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segunda-feira, 3 de fevereiro de 2025

Médicos Sem Fronteiras: Metade da população do Sudão enfrenta altos níveis de insegurança alimentar

 

Organização apela por ação imediata diante da crise de desnutrição no país 

 

Metade da população do Sudão enfrenta altos níveis de insegurança alimentar aguda, o que corresponde a 24,6 milhões de pessoas. Desse total, 8,5 milhões enfrentam uma situação de emergência ou situação de fome, segundo a última Classificação da Fase de Segurança Alimentar Integrada (IPC, na sigla em inglês). Os doadores internacionais, a Organização das Nações Unidas (ONU), os envolvidos na guerra no Sudão e seus aliados devem agir agora para prevenir ainda mais mortes evitáveis por desnutrição no país. A situação, já catastrófica, deve piorar este ano.

“Apesar deste novo alerta, a mobilização humanitária e diplomática robusta ficou muito aquém das necessidades. Para fornecer cestas básicas mensais apenas àqueles em situação mais extrema, seriam necessários 2.500 caminhões de ajuda por mês, enquanto apenas cerca de 1.150 chegaram a Darfur entre agosto e dezembro de 2024”, diz Stephane Doyon, coordenador de operações de Médicos Sem Fronteiras.

“Há partes do Sudão em que é difícil trabalhar, mas é certamente possível. É isso que as organizações humanitárias e a ONU devem fazer,” Marcella Kraay, coordenadora de emergência de MSF. A organização reuniu dados que mostram taxas alarmantes de desnutrição em vários locais, tanto no auge do período de entressafra no Sudão no ano passado, quanto em dezembro de 2024. A crise de desnutrição causada pelo conflito no país se agravou pela contínua obstrução de ajuda humanitária pelas partes envolvidas no conflito e pela inércia negligente da ONU e do sistema de ajuda em Darfur. Com a entressafra que se aproxima em maio, que aumenta a escassez de alimentos, ações decisivas devem ser tomadas agora.

“Há partes do Sudão em que é difícil trabalhar, mas é certamente possível. É isso que as organizações humanitárias e a ONU devem fazer”, afirma Marcella Kraay, coordenadora de emergência de MSF. “Tanto em locais de mais fácil acesso, quanto em áreas de difícil movimentação, como em Darfur do Norte, rotas aéreas permanecem inexploradas, por exemplo. O fracasso em agir é uma escolha e está matando pessoas”.


Órgãos internacionais precisam coordenar envio de ajuda humanitária

A crise de desnutrição é reconhecida há algum tempo. A ONU, em comunicado emitido em outubro, alertou que “nunca na história tantas pessoas enfrentaram a fome e morreram de fome como no Sudão hoje.”

Levar suprimentos se tornará uma tarefa ainda mais difícil durante a próxima estação chuvosa e de entressafra, quando se torna impossível circular por estradas de terra inundadas. Uma resposta humanitária em larga escala deve ser lançada agora, inclusive aumentando drasticamente o financiamento disponível e as capacidades logísticas, garantindo corredores para envio de alimentos e abastecendo estoques de alimentos no Chade e em países vizinhos.

MSF está pedindo que agências da ONU, organizações internacionais, países doadores e governos com influência busquem todas as opções, incluindo rotas aéreas, para complementar e até mesmo substituir o acesso por rodovias, quando necessário.

As exigências burocráticas das partes em conflito têm sido um obstáculo à capacidade das organizações internacionais de prestar serviços e chegar às pessoas. Em vez de reagir a necessidades críticas em tempo hábil, as respostas são atrasadas ou negadas completamente pelas partes em conflito. Isso impede o trabalho de MSF no estado de Darfur do Sul: caminhões com suprimentos ficam retidos no Chade à espera de permissão para se deslocarem da área das Forças de Apoio Rápido (RSF, na sigla em inglês) e de seus escritórios. Uma distribuição de alimentos em Darfur do Sul também foi adiada recentemente, já que as autorizações de viagem necessárias foram negadas.

As partes em conflito devem conceder acesso irrestrito às organizações humanitárias. O acesso deve ser entendido como uma forma de promover a ajuda humanitária essencial para salvar vidas. MSF pede que as partes em conflito, seus aliados e Estados influentes usem essa influência para aliviar os obstáculos que estão causando mortes e sofrimento.


Índice de desnutrição é alarmante em diversas áreas do Sudão

MSF forneceu dados de diferentes locais para demonstrar a profundidade da crise de desnutrição. Em Darfur do Norte, onde um cerco da RSF à capital, El Fasher, está deixando as pessoas famintas e privando-as de assistência vital, equipes de MSF examinaram mais de 9.500 crianças menores de 5 anos de idade, enquanto realizavam uma distribuição de alimentos terapêuticos na localidade de Tawila, no oeste do Sudão, em dezembro de 2024. As equipes encontraram um cenário preocupante: 35,5% das crianças estavam com desnutrição aguda, sendo que 7% delas já sofria com desnutrição aguda grave.

