Além
de silenciosa, a aterosclerose, doença causada pelo acúmulo de colesterol ruim
(LDL) nas paredes dos vasos, é progressiva e responsável por 67% dos casos de
doenças cardiovasculares[i], [ii],[iii]
As doenças cardiovasculares continuam sendo a principal
causa de morte no Brasil e no mundo[iv]. Entre os principais responsáveis por essas
enfermidades, que causam cerca de 400 mil mortes por ano apenas no Brasil[v], está a aterosclerose — uma
doença provocada pelo acúmulo do colesterol ruim (LDL) nas paredes das artérias2,[vi].
Diante desse cenário, o Mês de Combate ao Colesterol é
uma oportunidade para esclarecer e desmistificar informações. Embora o
colesterol desempenhe funções importantes no organismo, seus níveis elevados
podem representar sérios riscos à saúde3. Para ajudar a entender
melhor o que é o colesterol e qual o seu impacto na saúde do coração, o
cardiologista Luís Henrique Gowdak, Coordenador de Gestão Assistencial da
Unidade de Aterosclerose e Coronariopatia Crônica do InCor-HCFMUSP, reuniu
informações essenciais sobre o tema.
Só existe um tipo de colesterol: Mito.
Com papel importante no corpo humano, o colesterol é um tipo de gordura que
está presente nas membranas das células e é essencial para a produção de alguns
hormônios e da vitamina D3. Cerca de 70% a 80% do colesterol do
nosso corpo é produzido internamente, principalmente pelo fígado[vii]. O restante vem da
alimentação3. Como não se dissolve no sangue, o colesterol precisa
se ligar a partículas chamadas lipoproteínas para circular pelo organismo1.
As duas principais são:
·
o HDL (conhecido como “bom
colesterol”) que ajuda a remover o excesso de colesterol das artérias,
levando-o de volta ao fígado, onde pode ser eliminado[viii].
- LDL (“colesterol ruim”): em níveis elevados,
especialmente quando combinado a fatores de risco como tabagismo, diabetes
ou obesidade, pode se acumular nas paredes das artérias, formando placas
de gordura3. Esse processo é chamado de aterosclerose, e pode
dificultar a passagem do sangue1,2.
O colesterol ruim (LDL) não é o único fator
de risco para as doenças cardiovasculares: Verdade. Embora
diversos fatores de risco possam comprometer a saúde do coração — como má
alimentação, obesidade, sedentarismo, hipertensão arterial, diabetes e
tabagismo — cerca de 67% das doenças cardiovasculares têm como causa a
aterosclerose, enfermidade causada pelo colesterol ruim (LDL)1,2.
As taxas ideais de colesterol ruim (LDL) são
iguais para todos: Mito. Os níveis ideais do colesterol ruim
(LDL) variam de acordo com o risco cardiovascular de cada pessoa1.
Para quem tem risco cardiovascular baixo, o ideal é manter os níveis de LDL
colesterol abaixo de 130 mg/dL1. Em pessoas com risco intermediário,
o valor recomendado é abaixo de 100 mg/dL. Já aqueles que já sofreram um
infarto, AVC ou outro evento cardiovascular devem manter um controle mais
rigoroso, com o LDL abaixo de 50 mg/dL1.
A aterosclerose é uma doença silenciosa –
Verdade.
Segundo o Dr. Luís Henrique Gowdak, cardiologista do
InCor-HCFMUSP, “além de silenciosa por não apresentar sintomas, essa é uma
doença crônica e progressiva”. Ele alerta que “por meio de um simples
exame de sangue, conseguimos medir os níveis de LDL colesterol. Por isso, é
essencial que as pessoas realizem consultas e check-ups regulares, para evitar
que a doença seja descoberta apenas quando já evoluiu para um infarto, por exemplo.”
Após um evento cardiovascular, os pacientes passam a controlar os fatores de risco. Mito.
“Infelizmente,
isso nem sempre acontece”, alerta o Dr. Luís Henrique Gowdak,
cardiologista do InCor-HCFMUSP. Em um estudo com 2 mil pacientes brasileiros com
diagnóstico confirmado de doença cardiovascular aterosclerótica, e do qual o
Dr. Gowdak participou, apenas seis estavam com todos os fatores de risco
devidamente controlados[ix]. “Esse
dado é alarmante, pois muitas dessas pessoas acreditam, de forma equivocada,
que estão curadas. Esquecem que a doença cardiovascular é crônica e exige
cuidado contínuo”, reforça o médico.
Não existem apenas medicamentos de uso oral
para manter o controle do colesterol. Verdade. Segundo
o cardiologista, “além das estatinas, que são de uso oral, há alguns anos
contamos também com medicamentos injetáveis para ajudar na redução do
LDL-colesterol, aplicados a cada 15 dias ou uma vez por mês[x]”.
“Mais recentemente, chegou ao Brasil uma nova opção terapêutica: um medicamento
de aplicação subcutânea, indicado para pacientes com LDL colesterol elevado,
apesar do uso de estatinas, que é administrado a cada seis meses[xi]”,
explica o especialista do InCor-HCFMUSP.
Referências
[i] PRÉCOMA, D. B. et al. Diretriz de prevenção cardiovascular da Sociedade Brasileira de Cardiologia – 2019. Arq Bras Cardiol. 2019;113(4):787-891.
[ii] Adaptado de Roth GA, et al. Global Burden of Cardiovascular Diseases and Risk Factors, 1990–2019 J Am Coll Cardiol. 2020;76(25):2982-3021.
[iii] American Heart Association. Disponível em: https://www.heart.org/en/health-topics/cholesterol/about-cholesterol. Acesso em julho de 2025.
[iv] ECONOMIST IMPACT. City Heartbeat Index 2024 – Findings Report. Londres: Economist Impact, 2024.
[v] Cardiômetro - Sociedade Brasileira de Cardiologia. Disponível em: http://www.cardiometro.com.br/. Acesso em julho de 2025.
[vi] FERENCE, B. A. et al. Low-density lipoproteins cause atherosclerotic cardiovascular disease. Eur Heart J. 2017;38(32):2459–2472.
[vii]Blesso CN, Fernandez ML. Dietary cholesterol, serum lipids, and heart disease: Are eggs working for or against you? Nutrients. 2018; 10(4):426.
[viii] American Heart Association. Disponível em: https://www.heart.org/en/healthtopics/cholesterol/hdlgood-ldl-bad-cholesterol-andtriglycerides. Acesso em julho de 2025.
[ix] Barros e Silva, Pedro GM, et al. Primary results of the brazilian registry of atherothrombotic disease (NEAT)." Scientific Reports 14.1 (2024): 4222.
[x] SABATINE, M. S. et al. Evoocumab and clinical outcomes in patients with cardiovascular disease. N Engl J Med. 2017;376(18):1713–1722.
[xi] Bula do Sybrava. Disponível em: https://portal.novartis.com.br/medicamentos/wp-content/uploads/2023/06/Bula-SYBRAVA-Solucao-Injetavel-seringa-preenchida-Paciente.pdf. Acesso em julho de 2025.
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