A presença de
determinados genes explica o agravamento dos casos em pessoas saudáveis e o não
contágio nos indivíduos que tiveram contato com enfermos
Chokniti Khongchum
Desde o início de 2020, a COVID-19 já fez quase
duas milhões de vítimas ao redor do mundo, sendo mais agressiva e letal em
pessoas idosas e/ou portadoras de doenças crônicas, como diabetes, cardiopatias
e pressão alta. No entanto, a comprovação da susceptibilidade de alguns grupos
não exime a necessidade dos cuidados daqueles fora do grupo de risco.
Infelizmente, isto tem sido ignorado cada vez mais, fenômeno recentemente
constatado nas festas desse fim de ano em algumas partes do Brasil e mundo.
O novo coronavírus coloca no limite os sistemas de
saúde e, sem a vacina para todos, as formas de evitar a propagação do vírus
consistem no distanciamento social, uso de máscaras, álcool 70° e água e sabão.
De fato, pessoas jovens e sem doenças pré-existentes apresentam um risco menor
de desenvolver complicações caso sejam infectados, mas, agora, um estudo
apresenta uma pista mais abrangente: a agressividade da COVID-19 pode estar
relacionada a uma mutação de certos genes humano. Isso coloca em xeque o
sentimento de invencibilidade e pode ajudar a justificar o agravamento de
quadros em pacientes fora do grupo de risco.
Um estudo liderado pela Elsevier, empresa global de
informações analíticas, que contribui com instituições e profissionais para o
progresso da assistência à saúde e da ciência, aplicado em consultórios do
Brasil, indica que foram encontrados 40 genes, ligados a defesa imunológica,
que estão relacionados à susceptibilidade para o contágio do vírus, sendo 21
deles relacionados aos sintomas severos da SARS-CoV, ou seja, genes e variantes
genéticas associadas à vulnerabilidade a uma ou mais infecções virais
múltiplas em indivíduos saudáveis; variantes genéticas associadas a um vírus
grave, infecção ou com risco de vida. É sempre importante lembrar que os genes
em geral representam aproximadamente 20% de quem realmente somos. Os outros 80%
são definidos pelo ambiente (atividade física, alimentação etc).
Com um mapa genético realizado em laboratório é
possível identificar a presença dessas mutações, para que o cuidado seja
redobrado. Caso o paciente já esteja com a doença na fase inicial, é possível
realizar a antecipação de um possível agravamento, ou seja, é a medicina
atuando em um modelo que será cada vez mais vigente daqui para frente:
preditivo e preventiva e não apenas reativo. Vale ressaltar que o conhecimento
de possuir, ou não, os genes que propiciam uma piora no quadro não elimina a
necessidade dos cuidados já conhecidos. O distanciamento social, para quem
pode, sempre será a melhor arma contra o COVID-19.
Dr. Pedro Schestatsky - médico neurologista, com
pós-doutorado em Harvard, professor, pesquisador, e empreendedor de novas
tecnologias em Medicina e autor do livro “Medicina do Amanhã”, pela Editora
Gente.
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