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sexta-feira, 12 de setembro de 2025

Novo medicamento “Cabotegravir" pode evitar até 385 mil novos casos de HIV no Brasil, até 2033.

Estudos apontam que o medicamento pode prevenir novas infecções,

se incorporado ao SUS. 


Foto: Divulgação GSK
Unsplash.



O Brasil registra, em média, 46 mil novas infecções por HIV a cada ano. A chegada do cabotegravir injetável, recentemente comercializado no país, traz uma nova perspectiva para mudar esse cenário. Trata-se de uma aplicação a cada dois meses que reduz de forma significativa o risco de contaminação pelo vírus. 

Diferente da profilaxia pré-exposição (PrEP) oral, comprimido diário oferecido pelo SUS desde 2017, o cabotegravir promete maior praticidade e adesão por dispensar o uso diário de medicamentos. Estudos internacionais e brasileiros indicam que a inovação pode prevenir até 385 mil novos casos de HIV no país até 2033. 

Segundo o médico infectologista, professor da UNIFESP e CEO da plataforma de educação médica InfectoCast, Dr. Klinger Soares Faico Filho, a diferença fundamental está na adesão: 

“A PrEP oral funciona muito bem em quem toma todos os dias, mas muitas pessoas esquecem ou desistem. O cabotegravir resolve esse gargalo porque basta uma injeção bimestral.”, explicou o especialista. 

Os números confirmam: entre jovens, homens que fazem sexo com homens e profissionais do sexo, a adesão à PrEP oral varia entre 50% e 60%. Já nos estudos com o cabotegravir injetável, a taxa chegou a 95%. 

“Quando a estratégia é simplificada, mais pessoas conseguem se proteger e o impacto na redução de novas infecções é muito maior.”, comentou o Dr. Klinger Faico. 

O principal obstáculo, no entanto, é o preço. Cada dose custa cerca de R$ 4 mil na rede privada, valor inacessível para a maioria das pessoas. As populações mais vulneráveis, justamente as que mais precisam, ainda não têm acesso. 

“É um dilema ético. Se essa inovação ficar restrita a quem pode pagar, ela deixa de cumprir seu papel em saúde pública e se torna mais um marcador de desigualdade.”, alertou a infectologista.

A ampliação depende da incorporação ao SUS, que aguarda análise técnica do Ministério da Saúde sem prazo definido. O Brasil já foi referência global ao garantir tratamento universal às pessoas vivendo com HIV. Agora, o desafio é repetir esse protagonismo também na prevenção. 

E o horizonte é ainda mais promissor, novas drogas estão em desenvolvimento, como o lenacapavir, que pode oferecer proteção por até seis meses com uma única aplicação. Para o Dr. Klinger Faico, a questão central é garantir equidade: 

“A ciência está entregando soluções cada vez mais eficazes e convenientes. O desafio é fazer com que cheguem a quem realmente precisa.”, finalizou o médico infectologista.
  
 

Dr. Klinger Soares Faico Filho - médico infectologista, com título de especialista pela Sociedade Brasileira de Infectologia. Doutor em Infectologia pela UNIFESP e MBA em Gestão em Saúde, atua no diagnóstico e tratamento de doenças infecciosas como HIV, hepatites virais e ISTs. É CEO da plataforma de educação médica InfectoCast, professor universitário da UNIFESP e fundador da Consultoria IRAS, dedicada ao controle de infecção hospitalar.



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