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quarta-feira, 24 de junho de 2026

Quanto custa deixar o ar-condicionado parado por meses

Especialista da Gree explica como falta de uso durante o inverno pode afetar eficiência do equipamento e gerar gastos inesperados quando o calor voltar

 

Com a chegada do inverno, é comum que muitas famílias desliguem o ar-condicionado e deixem o equipamento parado durante semanas ou até meses. Embora a prática pareça inofensiva, especialistas alertam que o período de inatividade pode favorecer o acúmulo de sujeira, umidade e até comprometer o desempenho do aparelho quando ele voltar a ser utilizado. A boa notícia é que, na maioria dos casos, o problema não está em deixar o equipamento desligado, mas sim em como ele é preparado para esse período.
 

Segundo Romenig Magalhães, supervisor de P&D da Gree Brasil, muitos consumidores só se lembram do ar-condicionado quando as temperaturas voltam a subir. Nesse momento, podem surgir inconvenientes como odores desagradáveis, redução da capacidade de refrigeração e necessidade de manutenção corretiva.

“É comum que o equipamento fique semanas sem uso durante os meses mais frios, principalmente em regiões onde o inverno é mais intenso. O que muitas pessoas não sabem é que a falta de alguns cuidados básicos antes desse período pode favorecer o acúmulo de poeira, umidade e microrganismos no sistema”, explica.


O problema não é ficar desligado 

Diferentemente do que muita gente imagina, o simples fato de o aparelho permanecer desligado não causa danos imediatos aos componentes internos. O risco está na combinação entre sujeira acumulada, filtros sem limpeza e ambientes úmidos, que podem criar condições favoráveis para a proliferação de fungos e bactérias.

“Quando o equipamento volta a funcionar após um longo período parado, o consumidor pode perceber cheiro de mofo ou sensação de ar menos agradável. Em muitos casos, isso está relacionado à falta de limpeza preventiva antes da interrupção do uso”, afirma Magalhães.
 

A conta pode chegar no verão 

Além do impacto no conforto, a negligência com a manutenção pode resultar em custos financeiros. Filtros obstruídos e componentes sujos tendem a exigir mais esforço do equipamento, reduzindo sua eficiência e aumentando o consumo de energia. Em situações mais severas, pode ser necessária uma limpeza profissional ou até intervenções técnicas para restabelecer o funcionamento adequado. 

“O custo de uma manutenção corretiva costuma ser significativamente maior do que o de uma limpeza preventiva. Pequenos cuidados realizados antes e depois do período de inatividade ajudam a preservar o desempenho do aparelho e prolongar sua vida útil”, destaca o especialista.


Vale a pena ligar o ar-condicionado durante o inverno? 

Uma recomendação pouco conhecida é acionar o equipamento periodicamente, mesmo durante os meses mais frios. Segundo Magalhães, ligar o aparelho por alguns minutos a cada duas ou três semanas ajuda a movimentar componentes internos e reduz a sensação de equipamento totalmente inativo por longos períodos.

“Não é necessário utilizar o ar-condicionado diariamente. Mas colocá-lo em funcionamento por um curto período, seguindo as orientações do fabricante, pode ser uma medida simples para manter o sistema em boas condições”, explica.


Como preparar o ar-condicionado para o período sem uso

Antes de deixar o equipamento parado durante o inverno, algumas medidas simples podem ajudar a evitar problemas futuros:

- Limpar os filtros de ar;

- Verificar se não há obstruções na unidade externa;

- Manter a manutenção periódica em dia;

- Acionar o equipamento por alguns minutos a cada duas ou três semanas;

- Observar sinais de mofo, odores ou sujeira antes de voltar a utilizá-lo regularmente;

- Realizar uma inspeção preventiva caso o aparelho fique muitos meses sem funcionamento. 

“O ar-condicionado é um equipamento projetado para ter longa vida útil. Com alguns cuidados simples durante os períodos de menor utilização, é possível preservar sua eficiência, evitar gastos desnecessários e garantir que ele esteja pronto para funcionar quando as altas temperaturas retornarem”, conclui Magalhães.

 

Gree Electric Appliances


Democracia em transformação: o impacto da IA generativa e das redes sociais

Especialista alerta para dependência da IA generativa por jovens para tomada de decisão

 

A formação da consciência democrática e cidadã de crianças e adolescentes hoje vai além dos livros de história ou das conversas de mesa de jantar; ela se constrói, em tempo real, por telas, algoritmos e inteligências artificiais. De acordo com a última Pesquisa TIC Kids Online Brasil, o uso da internet para atividades informacionais aumenta com a idade: 64% dos adolescentes de 15 a 17 anos leram ou assistiram notícias online, enquanto a taxa é substancialmente menor nas idades mais jovens, correspondendo a 50% entre 13 e 14 anos, 39% entre 11 e 12 anos e 31% entre 9 e 10 anos.  

 

“Em um cenário em que a desinformação, a polarização e o isolamento desafiam as instituições em todo o mundo, a forma como crianças e adolescentes consomem tecnologia tornou-se um debate central para o futuro da própria educação democrática e cidadã. À medida que as mediações digitais assumem crescente relevância na formação e na construção da visão de mundo e de sociedade dos jovens, as instâncias de socialização e de debate público são reconfiguradas. Trata-se de um fator central que tensiona famílias e instituições educativas quanto à necessidade de promover o desenvolvimento do pensamento crítico, ético e responsável com as jovens gerações”, afirma Patrícia Espíndola De Lima Teixeira, psicopedagoga e Coordenadora do Observatório Juventudes PUCRS/Rede Marista, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS).

