Pesquisar no Blog

sexta-feira, 22 de agosto de 2025

Mestre e PhD em Oncologia comenta câncer associado ao silicone que vitimou brasileira


Uma mulher brasileira de 38 anos morreu em decorrência de um câncer ocasionado pelo uso de prótese de silicone. DE acordo com os especialistas há neoplasias associadas a implantes mamários que configuram um campo emergente da oncologia: Linfoma Anaplásico de Grandes Células Associado a Implante Mamário (BIA-ALCL).

 

De acordo com o PhD e mestre em oncologia, o cirurgião Dr. Wesley Pereira Andrade, o BIA-ALCL foi reconhecido pela OMS em 2016 e já conta com mais de 1.200 casos relatados.

 

“Trata-se de linfoma de células T CD30+ e ALK–, geralmente localizado na cápsula periprotética, com evolução lenta e prognóstico favorável se diagnosticado precocemente. A incidência é maior em implantes macrotexturizados. Sua patogênese envolve resposta inflamatória crônica ao biofilme bacteriano, ativação persistente de células T. A manifestação mais comum é o seroma tardio, além de aumento mamário, contratura capsular e, ocasionalmente, massas”, comenta o médico.

 

Segundo o oncologista, o diagnóstico requer análise citológica e imunohistoquímica (CD30+, ALK–). “O tratamento padrão é o expante com capsulectomia em bloco, o que tem potencial curativo em 90% dos casos localizados. A sobrevida em cinco anos ultrapassa 90%, tornando esta entidade relativamente bem controlada quando manejada adequadamente. Tratamento complementar com quimioterapia e radioterapia demonstram boa resposta adicional ao tratamento cirúrgico”, adverte.

 

Já o BIA-SCC é descrito desde 1992, mas permanece extremamente raro, com menos de 30 casos no mundo até 2025. O primeiro caso brasileiro foi publicado neste ano pelo Hospital de Amor de Barretos. Diferente do linfoma, trata-se de um carcinoma epitelial agressivo, histologicamente compatível com carcinoma espinocelular, positivo para citoqueratina 5/6 e p63. A manifestação clínica inicial é relativamente similar ao BIA-ALCL. Apresenta-se também com seroma tardio, aumento mamário e massas, mas tende a localizar-se na cápsula posterior, dificultando o diagnóstico precoce. O tempo médio até a manifestação é de 23 anos, o que sugere necessidade de estímulo inflamatório crônico prolongado. Aproximadamente 70% dos casos já apresentam extensão extracapsular ao diagnóstico, com invasão de parede torácica, músculos e até metástases pulmonares e hepáticas.

 

“O tratamento do BIA-SCC é cirúrgico, mas frequentemente desafiador. Muitas vezes será necessário mastectomia associada à ressecção de parede torácica. Tratamentos complementares como quimioterapia e radioterapia mostram pouca ou nenhuma eficácia, reforçando a importância de uma cirurgia inicial agressiva. O prognóstico, porém, é reservado: a sobrevida média global é de apenas 15,5 meses, com recorrência precoce (média de 5,2 meses). Apenas pacientes submetidas a ressecção ampla apresentaram sobrevida prolongada”, alerta o médico.

  



Dr. Wesley Pereira Andrade - O oncologista é MD, Ph.D., mestre e doutor em Oncologia, além de mastologista e cirurgião oncologista. Dr. Wesley Pereira Andrade é médico titular da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) e médico titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO). CRM-SP 122593


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Posts mais acessados