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segunda-feira, 1 de junho de 2026

Como prender a atenção de uma plateia em uma aula ou palestra?

Unsplash

O que segura a atenção de uma plateia e o que a dispersa de vez? Veja dicas de especialista em neurocomunicação

 

Prender a atenção de uma plateia, seja ela uma sala de aula cheia de alunos ou um auditório lotado para uma palestra, nunca foi uma tarefa simples. Porém, hoje em dia, com a constante distrações dos celulares e outros aparelhos eletrônicos que ninguém nunca deixa para trás, esse desafio se tornou ainda mais complicado. 

“Segurar uma plateia sem celular hoje é praticamente impossível, ou seja, se conseguir manter as pessoas longe das telas durante o discurso, já é sinal de que está no caminho certo. É preciso ter um discurso afiado e criar estratégias simples e eficazes para trazer o público para si”, diz Thiara Palmieri, ex-atriz e apresentadora, hoje especialista em neurocomunicação que já ajudou mais de 2 mil pessoas a se comunicarem melhor. 

De acordo com Thiara, é possível perceber quando uma plateia está interessada naquilo que assiste ou se desconectando. “Ver as pessoas com suas expressões corporais “derretendo”, por exemplo, é uma forma de entender que é preciso agilizar o discurso ou trazer as pessoas de volta para você”, comenta. 

Porém, como evitar que a plateia se desconecte e manter a atenção dela em você? Descubra na entrevista a seguir com a especialista: 

 

1- Qual o segredo que faz uma plateia realmente prestar atenção em alguém?

Thiara: Ser autêntico. Nada substitui uma pessoa verdadeira em cima do palco. Para além disso, é preciso ser dedicado, estudar e, acima de tudo, ser um excelente leitor, ter repertório para incluir analogias, metáforas e todo o aparato técnico necessário para manter o público atento.

 

2- Qual é a importância da voz, do ritmo e das pausas para manter o foco da audiência?

Thiara: É grande parte do trabalho. Uma voz bem colocada e com ritmo apropriado demonstra autoridade ao falar. E muito se engana aquele que pensa que precisa preencher o silêncio o tempo todo durante um discurso. É justamente na pausa, no silêncio, que o cérebro do público entende o que foi dito, interpreta a mensagem e volta a atenção plena para o palestrante. 

Um exemplo espetacular é observar os comediantes de stand-up: eles usam o silêncio lindamente para fazer o público rir. E nada pior do que um palestrante ou professor buscar palavras através de sinais sonoros (vícios de linguagem), como “eeeeee”, “ééééé”, “nééé” ou “huuummm”.

 

3- Como a linguagem corporal influencia a credibilidade do palestrante?

Thiara: A linguagem corporal vem antes da palavra, ou seja, ela é mais importante do que a própria palavra. E ela não precisa ser forçada, mas precisa ser consciente.

 

4- Usar histórias, exemplos ou mesmo humor realmente ajuda no aprendizado e na atenção? Por quê?

Thiara: Com certeza. Quando a analogia é usada de maneira direta e sucinta, com o objetivo de simplificar o ponto de vista do autor ou palestrante, o texto, a palestra ou o discurso podem se tornar bastante assertivos e eficazes. Até mesmo na área dos estudos da linguagem, a analogia é usada de maneiras diferentes em cada área - sintaxe, morfologia, fonética e semântica. 

Aristóteles afirmou que todas as coisas são iguais por analogia, pois tudo se relaciona entre si, dependendo do ponto de vista. E o cérebro trabalha por associação. Facilita muito para ele entender e apreender.

 

5- Existe diferença nas forma de prender a atenção de adolescentes, universitários e adultos?

Thiara: A técnica permanece a mesma, mas se adapta ao perfil da audiência. Existe a necessidade de saber usar a linguagem e a comunicação intergeracional adequadas para atingir cada público.

 

6- Slides ajudam ou atrapalham? Por quê?

Thiara: Ajudam. Porém, sempre partindo da ideia de que menos é mais. Slide não é conteúdo, não deve ter coisa demais, é um apoio.

 

7- Quais técnicas ajudam a “recuperar” uma plateia dispersa?

Thiara: Existem algumas técnicas que podem ajudar com isso, como: Mudanças bruscas de expressão corporal, como uma corridinha no palco; usar planos espaciais - baixo, médio e alto; saber utilizar posturas de poder a seu favor; Aumentar o volume em determinadas palavras e baixar o volume em outras; entre outras. 



Thiara Palmieri - acumula mais de três décadas dedicadas à comunicação, a partir de uma trajetória que une arte, televisão e o universo corporativo. Atriz, apresentadora, mentora e especialista em Neurocomunicação, ela desenvolveu um método próprio que combina técnica, emoção e propósito, ajudando profissionais e equipes a se expressarem com clareza, confiança e autenticidade. Idealizadora do projeto Comunica-Thi, Thiara já inspirou mais de 2 mil pessoas em todo o país a descobrirem sua voz e fortalecerem sua presença, seja em palestras, mentorias ou treinamentos corporativos.



O calor virou custo estratégico no datacenter de IA


Tenho visto empresas se preocuparem com o orçamento da infraestrutura de IA sem olhar com a mesma atenção para um tema decisivo: o calor. Compram GPU, planejam modelos, discutem nuvem, segurança e dados. Mas, muitas vezes, a refrigeração ainda aparece como mero detalhe técnico. Esse é um erro que pode sair bem caro.

