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segunda-feira, 22 de junho de 2026

População 50+ representa 27% dos brasileiros, mas responde por apenas 7,9% do uso de PrEP

Diagnósticos de HIV registraram alta expressiva nessa faixa etária, chegando a 17% em mulheres e 9% em homens

 

Pessoas com 50 anos ou mais já representam cerca de 59 milhões de brasileiros, o equivalente a 27% da população do país, segundo o IBGE. Apesar desse contingente expressivo e do aumento dos diagnósticos de HIV nessa faixa etária, apenas 7,9% dos usuários da Profilaxia Pré-Exposição ao HIV (PrEP) pertencem a esse grupo, o que representa cerca de 18,6 mil pessoas. O cenário evidencia um descompasso entre a evolução do perfil demográfico brasileiro e o alcance das estratégias de prevenção. 

A PrEP se consolidou nos últimos anos como uma das principais ferramentas para reduzir o risco de infecção pelo HIV. Disponível pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e na rede privada (farmácias e drogarias), a terapia tem alcançado principalmente adultos mais jovens, enquanto pessoas acima dos 50 anos seguem menos contempladas pelas campanhas de conscientização. 

“Quando o olhar se volta para a população LGBT+ 50+, essa lacuna se torna ainda mais relevante. Trata-se de um público que construiu diferentes trajetórias afetivas, sexuais e de cuidado ao longo da vida, mas que frequentemente permanece fora das mensagens de prevenção e das discussões sobre sexualidade saudável no envelhecimento”, afirma o infectologista Dr. Vinícius Borges, membro titular da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) e influenciador sobre o tema, conhecido nas redes sociais como Dr. Maravilha. 

Dados epidemiológicos recentes reforçam a necessidade de ampliar esse debate. De acordo com o Boletim Epidemiológico HIV/Aids 2025 do Ministério da Saúde, a participação de mulheres com 50 anos ou mais entre os novos casos de HIV passou de 10,9% em 2014 para 17,0% em 2024. Entre os homens da mesma faixa etária, o percentual aumentou de 7,6% para 9,0% no período. Os números mostram que o HIV continua presente em diferentes faixas etárias, mas a resposta preventiva ainda não acompanha esse movimento na mesma proporção. 

“A taxa de apenas 7,9% de uso da PrEP nesse grupo é um sinal claro de que estamos falhando em oferecer prevenção adequada para quem também precisa ter acesso ao cuidado em saúde sexual. Precisamos desconstruir a ideia de que o HIV é restrito aos mais jovens”, explica o Dr. Vinícius.

 

Por que a prevenção ainda não chega aos 50+?

A baixa adesão à PrEP entre pessoas com mais de 50 anos não pode ser explicada por um único fator. Especialistas apontam uma combinação de barreiras culturais, estruturais e assistenciais que dificulta o acesso dessa população às estratégias de prevenção. 

Entre os principais fatores está a baixa percepção de vulnerabilidade. Ainda persiste a ideia equivocada de que o HIV é uma questão restrita à juventude ou a determinados comportamentos. Com isso, muitas pessoas acima dos 50 anos não se reconhecem como público das campanhas de prevenção, mesmo quando mantêm vida afetiva e sexual ativa ou retomam relacionamentos após separações, divórcios ou viuvez. 

Outro ponto importante é o silêncio dentro do consultório. Profissionais de saúde nem sempre abordam espontaneamente a vida sexual de pacientes mais velhos. Quando essa conversa não acontece, oportunidades de orientação, testagem e indicação da PrEP deixam de ser discutidas. 

“O desafio não é apenas técnico. O profissional de saúde precisa abordar o tema, e o paciente precisa saber que também tem direito à prevenção. Ignorar essa faixa etária é deixar um contingente crescente da população desprotegido”, destaca o especialista.

  

Blanver


Festa junina: quais são os cuidados que diabéticos devem ter com a alimentação?

 

Nutricionista ensina como aproveitar o período festivo sem elevar a glicemia 

 

O período junino proporciona alegria, diversão e traz muito sabor, com comidas, doces e bebidas típicas. No entanto, para quem possui diabetes, a temporada exige alguns cuidados para não comprometer a glicemia, explica a nutricionista e professora do curso de Nutrição da Universidade Guarulhos (UNG), Vanessa Lopes. 

Segundo a especialista, o principal cuidado não está na restrição das comidas, mas na forma como elas são consumidas. “Não há alimento proibido para a pessoa com diabetes, mas cuidados com as combinações e quantidades ingeridas para minimizar os impactos nos níveis de açúcar no sangue”, esclarece.

O risco de elevação rápida da glicemia está nos doces tradicionais. Por exemplo, pé de moleque, doce de batata-doce, paçoca, doce de abóbora, canjica, arroz-doce, maçã do amor, algodão-doce e frutas cobertas de chocolate. Bebidas como vinho quente, quentão, refrigerantes e sucos adoçados também exigem moderação.  

De acordo com a nutricionista, uma estratégia interessante é combinar diferentes grupos alimentares durante a refeição. “Quando você consome carne ou frango - ricos em proteínas -, associados a pães e massas – que possuem fibras -, isso ajuda a retardar a digestão. Dessa forma, mesmo se consumir algum doce, o açúcar é liberado mais lentamente na corrente sanguínea, reduzindo os picos glicêmicos”. 

Vanessa ainda pede ponderação na hora de consumir produtos dietéticos ou sem adição de açúcar. “Apesar de existirem versões de paçoca e doces à base de chocolate sem açúcar, muitos deles apresentam maior quantidade de gordura. Esse excesso pode contribuir para o aumento da glicemia a longo prazo”, ressalta.  