Em setembro do ano passado, 34% das 29.300 crianças examinadas por MSF durante uma campanha de vacinação no acampamento de Zamzam sofriam de desnutrição aguda. Desde o início de dezembro, bombardeios repetidos impossibilitaram que nossa equipe realize novas avaliações no acampamento, onde, provavelmente, os índices de desnutrição aumentaram.

As equipes de MSF também veem taxas preocupantes de desnutrição fora de Darfur, seja em áreas onde pessoas deslocadas buscam abrigo, seja em áreas mais próximas do conflito. Em Omdurman, estado de Cartum, uma zona de conflito sob controle das Forças Armadas Sudanesas (SAF, na sigla em inglês), MSF realizou uma triagem nutricional enquanto auxiliava uma campanha de vacinação para crianças, em outubro de 2024. A organização constatou que 7,1% das crianças examinadas estavam gravemente desnutridas.

Esta não é a primeira guerra que eu vivo, mas é definitivamente a mais devastadora. As condições de vida aqui são difíceis, e tudo é uma luta diária,” Zahra Abdullah, que mora com o filho no acampamento de deslocados em Al Salam, nos arredores de Nyala. Dados de MSF também revelam que a desnutrição não é um problema apenas para pessoas próximas às linhas de frente, mas também em cidades mais estáveis como Nyala, capital de Darfur do Sul: em outubro de 2024, 23% das crianças menores de 5 anos examinadas em instalações apoiadas por MSF na cidade e em locais próximos estavam sofrendo de desnutrição aguda grave.

Em duas instalações apoiadas por MSF, 26% das mulheres grávidas e lactantes que procuravam atendimento estavam gravemente desnutridas. Com a falta de distribuição de alimentos do Programa Alimentar Mundial da ONU, MSF lançou uma distribuição de alimentos direcionada em Darfur do Sul, em dezembro de 2024, fornecendo mantimentos por dois meses para cerca de 30 mil pessoas. MSF continuará fazendo o que pode, mas a escala da crise está muito além da capacidade de resposta da organização. Precisamos ter uma resposta massiva agora para evitar mais mortes e fome. O momento é agora. Essa é uma questão de sobrevivência, não de conveniência política.


Fevereiro Roxo e Laranja destacam a importância da conscientização e do diagnóstico precoce de doenças graves

 


A cor roxa foi escolhida para ação de prevenção para doenças como lúpus, fibromialgia e Alzheimer. O laranja para sensibilizar sobre a leucemia.  

 

Fevereiro marca duas campanhas de saúde no Brasil que visam promover a conscientização sobre doenças crônicas e graves: o Fevereiro Roxo, voltado ao lúpus, à fibromialgia e ao Alzheimer, e o Fevereiro Laranja, que alerta para a leucemia e incentiva a doação de medula óssea.  

Essas iniciativas, que integram o calendário colorido da saúde, têm contribuído para o aumento do diagnóstico precoce e o fortalecimento de redes de apoio, impactando diretamente a vida de milhões de brasileiros. 

Dados do Ministério da Saúde mostram que, em 2024, houve um aumento de 8% nos diagnósticos precoces de doenças autoimunes e neurodegenerativas em comparação ao ano anterior, o que reforça o papel das iniciativas de conscientização. Além disso, o Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (REDOME) detectou um crescimento de 6% no número de novos cadastros, demonstrando maior adesão à causa. 

“O Fevereiro Roxo e Laranja tem um papel fundamental para educar a sociedade sobre a importância do diagnóstico precoce e do cuidado contínuo, especialmente em doenças complexas como lúpus, fibromialgia e Alzheimer, que podem atingir graus variados e importantes de debilitação se não tratadas adequadamente,” destaca o professor Matheus Todt Aragão, adjunto de infectologia da Universidade Tiradentes (Unit). Ele acrescenta que o impacto das campanhas vai além da conscientização imediata. “Essas ações ajudam a desmistificar as condições, combatem o estigma e promovem acesso ao tratamento em regiões onde a informação é mais limitada.” 

As cores não são escolhidas aleatoriamente.  O roxo, representando resiliência e empatia, destaca a luta contra doenças crônicas. O lúpus, por exemplo, é uma condição autoimune que pode afetar múltiplos órgãos, enquanto a fibromialgia, com suas dores crônicas e impacto na qualidade de vida, requer diagnósticos precisos e acompanhamento contínuo. Já o Alzheimer, principal causa de demência no mundo, demanda atenção especial para sinais precoces e suporte às famílias. 

O laranja, por sua vez, simboliza vitalidade e chama a atenção para a leucemia, um câncer que afeta o sangue e a medula óssea. “A conscientização sobre a leucemia e a importância da doação de medula óssea são essenciais para salvar vidas. A mobilização nacional em torno dessa causa tem sido um marco para sensibilizar a população e aumentar o número de doadores, algo essencial para os pacientes que aguardam transplantes,” ressalta Todt Aragão. 

