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quarta-feira, 14 de maio de 2025

Degradação da Amazônia cresce 163% em dois anos, enquanto desmatamento cai 54% no mesmo períod

 Enquanto o desmatamento remove totalmente a cobertura
de vegetação nativa, a degradação enfraquece a
 floresta sem destruí-la por completo
(
foto: Vinícius Mendonça/Ibama)

‘Saldo negativo’ da proteção do bioma registrado entre 2022 e 2024 pode comprometer metas internacionais do Brasil, alertam pesquisadores do Inpe e colaboradores na revista Global Change Biology

 

 O acelerado crescimento da degradação da Amazônia brasileira, causado principalmente por incêndios, ofuscou a expressiva queda do desmatamento entre 2022 e 2024. Esse “saldo negativo” na proteção do bioma compromete as metas internacionais de combate à crise climática assumidas pelo país, que neste ano é sede da Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30).

O alerta vem de um artigo publicado na revista Global Change Biology por cientistas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) em parceria com a Universidade de São Paulo (USP) e instituições do Reino Unido e dos Estados Unidos. Enquanto o desmatamento remove totalmente a cobertura de vegetação nativa, a degradação enfraquece a floresta sem destruí-la por completo (por exemplo, por meio do corte seletivo de árvores).

Segundo o estudo, os alertas de degradação na Amazônia subiram 44% de 2023 para 2024 – 163% em relação a 2022. Isso significa que somente no ano passado 25.023 quilômetros quadrados (km2) de floresta foram degradados, sendo cerca de 66% por incêndios florestais. Trata-se de uma área maior do que o Estado de Sergipe.

No sentido oposto, o desmatamento caiu, respectivamente, 27,5% e 54,2%, representando o menor incremento em dez anos. Foram 5.816 km2 desmatados no período referente a 2024, de acordo com dados do Programa de Monitoramento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite (Prodes), do Inpe.

“A degradação é um processo mais difícil de ser identificado do que o desmatamento porque ocorre enquanto ainda existe a floresta em pé. É decorrente principalmente do fogo, que nos últimos dois anos foi agravado pelo cenário de seca na Amazônia. Há ainda o corte seletivo de árvores e o efeito de borda. Tudo isso diminui os serviços ecossistêmicos prestados por essas florestas. O entendimento desse dado contribui para a formulação de políticas públicas”, diz Guilherme Mataveli, pós-doutorando na Divisão de Observação da Terra e Geoinformática do Inpe.

Entre 2023 e 2024, uma forte seca atingiu a Amazônia, com déficits de precipitação de 50 a 100 milímetros ao mês; aumento de temperatura acima de 3 °C e atraso na estação chuvosa, deixando os rios em níveis mínimos. Com isso, o bioma registrou no ano passado o maior número de focos de calor desde 2007 – foram 140.328 no total.

Primeiro autor do artigo, Mataveli faz parte do laboratório Tropical Ecosystems and Environmental Sciences (Trees), liderado pelos pesquisadores Luiz Aragão, que também assina o trabalho, e Liana Anderson.

Para Aragão, a importância do estudo foi demonstrar que hoje os satélites – tecnologias espaciais críticas para o país e utilizadas no sistema de monitoramento do Inpe – já permitem a detecção dos processos de degradação. “Esses processos vinham comprometendo a integridade de nossas florestas de forma silenciosa. As tecnologias atualmente conferem não só capacidade de monitorar os eventos, reportar as emissões de carbono associadas, seus impactos no ambiente, na população e no clima planetário, como também permitem o planejamento estratégico para uma gestão territorial sustentável e de baixo carbono”, diz o pesquisador do Inpe e coordenador do Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG).

E completa: “A liderança do Brasil no cenário internacional em relação a ações de combate às mudanças climáticas e à perda da biodiversidade depende de respostas eficazes à degradação florestal. Reportar as emissões associadas a esses processos é um caminho sem volta dentro dos Inventários Nacionais de Gases de Efeito Estufa. Portanto, a intensificação de medidas de controle, com a implantação de políticas consistentes que abordem esse processo, torna-se uma prioridade nacional”.

O Brasil foi o primeiro país a entregar à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) a nova Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC, sigla para Nationally Determined Contributions). Nela, assume o compromisso de reduzir de 59% a 67% as emissões líquidas de gases de efeito estufa até 2035 em comparação com os níveis de 2005 (850 milhões a 1,05 bilhão de toneladas de CO2 equivalente).

As NDCs são as metas de cada país para reduzir a emissão de gases estufa e evitar que o aumento médio da temperatura global ultrapasse 1,5 °C, conforme estabelecido no Acordo de Paris. Elas devem ser revisadas e atualizadas até a COP30, que acontece em novembro, em Belém (PA).


Impacto

Embora não remova totalmente a vegetação nativa, a degradação degenera a floresta que “sobra”, afetando a biodiversidade e reduzindo a capacidade de fornecer serviços essenciais, como a captura de carbono e a regulação do ciclo da água, funções vitais para a resiliência do ecossistema.

Pesquisas anteriores já mostraram que quase 40% das florestas em pé na Amazônia são degradadas por fatores como incêndios, efeito de borda, extração ilegal de madeira e eventos extremos de seca, enfatizando ainda mais a escala e a importância do problema. Nesse cenário, as emissões de carbono da perda gradual de vegetação – entre 50 milhões de toneladas e 200 milhões de toneladas ao ano – foram equivalentes ou até maiores do que as por desmatamento – entre 60 milhões de toneladas e 210 milhões de toneladas/ano (leia mais em: agencia.fapesp.br/40568).

No artigo publicado agora, os cientistas sugerem que sejam adotados esforços para a melhoria do manejo de incêndios, juntamente com projetos de restauração e reflorestamento em larga escala. Outro caminho é uma integração dessas estratégias com mercados de crédito de carbono, criando incentivos financeiros para que proprietários de terras, empresas e comunidades locais adotem práticas sustentáveis.

