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terça-feira, 26 de maio de 2026

Alimentos e bebidas: como o setor está inovando?

Para uma indústria construída sobre escala, eficiência operacional e previsibilidade de demanda, lidar com incertezas não é simples. Esse é o caso do setor de alimentos e bebidas que, por décadas, operou sob uma lógica de ciclos de consumo estáveis e portfólios consolidados. Contudo, com a chegada das novas gerações, sobretudo a Z e Alfa, este consumo tem passado por grandes mudanças e novas tendências que vêm exigindo dessas empresas que saiam de uma zona de conforto baseada em escala e eficiência, para um território onde a inovação precisa lidar, acima de tudo, com a imprevisibilidade. 

Durante décadas, este setor foi guiado por padrões relativamente estáveis de consumo. Preferências eram herdadas entre gerações, a lealdade às marcas era consistente e a inovação seguia uma lógica incremental, com novos sabores e melhorias nos produtos que já tinham ampla aderência pela população. Hoje, esse cenário é profundamente diferente: 54% dos consumidores dizem buscar ativamente novos sabores e experiências ao consumir alimentos, segundo o “Food & Drinks Trends 2025”. 

Ao invés de manter padrões repetitivos, o consumidor moderno é mais movido à descoberta de novas opções e tendências, sobretudo se estiverem alinhadas a hábitos mais saudáveis. Dados divulgados no portal Suzy revelam que 65% da Gen Z está disposta a substituir bebidas alcoólicas por alternativas não alcoólicas em ambientes sociais, comprovando essa clara tendência ao consumo consciente.   

Os estudos acima mostram que essa transformação não é pontual, mas estrutural. Se, antes, o setor de alimentos e bebidas operava com base em ciclos relativamente previsíveis, hoje passa a navegar em um ambiente de demandas voláteis, experimentais e altamente influenciadas por hábitos mais saudáveis focados no bem-estar – o que reforça não apenas a importância da inovação como peça-chave para se destacar neste cenário, como, principalmente, a sustentação da incerteza como pilar indispensável desta governança. 

Ao invés de ser encarado como um risco a ser evitado, o cenário de incerteza pode ser utilizado estrategicamente a favor da simulação de diferentes cenários e seus possíveis impactos, mapeamento das novas demandas dos consumidores, assim como da realização de testes de cada decisão capaz de ser tomada, de forma que seja criado um sistema contínuo de inovação baseado na experimentação, no aprendizado acelerado e na adaptação constante aos desejos dos clientes, de forma que possam continuar desenvolvendo produtos aderentes ao que buscam. 

Uma boa governança de inovação analisa e projeta possíveis cenários futuros, fornecendo parâmetros que indiquem os melhores caminhos a serem seguidos que favoreçam com a conquista dos objetivos desejados. Em um mercado onde a previsibilidade já não é mais suficiente para sustentar o crescimento corporativo, a capacidade de governar a incerteza passa a ser, na prática, o novo diferencial competitivo que será determinante para a atração e fidelização de cada vez mais consumidores. 

Diante de gerações cada vez mais exigentes que não apenas consomem de forma diferente, mas redefinem, constantemente, o que esperam das marcas, seus produtos e experiências, insistir em modelos rígidos de inovação se torna um risco grave à própria sobrevivência do negócio. Nesse contexto, a governança de inovação orientada pela incerteza é uma necessidade estratégica para que as empresas respondam, com agilidade, a tais mudanças, mantendo sua relevância em um mercado onde a fidelidade do cliente é cada vez mais complexa de ser sustentada. 

 

Alexandre Pierro - doutorando em energia e mestre em gestão e engenharia da inovação, engenheiro mecânico, bacharel em física e especialista de gestão da PALAS, consultoria pioneira na implementação da ISO de inovação na América Latina.     


Centro de esqui Nevados de Chillán expande Parque Aventura com pista de patinação no gelo

  Nevados de Chillan  Snowboarder em Nevados de Chillán 
Divulgação



Nova atração chega nessa temporada de inverno para complementar o playground de inverno do melhor centro de esqui do Chile, que já conta com tirolesa e tubing

 

Para a temporada de inverno 2026, o centro de esqui Nevados de Chillán, eleito por sete vezes o Melhor Ski Resort do Chile e um dos 25 melhores do mundo pela World Ski Awards (2017, 2018, 2019, 2022, 2023, 2024 e 2025), acaba de ganhar mais um motivo para visitantes e esquiadores estenderem sua temporada na montanha. O Parque Aventura, localizado em uma região estratégica do complexo, agora conta com uma pista de patinação no gelo com 15 metros de largura por 25 metros de comprimento, um novo polo de diversão que promete atrair grupos de amigos e famílias inteiras.

A pista de patinação se soma às atrações já consagradas do parque, como a tirolesa, que proporciona a sensação de voo livre sobre a Cordilheira dos Andes com vista para os três vulcões adormecidos — Viejo, Nuevo e Nevados — e o tubing, a clássica descida em boias sobre a neve que faz a alegria de crianças e adultos. Com um mesmo ticket, é possível cruzar o vale de tirolesa até doze vezes por dia, cada passagem revelando uma nova perspectiva da paisagem andina.

O Parque Aventura foi concebido como um espaço de entretenimento que reúne as brincadeiras tradicionais dos grandes centros de esqui do mundo. A nova pista de patinação no gelo reforça esse posicionamento, oferecendo uma atividade inclusiva que não exige experiência prévia e pode ser aproveitada por toda a família, seja em uma turma de amigos ou em um programa familiar completo.

Com a maior pista de esqui da América do Sul, a lendária Três Marias com 13 quilômetros de extensão, Nevados de Chillán oferece um espetacular e desafiante panorama da Cordilheira dos Andes. São mais de 45 quilômetros de pistas distribuídas em 23 pistas, acessadas por 13 lifts, com um desnível vertical de 970 metros. A superfície esquiável é dividida em 22% para iniciantes, 41% para intermediários, 31% para avançados e 6% para experts.

Para quem busca ainda mais emoção, a estação ilumina suas pistas durante uma noite por semana para aqueles que querem horas extras de desafio. O complexo conta ainda com um completo Snowpark com half pipe, quarter pipe, jump e fun box, além de um programa de freeride e backcountry que promove uma cultura responsável de montanha.