 

Datacenters projetados para aplicações tradicionais agora recebem servidores com exigências físicas muito mais intensas. A questão deixou de ser apenas tecnológica e tornou-se corporativa: o ambiente está preparado para a IA que a empresa pretende escalar?

 

A resposta exige compreender a mudança de escala. Projeções indicam que a IA representará metade das cargas de trabalho até 2030, demandam enorme expansão energética e computacional. Infraestruturas tradicionais operam em torno de 12 kW por rack, enquanto sistemas de IA podem exigir entre 41 kW e 130 kW. Nesse cenário, o resfriamento a ar já não basta.

 

Por isso a refrigeração líquida ganhou protagonismo. Líquidos removem calor de forma mais eficiente e próxima do chip, o que permite suportar cargas elevadas de GPU sem comprometer desempenho. Parece detalhe de engenharia, mas define a capacidade de sustentar modelos maiores, reduzir latência e evitar desperdício de investimento.

 

Quando a temperatura sobe, as GPUs reduzem velocidade para se proteger, fenômeno conhecido como thermal throttling (estrangulamento térmico). Na prática, significa perda de capacidade computacional em equipamentos caros. Investimos em hardware, energia e talentos, mas perdemos performance por não tratar refrigeração como prioridade de competitividade.

 

Nesse ponto, o PUE (Indicador de Uso de Energia) deixou de ser apenas dado técnico e passou a simbolizar eficiência econômica e ambiental. Quanto menor o desperdício de energia, mais enxuto e sustentável se torna o datacenter. Grandes provedores globais já mostram avanços em eficiência térmica e redução de consumo, o que equivale dizer que refrigeração não é custo, mas diferencial competitivo e ativo valioso na pauta de sustentabilidade.

 

O mercado sinaliza urgência. O segmento de liquid cooling (refrigeração líquida) cresce rapidamente porque responde a uma demanda concreta: manter infraestrutura de alta densidade estável e eficiente. Quem começar cedo ganhará aprendizado e adaptação. Quem postergar enfrentará urgência, custo elevado e dependência maior de parceiros.

 

Três soluções principais se destacam: resfriamento direto ao chip, imersão em fluido dielétrico em fase única e imersão em duas fases. Cada modelo gera impactos distintos sobre manutenção, retrofit, densidade computacional e risco operacional, mas também abre espaço para ganhos de eficiência e vantagem competitiva.

 

O tema já ultrapassou o âmbito técnico. A refrigeração influencia arquitetura de IA, orçamento de capital, continuidade do negócio e competitividade. Equipes de datacenter precisarão operar ambientes preparados para GPU, redes de alta largura de banda e sistemas avançados de refrigeração. O parceiro tecnológico escolhido será determinante para a capacidade operacional dos próximos anos.

 

No Brasil, o desafio é ainda mais sensível. Limitações energéticas, metas ambientais, pressão por eficiência e maturidade desigual dos parques tecnológicos tornam a decisão complexa. CIOs convivem com restrição orçamentária, legado técnico e pressão por resultados rápidos em IA.

 

Não existe solução única. Muitas empresas adotarão modelos híbridos, com parte da operação em ar e ilhas específicas para cargas de IA com refrigeração líquida. Isso exige planejamento térmico, gestão energética, qualificação de equipes e visão clara de risco. O maior perigo talvez seja o timing. O mercado ainda oferece espaço para aprendizado e adaptação, mas nos próximos anos, com maior demanda por capacidade elétrica, componentes e especialistas, a pressão sobre custos e disponibilidade aumentará.

 

Liquid cooling, portanto, deixou de ser pauta exclusiva da engenharia. O CIO precisa levar o tema ao centro da estratégia de negócios, avaliar custo total, risco operacional, impacto em eficiência energética e metas ESG. O CEO deve enxergar refrigeração como parte inseparável da estratégia de IA. E o CFO precisa entender que calor invisível também pesa no resultado financeiro.

 

A inteligência artificial recolocou o datacenter no centro das decisões corporativas. Empresas que integrarem computação, energia e refrigeração como uma única gestão estarão mais preparadas para competir. As demais correm o risco de descobrir tarde demais que o calor já entrou no orçamento.





Silvio Ferraz de Campos - CEO da Positivo Servers & Solutions. Formado em administração de empresas e responsável pelo marketing e vendas da Positivo Servers & Solutions, ele trabalha há mais de 30 anos no setor de TI. Em 1988, fundou a Accept, antigo nome da Positivo Servers & Solutions


Quais são os problemas invisíveis do SAP Business One?


Uma armadilha silenciosa costuma se instalar nas empresas logo após os primeiros meses da implementação de um novo sistema de gestão. A diretoria comemora o cumprimento do cronograma, as equipes respiram aliviadas uma vez que passaram a ter uma operação estruturada. No entanto, uma pergunta incômoda precisa ser feita: o ERP está sendo realmente usado de forma estratégica? 

Em se tratando do SAP Business One, sistema de gestão para empresas em crescimento da multinacional alemã, existe uma diferença entre ter o software implantado e extrair inteligência operacional dele. O que se observa em muitas corporações é um cenário paradoxal. Isso é, o ERP está lá, operando no servidor, mas, por baixo do pano, a operação continua funcionando quase como antes, o que traz retrabalhos recorrentes, visto que as conferências são feitas de forma manual.  