Eles apontam ainda desafios no aprimoramento de rastreio e quantificação da degradação, além da criação de mecanismos para responsabilizar responsáveis.

O estudo teve apoio da FAPESP por meio do Centro de Pesquisa e Inovação de Gases de Efeito Estufa (RCGI); de um Projeto Temático liderado pelo pesquisador Paulo Artaxo, do Centro de Estudos de Sustentabilidade Amazônica da Universidade de São Paulo (USP); e de bolsas concedidas a Mataveli (19/25701-8 e 23/03206-0) e a Lucas Maure, do Inpe (24/06641-2). Artaxo e Maure também são autores do trabalho.

O artigo Forest Degradation Is Undermining Progress on Deforestation in the Amazon pode ser lido em: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/gcb.70209.

 

Luciana Constantino
Agência FAPESP
https://agencia.fapesp.br/degradacao-da-amazonia-cresce-163-em-dois-anos-enquanto-desmatamento-cai-54-no-mesmo-periodo/54729


Quer exportar para a Ásia? Conheça os cuidados necessários

Freepik
Lidar com parceiros comerciais que possuem particularidades culturais tão distintas exige rotinas específicas de negociações. Outras preocupações envolvem a logística e os meios de pagamento


Não é de hoje que o potencial econômico da Ásia atrai a atenção dos empresários brasileiros. Com mais de quatro bilhões de habitantes e um Produto Interno Bruto (PIB) que supera US$ 38 trilhões, a região representa quase 37% de toda a economia mundial.

Até 2040, a Ásia deve ultrapassar 50% do PIB mundial e alavancar 40% do consumo global, segundo a McKinsey Global Institute. Todo esse potencial pode ser explorado pelos exportadores brasileiros.

Um relatório divulgado pela área de comércio exterior da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) identificou países asiáticos que oferecem boas oportunidades para quem quer diversificar mercado. Entre eles estão Japão, Coreia do Sul, Taiwan, Filipinas e Indonésia, que já são importadores de produtos agropecuários brasileiros.

Nesse sentido, o relatório da ACSP aponta que há grande potencial nesses países para exportadores do Brasil que trabalham com produtos alimentícios, produtos naturais - como alimentos funcionais, orgânicos e tropicais -, máquinas, equipamentos e tecnologias voltadas ao agronegócio, além de insumos para cosméticos e para produtos de higiene e produtos pet e de nutrição animal.

A corrente comercial entre Brasil e Japão, por exemplo, país com um PIB per capita de US$ 33 mil, somou US$ 11 bilhões em 2024, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, da Indústria, do Comércio e dos Serviços (Mdic). As exportações brasileiras chegaram a US$ 5,6 bilhões, o 11º principal destino das vendas brasileiras.

Com a Coreia do Sul, que tem PIB per capita de US$ 33,7 mil, a nossa corrente comercial foi de US$ 10,6 bilhões no ano passado, com exportações de US$ 5,5 bilhões.


Práticas comerciais

O potencial do mercado asiático está colocado, mas fazer negócio com os países dessa região exige alguns cuidados, principalmente por questões culturais, bastante distintas das nossas.

Segundo Maurício Manfré, assessor de relações internacionais da SP Chamber of Commerce, braço de comércio exterior da ACSP, os compradores asiáticos prezam pela construção de confiança, o que faz com que as tratativas sejam longas, muitas vezes se arrastando por meses para serem concluídas. “Apesar de longas negociações, o contrato costuma ser duradouro”, diz.

“Por ser um continente que busca produtos de alta qualidade e possui padrões normativos exigentes, é muito mais difícil exportar um produto ao consumidor final. Costuma ser mais fácil exportar insumos, usados pela indústria local para produzir o produto final. Dessa forma, o empreendedor envia um maior volume, mas com custo logístico minimizado por se tratar de insumo”, explica Manfré.

Além disso, o representante da SP Chamber ressalta a importância de o exportador ter material de divulgação com boa apresentação. Catálogos e rótulos em inglês são fundamentais para facilitar as negociações, assim como adaptar produtos à cultura local, com mudanças em embalagens e sabores, ações que podem gerar vantagem competitiva para quem busca o mercado asiático.

Por ser uma exportação que exige elevado investimento, com valores que podem representar de 20% a 30% do custo da mercadoria, dependendo do volume, Manfré destaca que, para os pequenos negócios que desejam exportar para o continente asiático, o mais recomendado é buscar consórcios, se unindo a outras empresas em torno de uma marca comercial. Assim, segundo ele, a capacidade produtiva e as despesas são diluídas.

Essa união geralmente acontece com empresas do mesmo nicho, para conseguirem dividir as demandas, ganhando a mesma capacidade produtiva de uma média empresa.

Com relação à logística, o transporte marítimo costuma ser o padrão para as cargas com destino à Ásia, levando cerca de 40 a 60 dias em trânsito. Assim, Manfré recomenda apostar em embalagens robustas, com alta durabilidade, que resistam às longas rotas e ao clima úmido. “É importante também ter um agente de cargas com conhecimento na Ásia.”

Uma opção para os empresários reduzirem os custos em casos de exportações de volumes menores é a consolidação LCL, onde diferentes remetentes compartilham um mesmo contêiner marítimo. 

Outro cuidado ao exportar é a forma de pagamento, que pode variar dependendo do local. O especialista da SP Chamber diz que pagamento com cartão de crédito ainda é comum em países como Japão, Indonésia e Filipinas. Já a transferência bancária é mais usual em países como Taiwan e Coreia do Sul, com prazos de 30 a 60 dias para o depósito, dependendo da relação comercial. “Além disso, pagamento antecipado parcial é uma prática comum com novos fornecedores.”

Para se precaver de possíveis inadimplentes, explica Manfré, os exportadores podem recorrer ao Seguro de Crédito à Exportação (SCE), mecanismo de garantia da União para proteger exportadores contra o não pagamento por parte do importador, garantindo a proteção contra riscos comerciais e políticos.