Outro cuidado é com os refrigerantes diet ou zero, que apresentam maior quantidade de sódio em sua composição. O consumo em excesso desse tipo de bebida pode gerar inchaço e aumentar a pressão arterial.

Para aproveitar esse período de festas com mais segurança, a professora do curso de Nutrição da UNG recomenda não chegar ao evento com fome ou após longos períodos em jejum. “Isso pode favorecer exageros e dificultar o controle alimentar. O ideal é manter uma dieta equilibrada ao longo do dia e, na festa, escolher aquilo que realmente deseja consumir”, orienta.  

Segundo Vanessa, vale a pena começar por uma opção com proteína, como um lanche de carne ou frango, e depois escolher o doce que mais desperta vontade de comer. “Evite associar muitas preparações, mesmo sendo diet ou zero, pois todos os alimentos podem gerar impacto na glicemia se consumidos em grandes quantidades. Na maioria das festas juninas, os doces não são pensados para quem possui diabetes. Portanto, aconselho a controlar a quantidade ingerida. Se for o caso, divida a porção com outras pessoas. Isso permitirá experimentar mais opções”, comenta.

Para finalizar, a especialista recomenda não encarar as comidas como algo proibido. “Esse tipo de pensamento pode aumentar a vontade de consumir o alimento e até favorecer episódios de compulsão alimentar”, conclui.

 

O efeito colateral que a balança não mostra na era dos injetáveis

Enquanto medicamentos transformam o tratamento da obesidade, médicos alertam que a verdadeira saúde depende da restauração do metabolismo, e não apenas de menos quilos  

 

Os medicamentos para tratamento da obesidade transformaram uma das áreas mais desafiadoras da medicina. Ozempic, Wegovy e Mounjaro passaram a ocupar espaço frequente nos consultórios, nas redes sociais e até nas discussões sobre mercado farmacêutico. O avanço dessas terapias ajudou a consolidar uma nova visão sobre a obesidade como doença crônica, mas também trouxe uma questão que começa a preocupar médicos e pesquisadores: o que acontece com a saúde do paciente depois que o peso diminui?

A pergunta surge em meio ao crescimento contínuo da obesidade no Brasil e no mundo. Dados do Atlas Mundial da Obesidade, divulgados em 2025, mostram que 68% dos brasileiros vivem com excesso de peso e 31% já apresentam obesidade. Globalmente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que a obesidade entre adultos mais do que dobrou desde 1990, tornando-se um dos principais fatores associados ao aumento de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, esteatose hepática e diversos tipos de câncer.

Para o médico, professor e pesquisador Alexandre Duarte, referência em fisiologia metabólica e hormonal, fundador do Instituto Avantgarde, a popularização dos medicamentos representa um avanço importante, mas também expõe uma interpretação simplificada sobre o que significa recuperar a saúde.

“Temos medicamentos capazes de produzir perdas de peso que antes eram observadas apenas em procedimentos mais invasivos. Isso é extremamente relevante. O problema começa quando a sociedade passa a acreditar que emagrecimento e saúde são exatamente a mesma coisa. Não são”, afirma.

Segundo ele, o excesso de peso é apenas uma das manifestações de um problema fisiológico mais amplo.

“A obesidade raramente surge isolada. Ela costuma vir acompanhada de resistência à insulina, alterações hormonais, inflamação crônica de baixo grau, perda de flexibilidade metabólica, distúrbios do sono e redução progressiva da capacidade energética das células. Quando olhamos apenas para a balança, enxergamos o resultado final de um processo que começou muito antes.”


O que a balança não mostra

Os estudos que levaram à aprovação da semaglutida e da tirzepatida demonstraram resultados expressivos na redução do peso corporal. Pesquisas publicadas no The New England Journal of Medicine registraram perdas médias que colocaram essas terapias entre os tratamentos mais eficazes já desenvolvidos para obesidade.

O sucesso dos medicamentos, porém, trouxe uma consequência inesperada. Muitas pessoas passaram a associar a perda de peso à resolução completa dos riscos relacionados à obesidade, embora a realidade clínica seja mais complexa. 


Na prática clínica, a situação costuma ser mais complexa

Duarte explica que dois pacientes com o mesmo peso podem apresentar realidades metabólicas completamente diferentes. Enquanto um possui boa sensibilidade à insulina, preservação muscular e marcadores inflamatórios adequados, outro pode apresentar alterações importantes mesmo após emagrecer.

“Existe uma diferença entre reduzir gordura corporal e restaurar a capacidade do organismo de produzir energia, responder adequadamente aos hormônios e manter estabilidade metabólica. Muitas pessoas ficam frustradas porque atingem a meta de peso e continuam sem disposição, com dificuldade de concentração, problemas de sono ou exames alterados. Isso acontece porque parte do processo ainda não foi resolvida.”

Ele observa que um dos principais riscos da discussão atual é transformar a saúde em uma questão exclusivamente estética.

“Vivemos um momento em que a balança e a aparência corporal ganharam protagonismo. Mas o corpo não funciona por aparência. O que determina saúde é a capacidade fisiológica de sustentar energia, movimento, recuperação, cognição e longevidade ao longo do tempo.”


O desafio da manutenção

Outra preocupação crescente entre especialistas está relacionada à manutenção dos resultados obtidos com os medicamentos.

As diretrizes da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO) reforçam que a obesidade deve ser encarada como uma doença crônica, exigindo acompanhamento contínuo. Isso significa que o tratamento não termina necessariamente quando o paciente alcança determinado peso.

