Falta de visibilidade da produção, gargalos e atrasos na entrega são obstáculos comuns no dia a dia do setor industrial. No entanto, a solução para esses problemas está na capacidade de coletar e analisar dados em tempo real. É justamente nesse contexto que a gestão automatizada ganha força, pois oferece a oportunidade de transformar erros em oportunidades de melhoria e desafios em resultados tangíveis.
Apesar de seus benefícios claros, essa ainda não é
a realidade na maioria das organizações. Como exemplo disso, segundo o Índice
Transformação Digital Brasil, divulgado pela PwC, a transformação digital
avançou em 2024 nas empresas brasileiras, atingindo a marca de 3,7 pontos, um
crescimento em relação aos 3,3 pontos marcados em 2023. Contudo, mesmo com esse
avanço, segundo o relatório, o ritmo ainda é lento.
Entre os principais desafios que impactam este
ganho de crescimento, está a falta de uso de ferramentas tecnológicas já
existentes e acessíveis no mercado, que, na maioria das vezes, são
subutilizadas. Essa ação provoca um efeito cascata que é refletido,
diretamente, no planejamento, um outro problema que afeta as operações, uma vez
que, sem a diretriz correta, as decisões sobre a programação da fábrica são
tomadas com base em 'feeling' ou intuição, ao invés de serem guiadas por dados
concretos.
Fazendo uma analogia, na aviação, para um piloto
executar um voo desde a decolagem até a aterrisagem, são utilizados diversos
recursos para avaliar condições climáticas, monitorar a aeronave, radares para
prever com antecedência turbulências, entre outros exemplos. Trazendo esse
contexto para a indústria, a falta de ferramentas é o mesmo que os gestores
pilotarem as operações sem os instrumentos adequados.
Certamente, sabemos que automatizar as operações é
uma jornada que provoca uma mudança cultural expressiva, já que um novo modelo
de gestão passa a ser instaurado. Por sua vez, a era da digitalização é um
caminho sem volta e, aqueles que não se adaptarem, ficarão para trás.
A gestão automatizada no chão de fábrica promove
diversos ganhos, como a redução de atrasos de entrega; produtividade e
eficiência; melhor monitoramento do OEE (Overall Equipment Effectiveness), que
avalia o desempenho de máquinas e equipamentos; visibilidade acerca do
desempenho da empresa, permitindo criar um plano de ação; e o fornecimento de
análises, promovendo a melhor compreensão do status atual da organização.
Todos esses benefícios são obtidos a partir da
utilização de sistemas de gestão que simplifiquem e otimizem os processos
industriais complexos com agilidade. Por meio de ferramentas de sequenciamento,
como o APS (Advanced Planning and Scheduling) integrada ao MES (Manufacturing
Execution System), a jornada é aprimorada, de modo que a
organização consiga definir estratégias efetivas para o negócio.
Entretanto, é importante enfatizar que nenhuma
ferramenta sozinha tem o poder de mudar a realidade de uma indústria. Essa
jornada envolve, além dos sistemas, processos e, sobretudo, pessoas. Afinal, é
a equipe que irá manusear os recursos e apoiar no melhor direcionamento da
companhia. É aquela velha história: a tecnologia não vai eliminar a mão de obra
humana, mas ajudá-la.
Quanto a isso, ter uma equipe especializada durante
essa jornada é uma excelente estratégia. Isso porque, o time dará todo o
direcionamento e instruções para obter as melhorias dos processos,
identificando quais são os gargalos da produção, bem como apoiar em todas as
etapas de qualificação e capacitação dos colaboradores.
Se, antes, a tecnologia era algo de alto custo,
hoje, essa realidade mudou. Existe uma gama de opções acessíveis, além de que o
ROI dos investimentos acontece de forma rápida. Em se tratando do chão de fábrica,
antes de olhar da porta para fora, é essencial que as indústrias busquem
melhorar seus processos e eficiência, pois somente assim que será possível
conquistar resultados.
Em um cenário de constante transformação, as indústrias que cuidam de suas operações internas, hoje, garantem o desempenho de amanhã. A automatização é o primeiro passo para as empresas que, além de sobreviver, querem se manter ativas e competitivas no mercado.
Julio Bertolini - CEO da Aloee e sócio da ABC71
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