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sexta-feira, 26 de setembro de 2025

Caso do elefante Sandro levanta a bandeira do bem-estar animal


Sandro, elefante asiático de 53 anos que vive há mais de 40 anos no Zoológico Municipal de Sorocaba, segue confinado em recinto que sucessivos laudos técnicos consideram inadequado. O animal aguarda a transferência para o Santuário de Elefantes Brasil (SEB), na região da Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso, mas o caso envolve empecilhos jurídicos. 

Atualmente, Sandro está numa área de 1.400 metros quadrados no Zoológico de Sorocaba, espaço inferior às normativas mínimas de recinto para elefantes definidas pelo Ibama e muito aquém das recomendações científicas internacionais para sobrevivência desses animais em cativeiro. 

Sandro passa entre 14 e 16 horas por dia confinado em um cambiamento de concreto com altura de 3,47 metros, pouco mais da metade da exigida pelo Ibama. O piso rígido, a má ventilação e a higiene precária expõem-no a riscos graves: problemas nas patas, doenças cardiovasculares, distúrbios digestivos e infecções. Vive isolado, pois sua companheira Haisa morreu em 2020. 

No Santuário de Elefantes Brasil, Sandro terá acesso imediato a 18.500 metros quadrados de habitat e, em poucos meses, a uma área total de 39.300 metros quadrados. Elefantes são animais sociais, capazes de percorrer dezenas de quilômetros diários e interagir com outros animais. 

A decisão judicial que determinou a transferência baseou-se em laudos técnicos. Constatou-se que o zoológico não tem condições estruturais nem equipe especializada para atender às necessidades mínimas de bem-estar do animal. Reformas prometidas desde 2021 não saíram do papel e, mesmo se executadas, continuariam incapazes de oferecer o que um santuário pode proporcionar. 

O caso Sandro é mais do que um litígio entre Prefeitura, Ministério Público e organizações de proteção animal. É um teste para medir até que ponto conseguimos alinhar gestão pública, ciência e compaixão. Manter um elefante idoso, solitário e confinado em condições inadequadas, quando existe uma alternativa segura, viável e sem custo público, é perpetuar a negligência.
 

Daniel Moura - biólogo, diretor do SEB - Santuário de Elefantes Brasil e do INR - Instituto Nina Rosa, especialista em manejo e conservação de fauna silvestre, com 18 anos de experiência em transporte ético de animais de grande porte

Letícia Filpi - advogada animalista, presidente da Ong Gaia Libertas - Direitos Animais, e Diretora Jurídica da Agência de Notícias de Direitos Animais - ANDA.

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