Para o médico e pesquisador, a dificuldade está na expectativa criada em torno de soluções rápidas para um problema que se desenvolve ao longo de anos ou décadas.

“Boa parte dos pacientes chega ao consultório procurando uma estratégia para perder peso. Poucos entendem que o verdadeiro objetivo deveria ser recuperar função metabólica. Quando o foco permanece apenas no emagrecimento, existe uma tendência de repetir o mesmo ciclo: perde peso, recupera peso, perde novamente e segue acumulando desgaste fisiológico.”

Segundo ele, a manutenção dos resultados depende de fatores que vão além da medicação.

“Metabolismo não é uma conta matemática simples entre calorias consumidas e calorias gastas. Estamos falando de hormônios, sono, composição corporal, massa muscular, inflamação, alimentação, atividade física e capacidade adaptativa do organismo. Ignorar essas variáveis é reduzir um sistema extremamente complexo a uma única métrica.”


Uma nova fase da medicina metabólica

A expansão dos medicamentos para obesidade também está provocando mudanças dentro da própria comunidade médica. O debate começa a migrar da simples redução de peso para indicadores mais amplos de saúde metabólica, qualidade de vida e envelhecimento saudável.

Para Duarte, esse movimento tende a se intensificar nos próximos anos, à medida que mais pacientes alcançam resultados significativos de emagrecimento e passam a buscar respostas para questões que permanecem abertas.

“Estamos assistindo a uma mudança histórica. Durante décadas a medicina lutou para encontrar ferramentas eficazes contra a obesidade. Agora que essas ferramentas existem, surge uma nova pergunta: como transformar perda de peso em recuperação duradoura da saúde? Essa talvez seja a discussão mais importante da próxima década.”

Na avaliação do especialista, o futuro do tratamento da obesidade passará menos pela busca de números ideais na balança e mais pela compreensão de como restaurar os mecanismos fisiológicos que sustentam energia, autonomia e qualidade de vida ao longo do envelhecimento.

“Emagrecer pode ser o começo da jornada. O verdadeiro desafio é reconstruir saúde metabólica de forma que ela permaneça presente pelos próximos vinte ou trinta anos.”

  

Dr. Alexandre Duarte - médico, professor e palestrante, referência em fisiologia metabólica e hormonal no Brasil. Graduado em Medicina pela Universidade Regional de Blumenau (FURB), aprofundou sua formação durante 12 anos nos Estados Unidos, onde concluiu o Fellowship in Metabolic and Nutritional Medicine pela MMI/USA. Fundador do Grupo Avantgarde, Alexandre Duarte acumula mais de duas décadas de atuação clínica e acadêmica. Ao longo de sua trajetória, contribuiu para a recuperação da saúde de aproximadamente 40 mil pacientes e para a formação de mais de 3 mil médicos em áreas ligadas à fisiologia metabólica, modulação hormonal e medicina personalizada. Defensor da chamada medicina da saúde, baseada na investigação das causas dos desequilíbrios metabólicos e hormonais, atua na difusão de uma abordagem voltada à prevenção, personalização do tratamento e reversão de doenças crônicas associadas ao metabolismo, consolidando-se como uma das principais vozes do segmento no país.

Para mais informações, acesse: site, Instagram, linkedin ou pelo youtube


Você teria coragem? Os 5 riscos ocultos dos clareamentos íntimos

Procedimento vira febre em clínicas e na internet, mas especialistas alertam para perigos que vão de queimaduras severas a danos permanentes na sensibilidade

 

A busca pela “vagina perfeita” ou pelo “clareamento anal” deixou de ser um tabu em consultório para se tornar um fenômeno de engajamento nas redes sociais. Impulsionada por influenciadores e pela cultura da “estética sem limites”, a procura por procedimentos de clareamento íntimo, utilizando lasers de CO ou peelings químicos têm crescido de forma expressiva no Brasil. 

Segundo dados do Google Trends, o interesse dos brasileiros por termos relacionados à estética íntima vem registrando um crescimento consistente nos últimos anos. O termo “clareamento íntimo”, por exemplo, teve seu primeiro grande pico durante a pandemia e, desde então, se mantém em patamares historicamente elevados. 

Confira os 5 principais riscos que quem submete a região íntima a esses procedimentos está correndo:

 

1. Queimaduras de segundo grau e lesões teciduais

A pele da região genital e perianal é substancialmente mais fina, vascularizada e sensível do que a do restante do corpo. O uso inadequado de tecnologias como o laser ou de peelings químicos, com ácidos em concentrações erradas, pode provocar queimaduras térmicas e químicas graves. O tratamento dessas lesões costuma ser doloroso, prolongado e exige isolamento da área.

 

2. Infecções bacterianas e fúngicas severas

A região íntima tem características próprias, como maior umidade e sensibilidade. Quando a barreira natural da pele é alterada por procedimentos agressivos, o risco de infecções aumenta. 

A médica e professora da pós-graduação em Dermatologia da Afya Educação Médica do Rio de Janeiro, Thaís Barcellos, alerta que o maior perigo reside na banalização do local de aplicação e na falta de triagem médica. 

"Em regiões de alta sensibilidade como a íntima, qualquer procedimento precisa de uma indicação clínica muito bem definida. Quando feito sem avaliação adequada, por profissionais não habilitados ou em locais sem a estrutura sanitária correta, o risco de infecções graves e complicações de difícil manejo aumenta significativamente", explica a especialista.