Facilitadores

Acordos comerciais: o Brasil negocia, por meio do Mercosul, um acordo com alguns países, como Japão, Coreia do Sul e Indonésia. Manfré destaca que esses acordos são fundamentais para facilitar as relações comerciais por preverem a convergência regulatória, permitindo que as normas brasileiras sejam válidas nas nações parceiras, evitando longos processos de aprovação de produtos para comercialização.

Parceiro comercial: quando se exporta, inevitavelmente é preciso lidar com barreiras regulatórias, explica Manfré, o que exige investimento em certificações para garantir que os produtos ganhem rastreabilidade e qualidade internacional. O investimento mínimo costuma ser de R$ 100 mil. Ter um representante no país de destino das exportações pode ajudar nessas análises e em visitações de potenciais clientes, assim como no envio de amostras dos produtos.

Empresas como a SP Chamber possuem ferramentas que encontram e filtram possíveis compradores estrangeiros, explica Manfré. Após localizar esses parceiros comerciais, os empresários brasileiros participam de missões comerciais, onde farão contato com os importadores asiáticos. 



Rebeca Ribeiro
https://www.dcomercio.com.br/publicacao/s/quer-exportar-para-a-asia-conheca-os-cuidados-necessarios

 

terça-feira, 13 de maio de 2025

APAS SHOW 2025: Pesquisa da APAS, em parceria com a Scanntech, revela o impacto das mudanças climáticas nas decisões de compra dos consumidores

APAS Show 2025: Thomaz Machado (CEO da Scanntech),
Fabiano Benedetti (Diretor de Marketing e Negócios da APAS),
Carlos Correa (Diretor Geral da APAS) e
Felipe Queiroz (economista-chefe da APAS) durante coletiva de imprensa. 


Consumo de carnes, migração para refrigerantes zero e aumento na compra de produtos para pets refletem novas dinâmicas sociais e econômicas 


“O Varejo em um Mundo de Transformação” é o tema da pesquisa apresentada hoje durante a coletiva de imprensa da APAS Show, o maior festival de varejo do mundo. Em parceria com a Scanntech, o estudo colheu dados de 1.086 entrevistados em todo o Brasil, entre 13 e 18 de março de 2025, com uma média de idade de 36 a 42 anos, proporcionando um panorama diversificado do mercado nacional. O resultado gerou um importante recorte sobre o comportamento do consumidor, destacando as influências das mudanças climáticas e as novas tendências que moldam o cenário atual.  

Um dos principais destaques do estudo mostra que 95% dos participantes perceberam alterações na oferta de produtos devido a fatores climáticos, refletindo uma nova realidade no mercado. Além disso, 64% dos entrevistados relataram ter mudado ou substituído marcas em resposta ao aumento de preços, evidenciando a adaptação às condições que impactam diretamente suas escolhas.
 

“Tendo em vista as questões climáticas, o consumidor já entendeu que é necessário fazer substituições. As altas do café, da carne, dos ovos e do azeite, inclusive, estão entre os itens mais falados e substituídos”, comenta Fabiano Benedetti, Diretor de Marketing e Negócios da APAS. 
 

A pesquisa reforça a importante alteração no consumo de proteínas animais, mostrando que há uma migração crescente para ovo e frango. Para Felipe Queiroz, economista-chefe da APAS, os consumidores têm notado a necessidade de comer diferente. O volume de consumo de proteína, nos primeiros meses de 2025, mostra a diminuição nas categorias de carne bovina (-6,2%) e suína (-5,6%), enquanto o consumo de ovos (3,6%) e frango (3,4%) registrou crescimento. Além disso, notou-se uma mudança significativa de sucos prontos para refrigerantes zero. “Observamos também que 60% dos consumidores relataram alterações no volume de bebidas consumidas”, apresentou Queiroz. 
 

Os dados demográficos mostram mudanças sociais: redução da taxa de fecundidade no Brasil, que caiu de 2,31 filhos por mulher em 2000 para 1,57 em 2022; e a diminuição do tamanho médio das famílias, de 3,31 pessoas em 2010 para 2,79 em 2022. Já o setor de produtos para Pets se destacou, com um aumento no número de lares com animais de estimação: mais de 27% dos consumidores deixaram de frequentar lojas que não permitem a entrada de Pets. “Entendemos que o comportamento muda à medida que a cesta Pet cresce 22 vezes mais que o varejo tradicional”, afirmou Benedetti.
 

Vale destacar que, segundo a pesquisa, nos últimos 12 meses, 71% dos consumidores mudaram seus hábitos. Mais de 59% passaram a consumir produtos mais saudáveis, 35% optaram por produtos mais baratos, e 32% buscaram opções mais sustentáveis e fáceis de preparar. “O estudo não apenas oferece uma perspectiva abrangente sobre o perfil dos consumidores, mas também enfatiza a importância de estratégias inovadoras e sustentáveis para atender a um público cada vez mais consciente e exigente”, complementa Felipe Queiroz, economista da APAS. 
 

No contexto das compras, 7 em cada 10 consumidores frequentam mais de uma loja por mês, com os supermercados de bairro sendo utilizados principalmente para compras de reposição (54%). A análise do comportamento de compra online indica que 66% dos consumidores priorizam o preço, embora a percepção de variedade e sortimento tenha adquirido maior relevância ao longo dos anos. O e-commerce continua a crescer, fechando 2024 com um aumento de 16% no faturamento, superando o crescimento de 6,3% do varejo alimentar. 
 

“O consumidor que opta pelo online compra porque conhece o produto e gosta. Quando a compra é na loja física, o que ele procura é experiência. A jornada do consumidor é, portanto, cada vez mais multicanal e complementar entre as compras online e nas lojas físicas. O Consumo não acaba, apenas migra”, diz Thomaz Machado, CEO da Scanntech Brasil.
 

