Especialista explica como o corpo se adapta depois da cirurgia e quais cuidados são realmente necessários
Você já deve ter ouvido que quem tira a vesícula “não
pode mais comer nada com gordura”. Mas será que isso é verdade? A vesícula
biliar, pequeno órgão grudado ao fígado, tem uma função específica: armazenar a
bile, que ajuda a digerir gorduras.
Segundo o Dr. Lucas Nacif, cirurgião gastrointestinal e membro do
Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva (CBCD), ela funciona como um “pequeno
reservatório” do sistema digestivo, liberando bile no momento certo para que os
lipídios sejam bem digeridos e absorvidos.
A colecistectomia, nome técnico da retirada da vesícula, é uma das
cirurgias mais comuns no Brasil. Dados do SUS mostram que, em 2024, ela esteve
entre as três mais realizadas na rede pública, com crescimento das técnicas
videolaparoscópicas.
O que muda na digestão depois da cirurgia
Quando a vesícula é retirada, o fígado continua produzindo bile
normalmente. A diferença é que, sem a vesícula para armazená-la, a bile vai
direto para o intestino. "O organismo desenvolve mecanismos compensatórios
eficazes", explica o Dr. Nacif. "O ducto biliar comum, que leva a
bile do fígado e da vesícula até o duodeno, parte inicial do intestino delgado,
se dilata de forma adaptativa e a cinética de esvaziamento biliar muda,
mantendo a digestão eficiente."
Posso comer gordura depois da cirurgia?
Sim, mas é preciso adaptação. Como a bile chega ao intestino de
forma mais diluída, o corpo precisa de tempo para se acostumar.
Nos primeiros 30 dias:
- Modere o consumo de gorduras, sem cortar completamente
- Prefira refeições menores e mais frequentes
- Evite frituras e alimentos muito condimentados
Após 2 a 3 meses: A maioria das pessoas retoma quase toda a alimentação
normal. Alguns podem sentir desconforto com comidas muito gordurosas, mas isso
varia de pessoa para pessoa.
Sintomas mais comuns
É normal notar algumas mudanças na digestão no início: sensação de
“peso” no estômago após refeições mais gordurosas, intestino mais solto ou
gases. Esses sintomas geralmente melhoram com o tempo.
"A síndrome pós-colecistectomia pode afetar cerca de 10% a
15% dos pacientes", esclarece o especialista. "Costuma se manifestar
como dispepsia funcional ou alterações no hábito intestinal, mas raramente
compromete a qualidade de vida”. Mas fique atento e busque ajuda se houver:
- Dor abdominal intensa e constante
- Pele ou olhos amarelados
- Febre
- Vômitos frequentes
- Diarreia persistente
Com cuidados adequados e paciência para o corpo se adaptar, é possível retomar a alimentação e a rotina normalmente. “O essencial é respeitar seu ritmo e manter diálogo aberto com a equipe médica”, finaliza o Dr. Lucas Nacif.
Dr. Lucas Nacif - Médico gastroenterologista com especialidade em cirurgia geral e do aparelho digestivo. Lucas Nacif é reconhecido por sua expertise em cirurgias hepato bilio pancreáticas e transplante de fígado, utilizando técnicas avançadas minimamente invasivas por laparoscopia e robótica. O especialista é membro da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO) e está disponível para abordar temas relacionados ao aparelho digestivo, desde doenças, como gordura no fígado; câncer colorretal; doenças inflamatórias intestinais; pancreatite até cirurgias e transplantes em geral. Link e www.instagram.com/dr.lucasnacif_gastrocirurgia/

Nenhum comentário:
Postar um comentário