 

3. Cicatrizes permanentes e efeito rebote (manchas escuras)

Quando uma queimadura ou processo inflamatório na região íntima evolui de forma errada, o corpo tenta cicatrizar o tecido gerando fibrose ou cicatrizes hipertróficas que geram repuxamento da pele e desconforto crônico. Além disso, o próprio processo inflamatório agressivo pode ativar a melanina, gerando o efeito rebote, quando a região acaba ficando ainda mais escura do que antes do procedimento.

 

4. Alterações neurológicas e perda da sensibilidade

Mais do que uma questão estética, a região íntima é sensível e tem funções importantes no corpo. Quando procedimentos são feitos de forma inadequada, podem afetar nervos da região e causar alterações na sensibilidade. 

O Dr. Raphael Fernandes, Médico e Professor da Afya Unigranrio Barra da Tijuca, destaca que a anatomia da região anal exige uma cautela que os vídeos de redes sociais ignoram: 

"A região anal possui uma complexidade anatômica e funcional extremamente delicada. Procedimentos estéticos sem indicação precisa e feitos às cegas podem gerar alterações neurológicas de sensibilidade, dor persistente durante as atividades diárias e até incontinência em casos extremos. O impacto na qualidade de vida do paciente é devastador, tornando a avaliação de um especialista indispensável", adverte o médico.

 

5. Dismorfia corporal e a armadilha dos padrões irreais

O último risco não é físico, mas psicológico. A busca obstinada por uma "uniformização total" da cor da pele é, muitas vezes, fruto de filtros de redes sociais e pornografia, que vendem anatomias artificiais, já que a pigmentação mais escura na região genital é completamente natural e saudável. A busca pelo clareamento, nesses casos, tenta curar uma insatisfação emocional que nenhuma tecnologia é capaz de resolver.

 

Cuidado com o milagre rápido!

A região íntima não é o rosto. A anatomia local exige respeito e técnicas completamente personalizadas. Antes de agendar qualquer sessão baseada em uma tendência da internet, é fundamental passar por uma consulta detalhada com um médico para avaliar os riscos reais, os benefícios e se as expectativas do paciente estão alinhadas com a realidade biológica do próprio corpo.

 

O 'labirinto' da ELA: por que o diagnóstico leva até 16 meses e como sinais confundidos atrasam a jornada do paciente

No Dia Mundial da Esclerose Lateral Amiotrófica, neurologista detalha a "odisseia" de pacientes que passam por múltiplos especialistas e recebem diagnósticos equivocados antes de descobrir a doença, e revela os sinais de alerta que não podem esperar.


Fraqueza para segurar objetos, tropeços que se tornam frequentes, cãibras insistentes e uma fala que começa a falhar. Para muitos, esses poderiam ser sinais do envelhecimento ou um problema de coluna. Para outros, são as primeiras pistas de um "labirinto" diagnóstico que pode durar até 16 meses: a Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA). 

Neste 21 de junho, Dia Mundial de Conscientização sobre a ELA, o foco se volta para um dos maiores adversários de pacientes e médicos: o tempo. Estudos internacionais1,2 mostram o longo percurso que muitos enfrentam, passando por diferentes especialistas e acumulando hipóteses diagnósticas antes de uma resposta definitiva. É um período de incerteza que atrasa o início do cuidado essencial. 

“A ELA é uma doença de difícil diagnóstico. Não há um único teste que a confirme, então o diagnóstico é um processo de investigação minucioso para descartar outras condições, como hérnias de disco, esclerose múltipla e miastenia gravis”, Dr. Paulo Sgobbi, neurologista especialista em doenças neuromusculares e membro do Departamento Científico de Doença do Neurônio Motor/ELA da Academia Brasileira de Neurologia. “Essa sobreposição de sintomas é o que torna a jornada do paciente tão desafiadora.”
 

Quando os sintomas podem ser confundidos com outras doenças

A ausência de um exame específico faz com que a ELA seja considerada uma doença de exclusão, ou seja, o diagnóstico é estabelecido após a avaliação criteriosa e o descarte de outras condições que podem apresentar manifestações semelhantes. 

Entre elas estão hérnias de disco, neuropatias periféricas, miastenia gravis, esclerose múltipla, miopatias e compressões medulares. Essa sobreposição de sintomas contribui para que o diagnóstico seja um processo desafiador em diferentes países e sistemas de saúde. 

“Não é incomum que pacientes procurem inicialmente ortopedistas, clínicos gerais ou outros especialistas em busca de explicações para sintomas aparentemente inespecíficos. O mais importante é observar a progressão do quadro e buscar avaliação neurológica quando há perda gradual da força muscular ou comprometimento crescente das funções motoras”, afirma o médico.
 

Sinais que merecem atenção

Os primeiros sintomas podem variar de acordo com a região inicialmente acometida, mas alguns sinais costumam ser mais frequentes, como fraqueza progressiva em braços e pernas; dificuldade para segurar objetos ou realizar tarefas rotineiras e tropeços e quedas recorrentes. Também deve-se atentar para a ocorrência frequente de cãibras, contrações musculares involuntárias, alterações na fala e dificuldade para engolir. 

Segundo o especialista, a progressão dos sintomas é uma característica importante da doença. “Nem toda fraqueza muscular significa ELA. Entretanto, quando há piora gradual dos sintomas ao longo do tempo, é importante investigar a causa e não atribuir automaticamente essas alterações ao envelhecimento, a problemas ortopédicos ou desordens emocionais”, ressalta o neurologista.
 

