A flexibilização da quarentena já é uma realidade
para muitos locais no país. Cidades da Região Metropolitana de São Paulo, por
exemplo, reabriram o comércio nesta semana – inclusive, com alguns já
registrando aglomerações. Pouco a pouco, vamos voltando a sentir o gosto do que
conhecíamos como normal, ainda que o dia a dia nas ruas ainda esteja cheio de
restrições.
Para as empresas que estão planejando a volta ao
trabalho, porém, ainda há muitas dúvidas. Mesmo com a liberação das atividades,
é preciso estar atento às recomendações do poder público, além de organizações
como a OMS (Organização Mundial da Saúde) e a ANVISA (Agência Nacional de
Vigilância Sanitária). Questões de saúde e segurança no trabalho nunca
estiveram tão em voga, principalmente depois que o STF (Supremo Tribunal
Federal) considerou a Covid-19 como uma doença ocupacional, o que, na prática,
representa que as empresas podem ser auditadas caso seja comprovado um risco de
contaminação no local de trabalho.
Hoje, a principal recomendação é evitar
aglomerações. E, para isso, algumas medidas devem ser levadas em consideração.
A primeira delas é entender que o trabalho não começa só quando o colaborador
chega na empresa, mas desde o momento em que ele sai de casa. Todo o trajeto
deve ser considerado.
Neste momento, é importante verificar se é possível
flexibilizar as jornadas de trabalho, permitindo o trabalhador realizar suas
atividades em casa e ir até o escritório somente em alguns dias da semana e
evitando que os colaboradores utilizem o transporte público em horários de
pico, se expondo ao risco de contaminação. Isso também permite distribuir de
uma maneira mais organizada as entradas e saídas de funcionários, sem que haja
muitas pessoas ao mesmo tempo nas empresas.
Alguns cargos administrativos, por exemplo, não
precisam estar todos os dias no trabalho. Muitas empresas, principalmente na
Europa, já adotavam medidas como essa justamente por entender que não é
necessário ir trabalhar todo dia fisicamente. Se nada disso for possível, há
casos de empresas que contrataram vans para garantir o deslocamento dos
funcionários com segurança. O custo desses serviços costuma ser equivalente ao
que ela desembolsaria com vale-transporte.
Outra ponderação é em relação a organização dos espaços
de trabalho, com mesas a pelo menos dois metros de distância umas das outras. A
higiene pessoal também precisa estar alinhada à higienização do posto de
trabalho, equipamentos como mouse, notebook e itens de uso compartilhado. Isso
sem falar no uso de sanitários compartilhados, cuja limpeza deve ser feita com
mais frequência. Empresas que possuem refeitórios precisam reorganizar o espaço
e os horários das refeições, de modo a evitar aglomerações.
A ventilação dos espaços deve ser uma prioridade.
Não adianta ter um distanciamento considerado adequado se o ar condicionado do
escritório não estiver com os filtros limpos e não houver troca de ar, ainda
mais porque fica cada vez mais evidente que a Covid-19 é transmitida pelo ar.
Recentemente, um grupo de 239 cientistas afirmou que partículas do novo
coronavírus permanecem no ar em ambientes fechados, com capacidade de infectar
as pessoas.
Especialmente em momentos como este, a análise e
gestão de riscos podem contar com o auxílio de uma consultoria especializada,
que saberá traçar os planos de implementação de mudanças alinhados à cultura da
empresa. Além disso, empresas certificadas pela ISO 45.001 possuem métricas
para avaliar tudo que diz respeito a saúde e segurança ocupacional de seus
funcionários. Isso ajuda em momentos como esse porque permite atuar com a
prevenção e não com a reação a eventos adversos.
O momento pede ação e planejamento. Não é possível
expor os colaboradores a um risco ainda maior do que eles já enfrentam no dia a
dia. É hora das empresas praticarem o zelo e a empatia, buscando minimizar o
contágio entre funcionários e, inclusive, clientes. A PALAS conta com um
programa de consultoria chamado Cuidar em que desenvolvemos estratégias de
retomada para as empresas com base na ISO 45.001 e nas recomendações da
ANVISA e da OMS. É preciso estar preparado para o futuro e todas as
possibilidades de enfrentamento à doença. Assim, poderemos dar o primeiro passo
em direção a retomada econômica e garantir a manutenção do sustento de tantas
famílias brasileiras.
Alexandre
Pierro - sócio-fundador da PALAS e um dos únicos brasileiros a participar
ativamente da formatação da ISO 56.002, de gestão da inovação.
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