Pesquisar no Blog

terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Como tornar o ambiente digital mais seguro para crianças?

Com a elevação da idade mínima para uso de redes sociais e sistemas de inteligência artificial, é hora de refletir sobre responsabilidades, riscos e estratégias para proteger menores na era digital

 

A tecnologia está redefinindo a infância. Redes sociais, jogos online e sistemas de inteligência artificial fazem parte da rotina das novas gerações, oferecendo oportunidades de aprendizado e interação inéditas, mas também riscos sem precedentes. O anúncio de que, a partir de março de 2026, o Brasil elevará a idade mínima recomendada para uso de redes sociais para 16 anos, e para interação com chatbots de IA para 14 anos, é um passo importante nessa direção, mas ainda insuficiente. 

Essa mudança será implementada por meio do ECA Digital, sancionado em setembro de 2025, que obriga plataformas digitais a verificarem a idade dos usuários e a bloquearem o acesso de crianças e adolescentes a conteúdos e serviços inadequados, salvo se houver autorização dos responsáveis via mecanismos de monitoramento parental. Além disso, o Ministério da Justiça e Segurança Pública atualizará o Guia da Classificação Indicativa, incluindo o critério de “interatividade” para avaliar apps, redes sociais e serviços digitais de acordo com a faixa etária recomendada.

Como especialista em direito digital, acredito que tornar o ambiente online mais seguro para crianças exige uma abordagem integrada que une legislação, educação digital, design de plataformas e responsabilidade parental. 

A inteligência artificial já influencia o que as crianças veem, consomem e acreditam. Plataformas digitais operam com algoritmos que personalizam recomendações e moldam comportamentos, muitas vezes sem a devida transparência. Chatbots e assistentes virtuais, por exemplo, podem expor menores a conteúdos inadequados, reforçar estereótipos e coletar dados sensíveis. Nesse cenário, a transparência algorítmica e a moderação ativa de conteúdo devem ser prioridade absoluta das empresas. 

A educação digital também é indispensável. Ensinar crianças e adolescentes a compreenderem os mecanismos das redes, identificar conteúdos manipulativos e proteger seus dados pessoais é tão essencial quanto aprender matemática ou português. A alfabetização digital deve começar cedo, com o envolvimento de escolas, famílias e poder público, para que os jovens saibam usar a tecnologia de forma crítica, criativa e segura. 

Outro ponto é o controle parental responsável, aliado a mecanismos de verificação de idade eficazes e consentimento informado. O equilíbrio está em proteger sem restringir excessivamente: permitir que crianças explorem o digital, mas com camadas de segurança compatíveis com sua maturidade e contexto.


O desafio ético e jurídico da era da IA 

Dados da consultoria Statista indicam que o mercado global de geração de conteúdo por IA movimentou cerca de US$ 350 milhões em 2023, com projeções de ultrapassar US$ 1 bilhão até 2030. Esse crescimento exponencial reforça a urgência de criar padrões de proteção e responsabilidade, antes que o acesso precoce e desregulado amplie desigualdades e vulnerabilidades.

A legislação brasileira já oferece bases relevantes, como a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e o ECA Digital, que obrigará plataformas a adotarem medidas de segurança específicas para menores e a verificarem a idade de todos os usuários. Ainda assim, faltam normas detalhadas sobre o uso de IA generativa, especialmente quando envolve coleta de dados, criação de conteúdo e interação com crianças. 

Proteger a infância digital não significa conter o avanço tecnológico, mas orientá-lo com responsabilidade. O desenvolvimento seguro das novas gerações depende de uma combinação de ética, inovação e compromisso coletivo — entre Estado, empresas, famílias e sociedade civil. 

A segurança digital infantil é, acima de tudo, uma questão de futuro. Garantir que crianças cresçam críticas, criativas e confiantes em um mundo conectado é o maior desafio — e a maior responsabilidade — da era da inteligência artificial.

 

Thomas Law - advogado, doutor em Direito Comercial pela PUC-SP, pós-doutor em Direito pela USP, professor convidado do PROLAM (Programa de Pós-Graduação em Integração da América Latina da USP) e vice-presidente do CEDES (Centro de Estudos de Direito Econômico e Social). É também presidente do IBCJ (Instituto Brasileiro de Ciências Jurídicas), do Instituto Sociocultural Brasil-China (Ibrachina) e fundador do Ibrawork, um hub de open innovation.


Copa do Mundo de 2026 promete impulsionar o turismo de brasileiros nos EUA

Brasil joga já no início do torneio em Miami e na região de Nova York, destinos tradicionalmente muito procurados

 

Entre os dias 11 de junho e 19 de julho de 2026, Estados Unidos, Canadá e México vão sediar a Copa do Mundo da Fifa 2026, a primeira edição do torneio com 48 seleções e 16 cidades-sede espalhadas por três países. Para os torcedores brasileiros, o evento abre espaço para uma combinação muito desejada, unindo futebol e turismo nos Estados Unidos.

Cidades como Miami e Nova York, já muito procuradas por brasileiros, estão entre as sedes do Mundial e terão papel importante no torneio. Miami, por exemplo, receberá sete partidas, incluindo a disputa do terceiro lugar, no Hard Rock Stadium, que será oficialmente chamado de Miami Stadium durante o evento. E a grande final já tem palco definido: será disputada no MetLife Stadium, em Nova Jersey, na região de Nova York, com capacidade para 82.500 espectadores. O Brasil está no Grupo C do torneio e, na primeira fase, vai enfrentar Marrocos, Haiti e Escócia, em New Jersey, na Filadélfia, e em Miami, respectivamente. 

De acordo com Orlando David Theodoro, o Tio Orlando, CEO da Tio Orlando Viagens, a expectativa é de forte movimento de turistas brasileiros durante o período do campeonato. “A Copa do Mundo é, por si só, um evento que mexe com a paixão do brasileiro. Quando ela acontece em um destino que já é sonho de viagem, como os Estados Unidos, o interesse cresce ainda mais”, comenta. “Muitos já estão planejando roteiros que combinam jogos em cidades-sede como Miami e Nova Jersey com alguns dias em Orlando para curtir parques, compras e outras atrações.”