Na prática, o sistema existe, mas a inteligência não flui. E, é exatamente nessa lacuna que nascem os problemas invisíveis, que são aqueles que não geram mensagens de erro na tela, porém desperdiçam a rentabilidade e a eficiência do negócio todos os dias. O primeiro sinal claro dessa subutilização é o custo invisível dos controles paralelos.  

Quando a cultura da empresa não confia plenamente no dado que sai do ERP, cria-se uma burocracia oculta. Surgem planilhas para "bater" com o sistema, controles duplicados de estoque e múltiplos relatórios para a mesma informação. Recursos nativos do SAP Business One, como dashboards integrados, consultas personalizadas e automações de monitoramento operacional, são negligenciados. O resultado é uma perda de produtividade silenciosa, afinal, quanto mais a operação depende de controles externos, menor é a sua maturidade operacional. 

Essa falta de visualização se estende à tomada de decisão. O sistema de gestão foi desenhado para ser um motor analítico, porém muitas lideranças o reduzem a um mero registrador de dados fiscais e contábeis. Dessa forma a gestão atua de forma puramente reativa, descobrindo os gargalos apenas quando eles já viraram crise ou quando bateram na porta do cliente. O preço de decidir tarde é alto e se traduz em compras desnecessárias, estoques parados, fluxo de caixa pressionado e uma crônica falta de previsibilidade. O problema aqui não é apenas perder produtividade, mas a capacidade de se antecipar ao mercado. 

Outro ponto crítico está no conflito entre a evolução tecnológica e a estagnação cultural. É comum ver empresas operando um ERP moderno sob uma gestão analógica e cheia de vícios. Os usuários continuam executando tarefas “como sempre fizeram”, ignorando workflows e aprovações automatizadas para manter combinações informais via aplicativos de mensagem. Assim, caso surja um problema, é corrigido o sintoma, e nunca a causa raiz, pois ninguém sabe ao certo quem aprovou ou por onde o processo passou. Na prática, a organização até consegue crescer, entretanto, seus processos não escalam, tornando-a perigosamente dependente de pessoas específicas. 

Essa resistência costuma ser alimentada por um erro comum: o mito do "projeto encerrado". Tratar o ERP como uma obra que tem data para acabar e cuja responsabilidade termina após o go-live é um equívoco perigoso. O mercado muda, as regras fiscais sofrem alterações, sendo assim, a estratégia da empresa também precisa se transformar, mas esse movimento pode ser impedido se as parametrizações do sistema continuam estáticas, exatamente como foram desenhadas anos atrás.  

Deste modo, sem treinamento contínuo das equipes e sem revisões operacionais periódicas, o SAP Business One passa a refletir processos, decisões e limitações do passado. É importante enfatizar que o ERP não deve ser um retrato estático, visto que precisa acompanhar a evolução e o nível de maturidade do negócio. 

Toda essa ineficiência interna inevitavelmente transborda para o mercado. Afinal, a experiência do cliente começa muito antes do atendimento na ponta, sendo o reflexo direto da saúde operacional da organização. Nesse aspecto, erros de faturamento, atrasos na entrega, respostas desencontradas do comercial e dificuldades no pós-venda quase nunca nascem na linha de frente, contudo, são frutos de silos organizacionais e da falta de integração entre as áreas que utilizam o sistema. O cliente final pode nunca ver a interface do ERP, porém sente o impacto exato da sua subutilização. 

O antagonista do crescimento não é o SAP Business One. O verdadeiro gargalo está na superficialidade do uso, na falta de evolução contínua e na ilusão de que a tecnologia, por si só, resolve processos frágeis. Recursos de ponta como automação de processos, gestão em tempo real e indicadores operacionais não podem ser consideradas meras funcionalidades técnicas, mas capacidades de gestão. Transformar o ERP de um centro de custos de lançamentos em um motor de inteligência e escalabilidade exige uma mudança de mentalidade. Afinal, os piores problemas de uma empresa são aqueles que a rotina já normalizou e que continuam deixando dinheiro pelo caminho, sem que ninguém perceba.  



Tânia Alves - Gerente de Engajamento do Cliente (CEE).

Okser


Senac apoia empresas com capacitações gratuitas sobre a NR-1

A NR-1 muda a forma como as empresas brasileiras
precisam lidar com saúde e segurança no trabalho
 Divulgação Senac

Os cursos são on-line e gratuitos, para lideranças e suas equipes, e representam um suporte ao empresariado do Comércio de Bens, Serviços e Turismo.


Há 80 anos, o Senac desenvolve pessoas e empresas para os desafios do mercado de trabalho. Agora, a Instituição também apoia organizações na adaptação às novas exigências da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) e aos temas relacionados à saúde mental no ambiente corporativo.
 

A NR-1 muda a forma como as empresas brasileiras precisam lidar com saúde e segurança no trabalho. A partir de 26 de maio, os riscos psicossociais passaram a integrar oficialmente a gestão obrigatória das organizações como parte do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). 

Na prática, significa que fatores relacionados à saúde mental no ambiente corporativo têm de ser identificados, acompanhados e gerenciados pelas empresas. A medida busca modificar um cenário assustador apontado pela Organização Mundial de Saúde: transtornos mentais relacionados ao trabalho já são a terceira maior causa de afastamentos no Brasil e aumentaram cerca de 70% nos últimos dez anos. Representam uma perda de US$ 1 trilhão para o mercado mundial. 