O diagnóstico precoce dessas doenças oferece uma série de benefícios que podem transformar a trajetória do tratamento e a qualidade de vida dos pacientes. Ele pode oferecer um controle mais eficaz da doença, reduzir certas complicações, melhorar a qualidade de vida, permitir um melhor planejamento dos cuidados e do suporte familiar, em alguns casos, como o da leucemia, e até reduzir os custos dos tratamentos. De forma geral, o diagnóstico precoce proporciona mais opções terapêuticas, melhora os prognósticos e promove uma maior autonomia para os pacientes e seus familiares. 

 

Mas o que são essas doenças: 

• O lúpus é uma doença autoimune que pode afetar diversos órgãos e tecidos, como pele, articulações, rins e pulmões. Causa inflamações crônicas, cujos sintomas mais comuns incluem dores articulares, fadiga extrema e erupções cutâneas. Embora não tenha cura, o lúpus pode ser controlado com acompanhamento médico especializado e tratamentos individualizados, que ajudam a melhorar a qualidade de vida dos pacientes.

• A fibromialgia é uma condição caracterizada por dores crônicas generalizadas no sistema musculoesquelético, frequentemente acompanhadas de fadiga, distúrbios do sono e dificuldades cognitivas. Afetando a qualidade de vida dos pacientes, a doença exige um diagnóstico preciso e estratégias de tratamento personalizadas, que podem incluir medicamentos, fisioterapia e mudanças no estilo de vida.

• O Alzheimer é uma doença neurodegenerativa progressiva que compromete a memória, o pensamento e o comportamento, sendo uma das principais causas de demência no mundo. Apesar de incurável, o diagnóstico precoce e o suporte às famílias podem fazer a diferença no manejo da condição e no bem-estar dos pacientes.

• A leucemia é um tipo de câncer que afeta o sangue e a medula óssea, resultando em uma produção descontrolada de células sanguíneas anormais. Os sintomas incluem anemia, infecções frequentes e cansaço extremo. A doação de medula óssea é uma das principais formas de tratamento para muitos casos, destacando a importância de campanhas de conscientização e do aumento no número de doadores cadastrados. 

As campanhas Fevereiro Roxo e Laranja incluem ações em diversas frentes, como palestras educativas, mutirões de saúde e distribuição de materiais informativos. Instituições como a Universidade Tiradentes, em Sergipe, exercem um papel importante na intensificação da divulgação dessas iniciativas. A instituição realiza palestras e workshops, organiza avaliações clínicas gratuitas com encaminhamentos para exames especializados e estabelece parcerias com associações de pacientes, fortalecendo redes de apoio e ampliando o impacto na comunidade. 

“Uma das nossas missões é combinar ensino, pesquisa e extensão para transformar vidas. Ao engajar nossos alunos e profissionais da saúde nessas campanhas, promovemos não apenas a educação, mas também a empatia e o senso de responsabilidade social,” enfatiza Todt Aragão. 

Os avanços alcançados refletem o poder transformador das campanhas de saúde no Brasil. Estudos da Sociedade Brasileira de Reumatologia indicam que 62% dos pacientes com doenças crônicas percebem maior aceitação social de suas condições graças às campanhas educativas. Na área de apoio às famílias, a Associação Brasileira de Alzheimer reportou um aumento de 12% em iniciativas comunitárias em 2024.

 

Universidade Tiradentes - Unit


No Dia Mundial do Câncer, FEBRASGO esclarece mitos e verdades sobre o câncer de Colo do Útero e o HPV

Para marcar o Dia Mundial do Câncer, no próximo 4 de fevereiro, a Federação das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) faz um alerta sobre a importância da conscientização e prevenção do câncer de colo do útero. Estima-se que, entre 2023 e 2025, cerca de 17 mil mulheres sejam diagnosticadas com essa doença, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA).
 

O Dr. Eduardo Cândido, presidente da Comissão de Ginecologia Oncológica da FEBRASGO, compartilha alguns mitos e verdades sobre o câncer de colo do útero e HPV (sigla em inglês para Papilomavírus Humano), destacando a necessidade de informações precisas para a prevenção e diagnóstico precoce.
 

1.Não tenho histórico familiar de câncer do colo do útero, então não preciso me preocupar

MITO. Mesmo sem histórico familiar, a mulher pode estar em risco. O principal fator causador do câncer de colo do útero é a infecção por tipos do HPV, transmitidos por contato sexual. Por isso, é fundamental que mulheres sexualmente ativas usem regularmente os métodos de barreira (como a camisinha feminina e masculina) e realizem exames de Papanicolau regularmente. Para aquelas que fizeram histerectomia total ou têm mais de 69 anos, é importante discutir com o médico a necessidade de continuar com os exames preventivos.
 


 

2.O câncer de colo do útero pode ser evitado


VERDADE. Sim, o câncer de colo do útero é um dos mais preveníveis. A principal causa é o HPV, e a prevenção começa com a vacinação, indicada desde a infância. Embora existam mais de 150 tipos de HPV, os tipos 16 e 18 são responsáveis por mais de 70% dos casos de câncer do colo do útero. A vacina, disponível gratuitamente no SUS, é recomendada para meninas de 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14 anos, com duas doses administradas com intervalo de seis meses.