Tio Orlando reforça, porém, a importância do planejamento antecipado. “Não é só o ingresso que conta. Em períodos como esse, falamos de alta demanda por voos, hotéis, seguro viagem, deslocamentos entre cidades-sede e até atrações locais. Quem se organiza com antecedência consegue melhores opções de preço, localização e logística”, afirma. “A final em Nova Jersey e os jogos em Miami devem atrair muitos brasileiros, e nossa missão é fazer com que essa experiência seja tranquila do começo ao fim”.

No site oficial da Tio Orlando Viagens já é possível solicitar ingressos para todos os jogos da Copa do Mundo Fifa 2026, inclusive para a final no MetLife Stadium, mediante consulta, com opções que vão desde categorias mais acessíveis até assentos mais exclusivos e pacotes de hospitalidade premium e experiências VIP. “Nosso papel é orientar o cliente com transparência, desde o entendimento das categorias de ingressos e regras de venda da Fifa até a montagem do roteiro completo, com passagens, hospedagem, traslados e aluguel de carro, tudo em português”, explica Tio Orlando.

Para além dos estádios, a Tio Orlando Viagens lembra que a Copa do Mundo de 2026 será uma chance única de conhecer pela primeira vez ou revisitar grandes destinos norte-americanos. “Muita gente já está pensando em um roteiro que inclua, por exemplo, alguns jogos em Miami, uma passada por Orlando para visitar parques como os da Disney e o novo Epic, da Universal, e depois seguir para Nova York para curtir a atmosfera da cidade e, quem sabe, a final da Copa”, comenta Tio Orlando. “É a união perfeita entre algumas das maiores paixões do brasileiro: futebol, lazer e turismo.”

 

Conectando pessoas, direitos humanos e futuro

 

Atuar com Direitos Humanos e com Diversidade, Equidade e Inclusão (DEI) é mais do que uma prática institucional, é uma postura diante do mundo. É ouvir com atenção, guiar com propósito e acolher com coragem. É construir espaços seguros e saudáveis, provocar reflexões, despertar lideranças e inspirar empresas a enfrentar os desafios sociais, ambientais, culturais e econômicos que marcam o nosso tempo.

Como nos ensina o Mestre Bispo, a verdadeira liderança nasce da escuta, da valorização da ancestralidade e da responsabilidade com as comunidades. Direitos humanos e diversidade têm raízes profundas na história, na cultura e na memória de cada território. Por isso, responsabilidade social, diversidade, equidade e inclusão, ESG e direitos humanos não são agendas isoladas, mas fios de uma mesma teia, que conectam pessoas, valores, culturas e futuro.

De acordo com a pesquisa “A diversidade importa cada vez mais: o valor do impacto holístico”, da McKinsey & Company (2023), empresas com equipes mais diversas não apenas apresentam melhor desempenho financeiro, mas também maior impacto social, engajamento de equipes e ambição de crescimento sustentável. Esses dados reforçam que diversidade, equidade e inclusão são fatores estruturantes de competitividade e inovação, e não apenas compromissos reputacionais.

Foi com essa visão que o Pacto Global da ONU – Rede Brasil, a representação local da maior iniciativa de sustentabilidade corporativa do mundo, realizou, ao longo deste ano, os Diálogos de Direitos Humanos e Diversidade, Equidade e Inclusão. Mais do que encontros, esses diálogos foram movimentos de escuta, aprendizado e ação. Pontes entre o presente e o futuro, com o objetivo de impulsionar iniciativas concretas que promovam os direitos humanos no setor privado.

Percorremos cinco regiões do país, ouvindo atentamente empresas, suas trajetórias e iniciativas com foco em DEI. Observamos e analisamos os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, mas, acima de tudo, olhamos para as pessoas. Buscamos ações replicáveis, escaláveis e compartilháveis, capazes de gerar impacto coletivo e transformar o tecido empresarial do Brasil, respeitando territórios, histórias e saberes ancestrais.

Como resultado dessa jornada, construímos o “Guia Orientador para Estratégias de Direitos Humanos e DEI para Empresas”. Mais do que um documento, ele é um mapa de transformação, essencial para o avanço e consolidação dessa agenda.

O Guia é farol, bússola e ponte: é farol porque ilumina caminhos; é bússola porque orienta decisões; e é ponte porque conecta pessoas, práticas, culturas e políticas. De modo geral, ele fortalece uma cultura de diversidade, respeito, equidade e inclusão, mostrando que os direitos humanos se manifestam no cotidiano, isto é, nas relações humanas, nas escolhas e nas formas de fazer negócio.

Dessa forma, o Guia transforma valores em ações. As ações, por sua vez, geram impacto. E o impacto se torna vida real, tangível e presente, conectando intenção à transformação e sonhos à realidade.

Este é o nosso convite: agir, escutar e transformar - juntos. Porque DEI não é apenas uma agenda; é a teia em expansão que conecta pessoas, direitos humanos, cultura, empresas e futuro. E essa teia depende do esforço coletivo e proativo de todos os agentes envolvidos em seu tecimento para assegurar sua tenacidade e resiliência em um ambiente desafiador.   

 

 

Verônica Vassalo - Gerente de Diversidade, Equidade e Inclusão do Pacto Global da ONU – Rede Brasil


Carreira na Europa em 2026: descubra quais trabalhos estão em alta em Portugal

 Semelhanças culturais é vantagem competitiva para profissionais brasileiros em Portugal

 

Para brasileiros que consideram construir uma carreira na Europa, Portugal segue sendo uma porta de entrada estratégica em 2026. O mercado de trabalho no país apresenta oportunidades robustas, especialmente em setores que estão na vanguarda da transformação digital e da sustentabilidade, e que enfrentam escassez de talentos qualificados. 

Segundo a Comissão Europeia, a economia portuguesa mostra sinais de resiliência, com o PIB crescendo 0,7% no segundo trimestre de 2025 e uma previsão de que o desemprego continue sua trajetória de queda, estabilizando em patamares próximos de 6.3%. Para Fábio Pereira, CEO da Cidadania e Visto, assessoria jurídica especializada em cidadania portuguesa e vistos, "profissionais brasileiros se destacam dentro do mercado em Portugal, não apenas pela qualificação técnica, mas pelas semelhanças culturais e linguísticas que facilitam a integração imediata nas equipes de trabalho". 

