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sexta-feira, 8 de agosto de 2025

OMS alerta para risco global de disseminação da Chikungunya. O Brasil lidera em número de casos e mortes.

Organização chama atenção para avanço internacional da doença transmitida pelo mosquito Aedes. 

 

Durante coletiva de imprensa em Genebra, a Organização Mundial de Saúde (OMS) emitiu um alerta sobre risco iminente de disseminação global da Chikungunya. O Brasil liderou em número de infecções e mortes pela doença em 2024, segundo o epidemiológico de junho divulgado pela entidade. O cenário preocupa especialistas e reforça a necessidade de intensificação das ações de vigilância, diagnóstico e controle vetorial.  

De acordo com o Painel de Monitoramento das Arboviroses, preservado pelo Ministério da Saúde, o Brasil registrou 117,3 mil casos prováveis de Chikungunya neste ano, 106 óbitos confirmados e 76 mortes em investigação. Em 2024 o índice foi maior, com 440 mil casos. A OMS insere a arbovirose como uma das principais emergências de saúde urbana em expansão no planeta.  

“A chikungunya deixou de ser um problema regional. A combinação entre urbanização desordenada, mudanças climáticas e falhas na vigilância tornam o cenário ideal para a propagação global do vírus”, afirma o Dr. Klinger Soares Faíco Filho, médico infectologista, professor da UNIFESP e CEO da plataforma  de educação médica InfectoCast. 

O CDC - Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos listou o Brasil ao lado de Colômbia, Índia, México, Nigéria, Paquistão, Filipinas e Tailândia, como países com risco elevado da doença, além de emitir um alerta de viagem recomendando que seus cidadãos não visitem a província de Guangdong, na China. 

A Organização Mundial de Saúde observa atentamente os sinais e expansão da doença para evitar o mesmo surto de Chikungunya entre 2004 e 2005, onde a epidemia se expandiu pelo Oceano Índico, atingindo várias ilhas.  

A Febre Chikungunya é causada por um vírus transmitido pelos mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus. Os sintomas incluem febre alta, dor de cabeça, manchas vermelhas e fortes dores articulares, que podem persistir por meses, causando quadros de artrite pós-viral. Há também registros crescentes de complicações neurológicas e óbitos associados. 

“Um dos grandes desafios clínicos é diferenciar Chikungunya de Dengue e Zika nos primeiros dias. Isso exige capacitação e diagnóstico laboratorial adequado, que nem sempre está disponível em áreas mais afetadas”, reforça Dr. Klinger Faíco.

 

Razões para o alerta global:

  • Mudanças climáticas, que ampliam a área de circulação do vetor; 
  • Alta densidade urbana, sem controle efetivo de criadouros;
  • Mobilidade internacional de pessoas infectadas;
  • Ausência de vacina licenciada em larga escala;
  • Baixa capacidade de resposta rápida em áreas vulneráveis. 
No Brasil, os estados do Nordeste concentram os maiores números. Pernambuco foi o estado com mais notificações, com mais de 70 mil casos prováveis só em 2024. 

Sem vacina implantada no SUS até o momento, a prevenção depende principalmente do controle do mosquito vetor e da adoção de medidas comunitárias. A OMS recomenda: 

  • Eliminação de criadouros, uso de repelentes e telas de proteção física;
  • Capacitação contínua dos profissionais de saúde;
  • Fortalecimento da vigilância integrada com outras arboviroses;
  • Estímulo à pesquisa e inovação no controle vetorial. 

No Brasil, uma das principais iniciativas nesse sentido é o uso da tecnologia da bactéria Wolbachia para reduzir a capacidade de transmissão dos vírus por mosquitos Aedes aegypti. Em julho de 2025, o Ministério da Saúde anunciou a inauguração da maior biofábrica de Wolbachia do mundo, em Belo Horizonte (MG), com capacidade de liberar mosquitos tratados em larga escala. A previsão é beneficiar até 9 milhões de pessoas em 37 municípios brasileiros com essa abordagem inovadora nos próximos anos. 

“Essa é uma estratégia promissora porque atua na raiz do problema: o vetor. Mas é fundamental que venha acompanhada de vigilância qualificada e engajamento da população”, avalia Dr. Klinger Soares Faíco Filho.

  

Dr. Klinger Faíco - médico infectologista com título de especialista pela Sociedade Brasileira de Infectologia. Doutor em Infectologia pela UNIFESP e MBA em Gestão em Saúde, atua com foco no diagnóstico e tratamento de doenças infecciosas, incluindo HIV, hepatites virais e IST’s. Além disso, o infectologista é CEO da plataforma de educação médica InfectoCast, professor universitário da UNIFESP, fundador e consultor em controle de infecção hospitalar na Consultoria IRAS.


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