 

A pesquisa, que foi lançada pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) e realizada pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), também demonstrou que 59% dos usuários de Internet de 9 a 17 anos afirmaram que usaram ferramentas de IA generativa para fazer pesquisas escolares ou estudar, 42% para buscar informações e 21% para criar conteúdo como textos, imagens, vídeos ou códigos de programação. Além disso, 10% relataram que usaram ferramentas de IA generativa para conversar sobre problemas pessoais ou suas emoções. No caso das redes sociais, 33% das crianças de 9 a 10 anos declararam ter utilizado essas plataformas no último ano. Entre os usuários de 11 a 12 anos, a proporção foi de 63%. Já para os adolescentes de 13 a 17 anos, o percentual alcançou 89%, evidenciando uma maior participação nesses ambientes conforme o avanço da idade. No total, foram entrevistados 2.370 crianças e adolescentes e igual número de pais ou responsáveis em todo o país.

 

A especialista do Observatório Juventudes PUCRS/Rede Marista ressalta que o uso de IA generativa para conversar sobre problemas pessoais, tomadas de decisões ou lidar com as emoções acende um sinal de alerta, uma vez que se relaciona diretamente ao desenvolvimento pessoal e relacional, o que pode influenciar na leitura dos fatos do cotidiano, inclusive nos modos de veiculação das notícias e informações sociais. “Além dos riscos à privacidade, há também o perigo de respostas imprecisas influenciadas pelo chamado viés de confirmação. Nesses casos, o algoritmo tende a oferecer ao jovem conteúdos alinhados às suas expectativas, o que pode limitar a capacidade de lidar com o contraditório. Algoritmos operam em escalas massificadas e isso fragiliza a autonomia de pensamento. Dito de outro modo, os atuais cenários digitais não favorecem as bases de consciência crítica e empática, fundamentais do debate democrático”, comenta.

 

Patrícia defende que a superação de dependência cognitiva gerada pelo excesso de consumo digital depende da presença saudável de referenciais no mundo físico, do diálogo aberto e da criação de ambientes que possibilitem a troca de ideias e acolhimento, tanto nos ambientes educacionais quanto no núcleo familiar. “Uma importante lição para as novas gerações hiperconectadas reside em compreender no que consiste a participação democrática. Conhecer a memória histórica, as consequências políticas, a ética voltada ao bem comum e ainda, que o voto iguala a relevância de cada pessoa, independentemente de classe, raça, gênero, religião, etariedade, profissão. Acima de tudo, reside no aprendizado prático de reconhecer que as vitórias e derrotas nas urnas integram a formação política de convivência e necessidades humanas”.

 

Veracidade das informações

 

Graciele Silva de Matos, assessora de políticas sociais da Área de Solidariedade da Rede Marista explica que o desenvolvimento alfabetização digital é essencial para que os jovens aprendam a navegar com responsabilidade e a avaliar criticamente as informações que recebem, evitando a replicação automatizada de boatos. “Para que esse processo seja efetivo, a primeira atitude deve ser sempre investigar a fonte e o autor, verificando se o texto foi publicado em veículos de comunicação confiáveis e pesquisando a credibilidade, formação e experiência do profissional responsável pelo assunto”, explica.

 

Nesse processo de validação, deve-se também analisar criticamente o canal e o contexto por onde a informação chegou, redobrando a atenção com mensagens encaminhadas por amigos ou familiares em redes sociais. Checar a data da publicação impede que notícias antigas sejam tiradas de contexto para gerar pânico, enquanto a observação cuidadosa ajuda a discernir se o material não passa de uma piada ou meme. “Como suporte prático para essa checagem diária, existem ferramentas especializadas em fact-checking que atuam diretamente no desmonte de boatos na internet brasileira”, comenta Matos. 



Maristas no Brasil

 

6 em cada 10 brasileiros querem crescer na carreira em até um ano, aponta pesquisa da Serasa Experian


• Aprendizado contínuo lidera como principal motor de crescimento, com 41,7%;

• Falta de oportunidades (31,2%) e qualificação (19,5%) são as principais barreiras para avançar. 

 

O desejo de crescer profissionalmente nunca foi tão urgente entre os brasileiros, mas esse movimento ainda encontra obstáculos relevantes no caminho. É o que mostra um levantamento da Serasa Experian, primeira e maior datatech do país, que revela que 63% dos profissionais acreditam que o próximo passo na carreira deve acontecer em até um ano, refletindo uma expectativa cada vez mais acelerada em relação ao desenvolvimento profissional. 


Essa expectativa se traduz em movimentos concretos de carreira: Um terço (32,3%) dos profissionais pretendem mudar de empresa para avançar profissionalmente, enquanto 29,5% buscam crescimento dentro do emprego atual. Outros 7,2% indicam o interesse em assumir posições de liderança, enquanto 11% esperam se especializar sem mudar de área. Outros 14,5% afirmam que ainda não sabem qual será o próximo passo, mostrando que, embora o desejo de crescimento seja elevado, parte dos profissionais ainda enfrenta dúvidas sobre o caminho a seguir. Confira os dados no gráfico abaixo.