Pensando nisso, confira a seguir 4 setores e profissões que estão em alta em Portugal:
 

Tecnologia da Informação (TI)

O setor de TI é, sem dúvida, a estrela no panorama de empregabilidade em Portugal. Lisboa e o Porto consolidaram-se como polos tecnológicos de relevo na Europa, atraindo investimentos massivos e impulsionando uma demanda constante por profissionais especializados, de acordo com dados da Associação Portuguesa de Empresas de Tecnologias de Informação (APETI). As oportunidades são vastas para Engenheiros de Inteligência Artificial e Machine Learning, que desenvolvem algoritmos para setores como saúde e finanças, e para especialistas em cibersegurança, fundamentais para proteger dados e sistemas corporativos. Desenvolvedores de Software com domínio de linguagens como Python, Java e SQL também são altamente valorizados, assim como Arquitetos de Nuvem, responsáveis por criar e gerenciar infraestruturas cloud escaláveis e seguras.
 

Saúde e Bem-estar

Impulsionado pelo envelhecimento da população e por uma maior conscientização sobre a saúde mental, a área de saúde mantém uma demanda estrutural por profissionais. Médicos de diversas especialidades, enfermeiros – especialmente em cuidados geriátricos – e psicólogos estão entre os perfis mais procurados.
 

Engenharia, Construção e Sustentabilidade

A retomada de obras públicas e privadas, aliada à forte aposta de Portugal na transição energética, aquece o mercado para profissionais da construção e da sustentabilidade. Há uma necessidade, em especial, de engenheiros civis e arquitetos que incorporem tecnologia e foco em projetos sustentáveis. Paralelamente, também existe um incentivo por carreiras verdes, como técnicos em energias renováveis (para instalação e manutenção de sistemas solares e eólicos) e gestores de sustentabilidade, que implementam estratégias ambientais, sociais e de governança (ESG) nas empresas.
 

Turismo e Hotelaria

Sendo um pilar histórico da economia portuguesa, o turismo local é marcado pela diversificação de destinos e tipos de experiência. Isso gera uma contínua necessidade de gestores de hotelaria e gestores de eventos, capazes de elevar a qualidade dos serviços e atender a um público internacional. A fluência em outros idiomas, principalmente inglês, é um dos principais diferenciais neste setor.
 

Validação de Diplomas

Apesar das muitas possibilidades, é importante lembrar que para profissões regulamentadas é exigido um processo formal de reconhecimento do diploma, autorizando a atuação do profissional no exterior. 

Este é o caso, por exemplo, de Medicina e Arquitetura. “O processo pode envolver a análise do currículo acadêmico e, em muitos casos, a realização de uma ou mais provas de conhecimento. Mas com planejamento e antecedência, essa é definitivamente uma porta de entrada segura para o mercado europeu”, finaliza Fábio.

  

Cidadania & Visto


Como saber se a praia está própria para banho em SP: entenda a balneabilidade e veja as recomendações da Cetesb

Toda quinta-feira, a Cetesb atualiza o boletim no site e no aplicativo (Android e iOS), além de trocar as bandeiras nas praias monitoradas 

 

No verão, além de garantir a hidratação, o protetor solar e a diversão, vale conferir se o mar está liberado para banho. Toda semana, a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) avalia a qualidade da água de 175 praias do litoral paulista e classifica cada ponto como próprio ou impróprio.

Há mais de cinco décadas, técnicos da Cetesb coletam amostras exatamente onde os banhistas entram no mar e as levam para análise laboratorial. O objetivo é detectar Enterococos, bactérias microscópicas que funcionam como sinais de alerta para contaminação fecal. É essa medição que determina se a praia será considerada adequada ou não para o banho.

A divulgação dos resultados ocorre sempre às quintas-feiras, quando o boletim atualizado é publicado no site e no aplicativo da Cetesb (Android e iOS), e as bandeiras são trocadas nas praias monitoradas.


O que é balneabilidade?

Balneabilidade é o nome técnico usado para indicar se a água do mar está adequada para o banho. Os parâmetros para essa avaliação são estabelecidos pela legislação ambiental vigente no país e seguem padrões internacionais utilizados no mundo todo para avaliar o risco de exposição a bactérias que podem causar principalmente infecções gastrointestinais, de pele e de ouvido.

Os dados orientam ações de prefeituras e concessionárias de saneamento, como reforço na operação de esgotamento, manutenção de redes, identificação de lançamentos irregulares e adequações na drenagem.

"Nosso objetivo é fornecer ao público informações confiáveis e atualizadas. A medição da qualidade da água da praia é uma ferramenta essencial para apoiar a gestão pública e proteger a saúde da população", explica Claudia Lamparelli, gerente do Setor de Águas Litorâneas da Cetesb.


Como a Cetesb faz a análise?

O processo acontece toda semana, sem interrupção, ao longo de todo o ano.


Passo 1 - Dia de coleta

No primeiro dia da semana, equipes da Cetesb percorrem todas as praias monitoradas. A coleta é feita exatamente no ponto onde os banhistas entram no mar, sempre na mesma área, no mesmo horário e a 1 metro de profundidade, para garantir padronização.


Passo 2 - Análise em laboratório
As amostras seguem para os laboratórios da Cetesb, onde os técnicos analisam a presença de Enterococos. As amostras de água são colocadas em meios de cultura adequados e depois vão para uma estufa onde, se houver contaminação, crescerão colônias de bactérias microscópicas que podem ser visualizadas por meio de corantes específicos e do microscópio.

"Não é possível identificar o risco apenas olhando para o mar. A água aparentemente limpa pode estar imprópria. Os Enterococos são nossos sinais de alerta", reforça Lamparelli.