 

3.O HPV sempre apresenta sintomas


MITO. infecção por HPV, na maioria das vezes, não apresenta sintomas e só pode ser identificada pelo exame de Papanicolaou (quando ocorrem alterações nas células do colo do útero provocadas pelo vírus) ou por testes mais específicos como a identificação do DNA do HPV também pela coleta do preventivo. Por isso, é crucial manter os exames de rotina em dia, já que o HPV pode permanecer no organismo sem ser detectado de outra forma.


 

4.O HPV pode ser curado


MITO. Embora não haja cura específica para a infecção pelo HPV, a maioria dos casos é controlada pelo sistema imunológico e desaparece naturalmente. No entanto, em alguns casos, o HPV pode persistir e evoluir para tumores malignos, sendo a vacinação preventiva e o contato sexual com métodos de barreira, as melhores formas de controle.


 

5. Nem todas as mulheres com HPV terão câncer de colo do útero


VERDADE. Nem todos os tipos do HPV causam câncer de colo do útero. Entre os mais perigosos estão o 16 e 18. Além disso, é a falta de tratamento das lesões precursoras que pode resultar em câncer. Quando essas lesões são tratadas adequadamente, o risco de câncer é praticamente nulo.


 

6.O câncer do colo do útero tem cura


VERDADE. Diagnosticado precocemente, o câncer de colo do útero tem uma taxa de cura de até 95%, o que reforça a importância do diagnóstico precoce por exames regulares.


 

7.A vacina contra o HPV é apenas indicada para mulheres

MITO. A vacina contra o HPV é recomendada tanto para meninas quanto para meninos. Disponibilizada pelo SUS, a vacina quadrivalente protege contra os tipos 6, 11 (causadores das verrugas genitais), 16 e 18 do vírus, prevenindo não só o câncer do colo do útero, mas também de vulva, vagina, pênis, ânus e orofaringe. Já disponível em rede privada, está aprovada a vacina nonavalente, que além de conferir proteção contra os tipos acima, também protege infecção contra outros 5 tipos causadores de tumores (31, 33, 45, 52, 58).


 

8.Sangramento vaginal na menopausa pode ser sintoma de câncer de colo de útero, bem como o sangramento após a relação sexual em mulheres mais jovens e corrimento vaginal com odor forte e persistente.


 

VERDADE. Durante a menopausa, qualquer tipo de sangramento vaginal deve ser investigado. Pode ser um sinal de diversas condições, incluindo o câncer de colo do útero e o câncer de endométrio (corpo do útero). Por isso, é fundamental buscar orientação médica ao notar qualquer alteração no padrão de sangramento, especialmente após a menopausa. Essas informações, segundo o Dr. Eduardo Cândido, são essenciais para derrubar mitos e encorajar as mulheres a adotarem medidas preventivas (vacinação contra o HPV, uso de camisinha...) e a realizarem exames regulares, garantindo um diagnóstico precoce e, consequentemente, um tratamento mais eficaz.


Estudo revela alta prevalência de ansiedade e depressão entre pacientes com glaucoma


Um estudo conduzido por especialistas de diversas instituições médicas brasileiras revelou que pacientes com glaucoma apresentam uma incidência significativamente maior de ansiedade e depressão em comparação à média da população geral. A pesquisa contou com a participação e coordenação da Dra. Regina Cele Silveira Seixas, médica oftalmologista que acaba de integrar a entidade científica Sigma Xi, a entidade que consagra cientistas no mundo inteiro que conta com 200 laureados com prêmio Nobel, reconhecendo seus estudos sobre o glaucoma.

O estudo, publicado na revista Frontiers in Psychology, analisou 210 pacientes atendidos em centros oftalmológicos de São Paulo e Curitiba, para mensurar sintomas de depressão e ansiedade. Os resultados apontaram que 26,9% dos pacientes apresentaram depressão e 25,71% relataram ansiedade, índices muito superiores à média nacional de 5,8% e 9,8%, respectivamente, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). 

“A pesquisa destacou uma correlação importante entre o estágio da doença e os transtornos emocionais: pacientes com glaucoma grave apresentaram maior incidência de depressão, enquanto aqueles em estágio inicial tiveram maior prevalência de ansiedade. O impacto do glaucoma vai além da perda visual, afetando significativamente a qualidade de vida dos pacientes, o que pode contribuir para o desenvolvimento dessas condições psicológicas”, explica a Dra. Regina Cele.

Os resultados reforçam a necessidade de um acompanhamento multidisciplinar, incluindo suporte psicológico, para garantir uma melhor qualidade de vida aos pacientes com glaucoma. O estudo também alerta para a importância de uma abordagem integrada na saúde ocular, incentivando oftalmologistas a incluírem triagens de saúde mental na rotina de atendimento.