Por que reconhecer a doença mais cedo faz diferença

Embora ainda não exista cura para a ELA, reduzir o intervalo entre os primeiros sintomas e a confirmação do diagnóstico pode fazer diferença para pacientes e familiares. O reconhecimento precoce permite acesso mais rápido ao acompanhamento especializado e à atuação de uma equipe multidisciplinar composta por neurologistas, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, nutricionistas, terapeutas ocupacionais e outros profissionais envolvidos no cuidado. 

“Receber o diagnóstico de ELA representa uma mudança importante para pacientes e familiares. Quanto mais cedo a doença é identificada, mais rapidamente é possível organizar o cuidado e lançar mão das estratégias disponíveis para preservar a funcionalidade e oferecer maior previsibilidade bem como melhor qualidade de vida ao paciente e à sua rede de apoio”, finaliza Sgobbi.
 

Informação também é uma forma de cuidado

Embora a ELA ainda represente um desafio para a medicina, ampliar o conhecimento sobre seus sinais e sintomas é um passo importante para reduzir atrasos diagnósticos e favorecer o encaminhamento para centros especializados. Para os especialistas, promover a conscientização sobre a doença significa criar condições para que mais pessoas tenham acesso ao cuidado em momento oportuno, um fator que pode fazer diferença em uma condição progressiva e de alta complexidade.




Biogen
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Referência:

1. National Library of Medicine, 2020 Oct. Disponível em: Link

2. National Library of Medicine, 2014 Jul. Disponível em: Link



Telemedicina: especialistas orientam pacientes sobre preparo, segurança e limites do atendimento remoto

Freepik
Regulamentada e em expansão, modalidade exige humanização na tela, julgamento clínico rigoroso e cuidados redobrados com a segurança de dados

 

  • SUS já realizou mais de 4,6 milhões de atendimentos remotos desde 2023;
  • É importante se preparar para a consulta com um roteiro, informações importantes anotadas e atenção para não esquecer as recomendações;
  • Para se proteger digitalmente, use plataformas confiáveis, com selos digitais e evite fazer transferências bancárias para pessoa física sem validação;


Regulamentada pelo Conselho Federal de Medicina (Resolução CFM 2.314/2022), a telemedicina é definida como o exercício da medicina mediado por tecnologias, desdobrando-se em sete modalidades que vão desde a teleconsulta, a telecirurgia até o telediagnóstico. Apenas no SUS, mais de 4,6 milhões de atendimentos remotos foram realizados desde o início de 2023, demonstrando que a telemedicina é uma ferramenta que vem amadurecendo como uma aliada estratégica em um país de dimensões continentais.

Para o médico Alexandre Eduardo Franzin Vieira, docente na Escola da Saúde UniFacens, apesar do avanço, o atendimento presencial permanece como o "padrão ouro", sendo o digital um recurso complementar e nunca um substituto obrigatório. Mas, de modo geral, todas as áreas podem se beneficiar de alguma modalidade de telemedicina.

Já a médica Maria Tereza Verrone Quilici, que também atua como docente na instituição, afirma que um dos maiores desafios é humanizar a tela. "Reconhecer que manter o vínculo pela tela é mais difícil é o primeiro passo. Mas consultas podem ser frias até presencialmente, por isso temos áreas de conhecimento dedicadas a discutir como construir comunicação e empatia em diferentes cenários, e o digital é um deles. A partir daí, entram ferramentas de apoio: registros, fluxograma e até inteligência artificial pensada para a medicina", afirma Maria Teresa. 

Outro fator a ser considerado é a importância do julgamento clínico para garantir a segurança do paciente. "Não existe uma lista fechada de ‘casos para a tela’ e ‘casos para o pronto-socorro’. O critério central é o julgamento clínico somado à segurança do paciente. O médico tem a autonomia de indicar o atendimento presencial sempre que entender necessário. Na prática, assim que o profissional percebe que a situação tem complexidade maior do que aquele formato comporta, o paciente é encaminhado", esclarece.

Guia prático: dicas para uma teleconsulta eficiente

Para que o paciente aproveite ao máximo o tempo com o médico, os especialistas da UniFacens listam três recomendações essenciais :

  1. Prepare um roteiro: anote suas dúvidas antes de começar. Não tenha vergonha da lista e fale tudo ao médico; “as anotações servem como um guia para você cuidar melhor de si”, afirma Maria.
  2. Tenha dados em mãos: “deixe anotados valores recentes de pressão arterial, frequência cardíaca, peso e altura, além da lista de medicamentos que já utiliza”, orienta Alexandre. Isso facilitará o atendimento e o possível diagnóstico.
  3. Guarde as recomendações médicas: “registre as decisões combinadas e orientações. Em comum acordo com o médico, é possível até gravar trechos da consulta para não esquecer detalhes da consulta”, explica Maria.

“Acima de tudo, atenção plena e dedicação ao momento da consulta são essenciais para o seu sucesso, na tela ou fora dela”, conclui Dr. Alexandre.


Segurança digital

Outro ponto de atenção é a segurança digital durante as teleconsultas e outras modalidades. Eliney Sabino, engenheiro e coordenador dos cursos de Tecnologia UniFacens, afirma que o primeiro passo é a escolha criteriosa do ambiente virtual. "O ideal é que o paciente utilize plataformas oficiais de hospitais, clínicas ou aplicativos reconhecidos no mercado, evitando links enviados por terceiros desconhecidos. Desconfie de atendimentos feitos apenas por aplicativos de mensagens sem vínculo institucional", orienta Sabino.