Passo 3 - Contagem e análise de resultados
De acordo com os resultados, a praia recebe uma das duas classificações:

  • Própria (bandeira verde): quando os resultados estão dentro do padrão de segurança
  • Imprópria (bandeira vermelha): quando duas ou mais amostras das últimas cinco semanas apresentam mais de 100 colônias de Enterococos por 100 mL de água, ou quando a coleta mais recente ultrapassa 400 colônias por 100 mL

O histórico de cinco semanas é usado para garantir que a avaliação represente uma tendência real, e não apenas uma mudança pontual da qualidade da água.


Passo 4 - Boletim no ar
Na quinta-feira, o boletim atualizado é publicado no site e no aplicativo da Cetesb (Android e iOS). As bandeiras físicas são trocadas nas praias, indicando aos banhistas a situação atual.


Recomendações para aproveitar o mar com segurança

  • Após chuvas intensas, evite entrar no mar por pelo menos 24 horas, mesmo em praias classificadas como próprias.
  • Canais, rios e córregos que deságuam na praia devem ser evitados, pois podem receber esgoto clandestino.
  • Outros fatores também podem deixar a praia temporariamente imprópria, como floração de algas, derramamentos de óleo ou descarga acidental de poluentes.


Sanidade Animal – Campanha de atualização dos rebanhos chega ao fim na próxima segunda-feira, dia 15 de dezembro

A Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA) através da sua Defesa Agropecuária informa que a Campanha de Atualização dos Rebanhos, em vigor desde 1º de novembro, chega ao fim na próxima segunda-feira, dia 15 de dezembro. A partir da retirada da vacinação contra a Febre Aftosa em 2023, o produtor rural passou, também em caráter obrigatório, a ter que atualizar seus rebanhos junto ao sistema de Gestão de Defesa Animal e Vegetal (GEDAVE).

Devem ser declarados, além dos bovinos, os rebanhos de búfalos, equinos, asininos, muares, suínos, ovinos, caprinos, aves, peixes e outros animais aquáticos, colmeias de abelhas e bicho da seda. A não declaração pode acarretar o bloqueio da movimentação dos animais e a inviabilidade da emissão da Guia de Trânsito Animal (GTA) com possibilidade de sanções administrativas. 

A atualização pode ser feita diretamente no sistema GEDAVE. Outra forma de efetuar a declaração é pessoalmente em uma das Unidades da Defesa Agropecuária distribuídas estrategicamente pelo Estado e também, através do envio por e-mail do formulário que está disponível em Link 

 

Brucelose 

A Campanha de Vacinação contra a Brucelose, que agora vigora durante todo o ano, teve início neste segundo semestre, no dia 1º de julho e as bovinas e bubalinas de três a oito meses, devem ser vacinadas até dia 31 de dezembro. 

Por se tratar de uma vacina viva, passível de infecção para quem a manipula, a vacinação deve ser feita por um médico-veterinário cadastrado que, além de garantir a correta aplicação do imunizante, fornece o atestado de vacinação ao produtor. 

A relação dos médicos-veterinários cadastrados na Defesa Agropecuária para realizar a vacinação em diversos municípios do Estado de São Paulo está disponível em Link. 

O médico-veterinário responsável pela imunização, ao cadastrar o atestado de vacinação no sistema informatizado de gestão de defesa animal e vegetal (GEDAVE) em um prazo máximo de quatro dias a contar da data da vacinação e dentro do período correspondente à vacinação, validará a imunização dos animais. 

A exceção acontecerá quando houver casos de divergências entre o número de animais vacinados e o saldo do rebanho declarado pelo produtor no sistema GEDAVE. 

Em caso de incongruências, o médico-veterinário e o produtor serão notificados das pendências por meio de mensagem eletrônica, enviada ao e-mail cadastrado junto ao GEDAVE. Neste caso, o proprietário deverá regularizar a pendência para a efetivação da declaração.

 

Felipe Nunes

 

Nem vitória da CLT, nem fracasso do empreendedorismo: um ecossistema complexo

 

O debate sobre trabalho no Brasil ganhou novos contornos nos últimos meses. Pesquisas encomendadas por centrais sindicais mostram que muitos trabalhadores que deixaram o emprego formal para empreender agora manifestam o desejo de retornar à CLT. Esse movimento não revela um fracasso do empreendedorismo nem um triunfo automático da formalização. Ele expõe, sobretudo, as condições estruturais do país: educação insuficiente, volatilidade económica, desigualdade de oportunidades e a dificuldade de sustentar autonomia num mercado em rápida transformação. 

Os dados chamam a atenção, mas precisam ser lidos com cuidado. 

O universo da economia de plataforma amplia essa discussão. O Brasil é hoje o país com o maior número de motoristas cadastrados na Uber no mundo, com cerca de 1,4 milhão de inscritos e a plataforma afirma que 5 milhões de brasileiros já geraram renda por meio de suas operações. Esses números mostram a dimensão da força de trabalho que circula hoje no capitalismo de plataforma. 

Há ainda um elemento relevante, no aspecto educacional. O índice de analfabetismo funcional no país permanece em aproximadamente 29% da população entre 15 e 64 anos. Quase um terço dos adultos tem dificuldade relevante para interpretar textos simples, planejar finanças, elaborar contratos ou tomar decisões essenciais para gerir um pequeno negócio. Autonomia exige preparo e essa é uma condição que não pode ser ignorada. 

Não é correto, portanto, sustentar que empreender ou atuar em plataformas seja pior que ter vínculo formal. A realidade é mais complexa. A maioria dos trabalhadores que migra da CLT para o empreendedorismo o faz por necessidade, não por convicção ou oportunidade. Em regra, são trabalhadores de baixa escolaridade e que recebiam baixas remunerações no mercado formal. E empreender por necessidade raramente se traduz em mobilidade social, estabilidade financeira ou qualidade de vida. 

Ao mesmo tempo, é ilusório imaginar que a existência de um vínculo formal garanta estabilidade para quem não tem acesso à educação adequada ou capacidade de se manter relevante num mercado dominado por tecnologia e, cada vez mais, inteligência artificial. Carteira assinada não imuniza ninguém contra os efeitos da falta de formação. 

