A Quarta Revolução Industrial tem potencial para causar um profundo
impacto na sociedade. Os primeiros inovadores de grande sucesso comercial e
social já podem ser identificados nos países que abraçaram as possibilidades e
o valor proporcionados por ela. E a tendência é que os países da América Latina
sigam essa mesma referência de inovação que a revolução traz.
Neste cenário é necessário ter um planejamento de cenários que permita
às empresas traçar estratégias em cenários de incerteza. Neste artigo vamos
propor abordagens com base em nossa experiência no FuturesLab da Salesforce e
também no laboratório de planejamento da Universidade de Stanford.
Como pano de fundo vamos usar uma pesquisa que a Salesforce contratou
com a IDC sobre os avanços da digitalização nas empresas na América Latina. O
estudo considerou quatro categorias: mobilidade; inteligência; conectividade e
integração; e velocidade e produtividade.
Resultados do Brasil no Benchmark iDX
Business Digitalization
Salesforce, líder mundial em CRM,
conecta as empresas a seus clientes de formas inovadoras. Para mais informações
sobre a Salesforce (NYSE: CRM), acesse http://www.salesforce.com/br.
Durante a pesquisa, foram identificadas diversas oportunidades para as
organizações. Os resultados mostram que as empresas investiram na mobilidade da
força de trabalho e em formas de aprimorar a velocidade e a produtividade. No
entanto, foram encontradas melhores oportunidades nas categorias integração,
inteligência e conectividade. Obter soluções integradas para acelerar os
processos nas empresas e dados atualizados para informar melhor as decisões são
os dois principais desafios enfrentados no momento.
Quarta Revolução Industrial
A digitalização das vidas pessoais, atividades corporativas e governamentais na América Latina não é um fenômeno regional isolado, mas, sim, uma tendência global. Ela é responsável pela reestruturação de todos os níveis da economia, de forma tão profunda que o Fórum Econômico Mundial e a Salesforce, entre outras corporações e instituições, consideram o momento atual como a "Quarta Revolução Industrial".
As revoluções industriais são caracterizadas por avanços científicos e
tecnológicos, que geram grandes transformações na economia. Notáveis
inovadores reconhecem a importância dessas mudanças e, com uma grande
abundância de recursos, desbancam a concorrência e expandem seus mercados.
Essa Quarta Revolução Industrial, identificada como a "Era da
Inteligência", se mostra tão transformadora quanto as anteriores, como a
de motores a vapor e mecanizados, canais e ferrovias, no século 18; a do aço,
eletricidade, telégrafos, produtos químicos e petróleo, que viabilizaram a
produção em massa, no século 19; e a revolução causada pela informática, pelas
grandes empresas globais de telecomunicação, redes de fornecedores e pela
Internet, no final do século 20.
Cada uma dessas revoluções anteriores mudaram drasticamente as economias
de suas épocas e criaram oportunidades tanto para os vencedores nesta virada
como progresso social. Por exemplo, no caso da indústria química que surgiu na
Alemanha no século 19, as empresas criadas a partir daquele grupo de inovadores
continuam com uma papel de destaque no setor até hoje. Espera-se que o impacto
desta Quarta Revolução Industrial seja ainda mais profundo. A Era da
Inteligência já está gerando vencedores e desenvolvimento social nos países que
aparentam ter se preparado para abraçar as possibilidades e o valor que está
sendo criado.
Contexto latino-americano
Quais estratégias podem acelerar a transformação e os processos para preparar as empresas e sociedades da América Latina para explorar a Era da Inteligência em benefício próprio e vencer em um mundo globalmente competitivo?
Como a The Economist apontou, este é um ano de eleições importantes nas
maiores economias da região – Colômbia, Brasil e México. Estes pleitos ocorrem
após uma série de pesquisas ano passado que destacavam a influência direta da
incerteza política no mundo dos negócios.
Em um mundo cada vez mais globalizado, não é de surpreender que os temas
levantados para as eleições nesses mercados sejam alinhadas com aqueles que
ganharam visibilidade em outros lugares, como a desconfiança na classe política
estabelecida; o medo frente aos efeitos perniciosos das mídias sociais,
particularmente a partir da manipulação conforme os interesses de poderes
estrangeiros; e a defesa de um protecionismo em prol de organizações nacionais,
gerado em grande parte pelo impacto econômico desigual da globalização. Essas
questões acabam por criar um cenário de grande incerteza política.
Duas recomendações
Em vista disso, o que devem fazer as principais organizações latino-americanas? Propomos duas estratégias principais.
Primeiro, deve-se reconhecer a profunda mudança estrutural representada
pela Quarta Revolução Industrial — como apontado pelo estudo da IDC no Brasil –
e apressar-se para adaptar os negócios à nova realidade. É importante notar que
as empresas que saíram na frente nesse contexto adotaram modelos mais centrados
nos clientes, apoiados por novas formas organizacionais e uma nova
infraestrutura de inteligência. Não se deve deixar que o cenário eleitoral
paralise as transformações digitais e
as tomadas de decisões nas empresas, algo comum na região no passado. Se falhar
nisto, os negócios ficarão mais vulneráveis e abrirão espaço para uma
concorrência mais ágil, local e principalmente externa, que investe grandes
esforços na elaboração dos processos necessários para o aprimoramento contínuo
de produtos, serviços e experiências do cliente.
No Brasil, a Salesforce trabalha com a Embraer, líder mundial no setor
da aviação que compete de igual para igual com algumas das maiores e mais
avançadas empresas do mundo. Ao passo que a excelência em engenharia
aeronáutica é primordial para a empresa brasileira, ela também usa diversas
aplicações e ferramentas da Salesforce para gerenciar as experiências e os
relacionamentos de clientes, além de conferir maior eficiência às colaborações
internas e externas. A Embraer não se contenta em ver o futuro acontecer: ela
trilha seu próprio caminho em direção a ele.
Nossa segunda recomendação é explorar os possíveis cenários que podem
emergir desses momentos de incerteza. Como seres humanos, mostramos uma
predisposição a focar em resultados utópicos ou apocalípticos, que dificilmente
se concretizam. Esse comportamento pode levar a erros de estratégia muito
sérios. O Planejamento de Cenários facilita a elaboração de pensamentos
estruturados sobre o futuro e a expansão das possibilidades para além dessas duas
"hipóteses falsas".
Em nossa experiência de trabalhar com cenários há décadas, percebemos
que as equipes executivas que fazem uso de narrativas sobre futuros possíveis
encontram melhores caminhos para fugir à dúvida e à incerteza e encontram
clareza e convicção para agir. Os cenários não fazem a incerteza desaparecer
como em um passe de mágica, mas ajudam a identificar oportunidades (e riscos)
ligadas a importantes fatores, como a Quarta Revolução Industrial e as
tendências que fundamentam o contexto político em toda a região. Eles podem
ajudar a equipe executiva a buscar alinhamento frente a possíveis tempestades.
O objetivo do Planejamento de Cenários é tomar melhores decisões, e não fazer
melhores previsões.
No caso das eleições por vir na América Latina, essa estratégia pode
apontar quais seriam as principais implicações de cada resultado das urnas e
identificar as probabilidades de mudanças ligadas a cenários específicos. Em
resposta às conversas com clientes, começamos a explorar as possibilidades dessas
eleições. Continuaremos a investir nesse processo ao longo de todo o ano.
Estamos confiantes de que o futuro será brilhante para a região e as empresas
locais, principalmente graças às mudanças promovidas pela Era da Inteligência e
pela digitalização
WEF
São Paulo 2018, por Peter Schwartz e Mia de Kuijper
Salesforce

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