Tempo médio saudável para urinar é de até 6 horas no máximo

  

Hábito é comum de ser visto em provas de reality show e em festas de carnaval, mas pode gerar risco de infecção, desequilíbrio da flora vaginal e bexiga hiperativa

 

As provas de resistência nos reality shows, onde participantes passam horas sem ir ao banheiro, podem parecer um teste de determinação, mas pode trazer riscos à saúde urinária. A fisioterapeuta pélvica e sexóloga Débora Pádua, explica que a bexiga feminina tem capacidade para armazenar entre 400 e 600 ml de urina, mas a vontade inicia bem antes, entre 150 a 200ml. Já os homens suportam entre 500 a 700ml mas a vontade de urinar entre 200 a 300ml, isso quer dizer que em uma prova dessas a mulher já entra em desvantagem com os homens pela própria fisiologia. 

Embora pareça inofensivo, segurar o xixi por longos períodos pode trazer consequências sérias para a saúde urinária e ginecológica. A ginecologista Dra. Renata Moedim alerta que esse hábito pode aumentar o risco de infecções e até comprometer o funcionamento da bexiga. Ela conta que forçar a bexiga para reter mais líquido do que deveria pode levar a uma distensão do órgão, afetando seu funcionamento ao longo do tempo. “Quando a bexiga fica muito cheia, os músculos responsáveis por sua contração podem ser sobrecarregados, resultando em dificuldade para esvaziá-la completamente no futuro”, explica a ginecologista. 

Outro perigo de segurar a urina é o aumento do risco de infecções do trato urinário (ITUs). “A urina contém bactérias e, ao mantê-la na bexiga por muito tempo, criamos um ambiente propício para a proliferação dessas bactérias, podendo causar infecções e até complicações mais graves, como pielonefrite, que é uma infecção nos rins”, destaca a Dra. Renata. 

Além das infecções urinárias, a ginecologista alerta que o hábito de prender o xixi pode desequilibrar a flora vaginal. “A proximidade da uretra com a vagina faz com que bactérias do trato urinário possam migrar para a região íntima, resultando em irritações, corrimentos e até infecções vaginais”, explica a médica. 

De modo geral, pessoa que segura o xixi por até 6 horas sem grandes riscos, mas se segurar a urina por períodos prolongados pode trazer prejuízos ao assoalho pélvico. “Quando é preciso segurar o xixi em ocasiões pontuais, não gera tantos problemas, mas se isso for realizado de forma repetitiva pode ter problemas como alteração elasticidade da bexiga que pode se modificar, incontinência urinária por transbordamento, onde a bexiga fica muito cheia e com dificuldade para esvaziar além das infecções urinárias de repetição que podem ser um problema pois a urina fica "velha" com resíduos dentro da bexiga por muito tempo”, explica Débora. 

Nos reality shows, os participantes muitas vezes não têm outra opção, mas na vida cotidiana, segurar a urina repetidamente pode se tornar um mau hábito, sobrecarregando a bexiga e até mesmo afetando a musculatura do assoalho pélvico, o que pode gerar incontinência urinária no futuro, segundo a fisioterapeuta pélvica. Ela reforça que o ideal é urinar sempre que sentir vontade, sem postergar por longos períodos. "O tempo médio saudável para urinar varia entre 3 a 6 horas, dependendo da ingestão de líquidos. Se uma pessoa consegue passar um dia inteiro sem ir ao banheiro, pode ser um sinal de que está reprimindo os reflexos naturais do corpo, o que pode ser prejudicial", pontua. 

Por isso que ambas as especialistas concordam que beber água e urinar são igualmente importantes já que o corpo dá sinais quando precisa ser esvaziado, e respeitá-los é essencial para evitar problemas no futuro.

 


Dra. Renata Moedim ginecologista @drarenatamoedim - Residência médica pelo Hospital do Servidor Público Estadual de 2001 a 2003. Título de especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela FEBRASGO (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia). Oncologia Pélvica pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) de 2004 a 2005. Membro da Sociedade Europeia de Estética Íntima


Débora Padua - educadora e fisioterapeuta sexual @vaginismo - Graduada pela Universidade de Franca (SP) durante 5 anos fez parte do corpo clínico da Clínica Dr. José Bento de Souza e foi responsável pelo setor de Uroginecológia do Centro Avançado em Urologia de Ribeirão Preto (SP). Hoje atende em consultório particular especializado.
Rua Machado Bittencourt 317 sala 71 - Vila Mariana - São Paulo- SP
Telefone: (11) 3253-6319


Revolução 50+: Personalização e ciência para envelhecer com qualidade no Brasil

Com mais de 50 milhões de brasileiros acima dos 50 anos, essa população cresce a cada 21 segundos. A Medicina Funcional Integrativa se destaca ao oferecer tratamentos personalizados que combinam ciência, tecnologia e prevenção para promover saúde e autonomia.

 

O Brasil vive uma verdadeira revolução demográfica: mais de 50 milhões de pessoas já ultrapassaram os 50 anos de idade, representando 25% da população nacional e 22% da força de trabalho ativa, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Além disso, dados do portal Longevidade apontam que, a cada 21 segundos, um novo brasileiro entra para essa faixa etária. 

Essa mudança demográfica projeta um futuro ainda mais desafiador. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil será o sexto país do mundo com o maior número de idosos. 