Mais que uma adequação legal, o tema já vem sendo tratado como uma estratégia de negócio. Empresas que investem em ambientes de trabalho mais saudáveis tendem a reduzir afastamentos, enfrentar menos riscos trabalhistas, fortalecer lideranças e construir equipes mais produtivas e engajadas. 

Os cursos ofertados pelo Senac são autoinstrucionais, dinâmicos e gratuitos, com duração média de 40 minutos a 10 horas. São direcionados a lideranças e suas equipes: 

  • Saúde mental para gestores e líderes: conformidade e boas práticas com base na atualização da NR-1;
  • Saúde mental e NR-1: o que você precisa saber?;
  • O que são fatores psicossociais no trabalho?;
  • Gestão de riscos psicossociais: papel das lideranças;
  • Burnout agora é doença ocupacional;
  • Ambiente seguro e saudável no trabalho (NR-1).

Acesse a plataforma para conhecer os cursos: Link


O que muda com a nova NR-1?

A NR-1 é a principal norma relacionada à saúde e segurança do trabalho no Brasil. Estabelece diretrizes gerais para o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) e serve como base para as demais Normas Regulamentadoras. Com a atualização, os chamados riscos psicossociais relacionados ao trabalho passam a fazer parte da gestão obrigatória das empresas.

Entre os fatores que entram nesse acompanhamento e devem ser considerados no inventário de riscos e dos planos de ação das empresas estão:

  • jornadas excessivas;
  • sobrecarga de demandas;
  • pressão constante por resultados;
  • assédio moral e sexual;
  • falta de suporte organizacional;
  • desgaste emocional contínuo.

 

Benefícios para empresas e suas equipes

Especialistas apontam que ambientes psicologicamente seguros tendem a gerar mais engajamento, produtividade e desenvolvimento das equipes. Entre os benefícios estão:

  • redução de afastamentos;
  • fortalecimento da cultura organizacional;
  • melhoria do clima de trabalho;
  • redução de riscos trabalhistas;
  • lideranças mais preparadas;
  • maior capacidade de atrair e reter talentos.


Acesse a plataforma para conhecer os cursos: Link

 

Rotatividade no C-Level: qual o momento certo para reposicionar executivos?

Nos últimos anos, a estabilidade no topo das empresas deixou de ser uma constância para se tornar uma variável estratégica. Afinal, em um ambiente de negócios marcado pela transformação digital, avanço da inteligência artificial, novas demandas do mercado e pressão constante por resultados, executivos passaram a enfrentar desafios que exigem adaptação contínua — inclusive na própria posição que ocupam dentro das organizações. Porém, surge uma dúvida frequente ao se deparar com este momento: o que avaliar nessa movimentação do C-Level? 

Existem três fatores que costumam ser levados em consideração na rotatividade desses executivos: se o profissional segue performando dentro do esperado pela organização, se o próprio executivo(a) ainda se sente motivado e desafiado em sua posição e deveres, ou se há algum tipo de conflito na construção dos objetivos de curto prazo com os de médio e longo prazo, capaz de gerar desmotivação. 

Em qualquer um deles, seja pela quebra de expectativa em seus entregáveis ou a percepção de que entrou em uma rotina que não lhe proporciona mais nenhum tipo de aprendizado significativo que o permita continuar progredindo em sua carreira, abre margem para uma queda de produtividade e empenho que são extremamente prejudiciais para todos os lados. 

A necessidade de atualização constante, inclusive, já é reconhecida pelos próprios líderes: cerca de 72% dos gestores estão buscando fontes e métodos de aprimoramento de suas competências para que estejam cada vez mais preparados para lidar com o dinamismo do mercado atual, segundo uma pesquisa da edX. Se colocar nesta posição de vulnerabilidade a favor de uma capacitação contínua é um dos comportamentos mais importantes para evitar uma insistência de um executivo em sua cadeira, sem que haja mais um alinhamento estruturado. 

Para identificar a necessidade dessa troca, é fundamental revisitar e avaliar os entregáveis do(a) executivo(a) de tempos e tempos, o que deve passar pelo crivo de várias esferas internamente. O conselho, por exemplo, precisa participar dessa avaliação, tendo uma maior diversidade de visões sobre cada executivo antes de tomar qualquer decisão. 

Aqui, mais do que avaliar a performance do(a) executivo(a) C-Level durante seu período histórico, e não apenas uma janela pontual, é crucial compreender os motivos que podem ter desencadeado qualquer quebra de expectativa – seja questões externas de mercado, falta de apoio interno na própria empresa, falta de feedbacks, dentre muitos outros. Essas respostas trarão um norte mais seguro para identificar uma eventual necessidade de reposicioná-lo ou não, desde que esteja pronto para assumir um novo desafio que o permita continuar crescendo em sua carreira. 

Agora, mesmo com todo o preparo e análise, ainda assim, muitas movimentações tendem a desencadear certa insegurança organizacional entre os times. Em ambientes com culturas meritocráticas, por exemplo, que não promovem um profissional que apresenta grande dedicação e grandes resultados, outros profissionais podem questionar os motivos dessa falta de “reconhecimento”, podendo até mesmo se sentirem frustrados. E, a melhor forma de evitar qualquer desentendimento nesse sentido, é mantendo a máxima transparência e clareza possível a respeito das decisões tomadas. 

