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quarta-feira, 27 de agosto de 2025

Vestir a camisa não é bajular


Dados recentes indicam que o mercado de trabalho vive um momento desafiador. Segundo pesquisa da Amcham Brasil, 72% dos empresários apontam as incertezas econômicas como o principal obstáculo ao crescimento dos negócios em 2025. Paralelamente, o Índice de Confiança Robert Half, que mede a percepção dos profissionais sobre o mercado de trabalho, caiu para apenas 38 pontos, o menor do ano. 

Esse ambiente de imprevisibilidade traz impacto direto, fazendo com que muitas empresas priorizem a retenção e adaptação em vez da expansão. Diante desse cenário, muito se fala sobre o valor de “vestir a camisa da empresa”. Porém, há uma linha tênue que separa o engajamento genuíno da bajulação e compreender essa diferença é essencial. A bajulação pode parecer uma forma de sobrevivência, mas é justamente daí que surge o perigo. 

Vestir a camisa é engajar-se de verdade. É alinhar valores pessoais aos valores organizacionais e trabalhar com propósito coletivo. O colaborador traz ideias, assume responsabilidades e fortalece a cultura da empresa de maneira autêntica e sustentável. 

Já a bajulação é desequilibrada. Baseia-se em agradar figuras específicas, normalmente líderes, buscando ganhos pessoais no curto prazo, muitas vezes em detrimento da própria autenticidade ou dos interesses organizacionais. E isso corrói a confiança, mina a meritocracia e pode criar ambientes tóxicos. 

A diferença está na intenção e na entrega real. O engajamento legítimo se expressa em soluções concretas, apoio ao time, e propósito claro. A bajulação é sinalizada por discursos vazios, elogios automáticos, falta de senso crítico, e deslocamento dos valores pessoais para manter uma boa imagem. 

Sinais de alerta:

  • Excessivos elogios automáticos, sem autenticidade;
  • Falta de crítica construtiva: medo de discordar para não desagradar;
  • Foco no chefe em vez do time ou do trabalho;
  • Atuar contra os próprios valores apenas para agradar.

Profissionais que se engajam de verdade geram cultura forte, resiliência e resultados duradouros. Aqueles que bajulam, por outro lado, desgastam-se emocionalmente e perdem credibilidade. 

O verdadeiro engajamento é sustentável, traz satisfação pessoal e impulsiona resultados coletivos. Ele nasce do equilíbrio saudável entre entusiasmo e senso crítico: apoiar o que faz sentido, mas também questionar e propor melhorias quando necessário. 

Em um mundo incerto, não se trata apenas de sobreviver, mas de construir um legado autêntico.


  

Thaís Roque - Com passagens por empresas como Nestlé, Accenture e Pão de Açúcar, Thaís viveu os dilemas de quem tem um bom currículo, mas busca realização. Formada em Administração e especializada em Liderança e Capital Humano pela NYU (New York University), hoje atua como mentora de mulheres que buscam acelerar seus negócios e crescer financeiramente. É autora de dois livros, fundadora da aceleradora de negócios TR Circle, da comunidade Founders Confraria, e apresentadora do podcast De Carona na Carreira.


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