Diferente das gerações anteriores, os novos cinquentões estão mais conscientes sobre a importância de combinar longevidade com saúde, qualidade de vida e autonomia. De acordo com a Dra. Christini Maria, médica do trabalho, especialista em Medicina Funcional Integrativa e diretora da Clínica Integrative Niteroi, essa mudança de comportamento reflete um conceito conhecido como healthspan. “Hoje, as pessoas não querem apenas viver mais, mas viver bem, com energia e capacidade para aproveitar cada década de vida. A geração 50+ está ativa, conectada, muitas vezes inserida no mercado de trabalho e preocupada com alimentação, sono, saúde mental e equilíbrio emocional. É um estilo de vida completamente diferente do que víamos no passado.”

Prevenção como chave para o envelhecimento saudável

Enquanto a medicina tradicional geralmente se limita ao tratamento de sintomas, a Medicina Funcional Integrativa se diferencia por adotar uma perspectiva preventiva e holística. Essa abordagem busca entender as causas profundas dos desequilíbrios no organismo, ajudando a identificar sinais precoces de doenças e promovendo mudanças sustentáveis no estilo de vida.

“A medicina funcional utiliza tecnologias avançadas como bioimpedância elétrica para determinar a composição corporal, microscopia de campo escuro para analisar alterações por meio de sangue capilar e termografia para identificar processos inflamatórios. Com essas ferramentas, conseguimos traçar um mapa detalhado da saúde do paciente e personalizar completamente os tratamentos, levando em conta suas necessidades individuais”, explica Dra. Christini.

Doenças crônicas como osteoporose, hipertensão e alterações metabólicas são comuns nessa faixa etária, mas estão diretamente relacionadas ao tempo de exposição a fatores de risco. “A abordagem integrativa permite não apenas prevenir o agravamento dessas condições, mas também melhorar a qualidade de vida mesmo em casos onde a doença já está instalada. Trata-se de alinhar o terreno biológico para garantir saúde física, emocional e cognitiva de forma contínua”, completa a médica.

Além disso, a personalização dos cuidados é essencial para garantir a adesão ao tratamento. “Trabalhamos com a realidade de cada paciente, respeitando suas condições financeiras, hábitos culturais e estilo de vida. Isso faz toda a diferença, porque o paciente se sente parte ativa do processo e realmente engajado em cuidar da própria saúde”, afirma Dra. Christini.

Os resultados dessa abordagem personalizada são cada vez mais evidentes entre os pacientes 50+. Segundo a médica, pacientes com diabetes tipo 2 relatam melhorias significativas ao adotarem mudanças alimentares e estratégias de manejo do estresse. Mulheres na menopausa encontram alívio de sintomas com terapias que equilibram o organismo de forma natural e segura. Outros pacientes relatam ganhos em energia, disposição e até mesmo na produtividade no trabalho.

Para essa nova geração 50+, que busca longevidade com qualidade, a personalização e o cuidado preventivo têm se mostrado como a chave para viver mais e melhor.

 

Saúde bucal das grávidas pode influenciar a gestação

Cuidados com a saúde oral reduzem riscos de complicações, como parto prematuro e baixo peso ao nascer 

 

Manter a saúde bucal em dia durante a gravidez é mais do que uma questão de bem-estar: pode ser essencial para garantir uma gestação tranquila e segura. Estudos apontam que infecções bucais, como gengivite e periodontite, podem liberar bactérias na corrente sanguínea, atingindo a placenta e desencadeando respostas inflamatórias. Esse processo aumenta o risco de partos prematuros e bebês com baixo peso.

De acordo com uma pesquisa publicada pelo Journal of Clinical Periodontology, mulheres com periodontite têm maior probabilidade de dar à luz antes das 37 semanas de gestação. O estudo analisou mais de 1.000 grávidas e encontrou uma ligação direta entre a saúde bucal comprometida e complicações obstétricas. 

Dr. José Todescan Júnior, especialista em Prótese Dental e membro da International Federation of Esthetic Dentistry (IFED), destaca que a prevenção é fundamental para evitar problemas graves. “Muitas gestantes desconhecem que o desequilíbrio causado pelas mudanças hormonais pode agravar infecções bucais já existentes, impactando a saúde geral. Identificar e tratar esses problemas antes ou no início da gravidez pode reduzir significativamente o risco de complicações”, afirma o especialista.


Mudanças hormonais intensificam problemas bucais

Durante a gravidez, o corpo da mulher passa por mudanças que podem intensificar problemas bucais. A maior sensibilidade da gengiva é um exemplo disso, o que muitas vezes se traduz em sangramentos frequentes durante a escovação. Segundo o Dr. Todescan, essa condição predispõe ao surgimento ou agravamento de doenças periodontais. “A gravidez é uma condição de saúde que causa desequilíbrios hormonais que afetam o corpo como um todo. Isso torna a mulher mais suscetível a algumas doenças e agrava quadros preexistentes”, destaca.

Para prevenir problemas, o especialista recomenda iniciar os cuidados ainda no planejamento da gravidez. “Na nossa clínica, quando a paciente decide engravidar, realizamos um check-up completo, incluindo exames radiográficos e clínicos. Assim, garantimos que ela possa passar os nove meses de gestação e o período de amamentação sem precisar se preocupar com problemas bucais”, explica.


