Com dramaturgia de Dionísia Gonçalves, Maria José Alves e Cristiane Sobral e direção de Juliana Pardo e Alício Amaral (Cia Mundu Rodá) o espetáculo do Núcleo PARELHA coloca a periferia em foco e cria uma reflexão sobre os muros que crescem sem parar
Em uma reflexão sobre os territórios
urbanos e a experiência de se viver na periferia de Parelheiros, distrito da
zona sul de São Paulo, o Núcleo PARELHA apresenta seu trabalho inédito, PARELHA
- Um olhar sobre a realidade até o final de 2025.
O espetáculo tem sessões na Laje
Cultural Núcleo Parelha, de 18 a 26 de outubro de 2025; no Restaurante
da Marlene, de 22 a 30 de novembro; e na Praça Júlio César de Campos, de
6 a 14 de dezembro (ver abaixo o serviço completo).
O espetáculo, que mistura teatro,
música autoral, audiovisual e memória viva da periferia, nasceu de uma
experiência vivida pelas artistas Maria José Alves e Dionísia
Gonçalves, que se formaram pela Escola Livre de Teatro de Santo André e
vivem juntas na periferia de Parelheiros desde 2019.
Certo dia, durante a pandemia de
Covid-19, a vizinha das artistas resolveu subir um muro demarcando o seu
território.“O muro revelou-se não apenas como algo físico, mas também
simbólico, como um limite histórico, político e territorial. E isso nos
impulsionou a investigar: ‘Do que é feito um território?’. Em Parelheiros, a
neblina nos visitava quase todos os dias, mudando o clima de uma hora para
outra. Entre sol, chuva e frio, ensaiávamos na laje, cercadas de vizinhos
curiosos. Tijolos viraram instrumentos, blocos e rebocos viraram cena. Entre
músicas, saltos e improvisos, ressignificamos aquele espaço comum, rindo e
chorando, mas sempre criando em liberdade”, revela Gonçalves.
“O nome da peça faz referência às
corridas de cavalos que batizaram o bairro, e, de certa forma, é uma homenagem
a essa região que completou 198 anos em 2025. Mas, ao mesmo tempo, afirma: ‘Não
somos cavalos ensinados a andar em parelha. Foi como se dois cavalos nos atravessassem:
um que lembrava o passado do território, outro que revelava as lutas do
presente. Daquela laje começamos a estudar Parelheiros e nunca mais fomos as
mesmas. Travamos batalhas diárias por este lugar, porque acreditamos que há
territórios que precisam ser contados”, complementa Alves.
Para ajudá-las a contar essa história,
convidaram um time de artistas de várias áreas. Na direção e preparação
corporal, estão Juliana Pardo e Alício Amaral (Cia Mundu Rodá);
na dramaturgia, a escritora Cristiane Sobral; no audiovisual, Flávio
Barollo; e na direção musical e instrumentos experimentais, Gregory
Slivar.
Além de atuarem, Dionísia e Maria ainda
interpretam ao vivo a trilha sonora original composta por elas mesmas, com
instrumentos alternativos, feitos de objetos ressignificados, como canos de
PVC, martelo, serra, blocos, trenas e até uma calha.
Na peça, o público conhece a história
de dois cavalos, Santa Cruz e Parelheiros, que correm sem parar há 197 anos em
um dos distritos mais sucateados de São Paulo. E, em uma laje na periferia da
região, as contadoras Fena e Cambuci não só falam sobre esses dois cavalos, mas
também traçam um campo de jogo revelando aos poucos algumas histórias desse
lugar.
Prestes a completar seu aniversário de
198 anos, Parelheiros (vulgo cavalo doido) decide parar de correr pela primeira
vez, e consegue finalmente olhar para os lados. Sua decisão gera um conflito
terrível com o seu irmão Santa Cruz (vulgo cavalo Pangaré). A montagem convida
o público a refletir: o que o cavalo Parelheiros viu nesse lugar de promessas e
de muitos muros que crescem sem parar? Seria possível ultrapassar esses
muros?
O espetáculo é possível graças ao
projeto contemplado pela 9ª Edição do Programa de Fomento à Cultura da
Periferia da Cidade de São Paulo da Secretaria Municipal de Cultura e
Economia Criativa.
Com o trabalho, o Núcleo Parelha
consolida-se como coletivo que atua a partir da periferia e para a periferia,
invertendo as rotas artísticas que costumam privilegiar os centros urbanos. Sua
missão é poetizar a realidade de corpos periféricos, racializados, LGBTQIAPN+ e
historicamente invisibilizados.