SERVIÇO APAS SHOW 2025 
Quando: de 12 a 15 de maio de 2025 
Horários: 12h às 20h | 15 de maio: das 12h às 18h
Local: Expo Center Norte 
Endereço: Rua José Bernardo Pinto, 333 – Vila Guilherme. São Paulo, SP 
*Transfer gratuito saindo da estação Portuguesa-Tietê, das 6h às 21h, a cada 30 minutos, entre os dias 12 e 15 de maio. 
 

Sobre a APAS

Com 50 anos de tradição, a Associação Paulista de Supermercados representa o essencial setor supermercadista no estado de São Paulo e busca integrar toda a cadeia de abastecimento com a sociedade. A entidade, que possui 3 distritais na cidade de São Paulo e 13 regionais distribuídas estrategicamente pelo estado, conta hoje com 1.700 supermercados associados que somam mais de 6 mil lojas.


Nariz entupido e espirros sem fim? Entenda por que o outono castiga tanto a saúde respiratória

Com temperaturas instáveis e ar mais seco, a estação favorece infecções e crises alérgicas. Especialista explica como se proteger de rinites, sinusites, gripes e outros incômodos respiratórios típicos do período

 

Com a chegada do outono, muitos já sentem os efeitos da mudança de estação na própria respiração: espirros matinais, nariz entupido, dor de garganta e aquela tosse insistente. E não é coincidência. A oscilação térmica e o ar seco característicos dessa época do ano criam um cenário perfeito para o surgimento — ou agravamento — de doenças respiratórias. 

“As mudanças bruscas de temperatura, com dias mais amenos e noites frias, favorecem a proliferação de vírus respiratórios, como os da gripe e do resfriado”, explica o otorrinolaringologista Dr. Arnaldo Tamiso, do Hospital Paulista, referência em saúde de ouvido, nariz e garganta. “Além disso, o ar seco resseca as mucosas do nariz e da garganta, que são nossas primeiras barreiras de defesa. Isso nos torna mais vulneráveis não só a vírus, mas também a alérgenos como poeira e ácaros.” 

Segundo o especialista, essa combinação pode desencadear ou piorar quadros como rinite, sinusite e outras infecções do trato respiratório. Entre os sintomas mais comuns relatados no outono estão coriza, espirros, obstrução nasal, dor de garganta, tosse (seca ou com secreção), dor de cabeça e mal-estar geral. “Se os sintomas persistirem por mais de uma semana, forem intensos ou acompanhados de febre alta e falta de ar, é fundamental procurar atendimento médico”, alerta. 


Crianças e idosos  

As reações às mudanças de temperatura podem variar bastante conforme a idade. Crianças, com o sistema imunológico ainda em desenvolvimento, são mais vulneráveis a infecções virais — especialmente em ambientes fechados, como escolas. Já os idosos, muitas vezes com imunidade comprometida e comorbidades como doenças cardíacas ou pulmonares, podem evoluir para quadros mais graves, como pneumonia. 

“Nos adultos, os quadros tendem a ser mais brandos, mas ainda assim impactam bastante na qualidade de vida e na produtividade, especialmente nos casos de rinites e sinusites recorrentes”, afirma o médico. 

De qualquer forma, ele enfatiza que crianças ou adultos que ficam frequentemente doentes devem ser investigados para um tratamento adequado. “Existem desde medicamentos que melhoram a imunidade até procedimentos cirúrgicos que podem ser indicados para melhorar a via aérea”, complementa. 


Medidas simples 

A boa notícia é que pequenas atitudes podem ajudar — e muito — a manter a saúde respiratória em dia durante o outono. Nesse sentido, o Dr. Tamiso recomenda: 

  • Manter a vacinação em dia, especialmente contra gripe e pneumonia (para grupos de risco);
  • Lavar as mãos com frequência, com água e sabão, por pelo menos 20 segundos;
  • Evitar aglomerações e locais fechados;
  • Deixar os ambientes sempre bem ventilados;
  • Evitar exposição à fumaça de cigarro e poluentes;
  • Ter uma alimentação rica em frutas, legumes e verduras;
  • Beber bastante água para hidratar as mucosas;
  • Vestir-se adequadamente, protegendo-se do frio, especialmente nas primeiras horas do dia e à noite;
  • Lavagem nasal com soro fisiológico;
  • Uso de umidificadores no ambiente.


Umidificadores, lavagem nasal e hidratação 

O especialista ressalta, no entanto, a importância de usar o umidificador com cautela. “Ele deve estar sempre limpo para não se transformar em fonte de fungos e bactérias”, diz. Já a lavagem nasal, segundo ele, é um recurso eficaz para remover secreções, poeira e alérgenos, além de aliviar a obstrução nasal. E quanto à ingestão de líquidos, não há segredo: manter-se bem hidratado facilita a eliminação de secreções e o bom funcionamento do sistema respiratório. 

 

Hospital Paulista de Otorrinolaringologia  
 

Melasma: por que o tratamento personalizado com ativos manipulados ganha força no outono

Divulgação
Cerca de 35% das mulheres brasileiras sofrem com melasma e a maioria ainda trata de forma inadequada. Especialista explica por que o outono é o melhor momento para cuidar da pele e como a farmácia de manipulação pode mudar os resultados.


Com a chegada do outono, dermatologistas e farmacêuticos voltam a recomendar um alerta: este é o momento ideal para quem deseja tratar o melasma com segurança e eficácia. Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), a condição atinge aproximadamente 35% das mulheres brasileiras em idade fértil, sendo mais prevalente em peles morenas e negras, e com forte relação hormonal, genética e ambiental.

Apesar de não causar riscos diretos à saúde, o impacto psicológico é profundo. Pesquisas mostram que mais de 60% das pessoas com melasma relatam prejuízo na autoestima e vida social, de acordo com levantamento do Journal of Cosmetic Dermatology. Mesmo assim, grande parte dos tratamentos utilizados ainda são padronizados e sem acompanhamento adequado.