Prevenção é a melhor estratégia

A adoção de um programa preventivo voltado para grávidas pode fazer toda a diferença. Esse acompanhamento ajuda a evitar complicações tanto para a mãe quanto para o bebê. Cuidados simples, como visitas regulares ao dentista, escovação correta e uso de fio dental, são essenciais para manter a saúde bucal em dia. Mas consultas periódicas são indispensáveis para garantir que os cuidados estejam sendo efetivos.

Além disso, é fundamental que as gestantes estejam atentas a sinais de alerta, como dor persistente na gengiva, inchaço e sangramento excessivo. Esses sintomas podem indicar o início de um quadro mais grave, que deve ser tratado o quanto antes. “É muito comum que as gestantes não deem importância ao sangramento gengival, mas ele é um indicativo de que algo não vai bem. Ignorar esses sinais pode agravar a saúde bucal e, consequentemente, impactar a gestação”, conclui Dr. Todescan. 



José Todescan Júnior - Atuando com excelência na área de Odontologia há mais de 33 anos, José Todescan Júnior é especialista em Prótese Dental, Odontopediatria e Endodontia pela USP. Membro da IFED (International Federation Esthetic Dentistry) e da Associação Brasileira de Odontologia Estética e membro da ABOD (Associação Brasileira de Odontologia Digital), ele acredita que o profissional que se aperfeiçoa em diversas áreas pode escolher sempre o melhor para os pacientes. Para mais informações, acesse o LinkedIn.



Clínica Todescan
Para mais informações, acesse o site, LinkedIn e Instagram.


Teste permite identificar infecção prévia por zika e pelos quatro sorotipos do vírus da dengue

 

O teste imunoenzimático do tipo ELISA pode ser adaptado
 para outras tecnologias automatizadas e testes
 rápidos do tipo 
point of care 
foto: Jeffrey M. Vinocur/Wikimedia Commons
Método desenvolvido na USP detecta e diferencia os anticorpos induzidos pelos patógenos a partir de amostras de sangue. Estratégia pode ser usada para orientar políticas públicas em saúde e na avaliação da eficácia de vacinas contra a dengue

 

Pesquisadores brasileiros desenvolveram uma forma simples e rápida de identificar pessoas previamente expostas a cada um dos quatro sorotipos do vírus da dengue, bem como ao vírus zika. Trata-se de um teste imunoenzimático do tipo ELISA, plataforma amplamente utilizada em laboratórios de análises clínicas do país, passível de ser adaptado para outras tecnologias automatizadas e testes rápidos do tipo point of care.

O trabalho foi conduzido no Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP), em parceria com cientistas da Faculdade de Medicina (FM-USP) e da Universidade Federal do Oeste da Bahia (Ufob), estes liderados pelo professor Jaime Henrique Amorim. Os resultados foram publicados no Journal of Medical Virology.

A dengue é a arbovirose mais disseminada globalmente. É causada por um flavivírus que apresenta quatro sorotipos antigenicamente distintos (DENV 1, 2, 3 e 4) e que cocirculam com pelo menos outros nove vírus do mesmo grupo, entre eles o zika (ZIKV). As semelhanças compartilhadas entre os antígenos do DENV e do ZIKV levam a reações cruzadas e à redução da especificidade do diagnóstico sorológico.

Com o objetivo de tornar mais preciso o exame que detecta anticorpos presentes no sangue de pessoas previamente infectadas, mesmo aquelas sem sintomas aparentes, os pesquisadores utilizaram fragmentos de proteínas dos vírus, em particular a proteína do envelope viral (a camada mais externa do patógeno). Tal fragmento, denominado EDIII, está envolvido na ligação do vírus às células humanas.

Durante o estudo, financiado pela FAPESP por meio de seis projetos (16/20045-722/10408-623/02345-721/05661-120/08943-5 e 17/24769-2) e conduzido durante o doutorado de Samuel Santos Pereira no ICB-USP, o teste foi inicialmente validado com amostras de sangue de camundongos experimentalmente infectados com os vírus DENV e ZIKV.

Nessa etapa, ele mostrou-se capaz de diferenciar anticorpos específicos contra cada um dos patógenos e, além disso, diferenciou anticorpos gerados pelos quatro sorotipos do DENV. Em seguida, o teste foi validado com cerca de 650 amostras de soro sanguíneo recolhidas de pessoas em São Paulo durante a epidemia de zika no Brasil (2015-2017). Os resultados indicaram sensibilidade de 87,8%, que indica a capacidade de evitar resultados falso-negativos, e especificidade de 91,4%, que se traduz na capacidade de evitar falso-positivos.

“Também testamos 318 amostras de soro colhidas de pessoas saudáveis na cidade de Barreiras [oeste da Bahia, região endêmica para DENV e outros arbovírus], sem diagnóstico prévio de dengue, como forma de avaliar a capacidade de monitoramento do teste para anticorpos específicos gerados após exposição aos vírus”, conta Luís Carlos de Souza Ferreira, professor do ICB-USP e coordenador do trabalho.

