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sexta-feira, 15 de agosto de 2025

Sudeste do Brasil concentra quase metade das mortes por câncer de mama no país

Tempo de espera até o tratamento ultrapassa os 220 dias, muito acima do prazo estabelecido por lei na região; Rio de Janeiro tem a maior taxa de mortalidade do Brasil

 

Apesar de contar com a maior produção de mamografias do país e a mais alta taxa de diagnóstico precoce, de 67,6%, a região Sudeste ainda enfrenta desafios significativos na atenção ao câncer de mama. De acordo com o Panorama do Câncer de Mama 2025, realizado pelo Instituto Natura em parceria com o Observatório de Oncologia do Movimento Todos Juntos Contra o Câncer, o tempo médio entre o diagnóstico e o início do tratamento chegou a 222 dias em 2023. O número ultrapassa em mais de cinco meses o limite legal de 60 dias estabelecido pela Lei nº 13.896/2019. 

A taxa de cobertura mamográfica bienal foi de 25,3% em 2023 e 2024, percentual superior à média nacional, de 23,7%, mas ainda distante da recomendação da Organização Mundial da Saúde, que orienta cobertura de 70% entre mulheres de 50 a 69 anos. São Paulo, com 29,8%, e Espírito Santo, com 26,8%, foram os estados com maior cobertura na região. Já o Rio de Janeiro, embora represente cerca de 25% das mortes por câncer de mama no Sudeste, apresentou a menor taxa de cobertura: 18,3%. 

"O Panorama do Câncer de Mama 2025 traz um retrato alarmante de como o cuidado com a saúde feminina ainda está longe de ser equitativo no Brasil. Para mudar essa realidade, é preciso fazer muito mais do que campanhas pontuais. O cuidado com a saúde das mamas deve começar na atenção básica e seguir com acesso aos exames, diagnóstico e tratamento em tempo oportuno", afirma Mariana Lorencinho, líder de Saúde das Mulheres do Instituto Natura.

 

Região concentra maior número de óbitos

Com 9.816 mortes registradas em 2023, a Região Sudeste concentrou quase metade dos óbitos por câncer de mama no Brasil no último ano. A taxa de mortalidade bruta regional foi de 22,1 por 100 mil mulheres, acima da média nacional, de 19,3. O estado do Rio de Janeiro apresentou a pior taxa do país, com 29,6 mortes por 100 mil mulheres, seguido por São Paulo (21,7), Espírito Santo (19,2) e Minas Gerais (17,4). 

Apesar da maior proporção de diagnósticos em estágio precoce, com 64,7%, o volume absoluto de casos e a demora para o início do tratamento tornam o cenário preocupante. "A estrutura existe, mas está desequilibrada. Precisamos de gestão eficiente, protocolos ágeis e atenção especial às populações mais vulneráveis, que muitas vezes têm o diagnóstico precoce, mas não conseguem iniciar o tratamento em tempo hábil", destaca Nina Melo, coordenadora de pesquisa do Observatório de Oncologia.
 

Sobre o estudo

O Panorama do Câncer de Mama 2025 é um estudo observacional com base em dados públicos dos sistemas de informação do SUS, abrangendo o período de 2015 a 2024. A análise inclui notificações, produção de exames, tratamentos e registros de mortalidade. 

Acesse o estudo completo
 

Sobre o Panorama do Câncer de Mama 2025

Criado em 2020, estudo é observacional e transversal com dados públicos dos Sistemas de Informação Ambulatorial (SIA), Hospitalar (SIH) e Mortalidade (SIM) do Departamento de Informática do SUS (DATASUS), bem como dados de Registros Hospitalares de Câncer (RHC) do Instituto Nacional do Câncer (INCA). Os dados usados foram da Produção Ambulatorial (PA) e Autorizações de Procedimentos de Alta Complexidade (APAC) de Quimioterapia e Radioterapia do SIA, bem como as Autorizações de Internações Hospitalares (AIH) do SIH, Informações hospitalares do RHC e informações sobre a mortalidade do SIM. 

A população consistiu em todas as observações nos referidos bancos de dados para os procedimentos realizados para o diagnóstico de câncer de mama (C50 – 50.0 a 50.9) segundo a Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde (CID-10) produzidos no SUS entre 2015 e 2024 para os bancos de dados do SIA e SIH e até 2023 para o SIM. Para o número de casos totais, foi usada a plataforma Painel Oncologia do Datasus do Ministério da Saúde para as análises. Para os dados do RHC foi analisado o período de 2015 a 2023 por estar ainda sem dados atualizados em quantidade em 2024. 



Instituto Natura

Observatório de Oncologia


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