Sabino também recomenda utilizar meios de pagamento seguros, evitando transferências diretas para pessoas físicas. O especialista sugere ainda o uso de cartões virtuais temporários e a verificação constante de certificados de segurança nos sites utilizados. "Atualmente, receitas e atestados digitais utilizam assinatura eletrônica certificada, QR Code e mecanismos de validação que permitem confirmar sua autenticidade".

A tecnologia sozinha não basta sem a vigilância do usuário. "Muitos golpes relacionados à telemedicina exploram a manipulação do usuário por meio de mensagens falsas, perfis clonados e páginas fraudulentas". Sabino recomenda evitar redes Wi-Fi públicas e manter sempre a autenticação em dois fatores ativa nas contas para a proteção contra fraudes de qualquer tipo.

 

 UniFacens

 

O efeito colateral que a balança não mostra na era dos injetáveis

Enquanto medicamentos transformam o tratamento da obesidade, médicos alertam que a verdadeira saúde depende da restauração do metabolismo, e não apenas de menos quilos  

 

Os medicamentos para tratamento da obesidade transformaram uma das áreas mais desafiadoras da medicina. Ozempic, Wegovy e Mounjaro passaram a ocupar espaço frequente nos consultórios, nas redes sociais e até nas discussões sobre mercado farmacêutico. O avanço dessas terapias ajudou a consolidar uma nova visão sobre a obesidade como doença crônica, mas também trouxe uma questão que começa a preocupar médicos e pesquisadores: o que acontece com a saúde do paciente depois que o peso diminui?

A pergunta surge em meio ao crescimento contínuo da obesidade no Brasil e no mundo. Dados do Atlas Mundial da Obesidade, divulgados em 2025, mostram que 68% dos brasileiros vivem com excesso de peso e 31% já apresentam obesidade. Globalmente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que a obesidade entre adultos mais do que dobrou desde 1990, tornando-se um dos principais fatores associados ao aumento de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, esteatose hepática e diversos tipos de câncer.

Para o médico, professor e pesquisador Alexandre Duarte, referência em fisiologia metabólica e hormonal, fundador do Instituto Avantgarde, a popularização dos medicamentos representa um avanço importante, mas também expõe uma interpretação simplificada sobre o que significa recuperar a saúde.

“Temos medicamentos capazes de produzir perdas de peso que antes eram observadas apenas em procedimentos mais invasivos. Isso é extremamente relevante. O problema começa quando a sociedade passa a acreditar que emagrecimento e saúde são exatamente a mesma coisa. Não são”, afirma.

Segundo ele, o excesso de peso é apenas uma das manifestações de um problema fisiológico mais amplo.

“A obesidade raramente surge isolada. Ela costuma vir acompanhada de resistência à insulina, alterações hormonais, inflamação crônica de baixo grau, perda de flexibilidade metabólica, distúrbios do sono e redução progressiva da capacidade energética das células. Quando olhamos apenas para a balança, enxergamos o resultado final de um processo que começou muito antes.”


O que a balança não mostra

Os estudos que levaram à aprovação da semaglutida e da tirzepatida demonstraram resultados expressivos na redução do peso corporal. Pesquisas publicadas no The New England Journal of Medicine registraram perdas médias que colocaram essas terapias entre os tratamentos mais eficazes já desenvolvidos para obesidade.

O sucesso dos medicamentos, porém, trouxe uma consequência inesperada. Muitas pessoas passaram a associar a perda de peso à resolução completa dos riscos relacionados à obesidade, embora a realidade clínica seja mais complexa. 


Na prática clínica, a situação costuma ser mais complexa

Duarte explica que dois pacientes com o mesmo peso podem apresentar realidades metabólicas completamente diferentes. Enquanto um possui boa sensibilidade à insulina, preservação muscular e marcadores inflamatórios adequados, outro pode apresentar alterações importantes mesmo após emagrecer.

“Existe uma diferença entre reduzir gordura corporal e restaurar a capacidade do organismo de produzir energia, responder adequadamente aos hormônios e manter estabilidade metabólica. Muitas pessoas ficam frustradas porque atingem a meta de peso e continuam sem disposição, com dificuldade de concentração, problemas de sono ou exames alterados. Isso acontece porque parte do processo ainda não foi resolvida.”

Ele observa que um dos principais riscos da discussão atual é transformar a saúde em uma questão exclusivamente estética.

“Vivemos um momento em que a balança e a aparência corporal ganharam protagonismo. Mas o corpo não funciona por aparência. O que determina saúde é a capacidade fisiológica de sustentar energia, movimento, recuperação, cognição e longevidade ao longo do tempo.”


O desafio da manutenção

Outra preocupação crescente entre especialistas está relacionada à manutenção dos resultados obtidos com os medicamentos.

As diretrizes da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO) reforçam que a obesidade deve ser encarada como uma doença crônica, exigindo acompanhamento contínuo. Isso significa que o tratamento não termina necessariamente quando o paciente alcança determinado peso.

Para o médico e pesquisador, a dificuldade está na expectativa criada em torno de soluções rápidas para um problema que se desenvolve ao longo de anos ou décadas.

“Boa parte dos pacientes chega ao consultório procurando uma estratégia para perder peso. Poucos entendem que o verdadeiro objetivo deveria ser recuperar função metabólica. Quando o foco permanece apenas no emagrecimento, existe uma tendência de repetir o mesmo ciclo: perde peso, recupera peso, perde novamente e segue acumulando desgaste fisiológico.”

Segundo ele, a manutenção dos resultados depende de fatores que vão além da medicação.