Toda cadeira executiva é feita de altos e baixos, o que reforça a importância de sustentar a transparência entre o que se espera de cada uma das partes, mantendo uma comunicação objetiva e clara a todo o momento e, acima de tudo, maturidade ao entender que a rotatividade dessa posição é algo natural de ocorrer em algum momento dessa jornada. Com esses cuidados aliados a um plano de carreira bem estruturado, as chances de conduzirem essa movimentação minimizando inseguranças e conflitos serão potencializadas, mantendo uma boa governança interna a favor do crescimento corporativo contínuo. 




Thiago Gaudencio - headhunter e sócio da Wide Executive Search, boutique de recrutamento executivo focado em posições de alta e média gestão.

Wide
https://wide.works/

 

As rotas do FFLVO de resultado: da inteligência operacional à paixão que gera valor

 O setor de FFLVO (Frutas, flores, legumes, verduras e ovos) é o coração pulsante do supermercado. É a seção que desperta os sentidos, transmite frescor, saúde e cuidado, e que mais aproxima o varejo do consumidor. Segundo a ABRAS, frutas, legumes e verduras já respondem por até 40% do faturamento dos supermercados brasileiros, e lojas com maior participação de produtos frescos no mix podem alcançar até 15% mais lucro que a média do setor.

Para 2026, a expectativa é de oferta mais ajustada, preços mais firmes e espaço crescente para produtos de maior valor agregado. Mas capturar esse valor exige uma mudança de mentalidade. Os três painéis deste Fórum são as três rotas dessa transformação.

Nos vários eventos pelo Brasil, a IFPA propõe traçar rotas da Inteligência comercial: da compra estratégica à exposição que vende, da Comunicação estratégica à conquista do ‘shopper’ de FFLVO e a colaboração entre fornecedores e supermercados para construir o segmento de produtos frescos que gera resultados.

A primeira rota do FFLVO de resultado começa onde tudo começa na operação: na decisão de compra e na forma como o produto chega à gôndola.

Uma análise recente da ABRAPPE identificou um padrão preocupante no varejo alimentar brasileiro: compras baseadas em "feeling" ainda são a regra em grande parte das operações de FLV. Replicar o pedido da semana anterior ou confiar exclusivamente na experiência do comprador pode funcionar em períodos estáveis, mas o FFLVO não opera em linha reta — clima, sazonalidade, comportamento regional, qualidade do fornecedor e giro por categoria impactam diretamente o desempenho. Sem dados consistentes, a loja compra errado, que pode significar excesso, ruptura ou perda acelerada.

O problema se estende à exposição. Layout é engenharia de venda, produtos de maior margem e melhor giro precisam ocupar pontos quentes, enquanto itens sensíveis exigem exposição pensada para reduzir manuseio excessivo e deterioração, que chega a 4,73% de perdas, a maior taxa entre todas as seções do supermercado. Em casos reais analisados, perdas chegaram a 12% antes de intervenções estruturadas — e, após 90 dias de ajustes em compras, exposição e controle por subcategoria, houve redução significativa das perdas e melhoria clara da margem.

Varejistas que já adotam modelos preditivos baseados em inteligência artificial conseguem reduzir perdas em até 25% e rupturas em até 30%.

A segunda rota do FFLVO de resultado enfrenta um dos maiores gargalos do setor: a dificuldade de comunicar valor ao consumidor para além de preço e frescor. Enquanto outras categorias do supermercado, como vinhos, queijos, cervejas artesanais, até água engarrafada trabalham segmentação, storytelling e diferenciação de marca com sofisticação crescente, o FFLVO ainda compete com mensagens genéricas que perdem espaço para a comunicação agressiva de snacks, doces e ultraprocessados.

O dado mais revelador é que, enquanto os preços médios dos alimentos no varejo aumentaram entre 30% e 40% desde 2019, o valor dos produtos frescos subiu apenas cerca de 18% por quilo no mesmo período. Em alguns casos, os preços atuais são até menores que os de sete anos atrás. Mesmo com reajustes mais moderados, a demanda avança lentamente. Isso demonstra que o problema não é preço, mas é falta de conexão com a forma como o consumidor descobre e escolhe alimentos hoje.

Paralelamente, a saudabilidade é a principal macrotendência do mercado de alimentos em 2026, segundo levantamento que compilou 682 tendências de 80 fontes globais. O consumidor está cada vez mais atento à saúde, ao bem-estar e à funcionalidade dos alimentos, mas só será beneficiário de fato se souber comunicar esse valor no ponto de venda, nas redes sociais e na jornada de compra.

A terceira rota do FFLVO de resultado aborda a dimensão mais transformadora, e talvez a mais negligenciada da cadeia: a colaboração estratégica entre quem produz e quem vende. Historicamente, a relação entre fornecedores de FFLVO e supermercados no Brasil foi construída sobre uma lógica transacional: negociação de preço, volume e prazo de entrega. Essa dinâmica, embora funcional, deixa sobre a mesa um enorme potencial de geração de valor compartilhado.

