Empresas precisam ir além de salários e benefícios,
promovendo saúde mental por meio de políticas claras, comunicação eficaz e
lideranças capacitadas, para garantir produtividade e bem-estar dos
colaboradores
Decisões recentes apontam uma tendência na Justiça brasileira: empresas passam a ser cada vez mais responsabilizadas pelo adoecimento mental de seus colaboradores. Nesse cenário, os tradicionais pacotes de benefícios, antes considerados um atrativo e recompensa ao trabalhador, já não se mostram suficientes para garantir saúde e produtividade no ambiente corporativo.
“Os benefícios são importantes e atrativos, e em um primeiro momento conseguem atrair pessoas para as empresas. Mas, talvez não sejam suficientes para reter talentos. Hoje em dia, não é apenas o salário ou os benefícios que importam, mas também a qualidade do ambiente de trabalho”, ressalta Flávia Anjos, psicanalista da Sow Saúde Integral — associação sem fins lucrativos que apoia famílias na busca pelo equilíbrio entre corpo e mente.
A
pandemia evidenciou a importância da saúde mental dos colaboradores para a
produtividade das empresas. Atualmente, os profissionais apresentam novas
expectativas em relação ao RH, às lideranças e ao ambiente corporativo.
“As pessoas querem trabalhar em locais onde sejam observadas e reconhecidas, onde suas demandas realmente importem e o RH esteja presente para acompanhar de perto as questões do colaborador”, destaca a psicanalista.
Essa situação será ainda mais agravada a partir de maio de 2026, quando passa a valer a atualização da NR-1 (Norma Regulamentadora). A lei vai obrigar as empresas a incluir os riscos psicossociais no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), tornando a prevenção de adoecimentos mentais uma exigência formal.
Para que essa obrigação seja efetiva, as empresas precisarão transformar a regulamentação em ações concretas, sendo essa prevenção promovida necessariamente por meio do treinamento das lideranças, para que compreendam a importância da saúde mental.
“Os líderes precisam entender que tudo pode ser dito, mas a forma como as coisas são ditas tem um impacto. É possível apontar que um trabalho não atendeu às expectativas sem deixar de reconhecer o potencial do colaborador, adotando uma comunicação amorosa e respeitosa”, afirma Flávia.
A comunicação clara e contínua também é apontada pela profissional como fundamental para a manutenção de ambientes corporativos saudáveis. “As relações melhoram quando sei exatamente o que a empresa espera de mim e quando a comunicação é transparente. O problema surge quando os colaboradores sentem que estão pisando em ovos ou têm medo de falar com a chefia. Em pleno 2025, ainda existem lideranças tiranas, incompreensíveis, que não oferecem suporte e apenas delegam tarefas’, destaca.
Outros pontos a serem considerados são a implementação de políticas claras de saúde mental, oferecendo suporte psicológico e canais de denúncia seguros, e a criação de atividades de lazer que tragam benefícios aos colaboradores, sem estarem necessariamente vinculadas às funções exercidas dentro das corporações.
Sow Saúde Integral
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