“Metabolismo não é uma conta matemática simples entre calorias consumidas e calorias gastas. Estamos falando de hormônios, sono, composição corporal, massa muscular, inflamação, alimentação, atividade física e capacidade adaptativa do organismo. Ignorar essas variáveis é reduzir um sistema extremamente complexo a uma única métrica.”


Uma nova fase da medicina metabólica

A expansão dos medicamentos para obesidade também está provocando mudanças dentro da própria comunidade médica. O debate começa a migrar da simples redução de peso para indicadores mais amplos de saúde metabólica, qualidade de vida e envelhecimento saudável.

Para Duarte, esse movimento tende a se intensificar nos próximos anos, à medida que mais pacientes alcançam resultados significativos de emagrecimento e passam a buscar respostas para questões que permanecem abertas.

“Estamos assistindo a uma mudança histórica. Durante décadas a medicina lutou para encontrar ferramentas eficazes contra a obesidade. Agora que essas ferramentas existem, surge uma nova pergunta: como transformar perda de peso em recuperação duradoura da saúde? Essa talvez seja a discussão mais importante da próxima década.”

Na avaliação do especialista, o futuro do tratamento da obesidade passará menos pela busca de números ideais na balança e mais pela compreensão de como restaurar os mecanismos fisiológicos que sustentam energia, autonomia e qualidade de vida ao longo do envelhecimento.

“Emagrecer pode ser o começo da jornada. O verdadeiro desafio é reconstruir saúde metabólica de forma que ela permaneça presente pelos próximos vinte ou trinta anos.”

  



Dr. Alexandre Duarte - médico, professor e palestrante, referência em fisiologia metabólica e hormonal no Brasil. Graduado em Medicina pela Universidade Regional de Blumenau (FURB), aprofundou sua formação durante 12 anos nos Estados Unidos, onde concluiu o Fellowship in Metabolic and Nutritional Medicine pela MMI/USA. Fundador do Grupo Avantgarde, Alexandre Duarte acumula mais de duas décadas de atuação clínica e acadêmica. Ao longo de sua trajetória, contribuiu para a recuperação da saúde de aproximadamente 40 mil pacientes e para a formação de mais de 3 mil médicos em áreas ligadas à fisiologia metabólica, modulação hormonal e medicina personalizada. Defensor da chamada medicina da saúde, baseada na investigação das causas dos desequilíbrios metabólicos e hormonais, atua na difusão de uma abordagem voltada à prevenção, personalização do tratamento e reversão de doenças crônicas associadas ao metabolismo, consolidando-se como uma das principais vozes do segmento no país.
Para mais informações, acesse: site, Instagram, linkedin ou pelo youtube.
 


Instituto Avantgarde
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Fontes de pesquisa

Organização Mundial da Saúde (OMS)
https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/obesity-and-overweight

World Obesity Federation – World Obesity Atlas 2025
https://data.worldobesity.org/publications/?cat=19

Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2025-03/um-cada-tres-brasileiros-vive-com-obesidade-mostra-relatorio-global

Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO)
https://abeso.org.br

Mapa da Obesidade – ABESO
https://abeso.org.br/mapa-da-obesidade/

Ministério da Saúde
https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/svsa/promocao-da-saude/fact-sheet-obesidade

The New England Journal of Medicine (STEP 1 Trial – Semaglutida)
https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa2032183

Diretriz Brasileira de Tratamento Farmacológico da Obesidade – ABESO
https://abeso.org.br/diretrizes/obesidade/2026/01/Diretriz-Brasileira-de-Tratamento-Farmacologico-da-Obesidade-2026.pdf



Junho Laranja

Canva
 Nest Fertilidade lança campanha de conscientização sobre infertilidade noambiente corporativo


Iniciativa, realizada em parceria com a ONG Gestar, marca o Mês Mundial de Conscientização da Infertilidade, com a disponibilização de acesso gratuito a um hub de conteúdos educativos sobre fertilidade, saúde emocional e impacto no trabalho

 

A infertilidade ainda é um tema considerado “tabu” no ambiente corporativo, apesar de impactar diretamente a saúde emocional, a produtividade e a permanência de profissionais nas empresas. Para ampliar esse debate durante o Junho Laranja (Mês Mundial de Conscientização da Infertilidade), a startup Nest Fertilidade acaba de lançar uma campanha em parceria com a ONG Gestar para democratizar o acesso à informação sobre questões de fertilidade e seus reflexos no mercado de trabalho. 

Ao longo deste mês, a empresa disponibilizará gratuitamente uma série de materiais educativos, incluindo e-book, vídeos e conteúdos informativos voltados para pessoas que enfrentam desafios relacionados à fertilidade, além de lideranças e profissionais de RH interessados em construir ambientes mais acolhedores e preparados para lidar com o tema. 

A iniciativa busca ampliar a conscientização sobre como questões reprodutivas atravessam a rotina profissional de milhares de brasileiros, afetando desde saúde mental e planejamento de carreira até relações no ambiente de trabalho. Segundo a startup Nest, ainda existe uma lacuna de informação dentro das empresas quando o assunto envolve infertilidade, tratamentos reprodutivos e suporte corporativo. 

“Falar sobre infertilidade no ambiente corporativo também é falar sobre saúde, inclusão e permanência de talentos. Muitas pessoas enfrentam esse processo em silêncio, conciliando consultas, tratamentos e impactos emocionais sem encontrar espaço seguro para diálogo dentro das organizações”, afirma Gabriela Varisco, cofundadora da Nest Fertilidade, que conecta empresas à medicina especializada para ampliar o acesso a tratamentos de fertilidade.