O trade marketing voltado para FFLVO é definido como a ponte entre o fornecedor, o varejo e o consumidor final. O cenário de 2025 tornou essa lacuna ainda mais evidente: o produtor colhe sem visibilidade da demanda real, o distribuidor opera com estoques desbalanceados, e o supermercado compra sem dados de qualidade e shelf life que permitiriam otimizar a operação. O resultado é um sistema onde todos perdem um pouco e o consumidor, no final, encontra menos frescor, menos variedade e menos valor.

A boa notícia é que modelos colaborativos já demonstram resultados concretos em outros setores do varejo alimentar. Planos de negócios conjuntos entre indústria e varejo, quando bem executados, geram crescimento de vendas, redução de rupturas e melhoria de margem para ambos os lados. Aplicar essa lógica ao FFLVO, com as adaptações necessárias para a natureza perecível e sazonal da categoria, é a fronteira de inovação que pode redefinir o setor.

Quando produtor e varejista deixam de se enxergar como pontas opostas de uma negociação e passam a se ver como parceiros de uma mesma missão, que é levar o melhor FFLVO à mesa do consumidor, a paixão que transforma o varejo se traduz em gôndolas mais inteligentes, consumidores mais satisfeitos e margens mais saudáveis para toda a cadeia.

 

Valeska Ciré - gestora da entidade global International Fresh Produce Association (IFPA) no Brasil.

 

Corpus Christi deverá movimentar R$ 6,4 bi para o turismo do estado

 

 

Corpus Christi em Tremembé
(Foto: Prefeitura de Tremembé / Nicolas Louzada @Nicloufoto)
Destinos de sol e praia, como São Sebastião, Peruíbe e Bertioga, esperam mais de 240 mil turistas. Atibaia, no interior paulista, espera mais 50 mil visitantes entre 4 e 7 de junho

 

O fluxo de visitantes esperado nos municípios paulistas durante o feriado de Corpus Christi (4 a 7 de junho) deve ficar 4,9% maior este ano, em relação ao ano passado, e gerar uma movimentação financeira direta de R$ 6,4 bilhões para a economia do turismo do estado. O levantamento é do Centro de Inteligência da Economia do Turismo (CIET), ligado à Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (Setur-SP). 

As estimativas apontam para cerca de 3,35 milhões de turistas em trânsito durante os quatro dias. Entre os municípios com maior expectativa de recebimento de visitantes, São Sebastião lidera com previsão de 90 mil turistas, seguido por Peruíbe, com 85 mil, Bertioga, com 70 mil, Olímpia, com 66,9 mil, e Atibaia, que espera 50 mil turistas. 

Na avaliação do CIET, os números apresentam desempenho projetado igual ou superior ao observado em 2025. No panorama geral da sondagem, 74% dos municípios informaram possuir celebrações ou eventos tradicionais capazes de atrair visitantes, enquanto 63% afirmaram promover iniciativas de conscientização ambiental e 77% destacaram que o feriado contribui para preservar as tradições culturais locais. 

Entre os destinos analisados, Atibaia, Bertioga e Peruíbe se destacam por responderem positivamente à existência de eventos tradicionais durante o período. Em Atibaia, haverá confecção de tapetes e procissão religiosa; em Bertioga, a confecção de tapetes de serragem na Paróquia São João Batista, aliada à procissão do Santíssimo Sacramento, figura como o principal atrativo; já em Peruíbe, a procissão de Corpus Christi no centro e a missa campal na Praça Matriz reforçam o caráter cultural e religioso da data. “Essas manifestações culturais fortalecem a identidade local e impulsionam o turismo, contribuindo para a movimentação econômica em diversas regiões do estado”, observa a secretária de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo, Ana Biselli. 

A Setur-SP listou alguns dos eventos e programações com a temática de Corpus Christi. Nas regiões de Bauru e Itapetininga, os municípios de Iacanga, Jahú, Cesário Lange e Pratânia se destacam com tapetes, missas e procissões. 

Na região de Campinas, Estiva Gerbi realiza a tradicional Festa de Corpus Christi, com destaque para a confecção dos tapetes ao longo de um percurso de aproximadamente 500 metros. A decoração será produzida totalmente com sal colorido, em um trabalho coletivo que mobiliza moradores, voluntários e integrantes da comunidade católica local. Em Indaiatuba, um dos destaques da programação é o espetáculo “Ressurreição 2026: Alegrai-vos, Ele vive entre nós!”, promovido pela Secretaria Municipal de Cultura. Ainda na região, Ipeúna, Lindóia, Nazaré Paulista, Pedreira e Tuiuti promovem celebrações religiosas, confecção de tapetes coloridos e festa popular para atrair o público. 

Confira também a programação na Baixada Santista e Vale do Ribeira, no Vale do Paraíba, e nas regiões de Itapeva e de Sorocaba.


 

Migração de capital: onde estão as melhores opções de emprego?

O Brasil ainda é o país das oportunidades? Notícias sobre demissões em massa, instabilidade econômica, guerras e redução de investimentos passaram a se tornar constantes, criando um contraste no mercado: de um lado, áreas que enfrentam desaceleração, cortes e retração; enquanto, do outro, vemos empresas em uma corrida ativa por talentos qualificados e vagas abertas. Em meio a esse cenário, uma percepção ganha força: as oportunidades continuam existindo — mas, nem sempre, onde costumavam estar. 

