Enquanto estudos mostram desigualdade no diagnóstico precoce entre rede pública e privada, iniciativas locais buscam ampliar acesso a exames durante Outubro Rosa e Novembro Azul
A luta contra o câncer ainda esbarra em barreiras de
acesso, principalmente nas favelas brasileiras. Uma pesquisa conduzida pelo
Data Favela revelou que sete em cada dez moradores de comunidades enfrentam
dificuldades para realizar exames de prevenção e diagnóstico. O levantamento,
realizado em diferentes regiões do país, mostrou ainda que 75% dos
entrevistados têm medo de descobrir a doença, sobretudo pela dificuldade em
acessar tratamentos adequados, agravada pela desinformação e falta de
infraestrutura de saúde.
As desigualdades também impactam diretamente a sobrevida dos pacientes.
Um estudo recente do Grupo Cooperativo Latino-Americano de Oncologia (LACOG),
comparou prontuários de 582 homens com câncer de próstata avançado. O resultado
escancara a diferença: pacientes tratados na rede privada viveram, em média, 2
anos e 4 meses a mais do que os atendidos pelo SUS.
Campanhas de conscientização
É nesse contexto que o Outubro Rosa e o Novembro Azul se tornam ainda mais relevantes. Mais do que símbolos coloridos, as campanhas nacionais buscam chamar atenção para a importância de exames simples, como mamografia, Papanicolau e PSA, que podem fazer a diferença entre um tratamento precoce e um diagnóstico tardio.
Na tentativa de reduzir essa desigualdade, algumas
iniciativas têm surgido dentro das próprias comunidades. A Favela Seguros,
iniciativa da Favela Holding em parceria com o Grupo MAG lançou a campanha
“Família Protegida – É Hora da Prevenção”. A iniciativa oferecerá um (1)
check-up gratuito a novos clientes do produto Família Protegida entre 01 de
outubro e 30 de novembro.
O pacote inclui consultas médicas presenciais ou
on-line, exames laboratoriais e procedimentos específicos para cada público:
ultrassonografia das mamas e Papanicolau para mulheres; avaliação da próstata e
hemoglobina glicada para homens.
Os novos clientes da Favela Seguros terão o prazo de até 12 meses, a contar da data da contratação, para agendar a consulta e realizar os exames. Ainda assim, a recomendação é que o atendimento seja feito o quanto antes, garantindo uma prevenção mais eficaz.
“O Outubro Rosa e o Novembro Azul simbolizam uma luta que não pode
ser restrita a campanhas de conscientização. Nas favelas, a prevenção muitas
vezes não chega. Por isso, com esta iniciativa, queremos oferecer acesso real a
exames básicos e fundamentais, garantindo que mais famílias possam cuidar da
saúde de forma preventiva”, afirma Ronaldo Gama, head da Favela Seguros.
Um
desafio permanente
Embora
ações como essa representem avanços, especialistas apontam que o problema é
estrutural. A pesquisa do Data Favela mostrou que muitos entrevistados
acreditam em mitos, como o de que micro-ondas ou antenas de celular causam
câncer, ou ainda que homens não podem ter câncer de mama.
“Ações
como a Família Protegida e campanhas de conscientização cumprem um papel duplo:
além de estimular a prevenção, também combatem notícias falsas e preconceitos
que afastam a população dos exames”, conclui Gama.
Com
mais de 600 mil novos casos de câncer estimados no Brasil para 2025, segundo o
INCA (Instituto Nacional de Câncer), a mensagem de Outubro Rosa e Novembro Azul
segue urgente: prevenir é viver.
A Favela Seguros é uma iniciativa a partir da parceria entre a Favela Holding e a MAG Seguros, com apoio social da CUFA, com o objetivo de promover a inclusão financeira e social nas favelas brasileiras. A empresa oferece produtos desenhados especificamente para atender às necessidades dos moradores de favelas, como serviço funeral, telemedicina, sorteios de 10.000 reais semanais e indenização de até R$50 mil para proteger as famílias. A Favela Seguros busca também capacitar moradores para atuarem como representantes, focados em proteção financeira e familiar em seus territórios, criando oportunidades de trabalho e fomentando o empreendedorismo local.

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