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terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Alimentação e imunidade: o que realmente funciona segundo a ciência

Nutricionista esclarece mitos, aponta nutrientes essenciais e alerta para erros comuns que comprometem a saúde imunológica  

 

Em meio à busca por “alimentos milagrosos”, vitaminas em megadoses e receitas caseiras que prometem blindar o organismo contra gripes e doenças, a ciência segue firme em um consenso: não existe atalho para fortalecer a imunidade. O que existe, e funciona, é um conjunto de hábitos, liderado por um padrão alimentar equilibrado. 

A nutricionista Denise Alves Perez, professora do curso de Nutrição do UniBH – integrante do maior e mais inovador ecossistema de qualidade do Brasil, o Ecossistema Ânima - explica que para a ciência, “fortalecer” o sistema imunológico significa permitir que ele funcione plenamente.

Para isso, as células de defesa dependem de nutrientes básicos que vêm da alimentação: vitaminas, minerais, energia, aminoácidos e proteínas.
“Quanto mais saudável for o padrão alimentar, mais fornecemos às células do sistema imune as condições necessárias para desempenharem seu papel”. Frutas, verduras, feijão, arroz e leguminosas são a base para um sistema imunológico em perfeitas condições, destaca a especialista. 

Entre os nutrientes com eficácia comprovada na manutenção da imunidade, Perez destaca as vitaminas A, D, C e E, zinco, selênio, ferro e proteínas. Elas estão presentes em alimentos amplamente acessíveis, como frutas cítricas, carnes, ovos, feijão, castanhas, leite e derivados. 

Quanto ao uso da vitamina C, ao contrário do que se propaga, Denise afirma que ela não previne resfriados. Estudos mostram que suplementá-la não reduz a incidência da doença, nem mesmo em atletas, grupo que costuma ter maior estresse físico. “A vitamina C deve ser consumida diariamente pelos alimentos, mas suplementar em altas doses não traz benefícios e pode até ser prejudicial”, alerta. 

Já os alimentos como gengibre, cúrcuma e alho, vistos por muitos como superalimentos, embora saudáveis e com compostos anti-inflamatórios naturais, os flavonoides, não necessariamente aumentam a imunidade. Suas versões em cápsulas também não oferecem esse benefício clínico. “São ótimos condimentos do dia a dia, mas não há evidência de que suplementá-los melhore o sistema imune”, reforça a nutricionista.



Ultraprocessados versus imunidade

A professora do UniBH também alerta que o consumo frequente de ultraprocessados, como biscoitos, embutidos, refrigerantes e doces, é um dos maiores inimigos da imunidade. Isso porque esses produtos possuem alta densidade calórica, chegando a ter até 10 vezes mais calorias por grama do que alimentos naturais, além do excesso de açúcares, gorduras saturadas e aditivos. “O alto consumo está associado a doenças crônicas, cardiovasculares e até a alguns tipos de câncer. Tudo isso afeta diretamente a resposta imunológica.” 

Outra crença comum sobre o tema, segundo ela, é a de que todos precisam suplementar alguma vitamina. “Se a alimentação é equilibrada e o estado geral de saúde é bom, raramente há necessidade de suplementação. Ela é indicada para casos específicos: atletas, idosos, pessoas com doenças crônicas e situações diagnosticadas via exames.” 

Por fim, Denise explica que cada grupo possui necessidades específicas no que se refere ao fortalecimento do sistema imune por meio da alimentação: para as crianças, o foco será no consumo de calorias adequadas, proteínas e boa oferta de frutas e verduras. Idosos devem ter atenção especial às proteínas e vitamina D e B12. Já pessoas com doenças crônicas precisam ser acompanhadas de forma individualizada, com dieta ajustada à condição de saúde.

 

Outras rotinas tão importantes quanto comer bem 

Denise Perez também destaca que, para além da alimentação, outros hábitos são igualmente ou até mais importantes na manutenção da imunidade: sono adequado, vacinação em dia, redução do consumo de álcool, não fumar, controle do estresse e atividade física regular.

“Um indivíduo sedentário já é considerado, em certa medida, alguém com risco aumentado para doenças. O corpo precisa se mover”.

 

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