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segunda-feira, 12 de maio de 2025

Tratamento do Parkinson se moderniza com ultrassom focalizado e produodopa no Brasil

Dr. Marcelo Valadares, neurocirurgião funcional e pesquisador da Unicamp, destaca que avanços podem trazer novas perspectivas para os pacientes

A incorporação de novas tecnologias na prática médica e o avanço na compreensão dos mecanismos da doença têm reestruturado o cuidado e manejo clínico da doença de Parkinson. Um dos principais avanços nesse sentido é o ultrassom focalizado, uma terapia que possibilita intervenções menos invasivas e mais adaptadas às necessidades individuais do paciente.

Esta, que é a abordagem terapêutica mais recente para a doença de Parkinson, consiste em um procedimento cirúrgico, porém sem incisões, ou seja, sem cortes. Por meio de um transdutor, ondas sonoras de alta intensidade são direcionadas a uma área milimétrica do cérebro, elevando a temperatura até ‘destruir’ com precisão um núcleo, que nada mais é do que um aglomerado de neurônios relacionado aos tremores.

“É uma alternativa avançada, que exige um mapeamento complexo e teste de procedimento, pois é uma lesão permanente e que pode trazer benefícios por alguns anos”, explica o Dr. Marcelo Valadares, neurocirurgião funcional e pesquisador da Disciplina de Neurocirurgia na Unicamp. 

Chamado de ultrassom focalizado (FUS), o tratamento é indicado especialmente para pacientes com tremor essencial predominante em um dos lados do corpo, mas também pode ser recomendado para alguns casos de doença de Parkinson, nos quais esse sintoma é o mais evidente e igualmente mais intenso em um dos hemisférios. Nesses casos, a técnica tem se mostrado eficaz, proporcionando alívio quase imediato dos tremores, podendo melhorar a qualidade de vida de forma significativa. Além disto, os riscos associados ao procedimento são mínimos.

Para o Dr. Valadares, a redução do tremor — especialmente quando afeta o lado dominante do corpo — proporciona uma melhora substancial na coordenação motora, restaurando a autonomia dos pacientes e elevando sua qualidade de vida. “É uma nova alternativa, ainda destinada a um grupo restrito de pessoas que não desejam ou não apresentam condições clínicas para se submeter a uma cirurgia de neuromodulação”, reflete o médico.

“Um dos principais benefícios do ultrassom focalizado é a redução imediata do tremor, já perceptível logo após o procedimento. A recuperação costuma ser rápida. Estudos indicam uma taxa média de sucesso em torno de 60%, especialmente entre os pacientes que se enquadram nos critérios para a técnica”, complementa.



DBS e produodopa: tratamentos continuam a evoluir

Inovações como a estimulação cerebral profunda (DBS), a administração de produodopa e o ultrassom focalizado aprimoram os métodos já consolidados e abrem caminho para terapias mais precisas e personalizadas. Essas abordagens atuam diretamente sobre um ou mais sintomas motores, minimizam os efeitos da progressão da doença e promovem maior qualidade de vida e autonomia aos pacientes.

Com submissão prevista à Anvisa em 2025, a produodopa é uma nova formulação da levodopa – principal medicamento usado no tratamento da doença de Parkinson – administrada por meio de uma bomba subcutânea, ou seja, aplicada sob a pele, o que dispensa a necessidade de procedimentos mais invasivos como a gastrostomia (abertura no estômago para introdução de sonda).

A infusão contínua ao longo de 24 horas ajuda a manter níveis mais estáveis do medicamento na corrente sanguínea, o que reduz as oscilações motoras comuns nas fases avançadas da doença.

Segundo o neurocirurgião, a produodopa é especialmente promissora por prolongar a chamada “janela terapêutica” – período em que o paciente responde bem à medicação – e por reduzir sintomas como flutuações motoras, em especial por permitir o fornecimento da medicação de forma mais linear. “Desta forma, o tratamento tende a proporcionar mais estabilidade motora e maior independência aos pacientes”, afirma o Dr. Valadares.

Abordagem consolidada no manejo dos tremores da doença de Parkinson, a estimulação cerebral profunda (DBS), tem passado por um processo contínuo de aprimoramento técnico. Com a seleção do paciente ideal, os resultados dessa terapia neuromodulatória aliviam os estágios mais avançados da doença.

A aplicação desse tratamento é especialmente útil para pacientes que sofrem, no Parkinson com flutuações motoras ou intolerâncias aos efeitos colaterais das medicações. “Muitos pacientes passam a maior parte do seu tempo em casa por medo de travar no meio do caminho e por ter o risco de queda aumentado. Reduzir esse sintoma é um modo de reinserir essa pessoa na vida social, aumentando sua qualidade de vida”, analisa o médico.

"Se compararmos todas as terapias avançadas, a DBS ainda é o principal tratamento para a doença de Parkinson em estágio avançado. Embora se trate de um procedimento cirúrgico e envolva o implante de um sistema de estimulação, sua capacidade de controlar diversos sintomas motores como rigidez, tremores e lentificação generalizada, além da possibilidade de ajustes nas configurações ao longo dos anos, permanece imbatível a médio e longo prazo", complementa o especialista.

Segundo o Dr. Valadares, os tratamentos mais recentes são boas alternativas, mas com papéis específicos. "O ultrassom focado é menos invasivo e tem efeito rápido, porém se restringe a pacientes cujo único sintoma debilitante é o tremor, sendo indicado apenas para um dos lados do corpo. Já a produodopa, que deve chegar ao país ainda este ano, apesar de também exigir um dispositivo implantável, é mais simples e pode ser utilizada por pessoas sem condições clínicas de suportar uma cirurgia, permitindo o controle de manifestações motoras além do tremor, embora possa apresentar um custo elevado no médio e longo prazo", finaliza.