“Melasma não é só uma mancha. É um distúrbio crônico da pigmentação que precisa ser compreendido em toda a sua complexidade. E o erro mais comum que vejo no consultório é a tentativa de tratar com qualquer produto pronto da prateleira, sem considerar as particularidades da pele de cada pessoa”, afirma Fabíola Faleiros, farmacêutica e diretora da La Pharma, farmácia de manipulação especializada em dermatologia clínica e estética.


Outono: a melhor estação para iniciar o tratamento

Durante o outono e o inverno, a radiação ultravioleta é naturalmente menor, o que reduz o risco de piora das manchas durante o tratamento. “A exposição solar é um dos principais gatilhos do melasma. Quando diminuímos esse fator de risco, podemos trabalhar com ativos mais potentes e estratégias mais agressivas, como ácidos e tecnologias associadas, sem comprometer a pele”, explica Fabíola.

Outro ponto importante é a melhor tolerância cutânea. Com menos suor e oleosidade, a pele responde melhor a tratamentos tópicos, o que favorece a absorção dos ativos clareadores. “É como se o outono desse um respiro à pele. Esse momento é precioso e pode representar meses de avanço no controle das manchas”, acrescenta.


Os ativos mais eficazes – e o papel da manipulação personalizada

Entre os ativos consagrados no tratamento estão a hidroquinona, ácido retinoico, ácido tranexâmico, ácido kójico, niacinamida, vitamina C e ácido azelaico. A eficácia, porém, depende da combinação correta entre eles, da concentração exata e da forma de liberação ideal para cada tipo de pele.

É nesse ponto que os manipulados se destacam. “Na farmácia de manipulação, conseguimos criar fórmulas com sinergia entre os ativos, levando em conta o fototipo da paciente, sensibilidade cutânea, rotina de exposição solar e histórico clínico. Isso faz toda a diferença nos resultados e reduz muito o risco de irritações”, detalha Fabíola.

Ela também destaca o crescimento do uso de nanotecnologia nos manipulados, que permite entregar os ativos em camadas mais profundas da pele. “Já temos à disposição nanocápsulas com ácido tranexâmico, por exemplo, que aumentam significativamente a eficácia do tratamento”, diz.


O acompanhamento conjunto: dermatologista e farmacêutico

Outro diferencial relevante é o acompanhamento integrado entre dermatologista e farmacêutico. Segundo Fabíola, a colaboração entre esses profissionais eleva a qualidade do tratamento. “Recebemos muitas prescrições de dermatologistas que já conhecem nosso trabalho, e também atendemos pacientes que chegam com dúvidas. Nesse caso, orientamos, ajudamos na montagem de fórmulas e encaminhamos de volta ao profissional. O resultado é um tratamento mais assertivo e com mais adesão.”

Além disso, ela destaca que, no caso do melasma, a manutenção é tão importante quanto o tratamento inicial. “Muita gente abandona o tratamento quando a pele melhora. Mas o melasma tem recaídas. A presença do farmacêutico ao longo da jornada ajuda a ajustar as fórmulas, oferecer ativos para manutenção e reforçar a importância da fotoproteção diária.”


Tratamentos complementares e dados de eficácia

Segundo um estudo publicado na revista Dermatologic Therapy, a combinação entre ácido tranexâmico oral e tópicos personalizados resultou em redução de 70% da pigmentação em três meses. Quando associado a peelings e lasers de baixa fluência, os resultados foram ainda mais expressivos.

“Aqui na La Pharma, acompanhamos centenas de pacientes que chegaram frustradas e, em poucos meses, começaram a ver melhora real, justamente por tratarem de forma personalizada, com orientação e tempo. O Melasma não se cura — se controla. E controlar exige ciência, paciência e acompanhamento”, completa Fabíola.


A importância da informação correta

Em tempos de redes sociais e fórmulas virais, Fabíola reforça o risco de seguir tratamentos caseiros ou modismos. “Recebo pacientes com a pele queimada por receitas de internet, uso indiscriminado de hidroquinona ou cosméticos que não passaram por controle nenhum. É essencial buscar orientação e confiar em profissionais com experiência e formação.”


Conclusão

Com mais acesso à informação, à manipulação personalizada e ao suporte de especialistas, o melasma deixa de ser um estigma para se tornar uma condição tratável. O outono abre essa porta — e, com ela, a chance de resgatar a autoestima com saúde e ciência.

 

Brasil é modelo na especialização de cirurgiões de mama em técnicas oncoplásticas

Kolesnikovsergii
Estudo realizado entre os membros da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) revela que metade dos mastologistas do País realiza cirurgia oncoplástica

 

O Brasil é modelo de sucesso de treinamento e preparação de cirurgiões de mama em técnicas oncoplásticas. É o que revela um estudo realizado entre os mastologistas afiliados da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) e publicado recentemente na Annals of Surgical Oncology (ASO). “Metade dos mastologistas brasileiros realiza cirurgia oncoplástica”, afirma o coordenador da pesquisa, o mastologista Francisco Pimentel, presidente da Comissão de Título de Especialista em Mastologia da SBM. “Este é um dado muito importante, pois acredito que não haja um nível de domínio tão alto em outros lugares do mundo”, completa.

O artigo “National survey on attitudes of brazilian breast surgeons regarding oncoplastic surgery: Success of a training model”, publicado pela ASO, revista científica oficial da Sociedade Americana de Cirúrgica Oncológica e da Sociedade Americana de Cirurgiões de Mama, traz um levantamento realizado entre julho e dezembro de 2023, envolvendo 1.759 membros da Sociedade Brasileira de Mastologia.