A expansão de mercados, inovação tecnológica, mudanças demográficas e novas prioridades de investimento movimentam, constantemente, o mercado global. A ascensão e queda de setores sempre fizeram parte da economia, o que tornou a capacidade de leitura de cenário e criatividade de adequação pelos profissionais algumas das habilidades mais essenciais para que consigam surfar essas ondas e continuar explorando essas oportunidades. 

O relatório “Future of Jobs 2025”, do World Economic Forum, comprova essa realidade: segundo seus dados, até 2030, estima-se que haverá uma transformação equivalente a 22% dos empregos atuais. A projeção é de 170 milhões de novos postos criados, além de 92 milhões que serão eliminados, resultando em um saldo positivo de 78 milhões de empregos globalmente. 

Crises externas e inerentes ao empresário sempre existirão. O que fará a diferença entre aqueles que continuam prosperando e os que acabam perdendo espaço será sua capacidade de elasticidade e flexibilidade, através de um mindset aberto a explorar novas perspectivas profissionais. Do contrário, se lamentar pelos momentos de instabilidade apenas fará com que fiquem para trás na corrida da prosperidade corporativa. 

O avanço da inteligência artificial talvez seja o exemplo mais claro de como a migração de capital redefine oportunidades profissionais. Ao mesmo tempo em que a IA vem acelerando ganhos de produtividade e criando funções — de especialistas em IA generativa, a engenheiros de prompts e líderes de estratégia nessa tecnologia — ela também reduz a demanda por atividades repetitivas e operacionais. Seu impacto, contudo, não ocorre de forma homogênea.  

Empresas e regiões com maior investimento nessa solução tendem a capturar mais crescimento, enquanto mercados com baixa adoção enfrentam riscos de perda de competitividade. O mesmo estudo do Fórum Econômico Mundial, como prova disso, também apontou que 60% dos empregadores esperam que o avanço digital transforme seus negócios até 2030, com a IA e Big Data aparecendo como as competências de crescimento mais acelerado no mundo. Além disso, cerca de 40% das habilidades exigidas no trabalho devem mudar até o fim da década, tornando a requalificação das skills uma necessidade estratégica. 

Em outras palavras, apesar de a IA ter otimizado certas funções, também reorganizou o valor do trabalho humano, impulsionando a criação de novas competências para sustentar a produtividade em uma economia cada vez mais híbrida entre pessoas e tecnologia. As mudanças sempre ocorrerão, e cabe a cada um de nós escolher como lidar com elas: se vitimizando, se adaptando ao cenário ou promovendo o futuro, sendo agentes e provocadores das transformações do mercado. 

Nenhum profissional estará sempre preparado e capacitado para lidar com qualquer imprevisto. Mas, aqueles que estiverem abertos a buscar conhecimento, contratar talentos qualificados para somarem aos processos, e que tenham sempre uma dose de humildade para assumir que precisará de aprimoramento contínuo, terão um conjunto de ações necessárias para que não se percam mesmo diante de uma eventual tempestade. 

 

Ricardo Haag - headhunter e sócio da Wide Executive Search, boutique de recrutamento executivo focado em posições de alta e média gestão.


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Primeiro emprego: veja quais habilidades estão em alta no mercado de trabalho

 

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  Empresas valorizam cada vez mais competências comportamentais, como comunicação, organização e adaptabilidade, além do conhecimento técnico

 

Conseguir o primeiro emprego tem sido um dos principais desafios para jovens que estão entrando no mercado de trabalho. Em meio à competitividade e às rápidas transformações no ambiente profissional, apenas ter um diploma ou conhecimento técnico já não é suficiente para garantir uma vaga. Hoje, empresas buscam profissionais capazes de se adaptar, trabalhar em equipe e resolver problemas do dia a dia com eficiência. Pensando nisso, Leonardo Andreoli, diretor nacional da Prepara IA, rede de ensino profissionalizante pertencente ao Grupo MoveEdu, elenca quais habilidades estão em alta para quem busca ingressar no mundo corporativo. 

Um levantamento do Future of Jobs Report 2025, do World Economic Forum (WEF), reforça essa mudança no perfil buscado pelas empresas. Segundo o estudo, mesmo com o avanço da inteligência artificial e da digitalização, 69% das 2.800 habilidades analisadas continuam ligadas a competências cognitivas, sociais e comportamentais. O relatório também aponta que 63% das lideranças consideram as lacunas em habilidades comportamentais como a principal barreira organizacional entre 2025 e 2030. 

Entre as competências mais valorizadas estão pensamento analítico e criativo, resiliência, flexibilidade, agilidade, liderança, influência social e autoconsciência. A Harvard Business Review (HBR) também destaca que habilidades humanas tendem a ter maior longevidade profissional do que conhecimentos puramente técnicos, que se tornam obsoletos mais rapidamente. Na prática, empresas de tecnologia e inovação já identificaram que profissionais de alta performance se destacam principalmente pelo repertório humano, e não apenas pelas competências técnicas. 

“Entre as habilidades consideradas essenciais atualmente está a comunicação. Saber transmitir ideias de forma objetiva, ouvir colegas e participar de reuniões ou apresentações com clareza pode fazer diferença logo nos primeiros contatos profissionais. A competência também inclui a escrita de e-mails, mensagens e relatórios de forma adequada”, explica Leonardo Andreoli. 