Distante 407 quilômetros ao sul de Santiago, 194 quilômetros a leste de Concepción e 82 quilômetros da cidade de Chillán, Nevados de Chillán está instalado aos pés de três vulcões adormecidos, a 1.530 metros sobre o nível do mar, em meio a um cenário de floresta nativa. Sua localização privilegiada garante neve durante todo o inverno e um aquecimento natural das águas termais que abastecem todo o complexo, desde os apartamentos até as piscinas e spa.

O centro de esqui conta com hotéis de montanha que oferecem serviços de spa para estética, relaxamento e saúde, piscinas de águas termais naturais em três recintos distintos — Hotel Nevados, Valle Hermoso e Parque de Água Termal — além de bares, restaurantes com gastronomia local e internacional, nightclub, academia e salas de reunião. Para visitantes que desejam apenas um dia de experiência, há programas de daypass com acesso às piscinas termais e refeições.

Em sua área total de mais de 5 quilômetros quadrados, o complexo é propício à prática de diferentes modalidades, do esqui nórdico ao alpino, do snowpark aos passeios de snowmobile e trenós. A privilegiada geografia de Nevados de Chillán, localizado na região de Ñuble, concede um espetacular e desafiante panorama aos amantes de esqui e snowboard, com saltos vertiginosos, velocidade extrema e uma paisagem incomparável que atrai tanto profissionais e aficionados quanto amadores.


DADOS DA MONTANHA

Nevados de Chillán (Nuble, Chile)

Site: www.nevadosdechillan.com

Temporada: de 20 de junho a 30 de setembro de 2026

Abertura dos hotéis: Nevados: 20 de junho | Alto Nevados: 1 de julho

Pistas: 23 (22% para iniciantes, 41% para intermediários, 31% para avançados e 6% para experts).

Meios de Elevação (lifts): 13

Altura da base: 1.530 metros.

Altura máxima: 2.500 metros.

 

Escassez de mecânicos de aeronaves impulsiona formação e contratações no país

Com alta demanda global e déficit de profissionais qualificados, carreira na manutenção aeronáutica ganha força no país e abre oportunidades para jovens, mulheres e profissionais 50+


 

A expansão do setor aéreo global tem aumentado a demanda por profissionais especializados na manutenção de aeronaves. Com companhias aéreas ampliando operações, renovando frotas e retomando rotas internacionais, a procura por mecânicos de manutenção aeronáutica cresceu no Brasil e passou a abrir novas oportunidades de carreira em um segmento ainda pouco conhecido do grande público. 

 

Segundo projeções da Boeing, a aviação comercial deverá demandar 2,37 milhões de novos profissionais até 2044. Desse total, cerca de 710 mil vagas serão destinadas a técnicos de manutenção aeronáutica — profissionais responsáveis por garantir segurança operacional, inspeções técnicas e a disponibilidade das aeronaves. 

 

Na América Latina, a expectativa é de que o setor precise de aproximadamente 42 mil novos técnicos nas próximas décadas, acompanhando o crescimento do tráfego aéreo e a expansão das companhias na região. 

 

No Brasil, o movimento já começa a ser sentido pelas escolas de formação e pelas empresas do setor. A busca por cursos técnicos ligados à aviação aumentou nos últimos anos, impulsionada pela alta empregabilidade e pela necessidade de mão de obra qualificada.

 

“O mercado vive uma falta significativa de profissionais técnicos. Hoje, muitas empresas enfrentam dificuldades para ampliar operações porque não encontram equipes suficientes para atender a demanda”, afirma Lito Sousa, fundador da Lito Academy.

 

Criada durante a pandemia, a Lito Academy surgiu com foco na formação de profissionais da aviação e hoje atua na capacitação de mecânicos, comissários e outros profissionais do setor. Segundo a empresa, a instituição forma cerca de 2000 mecânicos por ano e registra índice de empregabilidade de aproximadamente 70%.

 

Dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) apontam que o Brasil possui cerca de 15 mil mecânicos de manutenção aeronáutica registrados na ANAC. Apesar do número, a demanda do setor continua elevada. Outro dado que chama atenção é a baixa participação feminina na profissão. Hoje, apenas 835 mulheres atuam como mecânicas de manutenção aeronáutica no Brasil.

 

“A aviação técnica ainda é vista como um ambiente predominantemente masculino, mas isso vem mudando. As empresas têm buscado profissionais cada vez mais diversos e qualificados, colocando inclusive vagas positivas para diminuir essa diferença”, diz Lito.

 

Para atuar na área, é necessário concluir um curso homologado pela Anac, com duração média de dois anos. A formação inclui especializações em Célula, Grupo Motopropulsor (GMP) e Aviônicos, áreas responsáveis pela estrutura física da aeronave, motores e sistemas eletrônicos.

 

Além da formação técnica, a Lito Academy aposta em um modelo que aproxima os alunos do mercado ainda durante o curso. Por meio de parcerias com companhias aéreas e oficinas homologadas, muitos estudantes conseguem ingressar em estágios remunerados já nos primeiros meses de formação, iniciando antecipadamente a experiência prática exigida pela Anac para obtenção da licença definitiva de atuação.

 

Embora a carreira de piloto concentre maior visibilidade, a manutenção aeronáutica tem se destacado pela rápida inserção no mercado. Segundo a Lito Academy, a proximidade com empresas do setor tem facilitado o acesso dos estudantes às primeiras oportunidades profissionais ainda durante a formação.

 

“Os aviões no futuro poderão voar sem pilotos, mas sempre precisarão de mecânicos para consertar a máquina. É uma profissão que deve sobreviver à nova era da aviação”, afirma Lito Sousa.

 

A remuneração também chama atenção. Dependendo da especialização, do domínio do inglês e do tempo de experiência, os salários podem variar de R$ 3 mil em posições iniciais até mais de R$20 mil em cargos mais sêniores em companhias aéreas internacionais que operam no Brasil. O setor também registra alta demanda de profissionais brasileiros no exterior, especialmente em países como Canadá, Estados Unidos e Emirados Árabes Unidos. 

 

O setor também passou a atrair profissionais em transição de carreira e pessoas acima dos 50 anos, movimento que ganhou força após a pandemia. Segundo a Lito Academy, mais de 15% dos alunos com 50+ anos buscaram formação em manutenção aeronáutica na escola desde 2020. 