 

O levantamento mostra que o crescimento profissional deixou de ser um movimento de médio prazo e passou a acontecer em ciclos cada vez mais curtos. Quando mais de 60% dos profissionais projetam um avanço em até um ano e uma parcela relevante já considera mudar de empresa para isso, fica evidente que há uma busca mais ativa por oportunidades. Ao mesmo tempo, esse movimento revela um desafio para as organizações, que precisam acompanhar essa velocidade, ampliando o acesso a oportunidades e estruturando caminhos mais claros de desenvolvimento para reter talentos”, afirma Fernanda Guglielmi, gerente de Recursos Humanos da Serasa Experian. 


 

Aprendizado contínuo lidera como motor de crescimento


Esse senso de urgência está diretamente ligado à percepção sobre o que impulsiona a carreira hoje. Para 41,7% dos respondentes, o aprendizado contínuo é o principal fator de aceleração, superando a entrega de resultados na prática, citada por 26,5%, e o networking e visibilidade profissional, com 14%. Além disso, 34,1% destacam que estar em empresas com mais oportunidades de crescimento é decisivo, enquanto 15% apontam o papel da liderança no desenvolvimento profissional. Veja o detalhamento no gráfico correspondente: 




Por outro lado, os dados mostram que esse avanço encontra obstáculos relevantes. 31,2% dos profissionais apontam a falta de oportunidades como principal barreira para crescer, seguida pela falta de qualificação ou atualização profissional (19,5%) e pela percepção de um mercado muito competitivo (16,3%). Outros fatores também aparecem, como falta de apoio da liderança (13,6%), insegurança ou falta de confiança (12,3%) e falta de tempo para se desenvolver (7,2%), indicando que o crescimento profissional depende de uma combinação de fatores individuais e estruturais. Confira os dados detalhados abaixo: 

 


“Existe um movimento claro de aceleração na forma como os profissionais encaram suas carreiras, mas esse avanço ainda depende de condições que vão além do esforço individual. A falta de oportunidades, como principal barreira, indica que as empresas têm papel central em ampliar o acesso a posições e estruturar caminhos de desenvolvimento. Organizações que conseguem responder a essa demanda tendem a se tornar mais competitivas na atração e retenção de talentos”, explica Fernanda.


 

Mobilidade interna e desenvolvimento estruturado


A Serasa Experian mantém iniciativas voltadas ao desenvolvimento profissional e à mobilidade interna, com foco em ampliar oportunidades de crescimento e fortalecer a capacitação contínua de seus colaboradores. A companhia conta com trilhas estruturadas de aprendizagem, programas de desenvolvimento para diferentes níveis de liderança e plataformas globais de capacitação disponíveis para 100% dos funcionários. A expectativa é abrir mais de mil posições ao longo do ano, incluindo cerca vagas de estágio e programas voltados a early careers.

 

Entre as iniciativas da companhia está o MyCareer, plataforma global de carreira impulsionada por inteligência artificial que reúne, em um único ambiente, trilhas de aprendizagem, oportunidades de recrutamento interno, ferramentas de performance, desenhos de carreira e recursos de desenvolvimento personalizados. A solução também integra ferramentas como a Nadia AI, coach virtual de desenvolvimento profissional, além de plataformas de treinamento técnico e de liderança.

 

“Atualmente, temos investido em modelos mais estruturados de desenvolvimento, que conectam aprendizagem, mobilidade interna e planejamento de carreira em uma mesma jornada. O MyCareer amplia a visibilidade sobre possibilidades de crescimento dentro da companhia e permite que cada profissional tenha acesso mais claro às competências necessárias para evoluir. Esse movimento fortalece o desenvolvimento contínuo e contribui para retenção, engajamento e preparação das nossas pessoas para os desafios futuros do mercado”, conclui a gerente da datatech.

 

Metodologia 


A pesquisa sobre ascensão profissional foi realizada pela Serasa Experian com 1.733 brasileiros, de diferentes regiões do país. A amostra é composta majoritariamente por analistas (38,8%), estudantes (28,9%) e estagiários ou jovens aprendizes (15,9%). Em relação à faixa etária, 34,7% dos respondentes têm entre 25 e 34 anos, enquanto 30,6% têm até 24 anos. Já em escolaridade, há predominância de ensino superior em andamento (29,9%) e ensino médio completo ou incompleto (26,8%). 



Experian
experianplc.com


Não usar IA já é um risco para as empresas, diz especialista em transformação digital

Com avanço da tecnologia e pressão por eficiência, Edson Teixer, da IRKO Rio de Janeiro, defende que companhias precisam estruturar políticas, treinamento e segurança para não perder competitividade

 

 

A inteligência artificial deixou de ser uma aposta restrita às áreas de tecnologia e passou a fazer parte da rotina de diferentes departamentos nas empresas. O desafio, agora, é outro: transformar o uso individual e muitas vezes informal dessas ferramentas em processos estruturados, seguros e capazes de gerar ganhos reais de produtividade, afirma Edson Teixer, sócio-diretor da IRKO Rio de Janeiro.

A mudança já aparece em estudos globais. Levantamento da McKinsey aponta que 88% das organizações já usam IA regularmente em ao menos uma função de negócio, mas cerca de dois terços ainda não começaram a escalar a tecnologia de forma ampla na empresa. O mesmo estudo mostra que 62% das companhias já testam ou utilizam agentes de IA, sistemas capazes de planejar e executar etapas de trabalho com maior autonomia. 