A ampliação do acesso a esses tratamentos é fundamental para atender um número maior de pacientes e oferecer novas possibilidades terapêuticas para a recuperação da autonomia e qualidade de vida. “É crescente a expectativa de que o acesso a essas inovações sejam incorporadas de maneira mais ampla na prática clínica. Medidas que acelerem o acesso a esses tratamentos são sempre bem-vindas”, conclui o doutor. 



Dr. Marcelo Valadares - médico neurocirurgião funcional e pesquisador da Disciplina de Neurocirurgia da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). A Neurocirurgia Funcional é a sua principal área de atuação. Seu enfoque de trabalho é voltado às cirurgias de neuromodulação cerebral em distúrbios do movimento, cirurgias menos invasivas de coluna (cirurgia endoscópica da coluna), além de procedimentos que envolvem dor na coluna, dor neurológica cerebral e outros tipos de dor. O especialista também é fundador e diretor do Grupo de Tratamento de Dor de Campinas, que possui uma equipe multidisciplinar formada por médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, psicólogos e educadores físicos. No setor público, recriou a divisão de Neurocirurgia Funcional da Unicamp, dando início à esperada cirurgia DBS (Deep Brain Stimulation – Estimulação Cerebral Profunda) naquela instituição. Estabeleceu linhas de pesquisa e abriu o Ambulatório de Atenção à Dor afiliado à Neurologia.
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Mês das mães pede atenção especial ao drama das mulheres tentantes

Culpa, vergonha e medo são sentimentos comuns entre as mulheres que carregam o sonho não realizado de serem mães


Maio chega com a doce celebração do Dia das Mães, homenagens e um agradecimento especial às mulheres que dedicaram muito da própria vida em prol dos filhos. As mães são as primeiras referências dos filhos, são exemplo diário na construção do caráter e na idealização da vida adulta. E quando o desejo de ser mãe é aflorado, a espera pelo grande encontro parece interminável e nem sempre ela acontece. Algumas mulheres tentam, mas não engravidam, outras tentam muito até conseguirem realizar o grande sonho. São as chamadas tentantes.

Engravidar é natural, mas exige planejamento, especialmente com o avançar da idade. O Brasil não tem informações que quantifiquem o número de mulheres tentantes, mas o IBGE aponta uma tendência cada vez maior de gestações tardias, após os 40 anos. Em 2022, o número era 65,7% maior do que em 2010. A gravidez tardia é um dos fatores que podem contribuir para a infertilidade feminina e impedir que o sonho da maternidade se realize. Ana Carolina Massarotto, ginecologista e obstetra, alerta para a atuação implacável relógio biológico feminino. “Por mais que a medicina tenha avançado e que as mulheres tenham recursos para adiar a gestação, nem sempre a gestação tardia é saudável ou eficaz”, explica a médica.

O fato é que as tentantes são mulheres de idades diversas, perfis e históricos diversos. Não há regra, apenas algo em comum: o desejo de engravidar. A ginecologista e obstetra Isabela Simionatto explica que muitos fatores podem impedir a fecundação, especialmente os hormonais e, por isso, cada caso precisa ser avaliado de forma isolada. “A mulher que tem o desejo de engravidar precisa, em primeiro lugar, conhecer o corpo e as condições dela. Fazer exames, pesquisar, ter informações precisas sobre a própria saúde”. Segundo a médica, essa preparação é fundamental para identificar situações que possam dificultar a gestação e alerta para outro ponto fundamental, que é olhar também para as condições de saúde do parceiro. “Essa tentante não está sozinha, ela tem um parceiro e é muito importante olhar para ele, investigar se ele pode ter alguma questão que impeça a concepção”, orienta Isabela.

A infertilidade ainda é um tema difícil de ser compreendido e tratado pela sociedade e, para as tentantes, a sobrecarga é ainda maior. Culpa, vergonha e medo são sentimentos comuns entre elas e o acolhimento nem sempre existe. Para a ginecologista e obstetra Isabela Simionatto, esse é o fator mais importante ao longo das tentativas. “Como não acolher uma mulher que está tentando realizar o sonho da vida dela e todo mês é surpreendida com a menstruação ou até mesmo com uma perda gestacional inicial? Existe um sofrimento enorme ali. A mulher não tem culpa de não estar conseguindo e não precisa ter medo ou vergonha de não ser aceita ou de ser questionada. Ela só precisa ser acolhida”, explica a ginecologista e obstetra.

Muitas vezes, as tentativas de engravidar se arrastam por anos. Começam com os suplementos necessários e, em alguns casos, evoluem para fertilização in vitro, que é um método extremamente eficiente, mas nem sempre alcança o resultado desejado. O processo é longo, doloroso e muitas vezes solitário e justamente por esse motivo é fundamental que as mulheres tenham não apenas o apoio da família, mas de uma equipe multidisciplinar. “Precisa cuidar da saúde mental dessa tentante. É um processo doloroso e desafiador. Sem esse cuidado, tudo é ainda mais difícil”, pontua Ana Carolina Massarotto. 