“Enviamos a todos os membros da SBM um questionário e, do total de 1.759 associados, 1.059 responderam que realizaram cirurgias oncoplásticas”, destaca Pimentel. Antes do levantamento publicado na revista norte-americana, diz o mastologista, não se sabia quantos cirurgiões de mama se especializaram também em técnicas oncoplásticas no País. “Isso nos levou à conclusão de que 50%, ou seja, metade dos especialistas, une a cirurgia oncológica à reconstrução da mama, seja ela total ou parcial.”

Definida como uma cirurgia reparadora que pode ser indicada após uma cirurgia oncológica da mama, a oncoplastia, ou cirurgia oncoplástica, inclui técnicas de reparação mamária, parcial ou total, associadas ao tratamento oncológico para reconstruir ou reparar mamas operadas devido ao câncer.

Estudos feitos em vários países avaliaram o interesse e o uso da oncoplastia. Em estudo também publicado previamente na Annals of Surgical Oncology, a Sociedade Americana de Cirurgiões de Mama constatou que apenas 10% de seus membros realizam mamoplastia redutora ou simetrização contralateral. Levantamento canadense revelou resultados semelhantes. Na Turquia, onde a taxa de procedimentos oncoplásticos é baixa, mais de 50% dos entrevistados avaliaram que o procedimento deveria ser feito pelo cirurgião da mama.

O perfil revelado no estudo coordenado pelo mastologista da SBM indica que a cirurgia oncoplástica é realizada no Brasil, predominantemente, por médicos jovens, com menos de 40 anos de idade, com título de especialista em doenças da mama, formação primária em cirurgia geral e, secundariamente, em cirurgia da mama, além de ter um maior volume cirúrgico, mais de 100 cirurgias ao ano, constata o levantamento.

O estudo, segundo Francisco Pimentel, destaca uma mudança importante nas atitudes dos cirurgiões mamários brasileiros. Dos entrevistados que realizaram cirurgia oncoplástica, a grande maioria relatou utilizar técnicas como mamoplastia terapêutica (96,4%) e reconstrução com implantes ou expansores de tecido (93,6%).

Os principais modelos de treinamento utilizados pelos respondentes da pesquisa da SBM foram cursos práticos (36,5%), fellowships (21,4%) e programas de residência médica (32,9%).

A cirurgia oncoplástica foi proposta pela primeira vez na década de 1990. Historicamente, a reconstrução mamária era realizada por cirurgiões plásticos. “No passado, o mastologista fazia a cirurgia de retirada do tumor (cirurgia oncológica) e o cirurgião plástico, a cirurgia da reparação”, diz Pimentel.

Desde 2008, no entanto, a SBM compreendeu a necessidade dos mastologistas e das pacientes, e implementou diversas iniciativas para treinar seus cirurgiões, tanto os mais experientes quanto os mais jovens. “A SBM estimulou cursos hands on, coadministrando formações como por exemplo em Goiânia (GO), Jaú (SP) e Salvador (BA). Desde então, muitos cirurgiões vêm sendo preparados para realizar os procedimentos oncoplásticos. Durante e após o curso, os alunos fazem cirurgias em suas cidades e hospitais de origem e isso tem um impacto social muito grande porque amplia o acesso à reconstrução mamária em locais onde não há equipes multidisciplinares treinadas”, enfatiza o mastologista.

Para Francisco Pimentel, é fundamental manter o estímulo educacional e aprimorar essas ações no Sistema Único de Saúde (SUS). “Com isso, poderemos aumentar a taxa de cirurgias conservadoras e reconstruções imediatas, melhorando os resultados estéticos e sendo um indicador de qualidade para os serviços de oncologia”, conclui o especialista da SBM.


Hipertensão não dá sinais, mas pode deixar marcas no sistema circulatório

No Dia Mundial da Hipertensão, especialista em saúde vascular reforça a importância da prevenção e do controle da pressão arterial

 

Neste 17 de maio, data que marca o Dia Mundial da Hipertensão Arterial, a Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular – Regional São Paulo (SBACV-SP) reforça o alerta sobre os impactos da pressão elevada na saúde dos vasos sanguíneos. Apesar de muitas vezes não provocar sintomas, a condição é uma das principais causas de complicações cardiovasculares graves. “Coração, cérebro e artérias sofrem danos silenciosos ao longo do tempo. Frequentemente, o diagnóstico só acontece após eventos críticos, como aneurismas ou acidentes vasculares cerebrais”, destaca o cirurgião vascular e vice-presidente de Defesa Profissional da SBACV-SP, Dr. Michel Nasser.

A hipertensão compromete a integridade das artérias, favorecendo desde o acúmulo de placas até a ruptura de vasos, como ocorre em casos de aneurismas. Também pode provocar fissuras na parede arterial — conhecidas como dissecções — e prejudicar a irrigação dos membros inferiores. “A dissecção da aorta, por exemplo, pode surgir de forma abrupta em pessoas que convivem com a pressão alta sem controle adequado. É uma emergência que poderia ser evitada com o devido acompanhamento”, ressalta o médico.

Mesmo antes do diagnóstico, o corpo pode apresentar sinais como inchaço nas pernas, cansaço frequente, dores de cabeça, visão embaçada ou sangramentos nasais sem causa aparente. Ainda assim, o tratamento muitas vezes é deixado de lado, já que a condição pode evoluir sem manifestações visíveis. Conforme explica Dr. Nasser, a maioria sabe que tem hipertensão, mas não trata, justamente por não sentir nada.

A adoção de hábitos saudáveis continua sendo a principal forma de proteção. Reduzir o consumo de sal, praticar atividades físicas, manter o peso corporal adequado e garantir uma boa qualidade do sono são medidas eficazes. Além disso, exames como o ecodoppler auxiliam na identificação precoce de problemas vasculares, antes que se agravem.

Dr. Nasser afirma que uma atitude simples pode fazer toda a diferença para não prejudicar a saúde: “Verifique sua pressão com frequência, mesmo que esteja se sentindo bem. Essa prática pode ser decisiva para evitar complicações graves.”

