Após encolhimento do mercado formal,
pesquisa revela que a modalidade ganhou a preferência da faixa etária mais
impactada pela crise
Em ascensão entre as empresas privadas e órgãos
públicos do país, os programas de estágio vêm apresentando estabilidade e
crescimento gradual, inclusive, dados da Companhia de Estágios – assessoria e
consultoria especializada em vagas de estágio e trainee – revelam que a
modalidade está recuperando o número de vagas suprimidas pela crise econômica
que o Brasil enfrentou nos últimos anos e apresentando projeções positivas para
os próximos semestres.
Esse cenário tem atraído cada vez mais estudantes
em busca de uma oportunidade para ingressar no mercado de trabalho, e as
estatísticas já apontam um aumento na quantidade de inscritos. Diferente do
mercado celetista, que ainda tem um saldo negativo, os programas de
aprendizagem seguem estáveis e continuam contratando mesmo em meio ao cenário
econômico conturbado do país.
Diante disso, o levantamento anual feito pela
recrutadora identificou que o estágio não só ganhou a preferência daqueles que
ainda frequentam as salas de aula, como também aumentou o nível de exigência e
competitividade entre os candidatos.
Jovens sofreram os piores efeitos da recessão
Em agosto do ano passado o Ministério da Educação
(MEC) divulgou o Censo da Educação Superior brasileira de 2016. De acordo com o
levantamento, houve um total de 8.052 milhões de estudantes matriculados. Já o
Censo Escolar da Educação Básica registrou 8.133 milhões de matrículas do
ensino médio no mesmo ano.
São mais de 16 milhões de alunos com potencial
para o mercado de trabalho, no entanto, essa é justamente a parcela da mão de
obra brasileira (entre 14 e 24 anos) que mais tem amargado os efeitos da crise
nos últimos anos, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
Com menos tempo de experiência, iniciando a vida
profissional e, muitas vezes, com um nível menor de qualificação, esse grupo
foi atingido com mais intensidade pelos percalços da economia – o segmento
acumula maior perda percentual de ocupação segundo o Ipea. Com dificuldades de
conseguir emprego e maior número de demissões, esses jovens buscam alternativas
para driblar a crise, por isso, boa parte deles tem migrado a procura do
mercado formal para os programas de aprendizagem, que vêm apresentando números
expressivos nos últimos anos.
Procura acentuada e benefícios atrativos
De acordo com a pesquisa “O Perfil do candidato a
vagas de estágio em 2018” que contou com a participação de 5.410 estudantes de
todas as regiões do país, nos últimos dois anos os estudantes priorizaram a
busca por um estágio: 55,5% participou de ao menos uma entrevista para esse
tipo de vaga no período, enquanto para vagas formais, a participação cai para
39,6%. E, atualmente, 58% dos entrevistados estão em busca de uma oportunidade
de estágio.
Com o encolhimento do mercado de trabalho
brasileiro e a recessão que o país enfrenta, os programas de aprendizagem saem
na frente na preferência dos estudantes e atraem cada vez mais candidatos. De
acordo com Tiago Mavichian, diretor da Companhia
de Estágios, o número de inscritos aumentou progressivamente desde 2014,
mesmo ano em que o mercado formal começou a declinar, e, desde então, já soma
mais de 20% nas inscrições da recrutadora.
Para o especialista a expectativa é que o número
continue subindo: “Somente no ano passado foram mais de 200 mil inscritos em
nossos processos seletivos realizados em todo o país. Além disso, o estágio
ainda se mantém na contramão da crise, pois o número de vagas também apresenta
índices favoráveis: nesse mesmo período os postos anunciados subiram 19% em
comparação com o ano anterior. Sem contar que o programa é mais flexível
justamente para se adequar a rotina dos estudantes, por isso se tornam mais
atraentes para estudantes, que enxergam uma saída para driblar a crise e
conseguir uma colocação”.
Disputa acirrada
O aumento no número de inscritos, mesmo
acompanhado do crescimento na oferta de vagas, impactou na concorrência dos
programas de aprendizagem, fato que já é percebido pelos candidatos em busca de
uma colocação. Segundo o levantamento da recrutadora, 52% dos entrevistados
afirmam que não há diferença no nível de dificuldade ou competitividade nos
processos seletivos de estágio em comparação com as entrevistas realizadas pelo
mercado celetista. O que demonstra que, mesmo os postos sendo voltados,
exclusivamente, para os estudantes, o nível de exigência subiu e, para se
destacar, é preciso investir em qualificação. Inclusive, ainda de acordo com o
estudo, boa parte desses jovens afirma que não se sente preparado para encarar
o mercado formal e, portanto, deseja participar do estágio para ganhar
experiência e segurança.
Quem sai ganhando?
Os programas de aprendizagem oferecem ao
estudante uma carga horária reduzida para facilitar a conciliação entre
trabalho e estudo, além de férias proporcionais. Também há outros benefícios
que podem constar no termo de compromisso, como bolsa-auxílio e auxílio
transporte. Mas, para a maioria dos candidatos, o estágio representa muito mais
do que isso: a pesquisa aponta que a principal razão pela qual esses jovens
optam pelo programa é o desejo de adquirir uma bagagem profissional.
A oportunidade significa uma porta de entrada no
mercado de trabalho, especialmente, pelo fato de não exigir experiência prévia
como o mercado formal exige. Dessa forma, mesmo aqueles que buscam o primeiro
emprego podem competir nos processos seletivos. O levantamento mostrou ainda
que, dentre os estagiários atuantes, quase 70% demonstra satisfação com a vaga
atual, o que a maioria deseja é ser efetivada ao final do contrato.
Já para as empresas, esse tipo de vaga representa
a redução de custos e impostos trabalhistas, por não caracterizar vínculo
empregatício. Mas Mavichian explica que não para por aí: “As organizações que
implementam o programa logo percebem o conjunto de benefícios agregados à
contratação de estagiários. Como o jovem ainda está em processo de formação,
seu conhecimento é continuo e atualizado, além disso, ele pode ser treinado de
acordo com a cultura organizacional, oferecendo uma mão-de-obra qualificada
alinhada com os objetivos da empresa”.
Público alvo
Os programas de estágios são destinados a alunos
do ensino médio/técnico e nível superior como uma forma de complementar a
formação dos estudantes, permitindo que coloque em prática todo o conteúdo
apreendido em sala de aula. Portanto, a primeira regra para se candidatar é
estar matriculado em uma instituição de ensino para garantir o cunho educativo
do estágio.
Não há dúvidas que os programas de aprendizagem
conferem uma série de vantagens aos estudantes que buscam ascensão no mercado.
Porém, para assegurar que esses jovens não serão encarados apenas como uma
mão-de-obra de baixo custo, há a lei do estágio (nº 11.788), que regulamenta as
regras que devem ser seguidas vigorosamente para que o programa não se
distancie de seu foco principal e não acabe gerando um vínculo empregatício com
a empresa contratante.
Fonte: Companhia de Estágios | PPM Human Resources

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