 



Lito Sousa - especialista em aviação, empresário e fundador do Lito Group. Criador do canal Aviões e Músicas (curiosidades, histórias e conteúdo para superar o medo de voar de avião), reúne uma comunidade de mais de 6 milhões de pessoas, somando YouTube e redes sociais, consolidando-se como uma das principais vozes da aviação no Brasil. Com mais de 40 anos de experiência no setor, atuou como mecânico e supervisor de voo em companhias como Varig, Transbrasil e United Airlines, além de ser piloto privado e especialista em fatores humanos. Também lidera a Lito Aviation Academy, escola homologada pela ANAC voltada à formação de profissionais da aviação.


Lito Group
Saiba mais em: Lito Academy


Empresa de tecnologia ainda precisa de escritório?

Mesmo com a consolidação do trabalho remoto e híbrido, empresas de tecnologia seguem repensando o papel do espaço físico como ferramenta de cultura, colaboração e crescimento

 

Durante anos, empresas de tecnologia lideraram a adoção do home office e ajudaram a consolidar o trabalho remoto como modelo viável e escalável. No entanto, após a fase inicial de digitalização acelerada, muitas dessas companhias passaram a reavaliar o papel do escritório dentro de suas operações.

A resposta para se empresas de tecnologia ainda precisam de escritório é: depende do momento, da cultura e do modelo operacional do negócio. O espaço físico deixou de ser obrigatório para execução diária, mas segue relevante para atividades estratégicas, integração entre equipes e fortalecimento da cultura organizacional.

Dados da consultoria McKinsey & Company apontam que empresas com maior interação presencial em momentos-chave tendem a ter ganhos em colaboração, inovação e velocidade de tomada de decisão, fatores especialmente importantes em negócios de tecnologia, onde troca rápida de informação e construção coletiva fazem parte da rotina.

Além disso, empresas em crescimento enfrentam desafios específicos no modelo 100% remoto. Onboarding de novos talentos, alinhamento entre times, desenvolvimento de lideranças e senso de pertencimento são pontos frequentemente apontados como mais complexos em estruturas totalmente distribuídas.

Segundo pesquisa da Gallup, profissionais em modelo híbrido registram maiores níveis de engajamento quando comparados a trabalhadores totalmente remotos ou totalmente presenciais. O dado reforça a tendência de equilíbrio entre flexibilidade e presença estratégica.

Para startups e scale-ups, o escritório também pode funcionar como ferramenta de marca empregadora e credibilidade. Em determinados contextos, especialmente em reuniões com investidores, clientes e parceiros, a existência de um espaço físico ainda contribui para percepção de maturidade e estrutura.

Para a Be In, especializada em escritórios sob medida, a discussão deixou de ser “ter ou não ter escritório” e passou a ser sobre função estratégica do espaço. “Empresas de tecnologia não precisam mais do escritório como ponto obrigatório de operação diária, mas continuam precisando de espaços que favoreçam colaboração, integração e cultura. O escritório muda de papel, mas não necessariamente deixa de existir”, afirma Nikolas Matarangas, CEO da companhia.

Segundo o executivo, o modelo ideal costuma variar conforme o estágio da empresa. Startups em fase inicial podem operar com estruturas mais enxutas e flexíveis, enquanto empresas em expansão frequentemente demandam espaços próprios ou customizados para acompanhar crescimento, operação e experiência dos times.

Outro ponto relevante é a atração e retenção de talentos. Em um mercado altamente competitivo, empresas têm investido em espaços mais atrativos, colaborativos e alinhados à experiência do colaborador, transformando o escritório em um ambiente de encontro e conexão, e não apenas de trabalho individual.

Na prática, empresas de tecnologia ainda podem se beneficiar de escritórios, mas com uma lógica completamente diferente da tradicional. O espaço físico deixa de ser centro operacional obrigatório e passa a funcionar como extensão estratégica da cultura, da colaboração e do crescimento do negócio.


O Brasil está pronto para a inclusão de riscos psicossociais na NR-1?

Com vigência a partir de maio de 2026, as novas atualizações da Norma Regulamentadora nº1 (NR-1) exigem a inclusão dos fatores de riscos psicossociais no gerenciamento de riscos ocupacionais. Essa alteração impactará significativamente o planejamento das empresas, visto que apenas 44% das organizações afirmam já ter realizado esse mapeamento, como aponta a Pesquisa Nacional sobre a Maturidade no Combate ao Assédio no Brasil – Panorama 2026.

 

Em um cenário global, a legislação trabalhista brasileira demonstra grande maturidade no plano de gerenciamento de riscos biológicos, inclusive superior à de muitos países do hemisfério norte. No entanto, foi apenas com a atualização da NR-1 que o Brasil se aproximou de regulamentações psicossociais de nações com legislações mais robustas e abrangentes sobre saúde e bem-estar dos colaboradores.
 

Mapeamento de riscos psicossociais

A NR-1 é a principal norma brasileira que serve como referencial para as regras de segurança e saúde no trabalho, direcionando o planejamento de um ambiente empresarial seguro para os colaboradores. A diretriz consiste em passos de identificação e avaliação de riscos para planejamento de ações preventivas e de mitigação, registradas por meio do do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), documento que formaliza a gestão de riscos ocupacionais. 

Com a inclusão do mapeamento de riscos psicossociais no ambiente de trabalho, a fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego vai exigir um registro documentado de análise e gerenciamento desses riscos aos quais os colaboradores estão expostos. Em um primeiro momento, as sanções para as empresas consideradas irregulares poderão ser mais brandas. 

Contudo, as auditorias ficarão mais minuciosas e podem gerar aumentar o grau das penalidades, inclusive acarretando na inviabilização da operação em casos graves. Além das consequências operacionais e eventuais multas, a inclusão de fatores psicossociais afeta a variação do fator acidentário de prevenção, medido de acordo com o nível de incidentes e adoecimento da empresa, impactando os custos das organizações.
 

Maturidade das empresas brasileiras

A atualização da NR-1 aumentou a atenção para o tema e destacou uma lacuna importante de gestão dentro das companhias, segundo a 8ª edição da Pesquisa Inteligência Emocional e Saúde Mental no Ambiente de Trabalho, realizada pela The School of Life Brasil em parceria com a Robert Half, 35% dos líderes não têm conhecimento básico para apoiar as empresas no cumprimento das novas exigências. 

Atualmente, uma das maiores dificuldades de adaptação das organizações está na compreensão do que caracteriza um risco psicossocial e como mensurá-lo da maneira adequada. Muitas vezes, o conceito é confundido com suas próprias consequências, associando-se diretamente com burnout e ansiedade, que, na realidade, são desdobramentos de riscos que deveriam ter sido identificados e tratados anteriormente. 

