Elas giram, latejam, desorientam. Tontura e dor de cabeça são sintomas que falam alto, mas homens e mulheres escutam de formas diferentes, sabia?
Mulheres relatam mais. Homens têm menos chance de
sentir, mas quando sentem, muitas vezes demoram muito mais para procurar ajuda.
Mas será que existe mesmo uma diferença entre os
cérebros feminino e masculino quando o assunto é tontura e dor de cabeça?
Segundo o neurologista Dr. Saulo Nardy Nader,
conhecido como Doutor Tontura, a resposta é que sim. As diferenças estão
profundamente ligadas aos hormônios, ao funcionamento do labirinto (estrutura
responsável pelo equilíbrio) e até aos costumes culturais de cada gênero.
“As mulheres são mais afetadas por tonturas e
enxaquecas, principalmente pela oscilação hormonal. Já os homens costumam
subestimar os sintomas e só procuram ajuda quando os quadros são mais graves”,
explica o médico.
Tontura: o corpo fora do
eixo
Estudos mostram que as mulheres têm até três vezes
mais chances de desenvolver vertigem e outros distúrbios do equilíbrio. Isso se
deve a fatores como:
- Alterações
hormonais (menstruação, gravidez, menopausa);
- Predisposição
à enxaqueca vestibular, que mistura dor de cabeça com sensação de
desequilíbrio;
- Maior
prevalência de ansiedade, que também pode causar sensação de tontura;
- Dor
de cabeça: mais que um incômodo passageiro.
Já quando falamos de dor de cabeça, o desequilíbrio
de gênero também aparece: a enxaqueca é três vezes mais comum em mulheres,
especialmente na fase reprodutiva.
Segundo o Dr. Saulo, o estrogênio desempenha um
papel importante nisso. “Alterações hormonais afetam neurotransmissores do
cérebro ligados à dor. Por isso, muitas mulheres sentem piora no período
pré-menstrual ou no meio do ciclo menstrual”, esclarece o neurologista.
Curiosidade: Nader explica também que nos homens, embora a enxaqueca seja menos
comum, há maior chance de ocorrer uma dor de cabeça chamada Cefaleia em Salvas,
um tipo raro e extremamente doloroso.
Quando é hora de buscar ajuda?
Outro alerta do Dr. Saulo Nader é que tanto a
tontura quanto a dor de cabeça merecem avaliação médica, principalmente se
aparecem de forma repentina e intensa, vêm acompanhadas de perda de
consciência, vômitos, fraqueza, alterações visuais ou interferem nas
atividades do dia a dia da pessoa.
“O erro mais comum é normalizar os sintomas. A
tontura e a dor de cabeça não são doenças, mas são sinais de que algo no
organismo pode estar em desequilíbrio. Seja homem ou mulher, escutar os sinais
do corpo é o primeiro passo para prevenir problemas maiores. A tontura que
insiste ou a dor de cabeça que incapacita não devem ser ignoradas. Quanto mais
precoce o diagnóstico, mais eficaz o tratamento e melhor a qualidade de vida”,
ressalta o especialista.
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