Há também uma dimensão geracional que merece destaque. Gerações mais jovens valorizam autonomia, flexibilidade, propósito. Já as anteriores priorizavam previsibilidade e estabilidade. Mas autonomia não se sustenta apenas em desejo, ela depende de condições materiais, sociais e educacionais. Quando o ambiente económico não está favorável, como agora, essa discrepância fica mais nítida. 

Outra correlação relevante é o índice mais baixo de desemprego da história, que apresentamos em 2024. Isso não significa, necessariamente, criação expressiva de vagas formais, pois essa taxa é calculada com base no numero de trabalhadores que estão ativamente buscando uma vaga formal de emprego. Logo, em muitos casos, o que ocorre é a redução da busca por emprego formal, decorrente do aumento de trabalhadores que migraram para formas autônomas de renda. Ler esse dado como sinal de saúde do mercado formal seria um equívoco. 

A movimentação de retorno à CLT, portanto, não representa nostalgia de estabilidade perdida nem derrota do sonho empreendedor. É um reflexo direto das fragilidades educacionais, das desigualdades estruturais e das transformações tecnológicas que reorganizam o mundo do trabalho. O fenômeno não deve ser visto como problema individual, mas como um fato social que exige resposta adequada do Estado, especialmente no campo legislativo. 

A solução passa por educação sólida, políticas que garantam proteção social adequada para todos e pela ampliação das possibilidades de transição entre autonomia e formalidade. Autonomia real não deveria ser privilégio de poucos. Estabilidade também não deveria ser ilusão para muitos. É nesse ponto que o país precisa avançar. 

 

Taciela Cordeiro Cylleno - Juíza Federal do Trabalho há quase 15 anos, titular da 9ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro, presidente da AJUTRA e membro do Conselho Pedagógico da EJUD-RJ.



Natal deve movimentar mais de R$ 75 bilhões em moda, calçados e móveis; varejo projeta virada positiva para 2026

Frederik

Projeções do IEMI indicam crescimento de faturamento, em valores nominais, nos três principais segmentos sazonais e consolidam tendência de consumo planejado e produtos de maior valor agregado

 

O clima de retomada deve marcar o final de ano do varejo brasileiro. As projeções do IEMI - Inteligência de Mercado apontam que dezembro deve registrar crescimento em três dos principais segmentos ligados ao consumo natalino: vestuário, calçados, móveis e colchões, tanto em faturamento quanto em volume de peças comercializadas.

O varejo de vestuário deve alcançar 957,1 milhões de peças vendidas, crescimento de 4,7% em relação ao mesmo período do ano anterior, com movimentação estimada em R$ 48,5 bilhões, aumento de 9,4%. O setor de calçados deve comercializar 123,4 milhões de pares, alta de 4,2%, e gerar R$ 12,6 bilhões em vendas, avanço de 9%. Já o mercado de móveis e colchões prevê 42,7 milhões de peças vendidas, crescimento de 7,6%, com faturamento estimado em R$ 14,1 bilhões, elevação de 10,4%

 

Fonte: IEMI

Segundo Marcelo Prado, consultor e diretor do IEMI, o cenário mostra que o consumidor deve priorizar compras planejadas e produtos de maior valor agregado, o que explica a diferença entre os crescimentos de volume e faturamento. Essa tendência de consumo, que emergiu com mais força em 2025, se consolida para o próximo ciclo e influencia diretamente a estratégia de empresas do varejo em ações promocionais, sortimento e posicionamento de preço.


                                                                                 Fonte: IEMI


Para o ano de 2025, o estudo estima que o varejo de vestuário movimente R$ 314,9 bilhões, crescimento de 6,8% em relação a 2024, com previsão de vendas de 6,4 bilhões de peças, avanço de 3,1%. O setor de calçados deve somar R$ 81,5 bilhões em faturamento, aumento de 6,1%, e 822,5 milhões de pares vendidos, alta de 2,8%. Já o varejo de móveis e colchões deve registrar estabilidade em valor, com R$ 127,9 bilhões, crescimento de 0,2%, e retração em volume, com 394,6 milhões de unidades comercializadas, queda de 2,2%.

Edmundo Lima, diretor executivo da Associação Brasileira do Varejo Têxtil (ABVTEX), reforça que o desempenho do varejo no fim do ano tem efeito imediato na cadeia produtiva e no planejamento das empresas para o próximo ciclo. 

De acordo com o diretor, “O que vemos é um consumidor mais seletivo, informado e consciente do valor da sua compra, e isso exige que o setor esteja preparado com transparência, eficiência e modelos mais responsáveis de operação. Para sustentar o crescimento, é essencial evoluir em competitividade, ambiente regulatório equilibrado e desenvolvimento dos fornecedores, garantindo que a expansão aconteça de forma sustentável e inclusiva.”

 


IEMI – Inteligência de Mercado
Saiba mais no site do IEMI.


Associação Brasileira do Varejo Têxtil - ABVTEX


Robôs domésticos ganham força no fim de ano e devem impulsionar mercado em 2026, indica FEI

Especialista destaca avanços em IA que ampliam autonomia e capacidade de adaptação de robôs dentro dos lares brasileiros e impulsionam a adoção durante o fim de ano


Com a chegada de dezembro, mês marcado por festas, férias, viagens e aumento nas compras, cresce também o interesse por dispositivos que facilitem a rotina doméstica. Entre eles, os robôs domésticos se destacam como uma das categorias tecnológicas com maior potencial de expansão em 2026 na análise da FEI, centro universitário com o primeiro curso de engenharia de robôs do Brasil. Para corroborar essa análise, estimativas da ABI Research indicam que o mercado global de robótica residencial deve movimentar mais de US$ 19 bilhões até 2027, impulsionado pela popularização de robôs de limpeza, sensores inteligentes e assistentes autônomos.

No Brasil, o setor já mostra maturidade: somente os aspiradores robôs registraram crescimento superior a 25% em vendas em 2024, de acordo com levantamentos de dados de varejistas nacionais acompanhados pela GfK. Segundo o professor Fagner Pimentel, de Engenharia de Robôs da FEI, essa mudança revela uma evolução importante: “Um robô doméstico não é apenas um eletrodoméstico automatizado. Ele é um sistema autônomo, adaptativo e interativo, capaz de operar no ambiente humano com algum nível de compreensão do mundo.”