A principal diferença entre empresas maduras e reativas consiste na maneira como a saúde ocupacional é incorporada à organização. Enquanto empresas mais maduras adotam uma abordagem integrada e contínua, alinhada à cultura organizacional e à saúde holística, empresas reativas tendem a trabalhar a questão em formatos mais fragmentados. 

Embora a legislação brasileira seja robusta, sua estrutura trata separadamente cada cenário, assumindo riscos e desfechos fixos e contínuos. Com a atualização da NR-1 e a inclusão da saúde mental, esse modelo passa a exigir das companhias maior integração entre indicadores e estratégias de gestão para alinhar-se à complexidade dos riscos psicossociais. 

Esta readequação demanda um trabalho de base de formação de gestores e colaboradores para compreensão da gestão da saúde ocupacional a partir desta nova perspectiva. O estudo conduzido pela The School of Life Brasil indica, ainda, que apenas 27% dos gestores afirmaram acreditar que as companhias em que atuam estão “bem” ou “totalmente” preparadas e estruturadas para lidar com o tema. 

Nesse contexto, as empresas precisam acelerar essa inserção de práticas e processos que já deveriam fazer parte da sua cultura organizacional. No entanto, essa transformação não ocorre de imediato, exige-se um planejamento de integração contínua entre diferentes áreas e níveis das organizações.
 

Integração entre setores

Levando em consideração as demandas criadas com as recentes mudanças regulatórias, os setores de Recursos Humanos e Segurança do Trabalho vão protagonizar o processo de adaptação das companhias, além de serem responsáveis por comunicar e inserir todas as partes envolvidas na transição. 

Aplicando métricas adequadas e realizando as mensurações corretamente, as novas diretrizes permitem a esses profissionais reimaginar os fluxos de trabalho, ampliando significativamente o potencial de inovação das áreas. 

Em muitos casos, estes departamentos atuam em modelo protocolar. Entretanto, a implementação das novas estruturas, aliada à coleta e à análise dos dados, exigirá uma adaptação operacional relevante, na qual as áreas precisarão desempenhar um papel mais ativo na condução da transição, atuando como agentes de integração, mediação e direcionamento estratégico. 

Em paralelo à mobilização do RH e da segurança do trabalho, a liderança possui o papel de assegurar a adaptação da cultura organizacional com sensibilização entre todos os elos da cadeia e permitir atualizações orçamentárias para reorganização e aprimoramento de fluxos de trabalho.
 

Processo de conformidade

Entre os principais obstáculos encontrados no processo de adequação das novas exigências, destaca-se o diagnóstico dos riscos psicossociais, uma vez que não é possível gerenciar aquilo que não se consegue medir. Há, ainda, uma dificuldade na diferenciação de fatores de saúde mental relacionados às esferas pessoal e profissional. 

Mesmo que esta primeira barreira seja superada, é necessário compreender como administrar e traduzir os dados recolhidos para gestão de projetos de intervenção ou adaptação de operações. Esse cenário de necessidade pode gerar tokenismo, prática superficial de coleta e mensuração de dados, apresentando um compliance adequado para vistorias, mas que, na realidade, não gera resultados palpáveis e não é, de fato, internalizado na cultura organizacional da empresa. 

Sendo assim, apenas uma adoção transversal de identificação e medidas práticas entre todas as áreas e hierarquias promoverá uma adaptação ética e em compliance com a legislação, impactando, inclusive, indicadores financeiros. 

Nesse sentido, parâmetros de felicidade no trabalho estão diretamente relacionados à produtividade e ao valuation da empresa. Companhias do S&P 500 que estão entre as 20% com maior nível de felicidade dos funcionários superaram aquelas nos 20% inferiores em quase 6% no desempenho das ações ao longo de um período de 11 anos, como aponta estudo da Irrational Capital

A fim de evitar tokenismo e promover uma adaptação consistente às novas exigências da NR-1 relacionadas a riscos psicossociais, as organizações podem contar com mecanismos de suporte nesse processo, como consultorias especializadas e softwares e ferramentas de gestão de dados. Esses recursos auxiliam na tomada de decisão, fortalecem a conformidade com a norma e contribuem para a adoção de práticas alinhadas aos pilares Social e de Governança do ESG, além de favorecerem a promoção da saúde e do bem-estar dos colaboradores.

 

Helyn Thami - CEO da HT Consultoria, empresa que transforma a cultura de saúde e bem-estar no maior propulsor dos negócios, utilizando tecnologia, metodologias ágeis e inteligência de dados.


NR-1 ganha protagonismo na reta final de transição e pressiona empresas a rever gestão de riscos e saúde ocupacional

Nova fase da norma começa em maio de 2026 com fiscalização punitiva, amplia exigências sobre governança e riscos psicossociais, e pode gerar sanções e passivos para organizações não adequadas
 

A reta final do período de transição da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) tem colocado empresas brasileiras sob pressão para revisar suas práticas de saúde, segurança e gestão de riscos ocupacionais. A partir desta terça-feira, 26 de maio, passa a vigorar a fase de fiscalização punitiva, com aplicação de multas e sanções para organizações que não estiverem em conformidade 

Com as atualizações promovidas pelo Ministério do Trabalho e Emprego, a NR-1 consolidou o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) como eixo central e tornou obrigatória a implementação do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), ampliando significativamente o escopo das exigências regulatórias. A norma passa a demandar uma abordagem contínua, estruturada e integrada, envolvendo não apenas riscos físicos, químicos e biológicos, mas também fatores ergonômicos e psicossociais. 

Na prática, a adequação à NR-1 tende a exigir um diagnóstico estruturado, com envolvimento de equipes multidisciplinares e uso de dados já disponíveis nas organizações, como indicadores de absenteísmo, rotatividade, afastamentos e registros internos. Ferramentas como pesquisas de clima, entrevistas e análises de processos passam a ser utilizadas para identificar lacunas e priorizar ações. 

Nesse contexto, as empresas precisam estruturar e manter atualizado o PGR, documento que substitui programas anteriores e passa a ter um escopo significativamente ampliado, contemplando todos os tipos de riscos ocupacionais. O programa deve incluir inventário de riscos, plano de ação com responsáveis e prazos definidos, além da adoção de medidas de prevenção eficazes, seguindo a hierarquia de controle que prioriza a eliminação dos riscos, medidas coletivas, administrativas e, por fim, o uso de equipamentos de proteção individual (EPIs). 