A SBACV-SP tem como missão levar informação de qualidade sobre saúde vascular para toda a população. Para outras informações acesse o site e siga as redes sociais da Sociedade (Facebook e Instagram).

 


Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular – Regional São Paulo – SBACV-SP
www.sbacvsp.com.br
 

Pré-eclâmpsia: entenda os sintomas, riscos e cuidados para proteger mães e bebês

22/05 -Dia Mundial de Conscientização da Pré-Eclâmpsia

 

A pré-eclâmpsia é uma condição séria que afeta apenas mulheres grávidas, caracterizada pelo aumento da pressão arterial a partir da segunda metade da gestação. Apesar de muitos casos apresentarem poucos ou nenhum sintoma visível, a doença pode evoluir rapidamente e trazer riscos tanto para a mãe quanto para o bebê. 

De acordo com o Dr. José Carlos Peraçoli, presidente da Comissão de Hipertensão na Gestação da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), o pré-natal rigoroso é fundamental para o diagnóstico precoce da doença. “A gestante pode não sentir nada e estar com pressão alta. Por isso, é importante que inicie o pré-natal logo que confirme a gravidez. Em cada consulta, será medida sua pressão e pode-se descobrir que ela está elevada, mesmo que a mulher não esteja sentindo nada”, explica o Dr. Peraçoli. 

Além da pressão alta, outros sintomas podem surgir, como dor de cabeça intensa, visão de pontos brilhantes — muitas mulheres relatam ver “estrelinhas” — e dor na região do estômago. Segundo o médico, entre os exames mais importantes para o diagnóstico estão a avaliação da proteinúria (presença de proteína na urina), além de testes para avaliar o funcionamento do fígado, rins, anemia e alterações de coagulação sanguínea. 

“A pré-eclâmpsia tem tratamento, que, inicialmente, é realizado com remédios para controlar a pressão. Mas somente isso pode não ser suficiente. Infelizmente, não existe cura: a pré-eclâmpsia só desaparece quando o bebê nasce”, esclarece o especialista da FEBRASGO. 

Principais marcadores de risco: Na primeira consulta do pré-natal, é possível identificar gestantes com maior risco, como: 

·         Mulheres que já tiveram pré-eclâmpsia em gravidezes anteriores;

·         Está com peso acima do ideal;

·         Gestação de gêmeos;

·         Histórico de pressão alta ou diabetes. 

Marcadores adicionais de risco são: primeira gestação, histórico de pré-eclâmpsia em mãe ou irmã, ter 35 anos ou mais, ser negra (preta ou parda) ou ter um intervalo superior a 10 anos entre gestação anterior e a atual.

 

Prevenção: Segundo Dr. Peraçoli, existem formas de reduzir o risco de pré-eclâmpsia naquelas pacientes consideradas vulneráveis. Quem apresenta fatores de risco deve ser orientada a praticar atividade física — como caminhada de 30 minutos, cinco vezes por semana —, além de tomar cálcio e pequena dose de aspirina, conforme prescrição médica.

 

O acompanhamento da pressão arterial durante toda a gestação é fundamental. Para quem já tem pressão alta, o monitoramento deve ser feito diariamente ou em dias alternados, conforme orientação médica.

 

Complicações – Ignorar sinais, mesmo que leves, pode resultar em crise hipertensiva, infarto, derrame, insuficiência renal, convulsões, problemas graves de coagulação e sérios riscos para o bebê, que pode não crescer como deveria. “Nascer com baixo peso, sofrer com falta de oxigênio ou até falecer dentro do útero. Em casos graves, pode ser necessário antecipar o parto, levando ao nascimento prematuro”, alerta o Dr. Peraçoli.

 

Após o nascimento, os sintomas da pré-eclâmpsia costumam desaparecer, mas o acompanhamento deve continuar. “Toda mulher que teve pré-eclâmpsia precisa manter acompanhamento ao longo da vida, pois tem risco maior de desenvolver problemas cardíacos ou renais. Mudanças no estilo de vida, dieta saudável e exercícios regulares são fundamentais”, conclui o especialista da FEBRASGO.

 

Dia Mundial sem Tabaco: COC levará campanha ‘Viver sem Cigarro’ a 2 mil alunos

Instituições de ensino das redes municipal e particular receberão palestras para alertar os jovens sobre os males do fumo


O Centro de Oncologia Campinas escolheu o mês em que se celebra o Dia Mundial sem Tabaco, em 31 de maio, para iniciar mais uma edição da campanha Viver sem Cigarro, ação criada para conscientizar estudantes sobre a malignidade do fumo. O tabagismo é uma das principais causas de mortes evitáveis no mundo e responde por mais de 8 milhões de óbitos anuais, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Estudantes de 11 instituições de ensino de Campinas, incluindo escolas das redes municipal, estadual e particular, participarão de palestras ministradas por profissionais da área médica do Centro de Oncologia Campinas. As apresentações duram em média uma hora e são acompanhadas de audiovisuais e sessões para tirar as dúvidas dos alunos.

Ao final do ciclo de palestras, que se estende pelo primeiro semestre letivo, os participantes são convidados a apresentar desenhos sobre o tema tabagismo.  Os melhores trabalhos são escolhidos para ilustrar o calendário do COC “Viver sem Cigarro”, apresentado em cerimônia realizada no final de cada ano para premiar os selecionados. Os calendários são distribuídos pelo COC às escolas participantes, pacientes e colaboradores, também como forma de reforçar a campanha antitabagismo.

A primeira palestra ocorreu no dia 7 de maio, na Escola Estadual Vitor Meireles, no bairro São Bernardo, em Campinas. Uma nova rodada de conversa sobre tabagismo está marcada para esta terça-feira (13), na mesma escola.