 


Ana Carolina Massarotto - Ginecologista e Obstetra - médica graduada pela Faculdade de Ciências Médicas de Santos, CRM 162.975. Ginecologista e Obstetra pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, especializada em Medicina Fetal. É titulada pela Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia.
@ana.massarotto_go


Isabela Simionatto - Ginecologista e Obstetra - médica graduada pela Faculdade de Ciências Médicas de Santos, CRM 162.975. Ginecologista e Obstetra pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, especializada em Medicina Fetal. É titulada pela Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia.
@dra.isabelasimionatto


Substâncias isoladas de esponjas marinhas mostram potencial para tratar malária

Compostos foram isolados da espécie Monanchora arbuscula
imagem: Eduardo Hadju

Em testes pré-clínicos conduzidos na USP de São Carlos, compostos denominados batzelladinas foram eficazes até contra cepas de Plasmodium resistentes aos antimaláricos convencionais

 

 Pesquisadores brasileiros descobriram compostos químicos presentes em esponjas marinhas com potencial de eliminar o parasita causador da malária – até mesmo as cepas resistentes a antimaláricos convencionais. Os resultados da pesquisa foram divulgados na revista ACS Infectious Diseases.

Causada por protozoários e transmitida por picadas de mosquitos do gênero Anopheles, a malária é uma das doenças infecciosas que mais matam no mundo. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), somente em 2023 foram cerca de 600 mil vítimas, sendo 75% delas crianças menores de 5 anos.

Os dois compostos (batzelladinas F e L) recém-descobertos apresentaram ação rápida contra os parasitas causadores da malária – tanto o Plasmodium falciparum, mais letal e predominante no continente africano, quanto contra o Plasmodium vivax, principal agente causador de malária na América do Sul. A eficácia das substâncias foi comprovada por meio de testes realizados em amostras de sangue de pacientes e em camundongos infectados.

“São resultados robustos, que nos trazem esperança de um novo tratamento. Embora os compostos não tenham eliminado por completo os protozoários, eles podem servir de inspiração para a síntese de novas estruturas químicas com ação potencializada”, avalia Rafael Guido, professor do Instituto de Física de São Carlos da Universidade de São Paulo (IFSC-USP) e coautor do estudo.

O trabalho envolveu equipe multidisciplinar oriunda da USP, do Museu Nacional, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e do Centro de Pesquisa de Medicina Tropical de Roraima. Contou com apoio da FAPESP por meio de dez projetos (13/07600-324/04805-815/01017-019/17721-922/01063-521/03977-122/01066-423/09209-122/15947-220/01229-5), além de financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

Para Roberto Berlinck, professor do Instituto de Química de São Carlos (IQSC-USP) que também assina o paper, o achado evidencia a importância da biodiversidade brasileira, que está sob risco.

“Não costumamos relacionar o impacto negativo das mudanças climáticas à descoberta de novos fármacos ou, mais especificamente, à cura de doenças. As esponjas Monanchora arbuscula vivem em um ambiente que está ameaçado com o aquecimento dos oceanos. Portanto, um produto natural que estamos apenas iniciando a investigação pode desaparecer”, alerta o pesquisador.

Da mesma forma, ressalta Berlinck, as mudanças climáticas têm favorecido o aumento de casos de malária no mundo.


Metodologia

Para investigar os mecanismos de ação das batzelladinas, o grupo de pesquisadores isolou-as dos demais compostos da esponja marinha e caracterizou sua estrutura química. Esse trabalho foi realizado por Anderson L. Noronha, do IQSC-USP.

Os pesquisadores notaram que as batzelladinas agem de modo rápido e eficaz já nos parasitas jovens, inibindo sua capacidade de multiplicação dentro das hemácias do hospedeiro. De acordo com Guido, essa ação rápida é determinante para que os parasitas tenham menor chance de desenvolver resistência a um tratamento.

“Observamos que o parasita morre assim que entra em contato com os compostos químicos. Isso é importante, pois moléculas que matam o parasita de forma lenta permitem que ele consiga se adaptar e gere resistência”, explica Giovana Rossi Mendes, do IFSC-USP, responsável pela realização dos testes com as amostras de sangue e com os camundongos.

Além de combater a malária, as substâncias retiradas de esponjas marinhas também têm apresentado atividade antiparasitária contra outras doenças, como leishmaniose e Chagas.

“Em uma primeira olhada, pode parecer inusitado que uma substância com potencial de cura para a malária, uma doença relacionada a florestas tropicais, esteja presente em um microrganismo marinho, que não precisaria se proteger desse patógeno. Mas a aparente desconexão, na verdade, é algo corriqueiro em estudos de prospecção de produtos naturais com atividade biológica”, conta Guido.

Essas substâncias são o que os cientistas chamam de metabólitos secundários, compostos orgânicos que exercem funções adaptativas para os organismos que os produzem ou os acumulam como defesa contra inimigos, atração entre sexos, repulsão de predadores ou ocupação de espaço físico, entre outras.

“Assim como os agentes causadores da malária, as esponjas marinhas são organismos muito antigos, que foram acumulando esses metabólitos secundários ao longo de anos de evolução para garantir seu sucesso no ambiente em que se encontram, os oceanos”, explica Guido.

O artigo Marine Guanidine Alkaloids Inhibit Malaria Parasites Development in In Vitro, In Vivo and Ex Vivo Assays pode ser lido em: https://pubs.acs.org/doi/10.1021/acsinfecdis.4c00714.
 



Maria Fernanda Ziegler
Agência FAPESP
https://agencia.fapesp.br/substancias-isoladas-de-esponjas-marinhas-mostram-potencial-para-tratar-malaria/54692


Alta de casos de VSR acende alerta no Brasil e reforça a importância da prevenção

Infecções por Vírus Sincicial Respiratório crescem além do esperado em 2025 e atingem também adultos; infectologista pediátrica orienta sobre cuidados e vacinação

 

O Brasil enfrenta um aumento significativo nos casos de infecção por Vírus Sincicial Respiratório (VSR) neste ano, conforme alertam autoridades de saúde. Segundo levantamento do Ministério da Saúde, o país apresenta uma positividade de 35,1% para VSR, índice considerado elevado e acima do padrão histórico, acendendo um sinal de alerta para a população, especialmente os grupos vulneráveis, como crianças pequenas e idosos.

