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As ações do Outubro Rosa, voltadas à
conscientização e prevenção do câncer de mama, aumentam em cerca de 20% a
realização da mamografia, principal exame para detecção precoce da doença. Este
ano, com a recomendação do Ministério da Saúde para o início do rastreamento
mamográfico a partir dos 40 anos de idade no Sistema Único de Saúde (SUS), a
tendência é de que as estatísticas da campanha sejam ainda mais promissoras.
Mas nem tudo são boas notícias. Informações falsas, compartilhadas
principalmente em redes sociais, têm afastado as mulheres do diagnóstico em
fase inicial que confere mais de 90% as chances de cura da doença. Com o
propósito de combater a desinformação, a Sociedade Brasileira de Mastologia
(SBM) coordena a partir desta semana uma ação nacional para que a população
tenha a oportunidade de se beneficiar com orientações corretas que podem salvar
vidas.
Se por um lado a SBM vê contemplados seus esforços
junto ao Ministério da Saúde para o início do rastreamento mamográfico no SUS
aos 40 anos de idade, e não mais a partir dos 50, como recomendado
anteriormente pelas diretrizes públicas, por outro, a entidade expressa uma
grande preocupação com a desinformação que interfere no diagnóstico precoce e,
consequentemente, no enfrentamento da doença no Brasil.
“A desinformação, propagada principalmente em redes
sociais, tem sido um grande entrave para que a conscientização e a prevenção do
câncer de mama propostas pelo Outubro Rosa faça total sentido na vida das
pessoas”, afirma Tufi Hassan, presidente da SBM.
Com o objetivo de combater informações equivocadas,
a SBM dedica uma semana especial no Outubro Rosa para orientar a população. “A
campanha vai ressoar em todo o Brasil, com mastologistas compartilhando vídeos
e replicando, sistematicamente, informações corretas e baseadas em evidências”,
ressalta Tufi Hassan. “É fundamental mostrar à população que a ciência salva
vidas.”
Em seus canais oficiais, a SBM divulga esta semana
um vídeo informativo sobre os prejuízos causados pelas fake news,
ao mesmo tempo que reforça a importância do conhecimento verdadeiro como aliado
da saúde das mulheres.
No vídeo, o mastologista Daniel Buttros, do
Departamento de Políticas Públicas da SBM, aborda de maneira didática e
objetiva a gravidade da propagação informações falsas no contexto do diagnóstico
e tratamento do câncer de mama.
“No que se refere ao câncer de mama, tenho certeza
absoluta que o movimento nas redes sociais está na contramão da ciência e a
favor de prejuízos”, afirma Buttros. Os “prejuízos” podem ser mensurados pelo
aumento do número de casos da doença. Estudo recente apresentado pela SBM, com
base no banco de dados do SUS (DataSUS), destaca que no grupo de mulheres com
40 a 49 anos, a média de exames realizados chegou a 22% entre 2013 a 2022. No
mesmo período, 54% dos casos diagnosticados são dos estadios III e IV, os mais
avançados da doença. De acordo com projeção do Instituto Nacional de Câncer
(Inca), o País deve registrar 74 mil novos casos no encerramento do triênio
2023-2025.
No ambiente das redes sociais, a desinformação
ganha visibilidade a partir de leigos e também de profissionais da área da
saúde. “Em busca de engajamento ou fama, essas pessoas utilizam a comunicação
para trazer discussões polêmicas que vão confundir a população e viralizar”,
observa Buttros.
Os efeitos da viralização de informações incorretas
são preocupantes, na visão do mastologista. “Uma mulher que tem medo de fazer
mamografia, e isso é muito comum, vai se valer dessa informação como verdade
porque, para ela, isso se torna conveniente. Ela não vai fazer o exame e talvez
um dia descubra ter perdido a oportunidade de receber o diagnóstico de um
câncer de mama pequeno e mais fácil de tratar.”
Entre as fake news mais comumente propagadas em
redes sociais, o mastologista da SBM elenca a falsa informação de que “a
mamografia causa câncer de mama por conta da radiação”. Há também a crença de
que “a biópsia de mama alastra a doença”. Para o especialista, quem propaga
este tipo de desinformação, assim como convicções equivocadas de que a doença
pode ser tratada com “soroterapia ou chás” está tirando a oportunidade de uma
mulher de se tratar de maneira digna, amparada pela ciência.
No vídeo da SBM, ainda há orientações de como se
precaver contra as fake news. Uma das sugestões é para que
em caso de dúvida se busquem informações idôneas. Saber quem está falando, se
tem formação específica na área, é outra forma de checar a veracidade do que
está sendo propagado.
“As fake news prejudicam a vida de muita
gente. É muito importante não fazer parte do compartilhamento, não comentar e
não dar ibope, porque é isso que essas pessoas querem”, finaliza Daniel
Buttros.

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