Educar, destaca o oncologista Fernando Medina, do Centro de Oncologia Campinas, é a melhor forma de prevenir o surgimento de novos fumantes.  “O programa tem como objetivo conscientizar os jovens sobre os riscos à saúde associados ao tabagismo. Assim estamos ajudando a formar gerações conscientes de não-fumantes”, salienta.

Ana Raquel Medeiros Beck, enfermeira do COC com doutorado em saúde da criança e do adolescente pela Unicamp e palestrante da campanha “Viver sem Cigarro”, lembra que o envolvimento dos estudantes durante as palestras revelou aspectos importantes, como o desconhecimento da maioria de que os vaps, ou cigarros eletrônicos, fazem tanto mal à saúde quanto os cigarros convencionais.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proíbe a venda, importação e propaganda de cigarros eletrônicos no Brasil desde 2009. Ainda assim, o consumo crescente dos dispositivos eletrônicos para fumar pode ser constatado sobretudo entre os jovens, parcela da população suscetível a desenvolver o tabagismo, mas também a mais receptiva a entender os perigos do vício. 


O tabagismo

O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima que o tabaco esteja relacionado a cerca de 15% das mortes de homens e 7% dos óbitos das mulheres adultas no Brasil. “A fumaça do cigarro contém mais de 4.720 substâncias químicas, incluindo 60 cancerígenas, como arsênico, chumbo e cádmio, que danificam órgãos como pulmões, fígado e rins”, detalha o oncologista clínico do COC, Fernando Medina.

Os principais impactos do tabagismo à saúde incluem:

- Doenças cardiovasculares: infarto, hipertensão, angina e derrame cerebral.

- Doenças respiratórias: bronquite crônica, enfisema e doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC).

- Câncer: pulmão, boca, laringe, esôfago, estômago, próstata e rins.

- Outros prejuízos: infertilidade, complicações na gravidez, envelhecimento precoce, doenças periodontais e mau hálito. 

“Fumantes passivos, incluindo crianças, também enfrentam riscos graves, como infecções respiratórias, asma, rinite e câncer de pulmão. A nicotina, altamente viciante, leva 50% a 70% dos que experimentam o cigarro à dependência, com adolescentes sendo particularmente vulneráveis devido às estratégias de marketing da indústria tabagista”, relata Medina. 


Programa Viver sem Cigarro

O programa “Viver sem Cigarro”, promovido pelo Centro de Oncologia Campinas (COC), é uma iniciativa de prevenção ao tabagismo voltada para crianças e adolescentes em escolas públicas e privadas de Campinas e região. Em 2024, o programa impactou mais de 1.400 estudantes em oito escolas, com 51 palestras ministradas por oncologistas e pela enfermeira Ana Raquel Medeiros Beck.  A iniciativa busca educar sobre os malefícios do tabaco e prevenir a iniciação ao fumo.

“A participação de mais de 1.400 crianças em 2024 demonstra o alcance do programa e sua relevância na formação de uma geração mais consciente sobre os perigos do tabaco”, assegura Medina.

A OMS destaca que 90% dos fumantes iniciam no vício antes dos 19 anos, com a média de adesão aos 15 anos, o que torna programas como o “Viver sem Cigarro” essenciais para proteger os jovens das táticas da indústria tabagista. As atividades criativas, como a produção de desenhos e frases, fortalecem o engajamento dos alunos, incentivando-os a rejeitar o cigarro e a promover ambientes escolares livres de tabaco.  


Expansão em 2025

Para 2025, o programa “Viver sem Cigarro” está preparado para ampliar seu impacto, com a meta de atender mais de 2.000 alunos em escolas de Campinas e região. Essa expansão incluirá mais palestras, atividades educativas e a continuidade da produção de materiais antitabagistas.

A iniciativa planeja fortalecer parcerias com escolas estaduais e municipais, expandindo o alcance para novas instituições e intensificando a conscientização sobre os malefícios do tabaco.

“O tabagismo é uma ameaça à saúde pública, com impactos devastadores em fumantes ativos e passivos, especialmente crianças e adolescentes. O programa ‘Viver sem Cigarro’ em Campinas é uma resposta eficaz a esse problema”, analisa o oncologista do COC.


www.oncologia.com.br
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Como a chegada do outono e inverno afetam o sistema imunológico

Especialista explica quais são as causas da baixa imunidade e as melhores soluções para se manter longe de resfriados

 

Uma das ideias populares relacionadas ao inverno é que o tempo frio abaixa a imunidade e deixa o organismo mais propício a algum vírus ou bactéria. Apesar de ser uma opinião popular, isso é um mito. O aumento no número de contaminações por doenças não está diretamente ligado ao clima, mas aos comportamentos durante a estação.  

O professor de Bioquímica e coordenador do laboratório de Inflamação e Imunologia da Universidade Guarulhos (UNG), Luiz Eduardo Nunes Ferreira, explica com mais detalhes o que realmente acontece com o sistema imunológico durante essa época do ano. “Na verdade, a mudança de estação tem pouco impacto em relação ao sistema imune. Algumas doenças se espalham com facilidade em determinadas épocas do ano e existem vírus mais resistentes a temperaturas amenas. O aumento dos casos está relacionado ao comportamento dos agentes patogênicos e das pessoas, pois, no inverno, os indivíduos costumam ficar mais tempo em ambientes fechados. Isso auxilia na propagação de micro-organismos e bactérias”.  

Apesar de não ser uma causa diretamente ligada à mudança de tempo, Luiz Eduardo dá dicas para evitar a visita de vírus indesejáveis. “O sistema imune demanda muita energia em todas as épocas do ano. Então, é essencial se manter saudável, tendo uma boa alimentação, praticando exercícios físicos, não fumando e evitando consumo excessivo de bebidas alcoólicas. Também é importante ter uma boa qualidade de sono, diminuir o nível de estresse e manter a carteira de vacinação em dia". Dessa forma, independentemente da estação ou do lugar, será mais fácil se manter protegido de doenças futuras.

 

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