A Dra. Carolina Brites, infectologista pediátrica, destaca que o vírus sempre existiu, mas fatores recentes vêm contribuindo para a intensificação dos casos. “Essa questão de mudanças climáticas, pandemia e até a desurbanização fazem com que o vírus sinta essas mudanças. Antes, a sazonalidade era de março a julho, mas agora ele consegue atingir outros meses além daquilo que é esperado”, afirma.

Embora historicamente o VSR acometa principalmente crianças menores de dois anos, o cenário atual revela que idosos também estão sendo significativamente afetados. “O vírus prefere pacientes com menor imunidade, como crianças pequenas e adultos acima de 60 anos. Comorbidades, doenças crônicas e a prematuridade aumentam o risco de quadros graves, como insuficiência respiratória”, explica a especialista.

Apesar do aumento expressivo de casos em 2025, a Dra. Carolina acredita que o cenário não representa necessariamente uma nova fase do vírus, mas sim uma consequência da negligência com medidas preventivas. “Se continuarmos a negligenciar os fatores de prevenção, a tendência é que, a cada ano, vejamos mais quadros como esses. Precisamos agir preventivamente”, alerta.

Entre as orientações para minimizar o risco de infecção, especialmente em ambientes públicos e fechados, a médica reforça cuidados simples, mas eficazes. “Evitar aglomerações, optar por locais bem ventilados, manter uma boa hidratação, alimentação saudável e higienização constante das mãos são atitudes essenciais. Além disso, é fundamental manter a carteira vacinal em dia, mesmo que não seja para o VSR, pois isso reduz as chances de infecção por outros vírus e fortalece o sistema imunológico.”

A boa notícia é que já existem vacinas contra o VSR disponíveis na rede privada. “Hoje, há vacinas para gestantes a partir de 32 semanas, crianças até um ano de idade e pessoas acima de 60 anos. Apesar de ainda não estar na rede pública, é possível se imunizar em clínicas particulares”, informa a Dra. Carolina.

A infectologista reforça que a prevenção deve ser constante e não apenas reativa. “Não podemos esperar que os surtos de VSR, COVID ou Influenza apareçam para lembrarmos da prevenção. A vacinação, a alimentação saudável e o estímulo ao desenvolvimento infantil são fundamentais o ano todo.”

A recente alta de casos reforça a necessidade de atenção contínua e ações preventivas coordenadas entre famílias, escolas, instituições de saúde e poder público. O VSR é altamente contagioso e pode levar a complicações respiratórias sérias, especialmente entre os mais vulneráveis.

Em um momento em que os casos continuam em ascensão, a Dra. Carolina deixa um recado importante: “A gente precisa fazer agora para não sofrer depois. A prevenção é, e sempre será, o melhor remédio.” 

 


Carolina Brites - CRM-SP: 115624 | RQE: 122965 - concluiu sua graduação em Medicina na Universidade Metropolitana de Santos (UNIMES) em 2004. Especializou-se em Pediatria pela Santa Casa de Santos entre 2005 e 2007, onde obteve o Título de Pediatria conferido pela Sociedade Brasileira de Pediatria. Posteriormente, especializou-se em Infectologia infantil pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e completou uma pós-graduação em Neonatologia pelo IBCMED em 2020. Em 2021, concluiu o mestrado em Ciências Interdisciplinares em Saúde pela UNIFESP. Atualmente, é professora de Pediatria na UNAERP em Guarujá e na Universidade São Judas em Cubatão. Trabalha em serviço público de saúde na CCDI – SAE Santos e no Hospital Regional de Itanhaém. Além disso, mantém um consultório particular e assiste em sala de parto na Santa Casa de Misericórdia de Santos. Ministra aulas nas instituições de ensino onde é professora.


Quer engravidar? Cuidado com as dicas do TikTok

Especialista da Organon esclarece 10 mitos que viralizaram nas redes sobre saúde reprodutiva 
 

Com o aumento do interesse por saúde reprodutiva nas redes sociais, muitas mulheres buscam dicas alternativas para melhorar suas chances de engravidar. De xarope de inhame a sucos “da fertilidade”, os conselhos se espalham rapidamente, mesmo sem respaldo científico. 

Para esclarecer o que é mito e o que realmente merece atenção, a gerente médica da Organon, Viviane Santana, especialista em reprodução humana, comenta 10 práticas populares no TikTok, separando fatos do que é desinformação. 

 
Confira: 

 

1.    Tomar xarope de inhame todos os dias no período fértil 

Mito: Afirmam que estimula a ovulação 

O inhame pode ser um alimento benéfico para a saúde, mas, até o momento, não existem evidências científicas que comprovem relação direta com a fertilidade. Esse mito surgiu pois o inhame é fonte de estrogênio para a produção de medicamentos pela indústria farmacêutica. No entanto, não é possível obter esse hormônio a partir do seu chá para que tenha efeito terapêutico.  

 

2.    Comer abacaxi em jejum após a ovulação 

Mito: Dizem que a bromelina ajuda na implantação do embrião 

O abacaxi contém vitamina C e bromelina, que podem ter benefícios para a saúde. A vitamina C é um antioxidante que pode ajudar a proteger os óvulos e o corpo em geral dos danos causados pelos radicais livres. Já a bromelina, possui propriedades anti-inflamatórias e anticoagulantes. No entanto, não há nenhum estudo científico que comprove que a fruta possa ajudar na implantação do embrião ou qualquer relação direta com a fertilidade. 

