventadas ou das mentiras divulgadas em forma de notícias é o
universo político. Nos EUA, por exemplo, ainda se discute o grau de
interferência das fakes news no resultado da última eleição presidencial. No
Brasil, que este ano realiza suas eleições majoritárias, autoridades já não
escondem a preocupação com esta ingerência indevida e discutem alternativas para
mitiga-la.
Este “novo”
problema, que é gravíssimo, pode não demorar em invadir o universo corporativo.
Estas falsas notícias, não raro, são elaboradas em alhures e seus autores, não
raro também, são robôs! Como lidar com esta situação se, como se sabe, sites
igualmente fakes são construídos apenas para conferir “veracidade” à notícia
falsa divulgada? O esquema, se assim pode ser denominado, é profissional. Não
se trata, resta claro, de uma brincadeira de jovens nerds fissurados em
internet! Este é o grande desafio que agora se impõe aos gestores de crise
corporativa ou de crise de imagem, como preferem alguns. E esta tarefa não será
nada fácil!
As fake news, por
meio dos compartilhamentos, ganham corpo de forma rápida e sem controle. E para
agravar, acompanhadas de comentários de leitores que acreditam de boa fé que
aquilo que estão comentando e compartilhando é verdadeiro. Em síntese, é a
“notícia falsa” ganhando moldes de “notícia verdadeira” em função da
repercussão e dos endossos que carrega em sua trajetória pelas diferentes redes
sociais. Trata-se de uma “bomba” cujos efeitos, o mundo corporativo ainda
desconhece. Por esta razão, urge que atente para o tema.
Muito já se faz, é
verdade, mas muito mais precisa ser feito. A tradicional varredura diária pelos
veículos e redes sociais na Internet, por exemplo, tem que ser mais extensa e
profunda; a análise da coleta de dados mais detalhada e consistente; a reação
rápida, plena e abrangente; e a resposta comunicacional a este “ataque” deve
juntar as ferramentas tradicionais, já conhecidas e dominadas, com as modernas
recém “chegadas”. Gerenciar este tipo de crise não é, como se percebe, para
amadores!
Será que é possível
imaginar o prejuízo de imagem e financeiro que provocaria às empresas se
lançadas hoje como “notícias” e propagadas como “verdades”, aquelas histórias
do hambúrguer de carne de minhoca e a outra, do homem que caiu no tanque de
refrigerante, que habitaram o imaginário de muitos consumidores de uma geração?
As dificuldades seriam enormes, não resta dúvida!
Faz-se necessário
às empresas ficarem atentas e prontas para responder a qualquer ataque deste
“novo” inimigo chamado fake news. Que pode atacar a qualquer momento,
estimulado, quem sabe, por um competidor menos eficiente e claro, desonesto. E
sem “sujar” as mãos, pois a origem e o autor do “crime”, como deixa clara a
investigação nas eleições americanas pela CIA e FBI, são difíceis de serem
identificados.
João
Fortunato - jornalista e consultor especialista em gestão de crise corporativa
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