Esse movimento reforça uma nova fase da transformação digital. Se os primeiros anos da IA generativa foram marcados por experimentação e automação de tarefas pontuais, a próxima etapa tende a ser definida pela capacidade das empresas de redesenhar fluxos de trabalho, estabelecer regras claras de uso e preparar profissionais para atuar em conjunto com sistemas inteligentes.

Para Teixer, a principal questão deixou de ser se as empresas devem ou não usar IA. “O maior erro hoje é acreditar que não usar inteligência artificial reduz riscos. Na prática, acontece o contrário. Se a companhia não cria uma política estruturada, os colaboradores acabam utilizando ferramentas pessoais sem qualquer controle de segurança”, afirma.

Na avaliação do executivo, a tecnologia está provocando uma mudança no perfil do trabalho corporativo. Atividades repetitivas e operacionais tendem a ser cada vez mais automatizadas, enquanto os profissionais passam a assumir funções mais analíticas, consultivas e estratégicas. “Estamos migrando de um modelo baseado em execução operacional para um modelo em que as pessoas atuam como analistas e revisores estratégicos. A IA executa tarefas repetitivas, enquanto os profissionais ganham tempo para pensar, analisar e se relacionar melhor com os clientes”, explica.

Na IRKO, esse processo vem sendo tratado como uma transformação cultural. Há cerca de um ano, a empresa passou a incentivar oficialmente o uso de IA entre seus colaboradores, com licenças corporativas para lideranças, treinamentos internos e o desenvolvimento do próprio “Chat IRKO”, uma plataforma criada para ampliar a segurança, o controle e a governança no uso da tecnologia. As iniciativas foram lideradas por Teixer, que identificou o potencial da IA ainda nos primeiros anos de avanço da tecnologia e buscou especialização na área em instituições como Stanford e Harvard.

A empresa também já testa aplicações mais avançadas, incluindo agentes de IA voltados à execução de tarefas de forma autônoma. Para Teixer, esse avanço não elimina a importância do conhecimento humano – cresce, na verdade, a necessidade de profissionais capazes de orientar, revisar e aplicar a tecnologia com visão crítica.

“Quem vai sair na frente não é necessariamente quem tem mais dinheiro ou a melhor tecnologia. É quem consegue implementar uma cultura de inovação. O diferencial não é mais falar sobre IA, mas demonstrar o que ela efetivamente entrega em produtividade, inovação e competitividade”, afirma.

A tendência dialoga com uma preocupação crescente no mercado de trabalho. O Fórum Econômico Mundial aponta que a transformação tecnológica, incluindo IA e automação, será uma das principais forças de mudança no emprego até 2030, exigindo novas estratégias de qualificação e adaptação das organizações. 

Para Teixer, o mercado brasileiro ainda está em estágio inicial de adoção estruturada da tecnologia. Muitas empresas já permitem o uso de ferramentas de IA, mas poucas transformaram esse uso em estratégia estruturada, com governança, capacitação e integração aos processos de negócio.

“O mercado ainda está engatinhando. Existe muita gente falando sobre IA, mas poucas empresas realmente implementando processos estruturados, seguros e estratégicos. As pessoas não serão substituídas pela IA. Elas serão substituídas por profissionais que saibam usar IA de forma inteligente”, conclui. 

 

Edson Teixer - Sócio-diretor da IRKO, é responsável pelas operações no Rio de Janeiro. É professor do IBMEC-RJ e diretor-executivo da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade) no Estado. Também é membro do Comitê de Auditoria do Banco do Brasil, da ENEVA e do SMEIG – Grupo de implementação de normas contábeis internacionais para PMEs do IASB. Com mais de 25 anos de experiência, foi sócio da PwC e esteve envolvido em projetos de auditoria e consultoria de clientes de capital aberto no Brasil e no exterior.


Denúncias de violência contra idosos crescem quase 30% em 2026 e acendem alerta para casos invisíveis dentro de casa

Junho Violeta reforça a importância da conscientização e da identificação precoce de situações de abuso contra a população 60+   

 

As denúncias de violência contra pessoas idosas registradas pelo Disque 100 cresceram 29,85% nos primeiros meses de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior, somando cerca de 75 mil registros. O avanço dos casos reforça a necessidade de ampliar o debate sobre a proteção da população 60+, especialmente diante do envelhecimento acelerado da população brasileira e da permanência de diferentes formas de violência que muitas vezes acontecem dentro do ambiente familiar. 

Os dados ganham ainda mais relevância durante o Junho Violeta, campanha dedicada à conscientização, prevenção e enfrentamento da violência contra a pessoa idosa. A mobilização busca ampliar o conhecimento da sociedade sobre os diversos tipos de abuso que podem afetar essa população e incentivar a denúncia de situações de violência. 

Segundo Antonio Leitão, gerente institucional do Instituto de Longevidade MAG, o aumento dos registros evidencia a importância de fortalecer não apenas os mecanismos de proteção, mas também a capacidade de identificar sinais que frequentemente passam despercebidos. 

"A violência contra a pessoa idosa nem sempre deixa marcas visíveis. Em muitos casos, ela ocorre de forma silenciosa, por meio da negligência, do abandono, da violência psicológica ou do uso indevido de recursos financeiros. Quanto mais informação a sociedade tiver sobre essas situações, maiores são as chances de prevenção e de intervenção antes que os danos se agravem”, afirma. 