 

3.    Usar óleo de prímula desde o primeiro dia de menstruação até a ovulação 

 Mito: Muito compartilhado para melhorar o muco cervical 

O óleo de prímula é fonte de ácidos graxos essenciais e ácido linoleico, que possuem propriedades anti-inflamatórias. Sabe-se do seu uso em tratamentos de inflamação crônica, mas a maioria dos testes até o momento tem falhas importantes e não podem ser considerados como definitivos. Também não há comprovação científica dos benefícios do óleo de prímula em pacientes tentando engravidar, assim como seu uso para queixas de TPM ou menopausa. Mesmo com potencial anti-inflamatório, não há evidências da sua atuação no sistema reprodutor feminino. Importante se atentar também à falta de controle de qualidade dos óleos disponíveis para o consumo no mercado. 

 

4.    Consumir maca peruana diariamente 

 Mito: Dizem equilibrar hormônios 

A maca peruana é fonte de carboidratos, proteínas, fibras, vitaminas e minerais, além de aminoácidos essenciais, de forma que suas propriedades podem ajudar na saúde em geral. Em relação a fertilidade, existem poucas evidências mostrando seu benefício no aumento da mobilidade, qualidade e quantidade dos espermatozoides. Embora os estudos sobre os benefícios da maca peruana sejam promissores, as evidências ainda são limitadas e inconclusivas. A Anvisa inclusive alerta que qualquer alegação terapêutica é completamente irregular, visto que não há processo de avaliação de segurança e eficácia do produto na forma de medicamento. 

 

5.    Ter relações sexuais todos os dias aumenta as chances de engravidar 

Mito: Muitos falam que quanto mais praticar, melhor 

A mulher só pode engravidar durante o período fértil, que ocorre, em média, 14 dias após o primeiro dia da menstruação e dura em média 6 ou 7 dias por mês. Manter relações todos os dias, fora do período fértil e apenas com intuito de alcançar uma gravidez, não aumenta as chances de sucesso, além de poder se tornar frustrante, gerando um desgaste desnecessário para o casal. Além disso, a reposição do líquido seminal leva de 72 a 96 horas. Dessa forma, a ejaculação frequente pode reduzir a concentração e a qualidade dos espermatozoides, comprometendo a capacidade de fecundar o óvulo. Sendo assim, é mais eficaz ter relações sexuais em dias alternados durante o período fértil (entre 3 e 4 relações no período, com 1 a 3 dias de intervalo entre elas), garantindo a qualidade dos espermatozoides e aumentando as chances de concepção. 

 

6.    Evitar tomar café, glúten e leite durante o ciclo menstrual 

Mito: TikTokers dizem que isso ajuda a desinflamar o corpo 

Diversos alimentos podem ser associados a diminuição do bem-estar durante o período menstrual. Açúcar refinado, óleos de cozinha comuns, gorduras trans, laticínios, carne vermelha e processada, grãos refinados e álcool são altamente inflamatórios e podem provocar aumento da liberação de prostaglandinas. Essa alta liberação reduz o fluxo sanguíneo para o útero, o que resulta nas cólicas menstruais. Alimentos que fermentam, como leguminosas e laticínios, feijão, grão-de-bico, leite e seus derivados podem aumentar a retenção de líquidos e piorar os sintomas de inchaço e barriga dilatada. A cafeína estreita os vasos sanguíneos e desidrata o corpo, o que pode gerar dores de cabeça e aumentar o nervosismo nesse período. No entanto, não há consenso sobre a necessidade de evitar estes alimentos em todas as mulheres. 

 

7.    Ficar de pernas para o alto por 15 minutos após a relação 

Mito: Acreditam que isso ajuda o esperma a chegar ao útero 

Essa crença popular vem da ideia de que ficar com as pernas para cima facilitaria o movimento do espermatozoide em direção as trompas, local onde ocorre a fertilização. No entanto, a ideia não passa de um mito, visto que não existe nenhuma posição que possa interferir ou favorecer na movimentação dos espermatozoides dentro do sistema reprodutor feminino.  

 

8.    Tomar água com limão e vinagre de maçã em jejum 

Mito: Vendem como alcalinizante que regula o corpo 

O vinagre de maçã costuma ser associado a dietas para emagrecimento. Devido aos componentes presentes em sua composição, como ácido acético e antioxidantes, o vinagre de maçã pode favorecer uma boa digestão, melhor absorção de nutrientes, além de auxiliar no controle glicêmico. No entanto, não existem pesquisas científicas comprovando a eficácia de tomar líquidos ácidos para acelerar a perda de peso. Da mesma forma, não existe nenhum estudo mostrando o vinagre de maçã como aliado na melhora da fertilidade.  

 

9.    Tomar suco de beterraba com gengibre e laranja no período fértil 

Mito: Vendido como “suco da fertilidade” 

Existem diferentes receitas de “sucos da fertilidade” ou “sucos da implantação”. Frutas como laranja, limão e abacaxi são excelentes fontes de vitamina C, um potente antioxidante que pode ajudar a proteger o organismo dos danos causados pelos radicais livres e facilitar a absorção de ferro. Já a beterraba e a melancia fornecem óxido nítrico, que pode ajudar na vascularização. Nesse sentido, existem poucos estudos mostrando que a beterraba poderia ser benéfica para aumentar a receptividade do útero ao embrião, e com isso melhorar as chances de gravidez em um tratamento de reprodução assistida.  No entanto, essas são apenas evidências iniciais e muitos outros estudos precisam ser feitos para avaliar o real efeito de diferentes frutas na fertilidade. Independente da receita, uma dieta rica em nutrientes é importante para o bom funcionamento do organismo em geral, e fortemente recomendada para pessoas tentando engravidar.  

