Sandro,
elefante asiático de 53 anos que vive há mais de 40 anos no Zoológico Municipal
de Sorocaba, segue confinado em recinto que sucessivos laudos técnicos
consideram inadequado. O animal aguarda a transferência para o Santuário de
Elefantes Brasil (SEB), na região da Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso, mas
o caso envolve empecilhos jurídicos.
Atualmente, Sandro está numa área de 1.400 metros quadrados no
Zoológico de Sorocaba, espaço inferior às normativas mínimas de recinto para
elefantes definidas pelo Ibama e muito aquém das recomendações científicas
internacionais para sobrevivência desses animais em cativeiro.
Sandro passa entre 14 e 16 horas por dia confinado em um
cambiamento de concreto com altura de 3,47 metros, pouco mais da metade da
exigida pelo Ibama. O piso rígido, a má ventilação e a higiene precária
expõem-no a riscos graves: problemas nas patas, doenças cardiovasculares,
distúrbios digestivos e infecções. Vive isolado, pois sua companheira Haisa
morreu em 2020.
No Santuário de Elefantes Brasil, Sandro terá acesso imediato a
18.500 metros quadrados de habitat e, em poucos meses, a uma área total de
39.300 metros quadrados. Elefantes são animais sociais, capazes de percorrer
dezenas de quilômetros diários e interagir com outros animais.
A decisão judicial que determinou a transferência baseou-se em
laudos técnicos. Constatou-se que o zoológico não tem condições estruturais nem
equipe especializada para atender às necessidades mínimas de bem-estar do
animal. Reformas prometidas desde 2021 não saíram do papel e, mesmo se
executadas, continuariam incapazes de oferecer o que um santuário pode
proporcionar.
O caso Sandro é mais do que um litígio entre Prefeitura,
Ministério Público e organizações de proteção animal. É um teste para medir até
que ponto conseguimos alinhar gestão pública, ciência e compaixão. Manter um
elefante idoso, solitário e confinado em condições inadequadas, quando existe
uma alternativa segura, viável e sem custo público, é perpetuar a negligência.
Daniel Moura - biólogo, diretor do SEB - Santuário de
Elefantes Brasil e do INR - Instituto Nina Rosa, especialista em manejo e
conservação de fauna silvestre, com 18 anos de experiência em transporte ético
de animais de grande porte
Letícia Filpi - advogada animalista, presidente da Ong
Gaia Libertas - Direitos Animais, e Diretora Jurídica da Agência de Notícias de
Direitos Animais - ANDA.
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