As manifestações clínicas da condição simulam outras doenças musculares e uma
descoberta tardia é capaz de impactar diretamente a qualidade de vida dos
pacientes. Por essas e outras razões, a Academia Brasileira de Neurologia (ABN)
realiza uma campanha para alertar os profissionais de saúde sobre a importância
do diagnóstico precoce.
“A Doença de Pompe ainda é pouco detectada no Brasil e, atualmente, há em torno
de 150 a 180 pacientes diagnosticados. Muitos passam anos sem ter um diagnóstico.
Na maioria das vezes, os exames solicitados não são adequados e acaba atrasando
a constatação do quadro”, explica Edmar Zanoteli, neurologista e professor do
Departamento de Neurologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São
Paulo.
Com o mote “O que ninguém vê, os músculos sentem”, a ABN busca auxiliar o meio
médico a mudar essa realidade e promover a conscientização sobre doença no
Brasil. “O nosso objetivo é divulgar as principais manifestações clínicas da
condição, como diagnosticá-la e as opções terapêuticas, ressaltando a
necessidade do diagnóstico precoce”, comenta.
Decorrente de um defeito genético, que leva à deficiência de uma enzima chamada
maltase ácida, a Doença de Pompe pode acometer qualquer faixa etária. Seja em
adultos, adolescentes ou crianças, os principais sintomas são a intensa
fraqueza muscular e a dificuldade respiratória progressiva.
Zanoteli explica que essas manifestações clínicas provocam um grande impacto na
vida dos pacientes. “A fraqueza muscular acarreta limitações para executar
atividades motoras importantes, tais como caminhar, correr e levantar-se do
chão. Enquanto a fraqueza da musculatura respiratória provoca falta de ar e
cansaço fácil”.
Apesar da maioria das doenças neuromusculares não apresentarem tratamento
específico, a Doença de Pompe tem tratamento medicamentoso através da reposição
enzimática e, se tratada desde os primeiros sinais, vidas podem ser
transformadas.
De acordo com Zonateli “Além da reposição enzimática, considerada o tratamento
mais eficaz para aliviar a progressão da doença, a abordagem multiprofissional
é fundamental, incluindo reabilitação motora e respiratória.”

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