 

10.   Evitar banho quente ou sauna durante a ovulação 

Mito: Dizem que o calor prejudica a implantação 

Estudos apontam diversos mecanismos pelos quais o aumento das temperaturas pode comprometer a fertilidade e os resultados reprodutivos, inclusive o aumento do calor ocasionado por mudanças climáticas. No caso dos homens, a exposição prolongada ao calor pode reduzir a qualidade do esperma, com efeitos na contagem, motilidade e morfologia dos espermatozoides. Isso ocorre porque os testículos são muito sensíveis ao calor, e um aumento de temperatura pode trazer grandes impactos na produção de espermatozoides. Nas mulheres, temperaturas elevadas podem interferir na ovulação, no desenvolvimento embrionário e aumentar o risco de complicações na gestação. Além disso, há indícios de que o aumento excessivo da temperatura corporal da mãe possa prejudicar o desenvolvimento do feto. No entanto, não existem estudos avaliando diretamente o impacto de saunas e banhos quentes na fertilidade de homens e mulheres. 

  

Para finalizar, a especialista lembra que mais importante do que seguir modismos das redes sociais é adotar hábitos saudáveis, como alimentação equilibrada, prática regular de exercícios físicos e cuidado com o bem-estar físico e emocional — fatores essenciais para a saúde reprodutiva. Em caso de dificuldades para engravidar, é fundamental procurar um médico especialista. “Práticas disseminadas por pessoas sem formação técnica, além de ineficazes, podem representar riscos à saúde”, conclui. 

 

Caravana Salvando Vidas terá nova edição no dia 24 de maio

Ação busca aumentar estoques de sangue e mobilizar a comunidade para doação


Com o objetivo de enfrentar a baixa nos estoques de sangue, a Caravana Salvando Vidas, em parceria com o Hospital Sapiranga e a Prefeitura de Sapiranga, promoverá mais uma campanha de doação de sangue no dia 24 de maio. A ação, que tem como ponto de partida a frente do hospital, transportará os doadores até a capital gaúcha no Hemocentro, onde realizarão as doações, retornando ao local de origem.

O projeto é uma iniciativa importante para garantir a continuidade de tratamentos médicos e cirurgias que dependem de transfusões. Para participar, os interessados devem realizar o agendamento prévio pelo WhatsApp (51) 99976-5701.


Marcelo Matusiak

 

5 dicas para idosos se protegerem da gripe

  

Cerca de 21% da população acima de 60 anos que precisa de internação por alguma Síndrome Respiratória Aguda Grave evoluem para óbito, segundo a Vigilância Epidemiológica

 

Com a chegada do frio, a vacinação contra a gripe é um recurso indispensável para a proteção da saúde, especialmente para os grupos de risco, como os idosos. De acordo o Sistema de Informação da Vigilância Epidemiológica da Gripe (Sivep-Gripe), 21% dos brasileiros com mais de 60 anos que foram hospitalizados pela Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) morreram em decorrência da doença em 2024.

A SRAG é causada pelo vírus Influenza, que pode desencadear complicações graves e é prevenível pela vacinação. Mesmo para aqueles fora desses grupos, tomar a vacina é a forma mais efetiva de proteger não apenas a si mesmo, mas também as pessoas ao seu redor.

"O Influenza pode evoluir para quadros graves como pneumonia e até óbito, portanto, a vacina diminui drasticamente as chances dessas complicações. Ao vacinar um grande número de pessoas, a transmissão do vírus na comunidade é dificultada, protegendo também aqueles que não podem ser vacinados. Essa é uma ação importante para controlar epidemias e proteger a saúde pública", explica Igor Marinho, infectologista na Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo.

O infectologista ainda ressalta que a vacina é atualizada anualmente para incluir as cepas virais com maior probabilidade de circular, garantindo uma proteção mais eficaz. Os sintomas causados pelo vírus Influenza incluem febre acima de 38°C, que pode durar de 2 a 5 dias; tosse, que frequentemente começa seca e pode se transformar em produtiva com o tempo; dor na garganta, com irritação e dificuldade para engolir; dores musculares e articulares; dor de cabeça; cansaço e fadiga prolongada; e calafrios, caracterizados por uma sensação de frio acompanhada de tremores.

Outros sintomas que podem ocorrer incluem coriza e congestão nasal, espirros, rouquidão, olhos avermelhados e lacrimejantes, além de náuseas, vômitos e diarreia, mais comuns em crianças, segundo Marinho.

"É importante notar que os sintomas da gripe podem ser semelhantes aos de outras infecções respiratórias, como o resfriado comum e a COVID-19. No entanto, a gripe tende a ter um início mais abrupto e sintomas mais intensos, especialmente a febre e as dores no corpo", explica ele.


Cuidados com a saúde durante o frio

O frio pode ser uma época que exige maior atenção à saúde, especialmente porque as temperaturas baixas e o aumento da umidade favorecem a proliferação de vírus. Para se proteger e cuidar do bem-estar, o infectologista lista alguns hábitos simples podem fazer toda a diferença:

  1. Mantenha-se aquecido

Use roupas adequadas, especialmente para proteger áreas mais sensíveis como pescoço, cabeça e extremidades (mãos e pés). Evitar exposição prolongada ao frio ajuda a prevenir doenças respiratórias e possíveis complicações.

  1. Priorize uma alimentação equilibrada

Invista em alimentos ricos em vitaminas e minerais que reforçam a imunidade. Sopas ou caldos preparados com verduras e legumes são ótimos aliados para manter o organismo nutrido e aquecido.

  1. Hidrate-se, mesmo no frio

Mesmo quando sentimos menos sede, a hidratação continua sendo essencial. Consuma água regularmente ao longo do dia e complemente com chás e sucos naturais que, além de reconfortantes, podem auxiliar no combate a inflamações.

