Na Copa do Mundo
de 2014, nas oitavas de final, Brasil e Chile decidiram quem iria para a próxima
etapa nos pênaltis. Apesar do sufoco – do qual a seleção brasileira escapou
ilesa – um personagem ocupou os noticiários no dia seguinte à partida: o
capitão Thiago Silva.
Antes das
penalidades, as câmeras mostraram um capitão assustado, visivelmente
transtornado diante daquele desafio. Quem esperava vê-lo junto ao grupo de
jogadores, com palavras de incentivo, espantou-se ao vê-lo isolado. E desolado.
Informações de bastidores disseram, até, que o capitão disse ao técnico Luiz
Felipe Scolari que não queria ser um dos batedores da seleção. Não se sentia
confiante.
Por que será que
esta postura do capitão se transformou em assunto nacional? Porque ele era o
líder daquela equipe e ninguém esperava vê-lo tão abatido.
Thiago Silva é
humano como todos nós. Está sujeito a momentos de fraqueza, a “não dar conta”.
É que a expectativa que se tem em torno do líder é grande. Ninguém se
autoproclama líder. Líder a gente reconhece.
Não vou buscar
referências acadêmicas para definir o líder. Vou defini-lo com base em minha
vivência de mais de 20 anos em grandes corporações. O líder é pura inspiração,
é referência. É aquele que se destacou no grupo de colaboradores e,
naturalmente, passou a exercer uma influência sobre essas pessoas.
O líder passa
confiança, sabe por quê? Porque ele tem coerência entre o discurso e a prática.
Com ele, não tem essa de “faça o que eu digo, não faça o que eu faço”. É por
isso que ele tem uma admiração espontânea.
Tente se lembrar
de um grande líder da história. Todos tinham um objetivo e perseveraram. Foram
adiante apesar das adversidades, conquistaram apoio ao longo do caminho.
Colecionaram conquistas. E muitos admiradores!
Não é raro
ouvirmos, nos corredores da empresa, um colaborador falando assim de seu líder:
“Quando eu ‘crescer’, quero ser como ele”.
O mentor – Há também uma outra figura igualmente importante e
estratégica na minha visão: o mentor. Ele não precisa ser um líder. Basta que
tenha a experiência suficiente para servir de catalisador àqueles que carecem
de amadurecimento e maturidade profissionais.
Estabelece com o
mentorando uma relação individual, levando em conta as vivências, necessidades
e objetivos daquela pessoa em especial. Promoverá reflexões, provocará
discussões, sempre tendo em mente a evolução daquele que está sob seus ‘olhos’.
O líder também
pode ser um mentor. Ou ter momentos em que atua como mentor. Na verdade, o
rótulo nem é tão importante. Importante mesmo é ter a sensibilidade para
reconhecer, no momento certo, se é preciso ser líder de um grupo ou o mentor de
um talento que faz parte de planos sucessórios.
Líder e mentor.
Dois papéis positivos e importantes para as organizações que sabem que, mais
importante que seus produtos, serviços, diferenciais e tecnologia, são as
pessoas. E me arrisco a dizer que as empresas vencedoras – com chances de se
perpetuar no mercado - são aquelas que dão valor à sua gente.
Marcelo Tertuliano é Administrador de Empresas,
com 22 anos de experiência na função financeira, dos quais, 15 anos em posições
de liderança. Atualmente está à frente da área financeira de uma grande
mineradora em Moçambique.
Nenhum comentário:
Postar um comentário