Para o especialista, o enfrentamento da violência exige um esforço coletivo que envolve famílias, comunidades, instituições e poder público. “O aumento das denúncias mostra que precisamos avançar na construção de uma cultura que valorize o envelhecimento com respeito, autonomia e dignidade. A conscientização é um passo fundamental para romper ciclos de violência que, muitas vezes, permanecem invisíveis”, destaca. 

Como parte desse trabalho de orientação e prevenção, o Instituto de Longevidade MAG disponibiliza uma cartilha educativa sobre violência contra a pessoa idosa. O material apresenta os principais tipos de violência, orienta sobre formas de prevenção e reúne informações que ajudam familiares, cuidadores e a própria população idosa a reconhecer situações de risco. 

Entre os principais sinais de alerta para possíveis casos de violência financeira e patrimonial estão:

 

Mudanças inesperadas nas finanças: saques frequentes, transferências incomuns, empréstimos contratados sem total compreensão ou gastos incompatíveis com o padrão habitual da pessoa idosa podem indicar irregularidades.

 

Pressão para assinar documentos: insistência de familiares, cuidadores ou terceiros para que a pessoa idosa assine procurações, contratos, venda bens ou altere decisões patrimoniais merece atenção.

 

Perda do controle sobre os próprios recursos: quando a pessoa deixa de ter acesso a contas bancárias, cartões, senhas ou desconhece o destino do seu dinheiro, é importante investigar a situação.

 

Alterações repentinas no padrão de vida: dificuldades para comprar medicamentos, pagar despesas básicas ou manter hábitos anteriormente consolidados podem ser um indicativo de uso indevido da renda ou do patrimônio.

 

Isolamento associado ao controle financeiro: situações em que terceiros passam a intermediar todas as decisões, limitam contatos ou evitam conversas sobre dinheiro podem ocultar episódios de abuso.

 

Mudanças de comportamento ao falar sobre recursos financeiros: medo, constrangimento, insegurança ou receio de gerar conflitos familiares podem dificultar que a vítima relate o que está acontecendo.

 

Ao identificar qualquer indício de violência, é importante buscar apoio junto à rede de proteção e aos órgãos competentes. Além do Disque 100, que funciona gratuitamente 24 horas por dia, denúncias também podem ser registradas pelos canais digitais do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania. Combater a violência contra a pessoa idosa é uma responsabilidade coletiva e essencial para promover uma sociedade que valorize o envelhecimento com respeito, autonomia e dignidade.

 

Instituto de Longevidade MAG


Copa do Mundo e a herança silenciosa das BETs: estamos formando uma geração de apostadores?


A Copa do Mundo sempre foi um dos maiores eventos de celebração coletiva do planeta. Durante algumas semanas, famílias se reúnem, amigos compartilham emoções e milhões de pessoas acompanham cada lance com paixão. Mas, nesta edição, há um elemento que ocupa um espaço cada vez maior dentro e fora dos estádios: as apostas esportivas. 

As marcas de BETs estão nas transmissões, nos uniformes, nos intervalos comerciais, nos conteúdos digitais e nas redes sociais. Influenciadores promovem plataformas de apostas diariamente, enquanto algoritmos multiplicam a exposição desse conteúdo para públicos cada vez mais jovens. O resultado é que, para muitos brasileiros, principalmente adolescentes e jovens adultos, apostar passou a parecer algo tão natural quanto torcer. 

O problema é que estamos diante de um fenômeno que vai muito além do entretenimento. A intensa presença das apostas durante um evento de alcance global como a Copa do Mundo pode acelerar um processo já preocupante: a normalização do jogo como alternativa de renda e ascensão financeira. 

Quando uma geração cresce vendo apostas associadas ao esporte, à diversão, ao sucesso e à prosperidade, cria-se uma percepção distorcida sobre dinheiro e construção de patrimônio. Aos poucos, o esforço, o planejamento e a disciplina financeira cedem espaço à expectativa de ganhos rápidos e aparentemente fáceis.

Essa é uma das maiores ameaças que enfrentamos atualmente. 

O risco não está apenas na perda financeira imediata. O verdadeiro perigo está na herança que estamos construindo para os próximos anos. A exposição massiva às apostas pode resultar em um aumento expressivo dos casos de compulsão, endividamento, ansiedade, depressão e conflitos familiares. Estamos falando de impactos que permanecerão muito depois do apito final da Copa. 

Diversos estudos sobre comportamento humano mostram que as apostas ativam mecanismos cerebrais ligados à recompensa e à expectativa. Cada vitória gera uma descarga emocional capaz de estimular novas tentativas. Cada derrota alimenta a crença de que a recuperação está próxima. É justamente nessa dinâmica que muitos usuários acabam desenvolvendo comportamentos compulsivos. 

O mais preocupante é que o vício em apostas costuma ser silencioso. Diferentemente de outras dependências, ele pode permanecer oculto durante meses ou anos. Muitas vezes, os primeiros sinais aparecem apenas quando surgem dívidas, problemas familiares, dificuldades emocionais ou prejuízos profissionais. 

Outro aspecto alarmante é a influência sobre crianças e adolescentes. Embora a legislação proíba a participação de menores em plataformas de apostas, a publicidade chega diariamente a esse público. Eles acompanham campeonatos patrocinados por BETs, assistem a influenciadores promovendo apostas e convivem com uma narrativa que frequentemente associa o jogo ao sucesso financeiro. 

