Acúmulo de biofilme, mau hálito e inflamações bucais estão ligados a problemas como diabetes e doenças cardíacas
Periodontista comenta os sinais de
alerta e os avanços mais recentes nos cuidados preventivos
Você escova os dentes todos os dias? Usa fio dental? Mesmo assim, sente que algo está errado, como mau hálito, gengiva sensível ou sangramento? O que muita gente não sabe é que a falta de higiene bucal profissional pode impactar não só a saúde da boca, mas de todo o corpo.
Para explicar como o acúmulo de bactérias nos dentes pode desencadear
doenças sistêmicas e apresentar os protocolos mais modernos usados em
consultórios atualmente, ouvimos a periodontista Maria Fernanda Kolbe,
doutoranda, mestre e especialista em periodontia e sócia da Clínica Sorr, em
São Paulo.
O que é o biofilme dentário e por que ele é tão perigoso?
“O biofilme dentário, antigamente chamado de placa bacteriana, se forma na superfície dos dentes. Trata-se de uma massa formada por restos de alimentos, acúmulo de microrganismos e seus produtos que se aderem à superfície dentária”, explica a especialista.
Segundo Maria Fernanda, o acúmulo desse biofilme pode causar
cáries, gengivite, periodontite e até a perda dos dentes.
O biofilme pode causar mau hálito?
“A halitose é, frequentemente, um problema de desequilíbrio da
cavidade bucal, seja por excesso de biofilme, inflamações ou infecções. A maior
causa de mau hálito vem da boca e não do estômago, como muitos pensam”, alerta.
A saúde bucal influencia no organismo todo
“A negligência com a saúde bucal tem impacto sim na saúde sistêmica. Vários estudos mostram que a doença periodontal aumenta risco de infarto, parto prematuro, diabetes, Alzheimer, infertilidade, complicações respiratórias e outras comorbidades”, destaca Maria Fernanda.
Ela também lembra que doenças como diabetes podem ser agravadas
pela falta de cuidado com a gengiva.
Escovar os dentes não basta: a importância da limpeza
profissional
Segundo a especialista, escovar os dentes e usar fio dental todos os dias é essencial, mas nem sempre suficiente. “A anatomia dos dentes, o uso de aparelhos ortodônticos, próteses e até a posição dos dentes dificultam a remoção completa do biofilme em casa. Por isso, é preciso recorrer à profilaxia feita em consultório”.
GBT: um protocolo que torna o cuidado mais eficiente e
confortável
Para tornar esse processo mais eficaz, Maria Fernanda incorporou em sua prática clínica o protocolo GBT (Guided Biofilm Therapy), desenvolvido pela empresa suíça EMS (Electro Medical Systems).
“O principal objetivo do GBT é oferecer um tratamento suave e eficaz, com foco na eficiência dos resultados e no conforto dos pacientes. Ele remove o biofilme dental de forma precisa, identificando os locais que mais precisam de atenção”, explica.
Um dos diferenciais do protocolo é o uso de um evidenciador que
colore o biofilme antigo e recente em tons diferentes, permitindo que o
paciente veja exatamente onde há acúmulo. “Essa visualização aumenta o
engajamento. Os pacientes ficam surpresos e voltam mais motivados para as
próximas consultas”, relata. Outro ponto importante deste protocolo é que
realiza a profilaxia de modo minimamente invasivo, preservando os tecidos orais
e oferecendo máximo conforto ao paciente, uma verdadeira experiência indolor e
de bem-estar.
Menos anestesia, mais agilidade e bem-estar
Maria Fernanda também destaca os ganhos clínicos com a adoção da
GBT: “Antes, eu precisava anestesiar 50% dos pacientes. Com o protocolo, isso
caiu para apenas 2%. O tempo de atendimento também diminuiu, de 90 para 60
minutos, o que melhora a rotina no consultório e permite mais conforto ao
paciente”.
5 sinais de que está na hora de procurar uma profilaxia
profissional
- Mau hálito persistente
- Gengivas que sangram com facilidade
- Dentes sensíveis ao frio ou calor
- Presença de tártaro visível
- Sensação de gosto ruim na boca com frequência
Ao incorporar novas tecnologias, o consultório odontológico se
torna também um espaço de educação e prevenção. Mais do que limpar os dentes, o
objetivo é oferecer ao paciente conhecimento e autonomia para manter a saúde
bucal em dia e, com ela, proteger a saúde como um todo.
Maria Fernanda Kolbe - Doutoranda bolsista pela Capes (2022-2025) em Clínicas Odontológicas, com ênfase em Periodontia, pela Universidade Paulista (UNIP). É mestre na mesma área pela mesma instituição (2013), também com apoio da Capes, e especialista em Periodontia (2011). Habilitada em laser pela IALD (2020), possui graduação em Odontologia pela Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo (2003). Atualmente, é SDA Trainer da EMS Swiss e tem ampla experiência na área de Odontologia, com foco em Periodontia. Seus principais temas de atuação incluem terapia periodontal de suporte, bolsas residuais, lesões de furca, terapia fotodinâmica (PDT), mucosite, cirurgia mucogengival, recobrimento radicular, debridamento periodontal e descontaminação bucal. Durante sua formação, realizou Iniciação Científica em Materiais Dentários (2000-2003) com bolsas FAPESP e PIBIC-FUNDECTO, explorando temas como polimerização, resistência flexural, resina composta e microdureza Knoop. Atualmente, exerce sua prática em São Paulo e é SDA Trainer da Swiss Dental Academy na EMS.
EMS- Electro Medical System
Nenhum comentário:
Postar um comentário