PARELHA em quadrinhos
Além da montagem, o projeto ainda prevê
a transformação de PARELHA - Um olhar sobre a realidade em uma história
em quadrinhos pelas mãos do Estúdio Molotov HQ, formado pelo roteirista Victor
Zanellato, pelo ilustrador Diogo Mendes e pelo
arte-finalista Fernando Dias. Eles se destacam por produzir quadrinhos
com abordagens críticas e políticas, explorando a realidade da classe
trabalhadora e as contradições do capitalismo.
A ideia central do roteiro HQ
PARELHA é a reivindicação pelo direito de narrar, viver e construir a
arte na periferia através da luta coletiva, da memória territorial e do
enfrentamento às estruturas de exclusão que negam o acesso à cultura. A obra
mistura realidade e imaginação para narrar uma travessia marcada por
resistência, ancestralidade e potência criadora.
Ficha Técnica
Concepção, Atuação e Música em Cena: Dionísia Gonçalves e Maria José Alves.
Direção: Juliana Pardo e Alício Amaral (Cia Mundu Rodá)
Dramaturgia: Cristiane Sobral e Núcleo Parelha.
Direção Musical: Gregory Slivar
Trilha Sonora e Composição: Dionísia Gonçalves
Preparação Vocal: Dionísia Gonçalves
Construção Baixo-Cello de Lata: Gregory Slivar e Wanderley Wagner
Construção Flauta PVC: Júlio César (Instrumentos Alternativos)
Preparação Corporal: Juliana Pardo e Alício Amaral (Cia Mundu Rodá)
Criação e Operação de Luz: Kenny Rogers
Assistente de Iluminação: Bianca Pereira
Criação e Concepção de Cenário: Wanderley Wagner e Núcleo Parelha
Concepção de Figurino: Macarena Rozic (Reviver Ateliê)
Hairstyle: Mestiça
Fotografia Laje: Kenny Rogers
Fotografia Programa e Redes Sociais: Noelia Nájera
Doc - Filme Parelha 2023 - Direção
Audiovisual: Flavio Barollo
Designer Gráfico: Adi Alves
Social Mídia: Cristhiane Evangelista
Cenotecnia e Som: Gilson Lande
Consultoria Musical: Gilson Lande
Consertos e Manutenção Técnica: Luthieria Fênix Sg
Intérpretes de Libras: Nzambiapongo e Tamy Guimarães
Assessoria de Imprensa: Pombo Correio
Produção Geral: Núcleo Parelha
Produção de Campo: Silmara Garcia
Assessoria Contábil: Juliana Santana
Realização: Núcleo Parelha
Sinopse
Há 197 anos, dois cavalos, Santa Cruz e
Parelheiros, correm sem parar. Estão em uma região que representa um dos
distritos mais sucateados de São Paulo, do qual muitos nem mesmo ouviram falar:
Parelheiros. A história se passa em uma laje na periferia de Parelheiros, e é
contada por duas personagens: Fena e Cambuci, que traçam um campo de jogo
revelando aos poucos algumas histórias desse lugar.
Prestes a completar seu aniversário de
198 anos, Parelheiros (vulgo cavalo doido) decide parar de correr pela primeira
vez, e consegue finalmente olhar para os lados. Sua decisão gera um conflito
terrível com o seu irmão Santa Cruz (vulgo cavalo Pangaré). O que o cavalo
parelheiros viu nesse lugar de promessas e de muitos muros que crescem sem
parar? Seria possível ultrapassar esses muros? Nesse espetáculo a
Periferia de Parelheiros fala, é protagonista e está em cena pela primeira vez.
Afinal, onde tem corda tem cavalo.
Serviço
PARELHA – Um olhar sobre a Realidade
Quando: de 18 de outubro a 14 de dezembro (ver datas e locais
abaixo)
Ingressos: Grátis - é preciso se inscrever por meio do formulário
disponibilizado no Instagram do núcleo
@parelha.projeto
Como chegar: Uma van transporta os espectadores direto da estação de
trem Vila Mendes Natal ou da Praça Júlio César de Campos (informações passadas
na semana via grupo WhatsApp).
Classificação: a partir de 14 anos
Duração: 60 minutos
Endereço: Rua Eloy Domingues da Silva, 235 – Jd. Novo Parelheiros, São Paulo
Quando: 18 a 26 de outubro de 2025, aos sábados e domingos, às 16h30
Restaurante da Marlene
Endereço: Estr. Ecoturística de Parelheiros, 6455 - Parelheiros, São Paulo.
Quando: 22 a 30 de novembro de 2025, aos sábados, às 20h, e aos domingos, às 19h
Praça Júlio César de Campos
Endereço: Praça Júlio César de Campos - Parque Tamari - São Paulo
Quando: 6 a 14 de dezembro de 2025, aos sábados e domingos, às 19hs