De acordo com Pimentel, para ser considerado um robô, e não apenas um dispositivo automatizado, é preciso que o equipamento apresente critérios técnicos como autonomia real, fusão sensorial, navegação no ambiente, capacidade de interação significativa com pessoas e tomada de decisão sem script pré-definido. “As competições internacionais e brasileiras de robôs domésticos adotam esses parâmetros: localização no ambiente, planejamento de caminhos, percepção, manipulação de objetos e adaptação a mudanças no espaço. Estamos falando de robôs capazes de arrumar a casa, dobrar roupas e auxiliar idosos, são tarefas que vão muito além da automação tradicional”, explica o pesquisador.

O país já amadureceu na adoção de robôs de limpeza, que deixaram de ser vistos como dispositivos eletrônicos e se tornaram itens comuns em muitos lares. No entanto, o professor destaca que os robôs avançados, ainda estão restritos a laboratórios, protótipos e competições, apesar do avanço das equipes de desenvolvimento brasileiras. Entre os principais desafios para essa evolução estão o alto custo de produção, a infraestrutura limitada de casas inteligentes, a maturidade tecnológica em desenvolvimento e as preocupações com segurança e privacidade.


IA embarcada

As inovações em inteligência artificial (IA) embarcada, sensores mais acessíveis, integração com ecossistemas de casa inteligente e navegação social devem tornar 2026 um ano decisivo para os robôs domésticos. Segundo o professor da FEI, esses avanços estão permitindo que até equipamentos simples combinem automação com comportamento contextual, ampliando aplicações que vão de segurança à assistência a idosos.

Para os próximos anos, a previsão do especialista é que o mercado avance para robôs mais precisos e autônomos, começando por modelos de limpeza com mapeamento 3D, desvio inteligente de obstáculos e interação por voz ou câmera. Também devem ganhar espaço os robôs especializados — como limpadores de janelas e banheiros. Além de plataformas móveis capazes de transportar pequenos objetos, entregar itens entre cômodos e oferecer companhia. A expectativa é que, entre cinco e dez anos, os sistemas sobre rodas evoluam para estruturas mais modulares, abrindo caminho para a presença gradual de humanoides domésticos.


Atenção à privacidade

Esse movimento já influencia o consumo de fim de ano, que privilegia produtos autônomos, integrados à casa inteligente e capazes de aprender a rotina, além de itens que preparam o lar para tecnologias futuras, como fechaduras e sensores inteligentes. Pimentel recomenda atenção à privacidade, ao armazenamento de dados e à compatibilidade com assistentes, reforçando que “não é sobre comprar o robô mais caro, mas o que faz sentido para cada casa”.

Para consumidores e empresas, ele destaca que ambientes preparados, atualizações constantes e transparência sobre o uso da IA serão diferenciais em um mercado que passa a enxergar robôs não apenas como produtos, mas como serviços.


A violência contra as mulheres também veste crachá


Com uma semana de atraso do Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres (25/11), vimos uma sucessão de casos graves de feminicídio e novas pesquisas sobre o aumento da violência doméstica. Mas também nos deparamos com notícias na contramão desse cenário: o governo criou uma pensão especial para filhos de vítimas de feminicídio, paga pelo INSS, garantindo um salário mínimo mensal até os 18 anos mediante requisitos de renda e comprovação do crime. O benefício, previsto para iniciar em dezembro de 2025, foi regulamentado pelo Decreto nº 12.636/2025. 

O Congresso também tem promovido alterações na Lei Maria da Penha, como a Lei nº 15.125/2025, que permite a monitoração eletrônica do agressor durante medidas protetivas. Além disso, 6 de dezembro marcou o Dia Nacional de Mobilização dos Homens pelo Fim da Violência Contra as Mulheres (Lei 11.489/2007), reforçando a corresponsabilidade masculina.  

Apesar de todos esses avanços, ainda falamos muito pouco da violência contra a mulher no ambiente de trabalho. Basta começar pelo que se espera de um colaborador “normal”: ser pontual, entregar mais do que o esperado, vestir a camisa. Mas e de uma colaboradora? Acrescente: vestir-se de forma “adequada”, “ser forte”, encarar tudo “como um homem”. Não se ausentar em crises menstruais. Fazer vista grossa para comentários e comportamentos inadequados. 

Em muitos ambientes, espera-se que mulheres deixem parte de quem são na porta e entrem descomplicadas, neutras e produtivas. É desse padrão de exigência e silêncio que nasce boa parte da violência que enfrentam no trabalho. 

E essa violência não é só o assédio. Às vezes, é a reunião em que se tenta falar e não consegue. O chefe que sabe como desestabilizar. O olhar que diminui. A promoção que não vem. O salário menor que o do colega homem. 

Para quem já precisou sobreviver a outros medos, cada microagressão desperta gatilhos que não desligam facilmente. E é aqui que a violência encontra o burnout. Pesquisas recentes mostram que trabalhadores expostos à violência psicológica têm risco significativamente maior de desenvolver burnout. Não é difícil entender o porquê: quando o corpo aprende a sobreviver, não relaxa mais; a mente se acostuma a mapear perigos; o ambiente reforça a sensação de desproteção; a exaustão deixa de ser fase e vira modo de existência. 

Numa semana em que falamos tanto das agressões explícitas, é preciso lembrar que muitas mulheres adoecem silenciosamente em empresas que não reconhecem a violência que se infiltra nas entrelinhas, nos aspectos moral, emocional e institucional. O ambiente de trabalho segue sendo um dos espaços onde a violência contra mulheres se reproduz com mais sutileza e menos responsabilização. Reconhecer isso não é fragilidade. É responsabilidade corporativa. 

Ao lembrar que violência também se mede em interrupções, silenciamentos e pequenas erosões diárias da nossa voz, podemos construir ambientes seguros, lutando por dignidade, autonomia e futuro. 

No 25/11, no 06/12 e em todos os outros dias do ano, falar sobre isso é permitir que mulheres existam inteiras, sem esconder traumas ou viver no silêncio. Que o trabalho deixe de ser território de sobrevivência e possa, finalmente, ser um espaço de vida.  

