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quarta-feira, 6 de agosto de 2025

O horizonte de quem sonha: por que nunca devemos parar de olhar para frente

 

Na infância, o horizonte era uma linha tênue entre o céu e os telhados da periferia de Diadema. Ainda pequeno, carregando nos olhos mais sonhos do que certezas, me acostumei a contemplar aquele ponto lá na frente — como quem procurava respostas ou mapas que indicassem o caminho para algo maior.

Tive uma breve pausa nesse cenário. Dos 5 aos 8 anos, morei no Planalto Paulista, bairro tradicional de São Paulo, onde meu pai trabalhava como zelador de um edifício chamado Ana Paula. Morávamos ali mesmo, no prédio. E, ainda assim, mesmo em um bairro diferente, em um ambiente novo, o hábito continuou: olhar o horizonte. Aquela linha invisível que, mesmo distante, parecia conversar comigo todos os dias: “vai em frente”.

Retornamos a Diadema, e o horizonte continuava lá — talvez mais poluído, mais caótico, mais difícil de alcançar. Mas era justamente essa constância que me ensinou algo valioso: olhar para frente é uma escolha. Uma atitude que não depende do lugar, mas da vontade de chegar.

Hoje, entendo que esse olhar infantil não era ingenuidade — era visão. Era uma forma silenciosa de aprender que o futuro é uma construção diária, feita com tijolos de esperança, sacrifício e conhecimento. Trabalhar em uma grande empresa, conquistar espaço, transformar a vida dos meus pais e de quem me rodeia: tudo isso começou naquela curiosidade de enxergar o que havia além.

Quantos de nós ainda olhamos para o horizonte?

Na correria dos dias, na dureza da rotina, no peso dos boletos e nas urgências do agora, esquecemos de levantar os olhos. Esquecemos de sonhar. Ficamos reféns do imediato, do palpável, da sobrevivência. Mas o sonho — ah, o sonho — ele mora lá na frente. E só quem levanta os olhos consegue vê-lo se aproximar.

Sonhar não é um luxo. É uma necessidade. É o que move o estudante da quebrada, o empreendedor do interior, o jovem que sonha em sair da estatística. É o que faz o operário estudar à noite, a mãe solo criar filhos com esperança, o executivo repensar seu propósito. Sonhar é o que nos conecta com o que há de mais humano: a capacidade de imaginar uma vida melhor — e lutar por ela.

É preciso, sim, olhar para frente mesmo nos dias nublados. Quando o céu parece cinza e as notícias pesam mais do que inspiram. É justamente nesses momentos que o horizonte se faz ainda mais necessário. Porque ele nos lembra que há algo depois da tempestade. Que o sol não desapareceu — só está escondido por enquanto.

E aqui vai um convite: não deixe que o mundo feche os seus olhos para o futuro. Levante o queixo, mesmo que a vida te empurre para baixo. Olhe para frente. Sonhe grande. E se não der para alcançar de primeira, caminhe mais um pouco. Porque quem sonha, anda. E quem anda, chega.

Que cada um de nós possa carregar esse olhar de criança que, em silêncio, acreditava que algo melhor viria. Porque vem. E quando vier, que possamos lembrar: foi o horizonte que nos ensinou a não desistir.

 


Francisco Carlos
CEO Mundo RH e Tec Login - Top 100 People 2023

Fonte: https://www.linkedin.com/pulse/o-horizonte-de-quem-sonha-por-que-nunca-devemos-parar-carlos-p8uyf/


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