A norma também reforça a obrigatoriedade de capacitação dos trabalhadores, o uso de meios digitais para treinamentos e documentação, além da necessidade de maior rastreabilidade das informações e atualização constante do inventário de riscos, especialmente diante de mudanças organizacionais, novas tecnologias ou ocorrência de incidentes. 

Outro avanço relevante é a exigência de mecanismos formais de consulta e participação dos trabalhadores no processo de identificação e avaliação de riscos, incorporando a percepção de quem vivencia diretamente as atividades operacionais e aumentando a efetividade das ações implementadas. A efetividade da norma também está diretamente relacionada à construção de uma cultura organizacional baseada em confiança, escuta ativa e segurança psicológica. 

Segundo Bruno Ferola, Diretor de Forensic and Integrity da Protiviti, consultoria global especializada em compliance, gestão de riscos, tecnologia e inovação, a NR-1 representa uma mudança relevante na forma como as organizações devem encarar a gestão de riscos ocupacionais. “Não se trata apenas de cumprir uma exigência regulatória, mas de estruturar um modelo de gestão que seja capaz de identificar, priorizar e mitigar riscos de forma contínua e integrada ao negócio, o que demanda maior maturidade em governança, dados e processos internos”. Para ele, a norma eleva o nível de exigência sobre a alta liderança, uma vez que a responsabilização passa a envolver decisões estratégicas e a efetividade dos controles implementados. 

Entre as responsabilidades reforçadas estão a designação de responsável técnico pelo PGR e a alocação de recursos adequados, financeiros, humanos e tecnológicos, para a implementação efetiva das medidas de prevenção. A norma não estabelece um modelo único de implementação, o que exige que cada organização desenvolva abordagens compatíveis com sua realidade, complexidade e perfil de risco, elevando o nível de maturidade exigido das áreas de gestão e governança. 

Além disso, a incorporação de riscos psicossociais ao debate regulatório amplia o escopo de atenção das empresas, especialmente em um contexto de aumento de casos relacionados a estresse, burnout e outros impactos à saúde mental. A inclusão desses fatores reflete uma mudança alinhada a tendências globais, reconhecendo elementos como assédio, sobrecarga, jornadas extensas e falta de suporte organizacional como determinantes relevantes para o adoecimento ocupacional. 

Mecanismos como canais de denúncias e ferramentas de comunicação interna ganham relevância nesse contexto, ao permitir a identificação precoce de riscos, inclusive psicossociais, e apoiar a atuação preventiva das organizações. A gestão desses riscos também passa a dialogar diretamente com outras normas, como a NR-17, ampliando a análise das condições de trabalho e exigindo uma visão mais integrada sobre fatores organizacionais e ergonômicos. 

Do ponto de vista jurídico e de conformidade, o não atendimento às exigências da NR-1 pode gerar uma série de consequências relevantes. Entre elas estão autuações administrativas, aplicação de multas, interdições de atividades, aumento do passivo trabalhista e maior exposição a ações judiciais, especialmente em casos de acidentes ou adoecimento ocupacional. Há ainda impactos indiretos, como danos reputacionais e restrições em processos de auditoria, certificação e relacionamento com investidores. 

De acordo com Cyro Diehl, cofundador da Be.Aliant, empresa de tecnologia referência em soluções integradas de Compliance, Ética, GRC, Privacidade e Regulatório, a tendência é de aumento na fiscalização e no cruzamento de dados por parte das autoridades, o que reduz a margem para abordagens meramente formais. “As empresas que ainda tratam a saúde e segurança do trabalho como uma obrigação documental correm riscos significativos, já que a fiscalização tem evoluído para avaliar a efetividade das medidas adotadas e não apenas a existência de registros.” Nesse contexto, ele aponta que a integração entre compliance trabalhista, tecnologia e gestão de dados será determinante para garantir aderência à norma.
 

A gestão passa a exigir também maior uso de dados e indicadores, como absenteísmo, afastamentos, rotatividade e registros internos, que devem ser monitorados continuamente para identificação de padrões e atualização do inventário de riscos. Outro ponto crítico envolve a necessidade de revisão de contratos, políticas internas e processos operacionais, especialmente em cadeias produtivas mais complexas.
 

A responsabilidade das empresas pode se estender a terceiros e prestadores de serviço, o que exige maior rigor na gestão de fornecedores e na verificação de conformidade ao longo de toda a cadeia, ampliando o escopo de atuação das áreas de governança e risco”, explica Diehl. 

Diante desse cenário, especialistas recomendam que as empresas realizem diagnósticos de aderência à NR-1, revisem seus Programas de Gerenciamento de Riscos, invistam em tecnologia para monitoramento e registro de informações, e promovam treinamentos contínuos para lideranças e colaboradores. A adoção de uma abordagem integrada, baseada em dados e alinhada às melhores práticas de governança, tende a ser um diferencial não apenas para garantir conformidade regulatória, mas também para fortalecer a cultura organizacional e reduzir riscos operacionais. 

O período de transição até maio de 2026 é considerado uma janela estratégica para adequação, permitindo que empresas ajustem processos, capacitem equipes e implementem mudanças estruturais antes do início das penalizações. Com a NR-1 consolidando-se como eixo estruturante das normas de segurança e saúde no trabalho, fica evidente que o tema deixou de ser exclusivamente operacional para assumir caráter estratégico dentro das organizações, exigindo envolvimento direto da alta gestão e uma mudança consistente na forma de lidar com riscos ocupacionais no Brasil.

 

Be.Aliant  


Enem 2026 abre inscrições, veja dicas de estudos para a prova


 

Magnific
Inscrição automática para alunos concluintes do Ensino Médioda rede pública é novidade deste ano


O prazo para estudantes de todo o país se inscreverem para a edição 2026 do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) começa nesta segunda-feira (25/5), e segue até o dia 5 de junho, pelo site do Enem. A taxa de inscrição é R$ 85. A aplicação das provas está programada para os dias 8 e 15 de novembro. Segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), o número de locais de prova será ampliado para cerca de 10 mil em todo o país, com 80% dos alunos da rede pública fazendo as provas na própria escola em que estudam. 