Estamos formando uma geração que aprende sobre dinheiro por meio da lógica da aposta e não pela lógica da construção patrimonial. Essa inversão de valores pode produzir consequências profundas para o futuro econômico do país. 

Por isso, o debate sobre as BETs não pode se limitar à regulamentação do mercado ou à fiscalização das plataformas. Essas medidas são importantes, mas insuficientes. Precisamos discutir, com urgência, os impactos sociais, educacionais e comportamentais dessa nova realidade. 

A grande pergunta que devemos fazer é: qual legado queremos deixar após a Copa do Mundo? Se nada for feito, poderemos assistir ao crescimento de uma geração mais endividada, mais vulnerável emocionalmente e menos preparada para lidar com dinheiro de forma consciente. Uma geração acostumada a buscar soluções imediatas para problemas que exigem planejamento e construção de longo prazo. 

É nesse contexto que a educação do comportamento financeiro assume um papel estratégico. Não se trata apenas de ensinar matemática financeira ou conceitos de investimento. Trata-se de desenvolver consciência, senso crítico, autocontrole, capacidade de planejamento e compreensão dos riscos envolvidos nas decisões financeiras. 

Precisamos ensinar crianças e jovens a diferenciar oportunidade de ilusão, investimento de aposta, patrimônio de sorte. Precisamos mostrar que prosperidade não é resultado de um lance bem-sucedido, mas da soma de escolhas consistentes realizadas ao longo do tempo. 

A Copa vai passar. Os campeões serão conhecidos. As campanhas publicitárias serão substituídas por novas estratégias de mercado. Mas as consequências da exposição massiva às apostas podem permanecer por muitos anos. 

O momento de discutir essa questão é agora. Antes que a maior herança deixada pelas BETs não seja o entretenimento, mas uma epidemia silenciosa de dependência financeira e emocional que comprometa o futuro de toda uma geração.
 

Reinaldo Domingos - PhD em Educação Financeira, presidente da Associação Brasileira de Profissionais de Educação Financeira (Abefin -Link) e da DSOP Educação Financeira (Link). Autor de diversos livros sobre o tema, como o best-seller Terapia Financeira.

 

Casados no papel, separados na vida: o custo invisível de não conseguir se divorciar

Pixabay/Mohamed Hassan
Sem vaga na Defensoria e sem dinheiro para advogado, milhões de brasileiros ficam presos a um casamento encerrado, e só descobrem o preço dessa espera quando já é tarde

 

Segundo o IBGE, para cada 100 casamentos registrados no Brasil, cerca de 45,7 terminam em divórcio. No entanto, esse dado representa apenas a ponta do iceberg. Por trás dos números frios e dos processos que tramitam em cartórios, há uma parcela silenciosa de pessoas que estão separadas apenas de corpo. Essas pessoas enfrentam anos, às vezes décadas, sem conseguir pagar os custos do divórcio legal. O que resta para essas pessoas é um limbo civil doloroso, que impede sonhos, prende patrimônios, bloqueia direitos e aprofunda as desigualdades que já enfrentam. Por trás de cada número, há histórias reais, cheias de esperança, luta e frustração, esperando por um desfecho mais justo.

As consequências desse limbo são mais graves do que parecem. Do ponto de vista jurídico, a interrupção da convivência não finaliza a sociedade conjugal nem os efeitos legais do casamento. Enquanto o divórcio não for formalizado, os bens obtidos durante a separação informal podem ser repartidos com o ex-cônjuge, especialmente no regime de comunhão parcial de bens. Se um dos dois falecer sem que a dissolução tenha sido oficializada, o outro poderá herdar parte do patrimônio, mesmo estando separados há anos. 

A falta de formalização também pode dificultar a venda de bens, obstruir financiamentos, complicar a abertura de empresas e gerar inseguranças em contratos e escrituras. Há ainda o risco de pedidos de pensão alimentícia, já que o vínculo matrimonial permanece legalmente ativo, e, enquanto o casamento anterior não for dissolvido, nenhum dos dois pode contrair novo matrimônio civil.

Laura França Bubniak, cofundadora da Separa Online, reforça: "O divórcio é um recomeço financeiro tanto quanto um recomeço pessoal. Um processo rápido reduz o sofrimento e preserva o patrimônio para seguir em frente."


O gargalo do acesso à Justiça 

Mas quem deveria garantir esse acesso, o sistema público, não tem dado conta da demanda. Segundo a Pesquisa Nacional da Defensoria Pública de 2025, 37,2 milhões de brasileiros não têm acesso à assistência jurídica gratuita fornecida pela Defensoria Pública. Desse total, 34,2 milhões são economicamente vulneráveis, com renda familiar de até três salários mínimos, e sem condições reais de contratar um advogado particular. Em síntese, cerca de 17,6% da população brasileira está potencialmente à margem do sistema de Justiça, impedida de reivindicar seus próprios direitos.

É nesse vácuo que a tecnologia surge como caminho para a inclusão jurídica. A Separa Online conduz o processo de divórcio integralmente pelo celular, com atendimento via WhatsApp por advogados parceiros inscritos na OAB, pagamento parcelado e início médio de três dias após o primeiro contato, contra 30 dias no modelo tradicional. Com mais de 12 mil atendimentos realizados, taxa de conclusão superior a 96% em até uma semana e 97% de clientes satisfeitos, a empresa transforma o que costuma ser um processo longo e desgastante em algo acessível e humanizado. "Sabemos que o fim de um casamento envolve emoções e burocracias. Por isso, criamos uma maneira mais leve, acessível e tranquila de passar por esse momento", conclui Bubniak.