  1. Tenha atenção ao ambiente

Mantenha os cômodos bem ventilados, evitando o acúmulo de umidade e mofo. Além disso, redobre a atenção ao frequentar locais muito aglomerados, reduzindo o contato com vírus e outras doenças respiratórias.

  1. Vacine-se!

Uma das formas mais efetivas de prevenir infecções, como a gripe, é a vacinação. Com sintomas muitas vezes semelhantes ao resfriado ou à COVID-19, a gripe deve ser tratada com seriedade. A imunização promove proteção contra formas graves e contribui para um inverno mais tranquilo.

"Além destas, outras medidas são essenciais para diminuir o risco de infecções respiratórias, especialmente durante o inverno. Manter uma boa higiene das mãos e evitar contato próximo com pessoas adoecidas  são práticas que complementam a imunização", finaliza Marinho. 



Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo


Neurologista alerta para casos de dor de cabeça em adolescentes

Neste mês, em 19/5, é o Dia da Cefaleia, uma iniciativa da Sociedade Brasileira de Cefaleia (SBCE). A Unisa oferece atendimento neurológico gratuito, a partir do seu hospital-escola 

 

Um estudo de base populacional, publicado na Revista Brasileira de Epidemiologia intitulado Prevalência e fatores associados de cefaleia entre adolescentes: resultados de um estudo de base populacional, revelou a prevalência de cefaleia entre adolescentes na cidade de São Paulo. Segundo a pesquisa, 38,2% dos jovens sofrem com dores de cabeça. Entre as principais características da prevalência estão: sexo feminino, baixa escolaridade, transtornos mentais comuns (TMC), problemas de visão, dor nas costas e sinusite. 

  

O médico neurologista e professor do curso de Medicina da Universidade Santo Amaro (Unisa), Rodrigo Rizek Schultz, destaca a relevância de abordar essa questão de saúde pública. "A dor de cabeça é uma das queixas mais comuns entre crianças e adolescentes. É fundamental que pais e educadores estejam atentos aos sinais e busquem orientação médica quando necessário". 

 

A Unisa oferece atendimento neurológico gratuito, sempre às segundas-feiras, no hospital-escola da Instituição. As consultas com o neurologista devem ser agendadas via Central de Agendamento, que funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, pelo (11) 2174-3340 e pelo e-mail centraldeagendamento@unisa.br.  

  

Ainda segundo o estudo, avanços na compreensão e em novos tratamentos para cefaleias primárias em crianças e adolescentes, assim como a influência de aspectos genéticos, ambientais e psicossociais. Sobre as opções de tratamento, a pesquisa destaca tanto as medicamentosas quanto não medicamentosas. Exemplos: 

  

Terapia com toxina botulínica: eficaz para pacientes com enxaqueca crônica, a terapia tem mostrado reflexos na redução da frequência e gravidade dos episódios de dor de cabeça. 

 

Neuromodulação: técnicas de neuromodulação estão sendo usadas para tratar cefaleias, oferecendo uma nova abordagem. 

 

Abordagem Multimodal: combinação de várias terapias, incluindo fisioterapia e acupuntura, para tratar não apenas a dor, mas também sintomas relacionados, como tensão muscular e problemas de sono. 

 

Para mais informações sobre o tema e entrevistas, o neurologista Rodrigo Rizek Schultz está à disposição. Schultz é médico neurologista e professor titular da Unisa, com graduação em Medicina pela Faculdade de Medicina da Unisa e mestrado e doutorado em Neurologia pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).  

 


Universidade Santo Amaro
Unisa


Você sabia que sua saúde bucal pode aumentar o risco de doenças graves?

Os cuidados essenciais para uma boa saúde bucal 
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Conheça os cuidados essenciais para uma boa saúde bucal

 

Cuidar da boca vai muito além da estética e do bem-estar: problemas bucais não tratados podem impactar a saúde geral e aumentar o risco de doenças graves, não só na região da boca, como também a endocardite bacteriana e doenças cardiovasculares. Você sabia disso?

“A saúde bucal desempenha um papel crucial na qualidade de vida das pessoas. Além de evitar cáries, mau hálito e doenças gengivais, manter a higiene bucal em dia é essencial para prevenir infecções que podem se espalhar pelo organismo”, explica o Dr. Paulo Zahr, cirurgião-dentista e fundador presidente da OdontoCompany, maior rede de clínicas odontológicas do Brasil.


A conexão entre saúde bucal e doenças sistêmicas

Estudos mostram que bactérias presentes na boca podem entrar na corrente sanguínea e contribuir para doenças como diabetes, problemas respiratórios e, principalmente, doenças cardíacas. A endocardite bacteriana, por exemplo, ocorre quando microrganismos presentes em infecções bucais chegam ao coração, causando inflamação no endocárdio, o revestimento interno do órgão.

“O descuido com a saúde bucal pode ter consequências sérias. Pacientes com doenças gengivais e cáries não tratadas têm maior risco de desenvolver complicações cardiovasculares”, alerta o Dr. Paulo Zahr.

Além disso, uma boa saúde bucal é essencial para um sorriso bonito, já que bons hábitos deixam os dentes livres das cáries, do mau hálito e dos problemas nas gengivas.


Os cuidados essenciais para uma boa saúde bucal

Para garantir que sua saúde esteja sempre em dia, vale se atentar para manter bons hábitos de higiene bucal. Algumas dicas incluem:

  • Escovar os dentes pelo menos três vezes ao dia, de preferência após as refeições;
  • Usar fio dental diariamente para remover partículas de comida e placa bacteriana entre os dentes;
  • Evitar o consumo excessivo de açúcar e alimentos ultraprocessados;
  • Manter visitas regulares ao dentista para check-ups e limpezas profissionais;
  • Hidratar-se bem, estimulando a produção de saliva, que ajuda na proteção contra bactérias;
  • Evitar bebidas alcoólicas e fumar, pois o tabaco e o álcool podem prejudicar a saúde bucal e aumentar o risco de câncer oral.