Uma das novidades deste ano prevê que os alunos concluintes do Ensino Médio da rede pública terão inscrição automática no exame. Os estudantes do 3º ano serão inscritos a partir de dados encaminhados pelas redes de ensino. Com essas medidas, o Ministério da Educação (MEC) espera, pelo menos, que 70% dos concluintes das escolas públicas participem do Enem em 2026, consolidando o exame como parte importante da avaliação da educação básica. 

O aluno terá apenas que confirmar a participação no exame e escolher o idioma da prova de língua estrangeira que deseja fazer, informar o município onde quer fazer a prova, além de solicitar recursos de acessibilidade, se necessário. O MEC informou que estuda apoio de transporte e deslocamento para aqueles estudantes que precisarem fazer o exame em outras cidades.
 

O Enem 

O Enem avalia o desempenho escolar dos estudantes ao término da educação básica. A prova é considerada a principal forma de entrada na educação superior, por meio de programas federais como o Sistema de Seleção Unificada (Sisu), o Programa Universidade para Todos (Prouni) e o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). As instituições de ensino públicas e privadas usam os resultados destas provas para selecionar estudantes. Desde o ano passado, o Enem voltou a ser aceito para certificação do ensino médio, no caso dos candidatos com 18 anos completos que alcancem a pontuação mínima em cada área do conhecimento e na redação.
 

Como se preparar para o Enem? 

Segundo o coordenador pedagógico da Escola Internacional de Alphaville, de Barueri (SP), Peter Rifaat, iniciar os estudos com antecedência permite uma cobertura completa dos temas mais recorrentes da prova, evitando a sobrecarga e o estresse comuns na reta final. “Conseguir uma boa nota no Enem é como chegar ao pódio de uma competição esportiva. É preciso treino, constância, prática e disciplina”, afirma. 

O Enem cobra do estudante conhecimentos nas áreas de Linguagens (Língua Portuguesa, Literatura, Língua Estrangeira, Artes, Educação Física e Tecnologias da Informação e Comunicação), Ciências Humanas (História, Geografia, Filosofia e Sociologia), Ciências da Natureza (Biologia, Química e Física), Matemática e Redação. 

Quanto à redação, Henrique Barreto Andrade Dias, coordenador pedagógico do Brazilian International School – BIS, de São Paulo/SP, destaca que conhecer profundamente as competências avaliadas pelo Enem é uma vantagem estratégica. Ele recomenda que o estudante analise redações nota mil para identificar padrões de organização textual, uso de conectivos e detalhamento da intervenção. “A prova não avalia apenas criatividade. Ela mensura domínio da norma padrão, compreensão do tema, capacidade argumentativa, coesão e elaboração de proposta de intervenção detalhada. Estudar a matriz de correção evita perda de pontos por descuidos técnicos”, afirma. 

Como o “terceirão” funciona como um período de consolidação de tudo o que o aluno aprendeu ao longo da trajetória escolar, esse período favorece a preparação para o exame. “A revisão contínua do aprendizado, que é feita no último ano do Ensino Médio, ajuda o candidato a chegar ao final do ano com um conhecimento mais robusto, mas a preparação específica para o Enem é essencial, entendendo o formato da prova e o que ela busca aferir do jovem”, explica Fernanda Silveira, coordenadora do Ensino Médio do colégio Progresso Bilíngue, de Campinas (SP). 

Fernanda orienta algumas estratégias de organização e de estudos:
 

Cronograma realista: crie um ciclo de estudos, dividido por disciplinas, com datas que possam ser cumpridas, pensando em revisitar os conteúdos que tradicionalmente caem no Enem, com revisões curtas e intervalos regulares, evitando maratonas exaustivas que prejudicam a memorização;
 

Simulados: resolver exercícios baseados no formato do Enem e provas oficiais anteriores é a melhor forma de se habituar com o que será exigido do estudante;
 

Foco na contextualização: não tente apenas memorizar fórmulas, mas entender o contexto do conteúdo; pois o Enem valoriza a capacidade de aplicar a teoria a situações problema reais e cotidianas;
 

Leitura diversificada: além de literatura, consuma notícias, infográficos e artigos de opinião para fortalecer a interpretação de textos e o repertório para a redação. O Enem tem por tradição trazer para a prova assuntos atuais do cotidiano e da vida em sociedade como, por exemplo, mudanças climáticas, conflitos geopolíticos ou avanços da inteligência artificial;
 

Mapas mentais e resumos: utilize ferramentas visuais para conectar os temas e facilitar a revisão ativa dos tópicos de maior incidência;
 

Pratique a escrita: para a redação, que tem um grande peso na nota final, a dica é praticar a escrita. O estudante pode escrever redações regularmente, pedindo ajuda de um professor para a revisão do texto. Só a prática constante permite aprimorar a capacidade de articulação de ideias que a prova exige.
 

Preparo emocional também é importante 

A preparação para o Enem deve ser encarada como um projeto de longo prazo, e não como uma corrida de curto fôlego. Isso significa que, além de um plano de estudos consistente, o estudante precisa aprender a equilibrar a rotina acadêmica com a vida pessoal. Revisões estratégicas, simulados e organização do tempo são fundamentais, mas só produzem bons resultados quando inseridos em uma rotina saudável, que possa ser mantida ao longo de todo o ano. 

Nesse sentido, o cuidado com o bem-estar físico e mental faz parte da estratégia de preparação. A prática regular de atividades físicas, a manutenção de momentos de descanso e o cultivo de hobbies ajudam a reduzir o estresse, melhorar a concentração e aumentar a capacidade de aprendizagem. Inserir pausas na rotina, respeitar horários de sono e reservar tempo para atividades prazerosas contribui para que o estudante chegue à reta final menos exausto e mais confiante. 

“O aluno precisa entender que estudar bem não significa estudar o tempo todo”, explica Janaína Arruda da Silva, professora da Escola Bilíngue Aubrick, de São Paulo (SP). Segundo ela, gerir a energia ao longo do ano é tão importante quanto cumprir o cronograma de conteúdos. “Atividades esportivas, convivência social e momentos de lazer não atrapalham o desempenho; ao contrário, ajudam a manter o equilíbrio emocional e a clareza de raciocínio, especialmente em um processo de preparação longo e exigente como o dos vestibulares”, afirma. 

Ao adotar uma rotina equilibrada desde o início do ano, o estudante aumenta suas chances de manter a disciplina, evitar o esgotamento e chegar aos meses decisivos com saúde emocional e disposição. “A preparação eficaz é aquela que alia constância nos estudos, autocuidado e qualidade de vida”, diz Janaína.
 