Para mais informações: www.separaonline.com.br


70% dos MEIs se dizem preparados para atender a demanda durante a Copa do Mundo

Pesquisa do Sebrae revela que o aumento de demanda é o principal impacto esperado por quem antecipa alguma alteração de vendas no Mundial, com destaque para o Comércio (21%)

 

Sete em cada 10 microempreendedores individuais (MEIs) se dizem preparados para atender a demanda durante a Copa do Mundo. A pesquisa "Sondagem Econômica do MEI", realizada pelo Sebrae e FGV, durante o mês de maio, mostra que 43% dos MEIs se dizem parcialmente preparados e 27% se dizem muito preparados para os impactos esperados da Copa. 

No Sudeste, quase 30% se consideram muito preparados, enquanto Norte e Centro-Oeste registram mais de 54% de MEIs parcialmente preparados.  

“Além de torcer para a Seleção, a gente torce e apoia as pequenas empresas brasileiras. Grandes eventos, como a Copa do Mundo, são capazes de contagiar e movimentar a economia, com grande impacto nos pequenos negócios locais. Quanto mais preparado o empreendedor se sente para se destacar no mercado, melhores os resultados para todos”, afirma o presidente do Sebrae, Rodrigo Soares. 

Entre os segmentos, o Comércio lidera as expectativas: 21% dos MEIs esperam aumento no fluxo de clientes e de vendas, seguido de Serviços (18%) e Indústria (15%).  

No Nordeste, mais de 22% dos MEIs acreditam em algum impacto positivo no faturamento, o maior otimismo entre as regiões. O Nordeste também se destaca como a região que mais espera mudanças nos negócios com a Copa, com expectativa de aumento de demanda (25%) e de necessidade de adaptação de produtos e serviços (13%). O Sul é a que menos espera impactos da Copa nos negócios (46%).

 

Confira dicas do Sebrae para os pequenos negócios no período da Copa do Mundo

 

1.    Agenda

Mapeie as datas e horários dos jogos da seleção brasileira e dos principais jogos da primeira fase para ajustar estoques, cardápios e horários de atendimento.

 

2.    Comunicação

Crie campanhas temáticas com elementos visuais e linguísticos regionais. Evite usar símbolos oficiais da Copa do Mundo para comercialização própria. Essas marcas são licenciadas e o uso indevido pode gerar problemas.

 

3.    Jogar junto

Estimule experiências coletivas, como eventos de torcida, promoções em grupo ou transmissões em espaços compartilhados.

 

4.    Digital

Fortaleça a experiência dos seus clientes no estabelecimento e a presença no ambiente digital, com ações no Instagram, WhatsApp e TikTok, aproveitando o alto volume de interações.


O motivo que mais leva profissionais à demissão não aparece no currículo

Formação e experiência continuam importantes, mas metade das demissões acontece por fatores que raramente aparecem em currículos ou entrevistas


O mercado acreditou por muito tempo que bons profissionais eram aqueles com formação sólida, experiência relevante e domínio técnico acima da média. O problema é que as empresas começaram a perceber uma contradição desconfortável dentro das próprias equipes: pessoas extremamente qualificadas estavam sendo desligadas poucos meses depois da contratação. 

A explicação nem sempre aparecia nos indicadores tradicionais de performance. Em muitos casos, o problema estava em fatores mais difíceis de medir: dificuldade de adaptação, incompatibilidade com o ritmo da empresa, baixa colaboração, resistência a feedbacks ou desalinhamento cultural. O conhecimento técnico permanecia intacto. O encaixe humano, não. 

O dado mais recente do 6º Observatório de Carreiras e Mercado da PUCPR ajuda a dimensionar essa mudança: 50% das demissões realizadas em 2024 aconteceram por questões comportamentais, não técnicas. O número ajuda a explicar por que empresas passaram a investir em ferramentas de análise preditiva, perfil comportamental e mapeamento de aderência cultural durante processos seletivos. 

A mudança acontece porque o ambiente corporativo também mudou. Equipes mais enxutas, pressão constante por resultados, trabalho híbrido e transformações frequentes exigem muito mais do que conhecimento técnico. Em muitos contextos, a forma como uma pessoa colabora, aprende, se comunica e reage a mudanças têm impacto tão grande quanto sua capacidade de executar tarefas. 

Para Patricia Suzuki, Diretora de RH da Redarbor Brasil, detentora do Pandapé, o mercado evoluiu bastante na avaliação de competências técnicas, mas ainda encontra dificuldades para prever o encaixe de um profissional dentro da realidade de cada empresa. 

“As empresas evoluíram muito na validação de competências técnicas, mas ainda apresentam dificuldades para prever o nível de aderência à cultura, à liderança, ao ritmo e ao modelo de relacionamento interno”, afirma.

Segundo a executiva, muitos desligamentos ocorrem por incompatibilidade entre expectativa e contexto. “Às vezes o profissional é ótimo, mas não para aquele contexto específico. O descompasso entre o que se espera e o que se vive no cotidiano corporativo aumenta significativamente o risco de ruptura”, diz. 