 

Informação é fundamental para quebrar tabu

A campanha também reforça a importância do acesso à informação qualificada para combater estigmas e ampliar o entendimento sobre fertilidade de forma mais humana e inclusiva. Os conteúdos gratuitos abordam temas como infertilidade, preservação de fertilidade, saúde emocional, parentalidade e os desafios enfrentados por colaboradores durante tratamentos reprodutivos. 

Estima-se que a infertilidade afete uma em cada seis pessoas no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, cerca de 8 milhões de pessoas enfrentam dificuldades para engravidar. Além do impacto emocional, os desafios também envolvem questões financeiras: tratamentos como a fertilização in vitro podem ultrapassar R$ 30 mil por tentativa e, na maioria dos casos, não são cobertos pelos planos de saúde. Apesar da relevância do tema, ainda é comum que homens e mulheres evitem compartilhar no ambiente de trabalho a necessidade de realizar tratamentos reprodutivos, muitas vezes por receio de julgamentos ou falta de compreensão. 

“Nosso objetivo é tornar esse debate mais acessível e mostrar que fertilidade não deve ser tratada apenas como uma questão individual, mas também como um tema de impacto social e corporativo”, completa Gabriela.

"A parceria com a Nest Fertilidade amplia o que a Gestar faz todos os dias: levar apoio a quem enfrenta a infertilidade sem saber que existe uma rede pronta para acolher. Chegar ao ambiente corporativo significa alcançar pessoas que talvez nunca nos encontrassem por outro caminho”, avalia Vanessa Jost, da ONG Gestar. 

A ONG Gestar é uma comunidade solidária criada para oferecer suporte emocional, compartilhar experiências e trocar conhecimentos. Eles mantêm um grupo de apoio para acolher mulheres e casais que estão enfrentando desafios relacionados à infertilidade e à maternidade. Nesse mês do Junho Laranja, a entidade está reforçando a divulgação do grupo dentro de empresas e demais parceiros, como forma de apoio à campanha. 

Os materiais já estão disponíveis e podem ser acessados gratuitamente através das redes sociais (Instagram e Linkedin) da Nest Fertilidade, durante todo o mês de conscientização do Junho Laranja.

Para acessar o conteúdo gratuito, Link.

 Nest Fertilidade


Jejum prolongado e enxaqueca: por que algumas pessoas pioram ao ficar muitas horas sem comer?

Pular refeições para emagrecer parece uma estratégia simples. Mas, para algumas pessoas com enxaqueca, ficar muitas horas sem se alimentar pode ser justamente o que falta para desencadear uma crise.

 

A enxaqueca é uma doença neurológica caracterizada por um cérebro mais sensível a diferentes estímulos internos e externos. Alterações no sono, estresse, desidratação, oscilações hormonais e mudanças na alimentação podem funcionar como gatilhos em indivíduos predispostos. Entre eles, o jejum prolongado é um dos mais frequentemente relatados pelos pacientes. Segundo a neurologista especialista em cefaleias Dra. Helena Providelli, o problema não está apenas na comida em si, mas na dificuldade que o cérebro migranoso tem de lidar com períodos prolongados de privação energética.

"Muitas pessoas acreditam que a crise acontece apenas porque a glicose caiu. Na prática, a situação é mais complexa. O cérebro de quem tem enxaqueca costuma ser menos tolerante a mudanças bruscas de rotina e ao estresse metabólico provocado por longos períodos sem alimentação."

Isso não significa que toda pessoa com enxaqueca precise comer de três em três horas ou que qualquer estratégia de jejum esteja automaticamente proibida. A tolerância varia de indivíduo para indivíduo. Enquanto algumas pessoas conseguem permanecer várias horas sem se alimentar sem consequências, outras percebem piora importante das dores de cabeça, especialmente quando o jejum se associa a outros fatores como noites mal dormidas, desidratação ou períodos de maior estresse.

O que costuma preocupar os especialistas é a adoção de dietas muito restritivas sem orientação profissional. Não é raro que pacientes procurem atendimento relatando aumento da frequência das crises após iniciarem protocolos de emagrecimento que exigem longos períodos sem alimentação.

Outro ponto importante é que o tratamento da enxaqueca não deve se basear na busca obsessiva por gatilhos. Embora seja útil reconhecer fatores que favorecem as crises, o objetivo principal é tornar o cérebro mais estável e menos vulnerável às oscilações do dia a dia.

"Nós não queremos que o paciente viva com medo de sentir fome, de dormir um pouco menos ou de participar de um evento social. O foco do tratamento é reduzir essa vulnerabilidade cerebral para que a pessoa volte a ter liberdade e qualidade de vida."

Para quem deseja emagrecer e convive com enxaqueca, a melhor estratégia costuma ser uma abordagem individualizada, construída com acompanhamento médico e nutricional. Em muitos casos, é possível alcançar perda de peso sem aumentar a frequência das crises. Alimentação equilibrada, hidratação adequada, sono regular, atividade física e tratamento medicamentoso quando indicado continuam sendo pilares fundamentais para o controle da doença.

Afinal, a enxaqueca não acontece porque a pessoa ficou algumas horas sem comer. Ela acontece porque existe um cérebro vulnerável por trás da dor. E quanto melhor cuidamos desse cérebro, menor tende a ser o impacto dos gatilhos na vida cotidiana.

 

Fonte: Dra. Helena Providelli – Neurologista especialista em cefaleias e Diretora Técnica do Instituto Providelli.



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