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quarta-feira, 27 de agosto de 2025

Quando o RH não dá conta: por que a saúde mental exige mais do que benefícios no holerite?

Empresas precisam ir além de salários e benefícios, promovendo saúde mental por meio de políticas claras, comunicação eficaz e lideranças capacitadas, para garantir produtividade e bem-estar dos colaboradores

 

Decisões recentes apontam uma tendência na Justiça brasileira: empresas passam a ser cada vez mais responsabilizadas pelo adoecimento mental de seus colaboradores. Nesse cenário, os tradicionais pacotes de benefícios, antes considerados um atrativo e recompensa ao trabalhador, já não se mostram suficientes para garantir saúde e produtividade no ambiente corporativo. 

“Os benefícios são importantes e atrativos, e em um primeiro momento conseguem atrair pessoas para as empresas. Mas, talvez não sejam suficientes para reter talentos. Hoje em dia, não é apenas o salário ou os benefícios que importam, mas também a qualidade do ambiente de trabalho”, ressalta Flávia Anjos, psicanalista da Sow Saúde Integral — associação sem fins lucrativos que apoia famílias na busca pelo equilíbrio entre corpo e mente. 

A pandemia evidenciou a importância da saúde mental dos colaboradores para a produtividade das empresas. Atualmente, os profissionais apresentam novas expectativas em relação ao RH, às lideranças e ao ambiente corporativo. 

“As pessoas querem trabalhar em locais onde sejam observadas e reconhecidas, onde suas demandas realmente importem e o RH esteja presente para acompanhar de perto as questões do colaborador”, destaca a psicanalista. 

Essa situação será ainda mais agravada a partir de maio de 2026, quando passa a valer a atualização da NR-1 (Norma Regulamentadora). A lei vai obrigar as empresas a incluir os riscos psicossociais no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), tornando a prevenção de adoecimentos mentais uma exigência formal. 

Para que essa obrigação seja efetiva, as empresas precisarão transformar a regulamentação em ações concretas, sendo essa prevenção promovida necessariamente por meio do treinamento das lideranças, para que compreendam a importância da saúde mental. 

“Os líderes precisam entender que tudo pode ser dito, mas a forma como as coisas são ditas tem um impacto. É possível apontar que um trabalho não atendeu às expectativas sem deixar de reconhecer o potencial do colaborador, adotando uma comunicação amorosa e respeitosa”, afirma Flávia. 

A comunicação clara e contínua também é apontada pela profissional como fundamental para a manutenção de ambientes corporativos saudáveis. “As relações melhoram quando sei exatamente o que a empresa espera de mim e quando a comunicação é transparente. O problema surge quando os colaboradores sentem que estão pisando em ovos ou têm medo de falar com a chefia. Em pleno 2025, ainda existem lideranças tiranas, incompreensíveis, que não oferecem suporte e apenas delegam tarefas’, destaca. 

Outros pontos a serem considerados são a implementação de políticas claras de saúde mental, oferecendo suporte psicológico e canais de denúncia seguros, e a criação de atividades de lazer que tragam benefícios aos colaboradores, sem estarem necessariamente vinculadas às funções exercidas dentro das corporações. 



Sow Saúde Integral
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