Dra. Bruna Durelli, médica nutróloga e fundadora da LevSer Saúde, esclarece dúvidas sobre os medicamentos mais comentados do momento e explica o que você precisa saber antes de usá-los
A corrida entre os novos medicamentos voltados ao controle do peso e à saúde metabólica continua trazendo novidades importantes. A Novo Nordisk anunciou recentemente que seu remédio para perda de peso, o Wegovy, foi associado a uma redução de 57% no risco de ataque cardíaco, derrame ou morte em comparação com os rivais Mounjaro e Zepbound, da Eli Lilly.
O dado vem de uma análise de mundo real, feita com pacientes com sobrepeso e obesidade que já apresentavam doenças cardiovasculares, mas não diabetes. Embora não tenha sido um estudo controlado e randomizado, a Novo afirma que os resultados sugerem que os efeitos de proteção cardiovascular do Wegovy e de seu ingrediente ativo, a semaglutida, podem não se repetir em outros medicamentos da mesma classe, como a tirzepatida, presente no Mounjaro e no Zepbound.
Essas descobertas reforçam que, apesar de pertencerem à mesma categoria de fármacos, cada medicamento pode ter impacto distinto na saúde do paciente. Nesse cenário, o Ozempic e o Mounjaro se tornaram foco de debates, levantando dúvidas sobre eficácia, segurança e uso adequado. “O que a gente observa hoje é uma espécie de ‘euforia’ em torno desses medicamentos, como se fossem milagrosos. Mas nenhum deles é. São ferramentas poderosas, sim, mas que precisam estar inseridas em um plano de cuidado completo e individualizado”, explica a médica nutróloga Bruna Durelli, fundadora da clínica LevSer Saúde, referência no tratamento da obesidade.
A seguir, a
especialista responde às principais dúvidas sobre Ozempic e Mounjaro:
1. O
Mounjaro vem sendo chamado de “Ozempic dos ricos”. Quais são as principais
diferenças entre eles?
“Ambos são
injetáveis usados no tratamento do diabetes tipo 2 e atuam também na perda de
peso, mas com mecanismos distintos. O Ozempic tem como princípio ativo a
semaglutida, que age como análogo do GLP-1, hormônio que promove saciedade e
reduz o apetite. O Mounjaro, por sua vez, tem como princípio ativo a
tirzepatida, que atua tanto no GLP-1 quanto no GIP, outro hormônio ligado ao
metabolismo. Essa ação dupla tende a gerar resultados mais expressivos na perda
de peso e no controle glicêmico. Mas isso não significa que o Mounjaro seja
“melhor” em todos os casos. A escolha depende sempre da avaliação clínica
individual”, diz a nutróloga.
2.
Apesar de serem aprovados para o tratamento do diabetes tipo 2, muitos usam
esses medicamentos apenas para emagrecer. Quais são os riscos?
“O uso sem
indicação médica pode causar efeitos adversos sérios e a falsa ideia de que os
remédios “resolvem tudo sozinhos”. Entre os riscos estão: náuseas intensas,
vômitos, constipação, hipoglicemia, desidratação e perda de massa magra junto
com gordura. Sem acompanhamento adequado, o resultado não é saudável nem
sustentável. O tratamento deve sempre estar associado a alimentação
equilibrada, sono adequado, atividade física e cuidado emocional”, completa.
3.
Esses medicamentos podem substituir a cirurgia bariátrica?
“Não. Embora
possam ajudar no controle do peso e do diabetes tipo 2, eles não têm o mesmo
impacto metabólico e estrutural da cirurgia. A bariátrica continua sendo
indicada para casos de obesidade grave e comorbidades relevantes. Já
medicamentos como Ozempic e Mounjaro são recomendados em quadros leves a
moderados ou como apoio no pré e pós-bariátrica. São estratégias diferentes
para perfis distintos de pacientes”, entende a especialista.
4.
Quais são os principais efeitos colaterais do Mounjaro e do Ozempic?
“Entre os efeitos
mais comuns estão: náuseas, vômitos e constipação, dores abdominais, redução do
apetite de forma excessiva. Em alguns casos, refluxo ou desconforto gástrico.
Esses medicamentos podem ser indicados com segurança em casos de obesidade grau
1, 2 ou 3, com ou sem comorbidades, desde que haja acompanhamento profissional
e exames atualizados”, reafirma.
5.
Existe risco de recuperar o peso após interromper o uso?
“Sim. Tanto
Ozempic quanto Mounjaro atuam regulando hormônios ligados à fome e à saciedade.
Quando o suporte é retirado de forma abrupta e sem planejamento, o risco de
reganho de peso aumenta. A suspensão deve ser gradual, acompanhada por um plano
de manutenção que envolva ajustes na alimentação, na rotina de treinos e no
suporte psicológico”, diz Durelli.
6. O
tratamento com esses medicamentos é para a vida toda?
“Depende. Algumas
pessoas precisarão de uso contínuo, outras apenas por um período. A duração do
tratamento varia conforme a resposta clínica, a saúde metabólica e a adesão ao
plano alimentar. O mais importante é que o processo seja individualizado e bem
acompanhado. Não existe uma regra única para todos”, entende.
7. É possível ter um tratamento saudável e sustentável usando Ozempic ou Mounjaro?
“Sim, desde que o uso seja adequado e acompanhado por profissionais. O segredo está no “como”. É preciso ajustar a dose, monitorar os efeitos, preservar a massa magra e criar uma rotina leve e possível para o paciente. O remédio por si só não garante resultados duradouros. A mudança de comportamento, o acolhimento e o suporte interdisciplinar, envolvendo nutrólogo, nutricionista, educador físico e psicólogo, são o que realmente transformam o processo em algo saudável e sustentável”, conclui Bruna Durelli.
Dra. Bruna Durelli - Médica nutróloga e referência no
tratamento da obesidade, Dra. Bruna Durelli é fundadora da LevSer Saúde, clínica com foco em cuidados
integrativos, que combina atendimento médico especializado, suporte psicológico
e estratégias personalizadas para promover saúde, autoestima e qualidade de
vida de forma sustentável.
Nenhum comentário:
Postar um comentário