PLANO PRÁTICO DE ESTUDOS PARA O ENEM 2026 

O coordenador da Escola Internacional de Alphaville, Peter Rifaat, indica o plano de estudos abaixo.
 

Maio a setembro: três horas diárias dedicadas ao estudo, de segunda a sexta-feira, organizando o conteúdo por grandes áreas do conhecimento, permitindo uma imersão profunda e organizada.

As três horas diárias podem ser divididas da seguinte forma: revisão rápida de 20 minutos da matéria estudada no dia anterior, para fixação do conteúdo; 75 minutos de estudo de teoria seguidos de exercícios; 10 minutos de descanso mental e pausa para um lanche; mais 75 minutos de estudo de teoria seguidos de exercícios.
 

Segunda-feira: estudar as disciplinas da área de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias;

Terça-feira: foco nas disciplinas da área de Ciências Humanas e suas Tecnologias;

Quarta-feira: é o dia dos conteúdos de Ciências da Natureza e suas Tecnologias;

Quinta-feira: é a vez de Matemática e suas Tecnologias;

Sexta-feira: dedicada ao treino de Redação.
 

Outubro: na reta final para o Exame, o mês anterior à prova deve ser dedicado à revisão estratégica dos conteúdos e disciplinas das quais o estudante teve mais dificuldade ao longo do ano. É também o momento de realizar simulados completos para treinar a gestão do tempo e a resistência física para os dois dias de aplicação do Enem.
 

QUAIS CONTEÚDOS ESTUDAR PARA O ENEM 2026? 

Com base no Raio-X Enem da plataforma SAS Educação, o coordenador da Escola Internacional de Alphaville aponta os 30 conteúdos que mais costumam aparecem nas provas.
 

LINGUAGENS, CÓDIGOS E SUAS TECNOLOGIAS 

Esta área do Enem foca as disciplinas de Português, Literatura, Artes, Educação Física, Língua Estrangeira e as Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs).
 

Artes

  • Idade Contemporânea - compreensão do papel social da arte e a análise de contextos históricos culturais
  • Culturas que aparecem em tempos variados
  • Arte e comunicação - linguagem, estética e impacto sociocultural
  • Artes Integradas - articulação entre linguagens na construção de sentidos estéticos e culturais
  • Arte e identidade - relações entre produções artísticas e a construção de identidades visuais e coletivas
  • Arte e resistência - arte como forma de resistência cultural, social e política em diferentes contextos
  • Arte e meio ambiente - relação entre arte, natureza e sustentabilidade


Educação física

  • Conceituação de jogos, brincadeiras e esporte
  • Corpo e cultura de movimento
  • Conceituação de saúde e atividade física
  • Fatores de risco à saúde
  • Promoção da saúde nas várias faixas etárias
  • Alimentação, exercício físico e obesidade
  • Esporte e espetáculo
  • Esporte e mídia
  • Luta - manifestação cultural corporal
  • Padrões e estereótipos de beleza corporal


Espanhol

  • Apreensão de sentido
  • Definição, reconhecimento e interpretação de estruturas linguísticas e aspectos discursivos em textos
  • Habilidades de leitura
  • Identificação de pontos de vista do autor
  • Variedades linguísticas
  • Expresiones idiomáticas/Frases hechas
  • Publicitário
  • Verbos
  • Equivalência de vocablos
  • Número
  • Poesia


Inglês

  • Competência leitora
  • Apreensão de sentido
  • Definição, reconhecimento e interpretação de estruturas linguísticas e aspectos discursivos em textos
  • Competência linguística
  • Elementos da comunicação
  • Estratégias de convencimento
  • Habilidades de leitura
  • Gêneros textuais - estrutura, finalidade e contexto de produção
  • Impacto e função das Tecnologias da Informação e Comunicação
  • Literatura brasileira
  • Classificação de texto, segundo tipo textual e intenção comunicativa
  • Anúncio publicitário
  • Coesão
  • Literatura contemporânea


CIÊNCIAS HUMANAS E SUAS TECNOLOGIAS 

Área de conhecimento que engloba as disciplinas de História, Geografia, Sociologia e Filosofia.
 

Filosofia

  • Filosofia política
  • Moral e ética
  • Aristóteles
  • Origens da modernidade
  • Descartes
  • Filosofia medieval
  • Naturalistas ou filósofos de Physis
  • Cultura e sociedade
  • Epistemologia
  • Filosofia antiga
  • Filosofia contemporânea
  • Kant
  • Escola de Frankfurt
  • Escolas da era helenística
  • Platão


Geografia

  • Urbanização
  • Agropecuária
  • Desenvolvimento Econômico
  • Ruralidade
  • Geopolítica e relações internacionais
  • Geomorfologia
  • Migrações
  • Interpretação de Mapas
  • Climatologia
  • Geologia
  • Globalização e desenvolvimento técnico-científico
  • Hidrografia
  • Problemas ambientais
  • Impactos da interação humana no meio ambiente
  • População e Demografia


História

  • Brasil colonial
  • Primeira República
  • Era Vargas
  • História Pública
  • Ditadura Civil-Militar no Brasil
  • Brasil Império: Segundo reinado
  • Civilizações da Antiguidade Clássica
  • Revolução Industrial
  • Abolição da Escravidão
  • Absolutismo monárquico
  • República Nova
  • Trabalho escravo


Sociologia

  • Direito, cidadania e movimentos sociais
  • Cultura e sociedade
  • Identidade e diversidade
  • Política e Estado
  • Trabalho e sociedade
  • Meios de comunicação
  • Desigualdade
  • Patrimônio cultural
  • Estrutura social e desigualdade
  • Dilemas da sociedade contemporânea
  • Violência
  • Teóricos clássicos
  • Família, religião, educação e juventude
  • Relações de poder


CIÊNCIAS DA NATUREZA E SUAS TECNOLOGIAS 

Engloba os conhecimentos de Biologia, Física e Química, focando na compreensão do mundo natural, dos seres vivos e dos fenômenos físicos e químicos.
 

