O surto de Covid19 tem afetado social e economicamente
países do mundo todo. Por ser tão complexa a situação, há muitas discussões
acerca do surgimento do vírus, maneiras de retardar a propagação e as pesquisas
para se descobrir a vacina. Porém, há um ponto de concordância entre as
autoridades de saúde: a testagem em maior número possível do novo coronavírus é
essencial para seu controle.
Em países como o Brasil, onde a doença ainda está em
ascensão em diversas regiões, é fundamental realizar testes que tenham uma
precisão na detecção do vírus, uma vez que um indivíduo contaminado com o
Sars-CoV-2, o vírus da COVID-19, pode transmiti-lo para cerca de seis pessoas,
muitas vezes antes mesmo de apresentar os sintomas mais agudos, ampliando
exponencialmente a propagação do vírus, segundo o Disease Control
and Prevention, o principal instituto nacional de saúde pública dos Estados
Unidos.
Em relação à tecnologia, há dois tipos principais de testes atualmente
disponíveis para a diagnóstico do Sars-CoV-2: o RT-PCR (sigla em inglês que
quer dizer Transcrição Reversa
seguida de reação em Cadeia da Polimerase) e o Sorológico.
O RT-PCR consiste em um método laboratorial de diagnóstico molecular, ou seja, que detecta a
presença do material genético do vírus. A amostra utilizada é obtida da mucosa
das vias respiratórias. Ele é considerado o método padrão ouro, ou seja, o
melhor e mais indicado para diagnóstico da COVID-19. E em meio a uma pandemia,
com a enorme quantidade de casos confirmados e suspeitos, é imprescindível
recorrer a um teste com qualidade e precisão diagnóstica.
A eficiência de um teste é avaliada por dois fatores: sensibilidade e
especificidade. A primeira significa a capacidade de detectar o vírus mesmo em
concentrações muito baixas. Em alguns infectados, especialmente aqueles em
estágio pré-sintomático, a quantidade de partículas virais (ou
cópias) pode ser muito baixa. O RT-PCR detecta a partir de 10 cópias do
vírus, o que minimiza resultados falsos negativos. Já o conceito de
especificidade está relacionado à capacidade de diferenciar “pedaços” do
vírus da COVID-19 que não sejam semelhantes a de outros vírus. Em outras
palavras, garantir resultado positivo quando houver a presença do Sars-CoV-2,
apenas, e negativo em sua ausência, mesmo se houver infecção por outros vírus
respiratórios. O RT-PCR tem a capacidade de detectar o vírus nos primeiros dias
após o indivíduo o contrair, mesmo sem apresentar sintomas.
O outro tipo de teste, mencionado acima, é o Sorológico. E como ele
funciona? Por meio da pesquisa de anticorpos (IgG e IgM) produzidos contra o
SARS-CoV-2 numa amostra sanguínea.
O IgM, também chamado de anticorpo de fase aguda da doença, aparece
quando a doença está em curso, e só é detectável após o oitavo ou décimo dia da
infecção. O IgG, conhecido como anticorpo de memória imunológica, identifica se
a pessoa foi exposta ao vírus e, por isso, produziu anticorpos em resposta à
infecção. Embora capaz de distinguir infecção ativa (aguda) ou prévia (memória)
da COVID-19, a sensibilidade dos testes sorológicos é bastante inferior à PCR.
Por isso, a recomendação da OMS – Organização Mundial da Saúde e de autoridades
de saúde, para diagnóstico da doença é o RT-PCR, descritos nos principais
protocolos mundiais para detecção do novo coronavírus.
Atualmente, já é possível obter um resultado muito rápido do método
RT-PCR – em menos de três horas, a partir da análise da amostra. Também há
disponibilidade de testes para que o Brasil possa iniciar a testagem em larga
escala, com o objetivo de auxiliar os governantes a tomarem as melhores medidas
com relação à flexibilização do isolamento social, com um mapeamento preciso
dos casos confirmados da Covd19 no país.
Patrícia Munerato - diretora de Análises Genéticas da Thermo Fisher
Scientific, empresa líder mundial em produtos e
soluções científicas com presença no Brasil.
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