 

Renata Seldin - doutora em Gestão da Inovação, com mais de 24 anos de experiência como executiva em consultoria de gestão. Também autora de “As perdas no caminho”, ministra palestra sobre carreira e compartilha informações sobre o assunto nas redes sociais (Instagram: @renata_seldin).



Verão seguro: cuidados essenciais para preparar a moto aquática e navegar com responsabilidade na temporada

Instrutora de Jet e Navegação Ana Paula Paz reúne orientações práticas para ajudar pilotos a aproveitar o verão com mais segurança 

 

Com a chegada do verão e o aumento do movimento em praias, marinas e represas, cresce também o uso de motos aquáticas por iniciantes e pilotos experientes. A alta temporada, no entanto, exige atenção redobrada: grande parte dos incidentes registrados nesse período está relacionada à falta de manutenção adequada ou ao desconhecimento das regras de navegação.

Para orientar o público e contribuir para uma temporada mais segura, a instrutora de Jet e Navegação Ana Paula Paz, embaixadora da Sea-Doo, reuniu recomendações simples, mas essenciais, tanto para preparar o equipamento quanto para pilotar com responsabilidade.

  1. Faça uma revisão completa antes da temporada

Antes de colocar a moto aquática na água, é indispensável realizar uma revisão geral, checando motor, óleo, filtros, bomba, hélice, bateria e sistema elétrico. Uma manutenção preventiva evita falhas mecânicas em plena navegação e aumenta a vida útil do equipamento.

  1. Inspecione o casco e componentes externos

Verifique se há trincas, arranhões profundos ou desgastes no casco. Pequenos danos podem comprometer o desempenho e até causar infiltração, afetando a estabilidade e a segurança.

  1. Confira os equipamentos obrigatórios

Colete salva-vidas homologado, cabo de segurança (lanyard), âncora, remo, kit de primeiros socorros e demais itens exigidos pela Marinha devem estar presentes e em bom estado. Esses itens são essenciais para situações de emergência e fazem parte das normas de segurança exigidas no país.

  1. Garanta que a documentação esteja atualizada

Documento da embarcação, habilitação do condutor, recolhimento do Seguro DPEM e taxas obrigatórias precisam estar em dia.O Seguro DPEM (Seguro Obrigatório para Embarcações) é similar ao antigo DPVAT, porém voltado ao uso náutico. Ele cobre danos pessoais causados por embarcações, e seu recolhimento anual é obrigatório para que o piloto navegue dentro da lei.

Manter tudo regularizado evita multas, garante segurança jurídica ao condutor e assegura que a embarcação está seguindo todas as exigências legais.

  1. Conheça o local de navegação antes de acelerar

Entenda a profundidade, identifique áreas rasas, correntezas, pedras e regiões de tráfego intenso. Conhecer o ambiente reduz o risco de colisões, de encalhes e de danos ao casco e à hélice.

  1. Mantenha distância de banhistas e embarcações

Evite navegar perto de pessoas ou de outras motos aquáticas, lanchas e pranchas. A alta velocidade pode gerar acidentes graves; manter espaço é essencial para manobrar com segurança.

  1. Adeque a velocidade ao movimento e às condições do clima

Mesmo com motos potentes, a pilotagem deve considerar visibilidade, vento, marolas e fluxo de embarcações. Controlar a velocidade aumenta o tempo de reação e evita perda de controle em águas agitadas.

  1. Nunca pilote sob efeito de álcool

O calor e o clima de confraternização podem incentivar o consumo de bebidas alcoólicas, mas a pilotagem deve ser sempre responsável. O álcool reduz a atenção, reflexos e capacidade de tomada de decisão, comprometendo a segurança de todos.

  1. Use sempre o colete salva-vidas

O colete deve estar ajustado ao corpo e ser homologado pela Marinha. Em situações de queda, ele garante flutuação, evita afogamentos e dá mais tempo para resgate.

  1. Tenha atenção redobrada em entradas e saídas da água

Nas rampas e marinas, a velocidade deve ser mínima, com cuidado ao manobrar próximo a outras embarcações. São áreas de maior circulação e menor visibilidade, exigindo pilotagem ainda mais cuidadosa.

Para Ana Paula, pilotar com responsabilidade é o primeiro passo para um verão seguro. “A manutenção da moto aquática e o respeito às normas são essenciais, especialmente na alta temporada, quando o movimento aumenta. Com atenção e preparo, é possível aproveitar o melhor do verão com muita segurança”, destaca.

Seguindo essas recomendações, pilotos podem curtir a temporada de forma tranquila, reduzindo riscos e preservando a segurança própria e de todos ao redor.

 

Vulnerabilidade na maioridade: a urgência de acompanhar jovens egressos de serviços de acolhimento

 

A morte de um jovem em situação de vulnerabilidade psíquica e egresso do serviço de acolhimento, após invadir a área onde ficava uma leoa em um zoológico de João Pessoa (PB), reacendeu uma discussão que o Brasil insiste em adiar: qual é o destino de meninas e meninos que crescem em espaços de acolhimento após completarem os 18 anos? E, mais grave, o que acontece com aqueles que chegam à vida adulta com transtornos mentais não diagnosticados ou tratados de forma adequada? 

Durante anos, acompanho histórias de crianças e adolescentes que, como Gerson de Melo Machado, tiveram trajetórias marcadas por rupturas familiares, pobreza estrutural, abandono e ausência de políticas públicas. Muitos chegam ao acolhimento já com indícios de comprometimento emocional; outros desenvolvem sintomas ao longo de uma vida inteira de violências e privações. Ainda assim, ao atingirem a maioridade, esses jovens são empurrados para fora do sistema de proteção com uma velocidade incompatível com a complexidade de suas histórias. É como se a vida adulta fosse tratada como um marco para um ganho de autonomia, quando, em realidade, marca o início de uma nova etapa de vulnerabilidade.  