Ainda de acordo com o executivo, o trabalho em equipe aparece como outro ponto importante. Em ambientes corporativos cada vez mais colaborativos, empresas valorizam candidatos que saibam dividir responsabilidades, respeitar opiniões diferentes e contribuir para soluções coletivas. Já o pensamento crítico é visto como um diferencial para profissionais capazes de analisar situações, identificar problemas e propor melhorias. A habilidade ajuda na tomada de decisões e na busca por soluções mais estratégicas dentro das empresas. 

A adaptabilidade também ganhou espaço entre as competências mais procuradas. Com mudanças constantes em ferramentas, processos e formatos de trabalho, profissionais que conseguem aprender rapidamente e lidar bem com novas situações tendem a se destacar. Além disso, organização e gestão do tempo seguem entre os fatores mais observados pelos recrutadores. Cumprir prazos, planejar tarefas e evitar retrabalho são características valorizadas mesmo em vagas de entrada. Especialistas em recrutamento destacam ainda a importância do equilíbrio entre habilidades técnicas, chamadas de hard skills, e competências comportamentais, as soft skills. Conhecimentos em ferramentas digitais, Excel, programação ou marketing, por exemplo, continuam relevantes, mas precisam estar acompanhados de boa comunicação e capacidade de colaboração. 

“Para quem busca o primeiro emprego, a recomendação é investir no desenvolvimento dessas competências desde cedo. Projetos voluntários, cursos livres, atividades em grupo e até experiências acadêmicas podem ajudar na construção dessas habilidades práticas. Na hora de elaborar o currículo, o candidato deve ir além e não listar apenas as características genéricas. O ideal é apresentar exemplos concretos de situações em que desenvolveu ou aplicou determinada competência, demonstrando resultados e participação ativa. Em um mercado cada vez mais dinâmico, desenvolver habilidades profissionais deixou de ser apenas um diferencial e passou a ser requisito básico para quem deseja conquistar espaço e crescer na carreira”, finaliza o diretor nacional da Prepara IA.

 

Com nova NR-1, comunicação ajuda a enfrentar riscos no ambiente de trabalho

Norma amplia foco exige que empresas transformem canais formais em práticas efetivas 


A atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que amplia as exigências sobre Segurança e Saúde no Trabalho, coloca a comunicação no centro das estratégias corporativas ao incluir os riscos psicossociais na gestão das empresas. As novas diretrizes passaram a valer a partir do dia 26 de maio e exigem das organizações não apenas adequação técnica, mas também coerência entre discurso e prática no cotidiano. Para Vivian Rio Stella, pós-doutora em Linguística, idealizadora da VRS Academy e TEDx Speaker, o desafio está justamente nessa integração.

“A comunicação não resolve as questões de saúde mental, mas ela pode ser um sintoma e, muitas vezes, um intensificador”, afirma Vivian. “A NR-1 amplificou a atenção das organizações para questões psicossociais que sempre estiveram presentes no trabalho, como conflitos interpessoais, insegurança nas relações profissionais e pressão excessiva”, completa.

A norma, revisada pelo Ministério do Trabalho e Emprego, passa a exigir que empresas identifiquem e monitorem fatores como sobrecarga e assédio, além de estruturar mecanismos de resposta e acompanhamento. A relevância do tema não é restrita ao Brasil. Um estudo global da Organização Internacional do Trabalho (OIT), divulgado em 2026, aponta que mais de 840 mil pessoas morrem todos os anos em decorrência de problemas de saúde relacionados a riscos psicossociais, como longas jornadas, insegurança no emprego e assédio no ambiente de trabalho.

Nesse cenário, a comunicação deixa de ser apenas suporte operacional e assume um papel estruturante, uma vez que é por meio dela que os riscos se tornam visíveis, são relatados e, muitas vezes, manifestam-se no ambiente de trabalho.

“Recebemos muitas demandas para resolver um suposto problema de comunicação, e o diagnóstico revela questões muito mais profundas. As formas como as pessoas se comunicam evidenciam o que está desorganizado no trabalho”, pontua.

Na prática, canais de escuta, registros de ações de capacitação e meios para que colaboradores possam reportar situações de assédio ou sobrecarga ganham destaque. Esse movimento fortalece a comunicação, essencial para atender às exigências da norma, mas também pode expor a distância entre o que está documentado e o que acontece no dia a dia.

“A NR-1 está fazendo com que as empresas adotem ferramentas para sinalizar se as pessoas estão bem ou não, para reportar casos de assédio ou sobrecarga”, explica. “Mas o quanto isso está, muitas vezes, na formalização para atender a uma norma? E como isso se sustenta nas práticas cotidianas?”, questiona.

Com a NR-1 em vigor e a fiscalização prevista para avançar após um período inicial de orientação, as empresas entram em uma fase decisiva que é transformar exigências regulatórias em práticas consistentes.

 

Vivian Rio Stella - doutora em Linguística pela Unicamp, pós-doutora pela PUC-SP, idealizadora da VRS Academy e TEDx Speaker. Colunista da revista Você RH e professora da Fundação Dom Cabral, Escola Aberje e de curso de comunicação na Audible/Casa do Saber, Vivian é reconhecida por sua abordagem humanista, crítica e contextual, que foca na comunicação para promover colaboração, respeito e diálogo nas organizações. Ao longo dessa jornada, já realizou palestras, workshops e consultorias para mais de 300 empresas de diferentes portes e setores.

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