Uma mulher
brasileira de 38 anos morreu em decorrência de um câncer ocasionado pelo uso de
prótese de silicone. DE acordo com os especialistas há neoplasias associadas a
implantes mamários que configuram um campo emergente da oncologia: Linfoma
Anaplásico de Grandes Células Associado a Implante Mamário (BIA-ALCL).
De acordo com o
PhD e mestre em oncologia, o cirurgião Dr. Wesley Pereira Andrade, o BIA-ALCL
foi reconhecido pela OMS em 2016 e já conta com mais de 1.200 casos relatados.
“Trata-se de
linfoma de células T CD30+ e ALK–, geralmente localizado na cápsula
periprotética, com evolução lenta e prognóstico favorável se diagnosticado
precocemente. A incidência é maior em implantes macrotexturizados. Sua
patogênese envolve resposta inflamatória crônica ao biofilme bacteriano,
ativação persistente de células T. A manifestação mais comum é o seroma tardio,
além de aumento mamário, contratura capsular e, ocasionalmente, massas”,
comenta o médico.
Segundo o
oncologista, o diagnóstico requer análise citológica e imunohistoquímica
(CD30+, ALK–). “O tratamento padrão é o expante com capsulectomia em bloco, o
que tem potencial curativo em 90% dos casos localizados. A sobrevida em cinco
anos ultrapassa 90%, tornando esta entidade relativamente bem controlada quando
manejada adequadamente. Tratamento complementar com quimioterapia e
radioterapia demonstram boa resposta adicional ao tratamento cirúrgico”,
adverte.
Já o BIA-SCC é
descrito desde 1992, mas permanece extremamente raro, com menos de 30 casos no
mundo até 2025. O primeiro caso brasileiro foi publicado neste ano pelo
Hospital de Amor de Barretos. Diferente do linfoma, trata-se de um carcinoma
epitelial agressivo, histologicamente compatível com carcinoma espinocelular,
positivo para citoqueratina 5/6 e p63. A manifestação clínica inicial é
relativamente similar ao BIA-ALCL. Apresenta-se também com seroma tardio,
aumento mamário e massas, mas tende a localizar-se na cápsula posterior,
dificultando o diagnóstico precoce. O tempo médio até a manifestação é de 23
anos, o que sugere necessidade de estímulo inflamatório crônico prolongado.
Aproximadamente 70% dos casos já apresentam extensão extracapsular ao
diagnóstico, com invasão de parede torácica, músculos e até metástases
pulmonares e hepáticas.
“O tratamento do
BIA-SCC é cirúrgico, mas frequentemente desafiador. Muitas vezes será
necessário mastectomia associada à ressecção de parede torácica. Tratamentos
complementares como quimioterapia e radioterapia mostram pouca ou nenhuma
eficácia, reforçando a importância de uma cirurgia inicial agressiva. O
prognóstico, porém, é reservado: a sobrevida média global é de apenas 15,5
meses, com recorrência precoce (média de 5,2 meses). Apenas pacientes
submetidas a ressecção ampla apresentaram sobrevida prolongada”, alerta o
médico.
Dr. Wesley Pereira Andrade - O oncologista é MD, Ph.D., mestre e doutor em Oncologia, além de mastologista e cirurgião oncologista. Dr. Wesley Pereira Andrade é médico titular da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) e médico titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO). CRM-SP 122593
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