O caso que ganhou repercussão nacional revela um padrão conhecido por quem atua na proteção infantil: diagnósticos tardios, tratamentos intermitentes, ausência de acompanhamento contínuo e a inexistência de políticas que assegurem uma transição segura para a vida adulta. Jovens como Gerson deixam o acolhimento, mas não encontram suporte para se desenvolverem como cidadãos plenos. Em muitos municípios, não há albergues, residências inclusivas, programas de saúde mental adaptados ou equipes especializadas para acompanhar egressos de serviço de acolhimento com transtornos mentais. Sem apoio, eles permanecem expostos a riscos que poderiam ser evitados. 

É preciso reconhecer que a autonomia não nasce aos 18 anos - ela é construída. E só pode ser construída quando existe uma rede capaz de sustentar, orientar e acompanhar. Para jovens, que enfrentaram violações de direitos, essa rede deveria ser ainda mais robusta. Um país que se compromete com a proteção integral de crianças e adolescentes não pode simplesmente desligá-los do cuidado quando se tornam maiores de idade, sobretudo quando há histórico de sofrimento mental. A falta de continuidade não é apenas uma falha técnica: é uma violação profunda do direito ao desenvolvimento. 

A juventude egressa precisa de políticas específicas que garantam suporte psicossocial, moradia assistida, acompanhamento terapêutico, formação e inserção profissional e fortalecimento de vínculos comunitários. Precisamos superar a ilusão de que basta oferecer acolhimento até os 18 anos. O que esses jovens mais precisam é de políticas que lhes permitam existir plenamente fora do acolhimento, com apoio concreto para lidar com traumas, fragilidades emocionais e a construção de um projeto de vida. 

O que aconteceu recentemente não é um ponto fora da curva, mas um sintoma de um sistema que ainda não compreendeu que proteção não se encerra com a maioridade. É urgente que municípios, Estados e União assumam essa pauta com seriedade, estruturando programas permanentes de transição para a vida adulta que incluam jovens com transtornos mentais, para que nenhuma vida seja marcada por abandono institucional.

A reflexão que deixo é esta: quantos jovens como Gerson ainda precisarão cair no vazio entre o acolhimento e o mundo real para que entendamos que cuidado é continuidade? Enquanto não encararmos essa responsabilidade como sociedade, seguiremos transformando maioridade em desamparo. E trajetórias de vidas com marcas profundas continuarão se repetindo.

 

Michéle Mansor - gerente nacional de Desenvolvimento Programático da Aldeias Infantis SOS



segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

HIV cresce entre a população 60+ e exige atenção urgente à saúde mental, alerta SBGG

Especialista destaca o impacto psicológico profundo e reforça que apoio familiar e social é essencial para adesão ao tratamento e qualidade de vida.

 

No mês dedicado a abordar a importância da prevenção ao HIV/AIDS e a outras Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), por meio da Campanha Dezembro Vermelho, a população idosa, involuntariamente, acaba sendo “deixada de lado” por não ser considerada o público-alvo. No entanto, esta atitude se mostra equivocada. Dados do Boletim Epidemiológico sobre HIV/AIDS do Ministério da Saúde mostram que entre 2011 e 2021 foram registrados 12.686 diagnósticos de HIV em pessoas com 60 anos ou mais, além de 24.809 casos de AIDS e 14.773 mortes nessa faixa-etária. Outro dado que chama a atenção é o crescimento acelerado da doença na população idosa. Para se ter ideia, entre 2012 e 2022, houve um aumento de 441% no número de diagnósticos, sendo a única faixa-etária que apresentou aumento percentual no número de óbitos ao longo dessa década. 

O fato é que receber um diagnóstico de HIV após os 60 anos é algo que provoca um forte abalo emocional, que exige uma rede de apoio sensível, acolhedora e, acima de tudo, preparada para lidar com essa nova situação. 

De acordo com a psicóloga, Cecília Galetti, membro da diretoria da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (Seccional Paraná), diferentes reações refletem o peso emocional do diagnóstico em pessoas idosas, pois muitos ainda carregam as lembranças da época em que o HIV era associado diretamente à morte e isso intensifica o sofrimento psíquico, podendo levar ao retraimento social. “Quando um idoso recebe esse diagnóstico, preconceitos e julgamentos morais costumam surgir, tanto no entorno social quanto dentro da própria família, e para quem vivencia essa situação, o medo da discriminação se torna central, favorecendo o isolamento, a ocultação do diagnóstico e a diminuição da busca por cuidados com a saúde.” 

Ela explica que o impacto emocional costuma ser profundo, sendo que depressão, ansiedade, desesperança, dificuldade de adaptação e até mesmo o aumento de tentativas de suicídio são frequentes. “A depressão é um dos transtornos mais prevalentes entre a população 60+ que vive com o HIV. Além disso, a apatia, a tristeza, a perda de interesse pelas atividades e alterações do sono podem prejudicar a adesão ao tratamento antirretroviral. E há também os casos que o uso de álcool e outras substâncias surge como tentativa inadequada para enfrentar a doença, agravando o caso”, aponta.

 

Apoiar, sempre!

Cecília reforça que o apoio do círculo social é essencial. Família, amigos e comunidades que acolhem, ouvem e validam os sentimentos da pessoa idosa ajudam de maneira significativa no processo de aceitação e cuidado. “Já os que vivem sozinhos ou que enfrentam rejeição, têm índices maiores de abalo na saúde mental e pior adesão ao tratamento.” 

Segundo a psicóloga, para que os familiares possam ajudar, é preciso descontruir antigos paradigmas, abandonando crenças de que pessoas idosas não têm vida sexual ativa. “Sexualidade é parte da condição humana em todas as fases da vida e reconhecer isso possibilita conversas honestas, sem qualquer tipo de moralismo e sem medo”, ressalta Cecília, ao comentar que familiares e cuidadores devem ter atitudes que favoreçam o bem-estar emocional e a autonomia da pessoa idosa. “Ouvir sem julgar e reconhecer o sofrimento da pessoa; rever valores pessoais; incentivar o tratamento clínico e psicológico e fortalecer a autonomia das pessoas são as principais atitudes. Tudo isso melhora a autoestima, reduz o sofrimento emocional e promove a qualidade de vida.”

 

Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia - SBGG

 

 

Posts mais acessados