Médico ortopedista
desmistifica o assunto
O Tendão de Aquiles ainda é um tema que envolve
muitas crenças quando uma ruptura acontece. O fato, porém, é que o tendão de
Aquiles ou tendão do calcâneo é o mais longo e forte de todo o corpo humano, o
que não impede de ser, também, o mais lesionado da parte inferior do corpo,
segundo os atendimentos de médicos ortopedistas.
Para desmistificar o assunto, o Dr. Layron Alves,
ortopedista membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia e sócio
da Clínica LARC separou alguns pontos que geram muitas dúvidas sobre o assunto.
Mulheres não sofrem com ruptura do Tendão de
Aquiles
“Essa afirmação é um mito, com certeza. Pois,
apesar da incidência ser maior entre homens na faixa etária dos 20 aos 40 anos,
a ruptura do Tendão de Aquiles também pode acometer mulheres. Isso porque, o
tendão é uma estrutura formada de tecido conjuntivo fibroso rico em colágeno e
responsável por conectar os músculos aos ossos e por ajudar no processo de
movimento. Então, quando algo interfere na saúde dessa estrutura, tanto homens
como mulheres podem sofrer uma ruptura”, esclareceu.
Quadros de tendinite pré-existentes, doenças
correlacionadas como artrite, diabetes e obesidade; tabagismo; estresse; além
de exercícios extenuantes e repetitivos, que demandam partidas rápidas e
repentinas; e a falta de exercícios de aquecimento e alongamentos; são as
causas mais prováveis quando acontece esse tipo de lesão.
A dor da ruptura parece com a dor de uma pedrada
“Sim, é verdade. Muitos pacientes relatam uma dor
súbita, aguda e com alta intensidade na panturrilha, como se tivesse acabado de
levar uma pedrada muito forte. Logo depois, já percebe que não consegue
caminhar, a região fica vermelha e começa a inchar. O problema é que, embora
apareçam todos esses sintomas, o paciente demora a procurar por atendimento
médico. Isso porque, quando está sentado consegue movimentar o tornozelo, já
que existem outros tendões saudáveis na região. Isso atrapalha o tratamento,
que demora a começar”, alertou.
O melhor caminho, então, seria evitar a dor e o
longo tempo de recuperação, que pode variar de 3 a 6 meses, dependendo do caso.
E para prevenir é fundamental praticar atividades físicas diárias, usando
calçados adequados e de qualidade, realizar alongamentos diariamente, manter
hábitos saudáveis e consultas regulares em dia.
Todos os pacientes que rompem o Tendão de Aquiles
precisam de cirurgia
Mito. Não são todas as rupturas de Tendão de
Aquiles que devem ser tratadas com cirurgia, porque nem todas as lesões são
iguais e cada paciente apresenta um histórico médico único. Existe a ruptura
total, quando o tendão fica totalmente separado, e ruptura parcial, quando não
rompe completamente. Nesse último caso, a extensão pode variar bastante, o que
também interfere na indicação do tratamento.
“Para os pacientes atletas, que precisam voltar
mais rapidamente às atividades físicas, geralmente optamos por cirurgia. Mas,
já para outras pessoas, que não tem essa urgência, o tratamento mais
conversador é sempre melhor. Em ambos, o objetivo é o mesmo: restaurar o tendão
de modo que ele cicatrize unido e possa voltar a realizar os movimentos normalmente.
Isso exige tempo de recuperação com repouso, fisioterapia, medicação e muita
paciência. Não podemos forçar o tendão durante o tratamento, ele deve se
regenerar de acordo com o tempo de cada organismo, para assim conseguir uma
recuperação completa”, finaliza.
Doenças associadas a diabetes, tabagismo e outras
doenças metabólicas acabam ajudando na evolução dessa lesão, sendo assim, o
exercício físico – trabalhar a musculatura – e manter uma alimentação
balanceada são as principais medidas preventivas.
Dr. Layron Alves - ortopedista e especialista em tratamento de doenças crônicas degenerativas e em cirurgia do ombro e cotovelo, membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia do Ombro e Cotovelo (SBCOC). O especialista é preceptor efetivo da residência médica do Hospital Ipiranga SP e membro do grupo de cirurgia do ombro e cotovelo da Faculdade de Medicina do ABC.
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