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quarta-feira, 27 de agosto de 2025

O PAPEL DA VESÍCULA BILIAR NA DIGESTÃO: O QUE MUDA QUANDO ELA É RETIRADA

Especialista explica como o corpo se adapta depois da cirurgia e quais cuidados são realmente necessários


Você já deve ter ouvido que quem tira a vesícula “não pode mais comer nada com gordura”. Mas será que isso é verdade? A vesícula biliar, pequeno órgão grudado ao fígado, tem uma função específica: armazenar a bile, que ajuda a digerir gorduras. 

Segundo o Dr. Lucas Nacif, cirurgião gastrointestinal e membro do Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva (CBCD), ela funciona como um “pequeno reservatório” do sistema digestivo, liberando bile no momento certo para que os lipídios sejam bem digeridos e absorvidos. 

A colecistectomia, nome técnico da retirada da vesícula, é uma das cirurgias mais comuns no Brasil. Dados do SUS mostram que, em 2024, ela esteve entre as três mais realizadas na rede pública, com crescimento das técnicas videolaparoscópicas.
 

O que muda na digestão depois da cirurgia 

Quando a vesícula é retirada, o fígado continua produzindo bile normalmente. A diferença é que, sem a vesícula para armazená-la, a bile vai direto para o intestino. "O organismo desenvolve mecanismos compensatórios eficazes", explica o Dr. Nacif. "O ducto biliar comum, que leva a bile do fígado e da vesícula até o duodeno, parte inicial do intestino delgado, se dilata de forma adaptativa e a cinética de esvaziamento biliar muda, mantendo a digestão eficiente."
 

Posso comer gordura depois da cirurgia? 

Sim, mas é preciso adaptação. Como a bile chega ao intestino de forma mais diluída, o corpo precisa de tempo para se acostumar.
 

Nos primeiros 30 dias:

  • Modere o consumo de gorduras, sem cortar completamente
  • Prefira refeições menores e mais frequentes
  • Evite frituras e alimentos muito condimentados


Após 2 a 3 meses: A maioria das pessoas retoma quase toda a alimentação normal. Alguns podem sentir desconforto com comidas muito gordurosas, mas isso varia de pessoa para pessoa.
 

Sintomas mais comuns 

É normal notar algumas mudanças na digestão no início: sensação de “peso” no estômago após refeições mais gordurosas, intestino mais solto ou gases. Esses sintomas geralmente melhoram com o tempo. 

"A síndrome pós-colecistectomia pode afetar cerca de 10% a 15% dos pacientes", esclarece o especialista. "Costuma se manifestar como dispepsia funcional ou alterações no hábito intestinal, mas raramente compromete a qualidade de vida”. Mas fique atento e busque ajuda se houver:

  • Dor abdominal intensa e constante
  • Pele ou olhos amarelados
  • Febre
  • Vômitos frequentes
  • Diarreia persistente

Com cuidados adequados e paciência para o corpo se adaptar, é possível retomar a alimentação e a rotina normalmente. “O essencial é respeitar seu ritmo e manter diálogo aberto com a equipe médica”, finaliza o Dr. Lucas Nacif.

 

Dr. Lucas Nacif - Médico gastroenterologista com especialidade em cirurgia geral e do aparelho digestivo. Lucas Nacif é reconhecido por sua expertise em cirurgias hepato bilio pancreáticas e transplante de fígado, utilizando técnicas avançadas minimamente invasivas por laparoscopia e robótica. O especialista é membro da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO) e está disponível para abordar temas relacionados ao aparelho digestivo, desde doenças, como gordura no fígado; câncer colorretal; doenças inflamatórias intestinais; pancreatite até cirurgias e transplantes em geral. Link e www.instagram.com/dr.lucasnacif_gastrocirurgia/
 

 

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