Sintomas
silenciosos contribuem para diagnóstico tardio, permitindo evolução da doença e
dificultando tratamento desse tipo de câncer que afetará um em cada 52 homens
durante suas vidas
Estimativas recém-publicadas pelo Instituto Nacional de Câncer – INCA
indicam que são esperados 600 mil novos casos de câncer para o anos de
2018 no Brasil, sendo que os tumores de próstata (68 mil) em homens e mama (59
mil) em mulheres serão os mais frequentes, seguidos por intestino, pulmão e
colo do útero (além do câncer de pele não melanoma, responsável por
aproximadamente 165 mil novos casos).1 Os tipos menos incidentes
corresponderão, juntos, a cerca de 41 mil casos1 – o câncer
de rim, por exemplo, é responsável por cerca de 3% dentre todos os tipos de
câncer no mundo2 e, apesar de sua alta mortalidade, a baixa
incidência contribui para que seja um dos menos discutidos na área
oncológica.
O câncer de rim, ou Carcinoma de
Células Renais (CCR), ocorre a partir da transformação das células dos túbulos
que formam os néfrons – estruturas microscópicas responsáveis pela filtração e
formação da urina dentro dos rins –, que passam a se multiplicar de forma
anormal, dando origem ao tumor. Para Fernando Maluf, oncologista clínico e
um dos fundadores do Instituo Vencer o Câncer, apesar de não existirem
causas comprovadas, fatores como idade avançada, tabagismo, obesidade,
histórico de doença renal (como cálculo ou cisto) são considerados de risco. “O
câncer de rim não tem um fator causal dominante, como é o caso de pessoas
fumantes que apresentam risco significativo para câncer de pulmão, por exemplo.
Por isso é difícil estabelecer estratégias para sua prevenção”, afirma.
Outro desafio é o fato de o câncer de
rim ser uma doença silenciosa, que não costuma apresentar sintomas em
suas fases iniciais, fazendo com que muitos pacientes descubram o tumor por
acaso – ao fazer um exame de imagem durante um check-up de rotina ou para
investigar outras suspeitas. Com isso, grande parte dos diagnósticos é feito
com a doença em estágio avançado ou metastático (índice ultrapassa os 90%)3,
quando as chances de cura são menores. “É fundamental estar atento a qualquer
sinal atípico, como perda de peso repentina, febre intermitente, fadiga
constante, dor abdominal ou lombar e presença de sangue na urina. A presença
desses sintomas requer uma análise aprofundada de um especialista”, reforça
o médico.
No Brasil, não há levantamentos
específicos sobre câncer de rim, mas dados de outros países apontam para um possível
aumento na incidência desse tipo de câncer. Estimativas do Cancer
Research UK indicam que, a cada ano, há cerca de 12.6004 novos
casos de câncer de rim no Reino Unido – uma média de 34 casos por dia – e que
um em 52 homens e uma em 87 mulheres serão diagnosticados com câncer de rim
durante suas vidas.4 Já de acordo com a American Cancer Society,
mais de 63 mil casos de câncer de rim são esperados nos EUA apenas em 2018,
sendo 67% deles em homens – do total de casos, estima-se que 23% sejam fatais.5
Não é possível afirmar com precisão em que consiste esse aumento, mas, para
Fernando Maluf, novos exames de imagem, que permitiram uma melhora
significativa nos índices de diagnóstico da doença, podem ter
contribuído para a percepção de que houve um crescimento no número de casos –
já que as taxas de mortalidade, por exemplo, vêm diminuindo ligeiramente desde
meados dos anos 1990.
A melhora no diagnóstico foi
acompanhada, também, por avanços no tratamento. A cirurgia, indicada para casos
onde o tumor é diagnosticado precocemente, não é recomendada para os casos
avançados e que apresentem metástase em outros órgãos, quando tratamento
costuma ser mais difícil. “Os tumores de rim não costumam responder bem aos
tratamentos oncológicos convencionais, como quimioterapia e radioterapia.
Assim, o mais importante é amenizar os sintomas e retardar as complicações.
Para isso, uma boa opção é optar por uma medicação oral que seja eficaz, mas
que também tenha boa tolerabilidade, prezando pela qualidade de vida do
paciente”, completa o especialista.
Referências
1. Incidência de Câncer no Brasil – Estimativa 2018.
Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva – INCA. Disponível em www.inca.gov.br/estimativa/2018/casos-taxas-brasil.asp. Último acesso em 08.02.2018.
2. Cho E1, Adami HO, Lindblad P. Epidemiology of renal
cell cancer. Hematol Oncol Clin North Am. 2011 Aug;25(4):651-65
3. Bergerot, Paulo G.
Assessment of Treatment Patterns for Metastatic Renal Cell Carcinoma in Brazil.
Journal of Global Oncology. Disponível
em www.jgo.org.
Último acesso em 26.02.2018.
4. Kidney cancer statistics.
Cancer Research UK. Disponível em www.cancerresearchuk.org. Último acesso em 08.02.2018.
5. Key Statistics About Kidney
Cancer. American Cancer Society. Disponível
em www.cancer.org/cancer/kidney-cancer/about/key-statistics.html. Último acesso em 08.02.2018.
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