Na infância, o horizonte era uma linha tênue entre
o céu e os telhados da periferia de Diadema. Ainda pequeno, carregando nos
olhos mais sonhos do que certezas, me acostumei a contemplar aquele ponto lá na
frente — como quem procurava respostas ou mapas que indicassem o caminho para
algo maior.
Tive uma breve pausa nesse cenário. Dos 5 aos 8
anos, morei no Planalto Paulista, bairro tradicional de São Paulo, onde meu pai
trabalhava como zelador de um edifício chamado Ana Paula. Morávamos ali mesmo,
no prédio. E, ainda assim, mesmo em um bairro diferente, em um ambiente novo, o
hábito continuou: olhar o horizonte. Aquela linha invisível que, mesmo
distante, parecia conversar comigo todos os dias: “vai em frente”.
Retornamos a Diadema, e o horizonte continuava lá —
talvez mais poluído, mais caótico, mais difícil de alcançar. Mas era justamente
essa constância que me ensinou algo valioso: olhar para frente é uma escolha.
Uma atitude que não depende do lugar, mas da vontade de chegar.
Hoje, entendo que esse olhar infantil não era
ingenuidade — era visão. Era uma forma silenciosa de aprender que o futuro é
uma construção diária, feita com tijolos de esperança, sacrifício e
conhecimento. Trabalhar em uma grande empresa, conquistar espaço, transformar a
vida dos meus pais e de quem me rodeia: tudo isso começou naquela curiosidade
de enxergar o que havia além.
Quantos de nós ainda olhamos para o horizonte?
Na correria dos dias, na dureza da rotina, no peso dos boletos e nas urgências do agora, esquecemos de levantar os olhos. Esquecemos de sonhar. Ficamos reféns do imediato, do palpável, da sobrevivência. Mas o sonho — ah, o sonho — ele mora lá na frente. E só quem levanta os olhos consegue vê-lo se aproximar.
Sonhar não é um luxo. É uma necessidade. É o que
move o estudante da quebrada, o empreendedor do interior, o jovem que sonha em
sair da estatística. É o que faz o operário estudar à noite, a mãe solo criar
filhos com esperança, o executivo repensar seu propósito. Sonhar é o que nos
conecta com o que há de mais humano: a capacidade de imaginar uma vida melhor —
e lutar por ela.
É preciso, sim, olhar para frente mesmo nos dias
nublados. Quando o céu parece cinza e as notícias pesam mais do que inspiram. É
justamente nesses momentos que o horizonte se faz ainda mais necessário. Porque
ele nos lembra que há algo depois da tempestade. Que o sol não desapareceu — só
está escondido por enquanto.
E aqui vai um convite: não deixe que o mundo feche
os seus olhos para o futuro. Levante o queixo, mesmo que a vida te
empurre para baixo. Olhe para frente. Sonhe grande. E se não der para alcançar
de primeira, caminhe mais um pouco. Porque quem sonha, anda. E quem anda,
chega.
Que cada um de nós possa carregar esse olhar de
criança que, em silêncio, acreditava que algo melhor viria. Porque vem. E
quando vier, que possamos lembrar: foi o horizonte que nos
ensinou a não desistir.
Francisco Carlos
CEO Mundo RH e Tec Login - Top 100 People 2023
Fonte: https://www.linkedin.com/pulse/o-horizonte-de-quem-sonha-por-que-nunca-devemos-parar-carlos-p8uyf/
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