É muito comum ouvirmos
especialistas indicando como um candidato deve se comportar na hora de uma
entrevista de emprego. Geralmente são as mesmas
recomendações: ir vestido de forma adequada à vaga pleiteada, ser
educado, risonho, simpático. Para as mulheres, sempre falam para não exagerar
na maquiagem e não extrapolar no uso do perfume, o que vale também para os
homens.
Mas e como sair daquelas
perguntas muito comuns sem cair no clichê ou obviedade? Exemplo? A clássica:
qual seu ponto fraco? A maioria das pessoas costuma falar que é ser
perfeccionista.
Então, como responder sem
queimar a largada, sem cair no óbvio e sem parecer que está provocando o
entrevistador? “Poderia falar, de forma elegante, que seria melhor perguntar
aos seus amigos, que o conhecem melhor. Outra possibilidade é falar, por
exemplo: pontualidade. Inverter os papeis e perguntar: ‘para
o posto que vou ocupar, não ser pontual é algo grave?’”,
aconselha o executive
coach Edson de Moraes,
formado pelo Instituto EcoSocial e certificado pelo ICF – International Coach
Federation e sócio do Espaço
Meio.
Porém, é só entrarmos em grupos
de profissionais no Facebook para nos depararmos com desabafos de pessoas que
passaram por situações constrangedoras. Um exemplo: uma moça que tem a certeza
de que não foi contratada por ter dito que tem uma doença psiquiátrica. Nesses
casos, vale a pena se abrir?
Moraes aconselha a ser sincero,
mas a responder o que for questionado e a não
falar voluntariamente. “O que interessa a essa pessoa perguntar sobre isso, se você estiver se medicando, se tratando? Porém,
se perguntarem, responda a verdade. Exemplos: ‘Sim,
tenho uma doença psiquiátrica, mas eu tomo remédio, faço terapia e estou bem’; ‘Fui contaminado
pelo vírus HIV, faço tratamento e isso não me impede de ter uma vida normal’.
O especialista aconselha a não
levantar bandeira sobre o problema, mas não omitir. Ou seja, de novo, responda o que for questionado. Porém, ele lança uma questão: “Se fizerem esse tipo de
pergunta, sobre saúde, gênero, política, situação financeira e temas afins,
acredito que valha a pena você também se questionar se gostaria de trabalhar em
uma empresa assim”.
Dizer não
Outra situação: uma pessoa se
candidata a uma vaga, mas o contratante fica sob sigilo. Só na última fase do
processo de seleção, após testes e entrevistas, fica sabendo que se trata de
uma empresa de tabaco, da indústria bélica, ou é um frigorífico ou confecção
que utiliza pele animal. E pelas suas crenças e valores, após a descoberta,
precisa dizer que não tem interesse na vaga.
Como sair bem dessa situação?
Moraes diz que na cultura ocidental
as pessoas vão ao processo de seleção e veem o entrevistador como alguém que
está lhe fazendo um favor, não como se essa relação fosse uma troca. No caso
acima, é cabível comentar com o recrutador que você não foi informado sobre o
ramo de atuação do contratante. O que também
pode ser feito é você se adiantar quando o
nome da empresa não for dito. Comente as suas restrições. Assim, nenhum dos
lados perderá tempo.
“As pessoas não têm coragem de falar
não, pois se sentem rejeitadas. Elas sempre esperam por
alguma recompensa. Outros pensam que falar não é uma barreira que
fechará portas. Porém, é preciso lembrar que se trata de um contrato de
trabalho e que ele não será eterno. Assim, voltamos ao que é realmente
importante, seus valores e crenças, isso vai determinar tudo”, finaliza Moraes.
Edson Moraes é sócio do Espaço Meio - https://espacomeio.com.br
- Executive Coach desde 2014
e Consultor (Gestão & Governança) desde 2003. Foi Executivo do Bank of
America entre 1982 e 2003. Seguiu carreira na Área de Tecnologia da Informação,
foi Head do Escritório de Projetos e CIO por 4 anos. É Master em
Project Management pela George Washington University. Participou de
programas de educação executiva na área de TI ( Stanford University, Business
School São Paulo e Fundação Getúlio Vargas). Formado em
Comunicação Social – Jornalismo pela PUC/SP. É Conselheiro de Administração
formado pelo IBGC, Coach pelo Instituto EcoSocial e certificado pelo ICF.
Articulista e palestrante nas áreas de Governança, Tecnologia da Informação e
Gestão de Projetos.

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