Biologia

  • Desequilíbrio em ecossistemas
  • Doenças causadas por vírus (viroses)
  • DNA – material genético e genética do funcionamento dos genes
  • Ciclos biogeoquímicos
  • Bioquímica
  • Biologia celular
  • Relações ecológicas
  • Cadeias e teias alimentares
  • Doenças causadas por protozoários (protozooses)
  • Doenças causadas por bactérias (bacterioses)
  • Relações Interespecíficas
  • Saúde
  • Processo fotossintético
  • Tecnologia do DNA recombinante e suas aplicações

Física

  • Calorimetria
  • Circuitos Elétricos
  • Termodinâmica
  • Forças e movimento
  • Consumo de energia elétrica
  • Reflexão e Refração
  • Trabalho, energia e os teoremas
  • Propriedades Físicas do Som
  • Aplicações das Propriedades das Ondas
  • Lançamento Vertical, Horizontal e Oblíquo
  • Movimento Uniforme
  • Fenômenos Sonoros
  • Qualidades fisiológicas do som

Química

  • Funções orgânicas
  • Reações orgânicas
  • Aplicações da Cinética Química
  • Pilhas
  • Processos de separação de misturas
  • Concentração de soluções
  • Controle de Poluição
  • Tecnologias Ambientais
  • Poluição da Água
  • Tipos de Reações Químicas
  • Estrutura Atômica
  • Entalpia das reações
  • Termoquímica


MATEMÁTICA E SUAS TECNOLOGIAS 

A área de Matemática e suas Tecnologias engloba a aplicação de conceitos matemáticos em situações do cotidiano, ciência e tecnologia, com foco em resolver problemas práticos, interpretar dados e modelar fenômenos.

  • Proporcionalidade Direta e Indireta
  • Estatística
  • Geometria Plana
  • Geometria Espacial
  • Probabilidade
  • Funções
  • Razão
  • Volume
  • Análise combinatória
  • Matemática Financeira
  • Unidades de medida
  • Equações
  • Geometria Analítica
  • Números Racionais
  • Áreas de figuras planas


REDAÇÃO 

O Enem exige mais do que uma boa escrita, o candidato deve demonstrar na redação uma visão crítica sobre problemas de invisibilidade e desafios sociais no Brasil. Para se dar bem na prova, o candidato precisa estar antenado aos acontecimentos, por isso acompanhar o noticiário é uma boa tática de estudo; além de praticar a escrita de textos dissertativo-argumentativos e ter a habilidade de conectar conhecimentos das disciplinas à defesa de suas ideias. 

“Assim como nas demais áreas do Enem, a constância é determinante, e ajuda o aluno a transformar a escrita em hábito e a evoluir progressivamente”, afirma Rifaat. E não basta escrever muito. “É preciso entender onde estão as falhas, seja na coesão, na argumentação ou na proposta de intervenção, e trabalhar esses pontos de forma técnica. O candidato deve solicitar que outra pessoa ou seu professor leia a redação e aponte erros, para que o treino melhore sua performance. O uso de inteligência artificial também pode ajudar”, orienta. 

Nos últimos anos, os temas da produção textual foram as seguintes:
 

2025 - Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira

2024 - Desafios para a valorização da herança africana no Brasil

2023 - Desafios para o enfrentamento da invisibilidade do trabalho de cuidado realizado pela mulher no Brasil

2022 - Desafios para a valorização de comunidades e povos tradicionais no Brasil

2021 - Invisibilidade e registro civil: garantia de acesso à cidadania no Brasil

2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

2018 - Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet

2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

2016 - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil
 

O docente lista, a seguir, 20 temas sociais contemporâneos para o treino da redação. Os assuntos desafiam a capacidade de análise crítica e argumentação, requerem repertório sociocultural relevante, além de apresentarem interdisciplinaridade, uma competência muito valorizada na hora da correção dos textos.

  1. Desafios para o combate à desinformação na era da inteligência artificial
  2. Caminhos para reduzir a evasão escolar no Ensino Médio brasileiro
  3. Impactos das mudanças climáticas na vida urbana
  4. A cultura do cancelamento e seus efeitos no debate público
  5. Inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho
  6. O papel da mídia na formação da opinião pública
  7. Desafios para a promoção da saúde mental entre jovens
  8. O envelhecimento da população brasileira e seus impactos sociais
  9. Violência nas escolas: causas e estratégias de prevenção
  10. A importância da educação midiática no combate às fake news
  11. Mobilidade urbana e direito à cidade
  12. Desigualdade digital e acesso à tecnologia no Brasil
  13. Segurança alimentar e combate à fome
  14. Racismo estrutural e seus reflexos na sociedade brasileira
  15. A valorização da ciência no enfrentamento de crises sanitárias
  16. Trabalho informal e precarização das relações trabalhistas
  17. Preservação ambiental e desenvolvimento econômico
  18. O impacto das redes sociais na construção da identidade juvenil
  19. A participação política dos jovens na democracia brasileira
  20. Desafios para a garantia dos direitos das populações tradicionais

 


Fernanda Silveira - pedagoga e psicopedagoga, com 10 anos de experiência na gestão pedagógica do Ensino Médio, com atuação voltada ao acompanhamento acadêmico dos estudantes e ao fortalecimento de suas trajetórias rumo ao vestibular e às suas escolhas para o futuro. Atua como coordenadora pedagógica do Ensino Médio das unidades do Progresso Bilíngue em Campinas (Cambuí e Taquaral).

Henrique Barreto Andrade Dias - licenciado em Geografia e Sociologia, possui especialização em projetos para o terceiro setor e pós-graduação em Psicologia Positiva, Neurociência, Mindfulness, Neuropsicopedagogia e Neurociência Aplicada à Aprendizagem. Atua na área da Educação há 18 anos e atualmente é coordenador pedagógico do currículo brasileiro do Brazilian International School.

Janaína Arruda da Silva - professora de Língua Portuguesa e Literatura na Escola Aubrick. Tem bacharelado em Letras pela USP, e especialização em Literatura Brasileira e bacharelado e mestrado em Filosofia pela PUC-SP. Trabalha no ensino, básico e superior há mais de 20 anos.

Peter Rifaat - educador e líder escolar com mais de 15 anos de experiência em educação internacional e bilíngue. É formado em Pedagogia e possui certificações internacionais, incluindo DELTA e CELTA (Cambridge), além de diversas certificações do IB. Atualmente, atua na Escola Internacional de Alphaville como Coordenador Pedagógico do Ensino Médio, Coordenador do Programa do Diploma IB, professor de TOK e integra a equipe de Orientação Universitária e de Carreira.



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Para mais informações, acesse o site.



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