Esse cenário também explica o crescimento do interesse por ferramentas de análise comportamental e inteligência preditiva durante o recrutamento. O objetivo não é encontrar candidatos perfeitos, mas aumentar a capacidade de identificar fatores que podem influenciar adaptação, permanência e desempenho ao longo do tempo. 

Existe também uma pressão financeira por trás desse movimento. Com turnover elevado custando cada vez mais caro para as empresas, retenção deixou de ser apenas pauta de cultura organizacional e passou a ser discussão operacional. Contratar alguém que sai poucos meses depois gera impacto direto sobre produtividade, moral da equipe e capacidade de execução. 

Ao mesmo tempo, especialistas alertam para um cuidado importante: avaliar comportamento não significa buscar profissionais iguais. O desafio das empresas está em encontrar compatibilidade sem transformar cultura organizacional em um filtro que reduz diversidade de pensamento, repertório e inovação. 

“O mercado talvez esteja descobrindo algo que demorou décadas para admitir: competências técnicas são essenciais, mas a retenção e desenvolvimento dos talentos dependem também de fatores comportamentais, relacionais e culturais que nem sempre aparecem no currículo”, conclui a executiva.



LGPD e cibersegurança na pauta da indústria automotiva

 

A cada ano a tecnologia embarcada ganha relevância quando o consumidor escolhe um veículo. No início da década passada, quando as centrais multimídia começaram a equipar veículos de entrada, esses equipamentos eram usados praticamente para se ouvir música. Não eram comuns os aplicativos para controlar funções como abrir as portas ou saber onde o veículo está localizado e poucos modelos tinham conexão com a internet por meio de 4G/LTE, 5G e atualizações de software Over-The-Air (OTA). 

 

Naquela época também não existia a LGPD e a maior parte das pessoas não tinha a preocupação em como seus dados seriam usados ou sobre o risco de ocorrem vazamentos dessas informações. Atualmente, por meio de sensores e conexão à internet, os veículos podem gerar diversos dados como os locais trafegados, a forma de condução e até imagens e biometria dos motoristas. O que demanda atenção do consumidor sobre como estes dados serão usados, com quem eles podem ser compartilhados e se existem medidas de cibersegurança. 

 

Informações como o padrão de condução por meio da telemetria de caminhões já são usados por empresas para aumentar a segurança dos motoristas e da carga, pois possibilita aos gestores observar se ocorreu um desvio de rota proveniente de um roubo. A tecnologia também ajuda o motorista a melhorar a sua condução economizando combustível e poupando os componentes do freio, pois permite saber se uma forte subida se aproxima e é necessário acelerar ou reduzir a aceleração caso uma descida esteja próxima. 

 

A telemetria também pode ser uma aliada dos bons motoristas amadores e já é usada para beneficiar com bonificações e descontos no seguro. E, o que começou no setor de seguros, por meio dos sensores do celular do motorista, vem sendo adotado por algumas montadoras. No caso das seguradoras, o motorista tem a opção de escolher esse formato de seguro. Mas, quando se compra um veículo nem sempre o motorista sabe se determinado modelo pode captar essas informações e precisa estar ciente que pode solicitar a correção de informações, pedir a exclusão e impedir o compartilhamento de informações com terceiros. Os proprietários também precisam ter atenção no momento de ler o contrato de uso de aplicativos ou sistemas de conexão de internet e checar como seus dados podem ser usados antes de dar o aceite nos termos de uso. 

 

As montadoras que captam as informações precisam armazenar e compartilhar os dados de acordo com a LGPD e apesar de não ser obrigatório no país, muitas empresas seguem a TARA (Análise de Ameaças e Avaliação de Riscos) da norma ISO/SAE 21434, que determina formas de avaliar os potenciais riscos à cibersegurança dos veículos e promove a implementação de medidas de proteção eficazes ao longo de todo o ciclo de vida do produto.  

 

No âmbito nacional a cibersegurança dos veículos com conexão à internet é regulamentada pelo Ato nº 77/2021 da Anatel, que estabelece os requisitos de segurança cibernética para equipamentos de telecomunicações. E está em tramitação na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 298/2024, que altera o art. 103 do Código de Trânsito Brasileiro e trata sobre a segurança cibernética de veículos e proíbe a cobrança ao consumidor por atualizações de sistema operacional eletrônico. 

 

O PL também determina que o CONTRAN deverá estabelecer os procedimentos para avaliação técnica de possíveis vulnerabilidades decorrentes de invasões ou ataques cibernéticos, dispondo inclusive sobre tipos de testes de integridade de sistemas eletrônicos e o cronograma de incorporação das medidas de segurança aos novos projetos. 

 

Apesar do Brasil ter a LGPD, o Ato nº 77/2021, e de muitas empresas já adotarem o ISO/SAE 21434, é necessário atenção à regulação sobre a cibersegurança. Temas abordados no PL 298/2024 já estavam presentes no PL 2958/2015, arquivado no fim da década passada. Desde então a tecnologia e a frota de veículos conectados aumenta gradualmente. Para que essas tecnologias mantenham a segurança dos dados e gerem os benefícios sem riscos é necessário o fortalecimento da cibersegurança no setor automotivo da concepção do projeto até o fim do ciclo de vida. 

 


 Guilherme Porazza Dias - Local Field Manager de Mobilidade da TÜV Rheinland do Brasil 


TÜV Rheinland
https://tuv.com

 

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