Problemas na boca, como gengivite, cáries e mau hálito, podem afetar não só o seu sorriso, mas também a sua saúde como um todo. Cuidar bem da boca é essencial para prevenir doenças e garantir bem-estar todos os dias.

 


Paulo Zahr - formado em Odontologia na cidade de Presidente Prudente em 1989. Em 1990 abriu seu primeiro consultório odontológico em São José do Rio Preto, onde começou sua jornada empreendedora.Na época, Zahr percebeu que muitos dos pacientes não podiam custear tratamentos mais caros e foi assim que ele começou a oferecer a opção de crédito, parcelando os tratamentos mais custosos em até 30 vezes sem juros, nascendo assim a OdontoCompany. Mais de cinco mil aparelhos ortodônticos foram financiados no primeiro ano e aos poucos seu negócio foi crescendo. Zahr passou de dentista a empresário multimilionário na área de saúde ao longo de quase 30 anos.


12 de maio - Conscientização Mundial sobre a Fibromialgia

Dor generalizada é o principal sintoma e pode estar presente em diversas partes do corpo. Síndrome afeta 2% a 3% da população brasileira, principalmente as mulheres.

Fibromialgia: sintomas, diagnóstico e tratamentos


A fibromialgia é uma síndrome que se caracteriza por dores generalizadas, principalmente na musculatura, que podem durar mais de três meses, sem apresentar, no entanto, evidências de inflamação nos locais doloridos. Junto com a dor, outros sintomas como fadiga, distúrbios no sono, alterações de memória e atenção, ansiedade, depressão e alterações intestinais podem acometer os pacientes.

A doença é relativamente comum e, segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), afeta cerca de 2% a 3% da população brasileira, com uma maior incidência em mulheres do que em homens, sobretudo na faixa etária entre 30 e 50 anos de idade.

“Há uma alteração no sistema nervoso central do paciente que faz com que ele passe a ter uma percepção de dor amplificada. Situações que não causariam dor normalmente a outras pessoas, causam muita e intensa dor em pacientes com fibromialgia”, explica o reumatologista José Eduardo Martinez, presidente da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR).

De acordo com ele, a fibromialgia também pode aparecer em pacientes que apresentam outras doenças reumáticas, como artrite reumatoide e lúpus eritematoso sistêmico, o que, muitas vezes, dificulta uma completa melhora dos pacientes.

O reumatologista explica que o diagnóstico da fibromialgia é clínico, com o médico analisando criteriosamente o histórico do paciente, com exames físicos e outros que auxiliam para afastar condições que podem causar sintomas semelhantes. “Algumas pessoas têm uma predisposição genética para desenvolver a fibromialgia, mas este não é um fator determinante. O problema pode ser consequência de infecções, por exemplo, ou de questões emocionais, como estresse, traumas e depressão”, ressalta Martinez.

O entendimento da doença pelo paciente sempre é importante, para que possa compreender as várias situações que terá que enfrentar. “No tratamento da fibromialgia, os exercícios físicos elevam o nível de serotonina, melhoram o sono e melhoram a depressão. Já os medicamentos são usados com bons resultados. Em algumas pessoas, episódios de dor intensa desencadeiam uma alteração permanente no sistema nervoso central”, completa o reumatologista Rafael Navarrete, coordenador da Comissão de Dor da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR).   


A fibromialgia é uma doença autoimune?

Não. A Fibromialgia não é uma doença autoimune. Autoimunidade é um termo utilizado para designar um grupo de doenças em que o sistema imunológico (de defesa) ataca o próprio corpo. Quer dizer, o sistema imunológico, responsável por defender o organismo contra bactérias e vírus invasores passa a acreditar que as proteínas das células de diferentes partes do corpo são invasoras e envia células de defesa para atacá-las e isolá-las, destruindo estruturas e causando diferentes sintomas nos pacientes. Dentre a doenças autoimunes estão o Lúpus Eritematoso Sistêmico, a Artrite Reumatoide, a Esclerose Múltipla, o Diabetes tipo 1 e outras.

Quais são os sintomas?

  • Dor generalizada é o principal sintoma e pode estar presente em diversos pontos do corpo;
  • Fadiga como falta de energia e cansaço excessivos, mesmo após dormir muitas horas;
  • Distúrbio do sono reparador ou profundo;
  • Sensação de formigamento em mãos e pés;
  • Dificuldades cognitivas, como problemas para se concentrar por longos períodos de tempo;
  • Ansiedade e ou depressão podem estar associados.


É fácil fazer diagnóstico da fibromialgia?

Não é um diagnóstico simples de fazer, pois as dores crônicas e generalizadas fazem parte de uma série de doenças. São queixas comuns em ambulatório/consultório médico. Quando existem estas queixas e os sintomas não respondem à medicação mais comum, como analgésico e anti-inflamatório, é muito importante acompanhamento bem próximo deste paciente, com exames laboratoriais, exames de imagem, algumas vezes, biopsias, para se fazer um diagnóstico preciso.


É facil tratar a fibromialgia?

A fibromialgia pode ser bem controlada. A resposta ao tratamento dependerá da intensidade da doença no paciente. Vários fatores influenciam a boa resposta terapêutica como a compressão da doença pelo paciente, os fatores genéticos, o comprometimento psicológico, insatisfação no trabalho e familiar.


Qual o tratamento da fibromialgia?

O tratamento é individualizado e irá depender dos sintomas apresentados por cada paciente e do momento de vida do paciente. 

 

Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR)

 

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