De acordo com o
psicólogo Wanderley Cintra Jr., o feedback é uma ferramenta poderosa para o
sucesso da empresa, mas não pode ser confundido com bronca
O feedback é uma ótima ferramenta de aprendizado,
que visa a melhora do desempenho. Mesmo sabendo disso, muitos profissionais,
preocupados em criar clima desagradável, deixam de dá-lo, guardando os
incômodos para si. O problema é que, à longo prazo, esse comportamento fica
insustentável.
“Pense em uma represa. A água vai se acumulando até
que, eventualmente, a barragem não aguenta mais. É isso que ocorre quando um
líder não reporta as falhas de seus colaboradores. Uma hora ou outra ele vai
explodir, o que resultará em uma relação agressiva e desconfortável para
todos”, exemplifica Wanderley Cintra Jr., psicólogo especializado no
comportamento do trabalho.
Segundo Cintra, a intenção do feedback é transmitir
uma mensagem construtiva para melhorar o comportamento e desempenho de uma
equipe. Por isso, ele destaca a necessidade da implantação de uma cultura de
feedback extensiva. “Uma aplicação bem-feita do feedback pode tanto
potencializar as virtudes da equipe, quanto construir um ambiente de trabalho
mais saudável, franco e acolhedor”, diz.
Por que o feedback?
Para algumas pessoas, a palavra feedback já é
negativa por si só. Porém, Cintra explica que, na verdade, ela é um presente.
“O feedback é uma segunda chance. Se alguém aponta uma falha sua que está
atrapalhando seus resultados, é importante que possamos vê-lo como uma
oportunidade para consertar o que está errado e melhorar como profissional e
como pessoa”, aponta.
Além disso, o feedback é também uma ferramenta de
autoconhecimento. O psicólogo explica que quem não sabe escutar não se conhece,
e que devemos ser capazes de absorver elogios, críticas, e filtrar o que
funciona ou não para nós. “Quando recebemos e entregamos feedback, também
exercitamos essa leitura interna”, comenta.
E mais: de acordo com Cintra, o feedback constrói
um cenário de transparência entre colaboradores, de comunicação sincera,
conciliando produtividade e conforto dentro da equipe. “Motivação é o
combustível humano. Quando todos se unem para aprender e se aprimorar juntos, o
resultado é o mais frutífero possível”, afirma.
Como aplicar o feedback
Primeiramente, é importante entender que feedback é
diferente de bronca: trata-se de uma orientação, que deve ser conduzida pelo
líder com firmeza, mas cuidado. “O feedback pode vir a partir de um tom
corretivo, mas também como um reforço positivo. Se a equipe realizou uma tarefa
com primor, não deve haver omissão”, lembra.
Segundo Cintra, a chave do feedback é o equilíbrio:
“Não é sobre rasgar elogios ou repreender. É sobre auxiliar o seu colaborador,
a partir de uma visão de fora, a encontrar seu caminho, e incentivar que a
equipe exercite esse comportamento entre si”.
Para isso, é preciso que haja um planejamento entre
os gestores. Quanto mais próximo o feedback estiver do evento a ser comentado,
melhor. “É importante que a comunicação seja sempre constante para que os
colaboradores estejam aliados ao que a liderança almeja”, finaliza.
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