Segundo o pesquisador, cerca de 65% das amostras reagiram com pelo menos um antígeno de dengue (88 apenas com o sorotipo 1 e 90 delas com mais de um tipo de DENV). Curiosamente, apenas três amostras foram reativas para ZIKV, indicando que esse patógeno não circula na região há alguns anos ou que os anticorpos específicos gerados após a infecção têm curta duração.

“Coletivamente, esses resultados mostram que temos uma ferramenta poderosa para monitorar a imunidade sorológica de qualquer pessoa exposta a esses vírus, particularmente em populações que vivem em áreas endêmicas para dengue e zika ou que tomaram ou pretendem tomar uma das vacinas disponíveis para a prevenção da dengue”, diz Ferreira.

 

crédito: acervo dos pesquisadores


Saúde pública

No Brasil, 21 mortes por dengue foram registradas nas primeiras semanas de 2025, dois terços delas no Estado de São Paulo. O ressurgimento do sorotipo 3 do vírus no país após 17 anos tem preocupado especialistas, que temem o agravamento dos surtos (leia mais em: agencia.fapesp.br/53754).

De acordo com Ferreira, no caso de uma nova epidemia, o teste desenvolvido no ICB permitirá identificar indivíduos e populações sem imunidade contra os tipos de DENV circulantes e implementar medidas dirigidas de prevenção, seja para o combate ao vetor ou a aplicação de vacinas.

“Os anticorpos medidos no ensaio [imunoglobulinas G ou IgG] são, em grande parte, responsáveis pela imunidade protetora contra a doença, pois impedem a entrada do vírus em nossas células. Essa característica permite que o teste seja usado para avaliar o status imunológico de pessoas saudáveis, mas previamente expostas aos vírus, e aquelas imunizadas com uma das vacinas atualmente em uso no país. No caso do ZIKV, será possível testar a imunidade de pessoas em idade fértil e grávidas, principal grupo de risco, sem a preocupação de reatividade cruzada com anticorpos gerados após infecção pelos quatro sorotipos de DENV. Isso permite estabelecer medidas para evitar a infecção quando do ressurgimento do vírus zika no país”, acrescenta.

A pesquisa também contou com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Vacinas (INCTV).

O artigo Serotype-Specific Dengue Virus IgG Assay Using EDIII-Based Recombinant Proteins and Its Application in an Endemic Population in Northeast Brazil pode ser lido em: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/jmv.70100.
 


Julia Moióli
Agência FAPESP
https://agencia.fapesp.br/teste-permite-identificar-infeccao-previa-por-zika-e-pelos-quatro-sorotipos-do-virus-da-dengue/53819

 

FEMAMA apoia a campanha do Dia Mundial do Câncer no Brasil

Neste ano, a campanha da Union for International Cancer Control tem como tema “Unidos pelo único”, e mostra a importância de enxergar as pessoas em sua individualidade, com suas necessidades específicas 


Dia 4 de fevereiro é o Dia Mundial do Câncer. Neste ano, a campanha mundial estará focada no lema "Unidos pelo único" que convida todos a valorizar as histórias de quem convive com o câncer, e a defender um atendimento mais humanizado e centrado nas pessoas. Cada tumor é único, e exige um tratamento específico. Cada pessoa é única e cada história importa. 

O Dia Mundial do Câncer é uma iniciativa da Union for International Cancer Control (em tradução livre, União Internacional de Controle do Câncer (UICC), a maior organização global de controle do câncer, que reúne profissionais de saúde, pesquisadores, pacientes e outros parceiros para reduzir a carga global do câncer, promover maior equidade e garantir a doença continue sendo uma prioridade na agenda global de saúde. 

“O Dia Mundial do Câncer é uma oportunidade de refletir e mobilizar o poder público em favor dessa causa para melhorar a saúde em nosso país. Cada jornada é única e cada pessoa é única, que desigualdades sociais e econômicas acabam refletindo em iniquidades no acesso ao diagnóstico e tratamento. Exigir acesso a um tratamento mais humano e eficaz é tarefa de todos nós”, afirma a Dra. Maira Caleffi, Presidente Fundadora da FEMAMA e representante do Brasil no Board of Directors da UICC. 

Comemorado desde o ano 2000, a campanha promove a cada ano centenas de atividades e eventos ao redor do mundo, reunindo pessoas, e agindo como um poderoso lembrete de que todos nós temos um papel a desempenhar na redução do impacto global do câncer.

 

Paciente no centro do cuidado

Por trás de cada diagnóstico de câncer existe uma história única. É por isso que, no tratamento do câncer, é essencial que haja o cuidado centrado no paciente, que integra totalmente as necessidades únicas de cada indivíduo com empatia e acolhimento, o que leva a melhores resultados de saúde. 

É necessário olharmos além da doença e enxergarmos a pessoa por trás do diagnóstico. A campanha “Unidos pelo Único” representa uma oportunidade de repensarmos o câncer, abraçarmos as diferenças das pessoas e garantirmos que todos sejam vistos e reconhecidos dentro das suas particularidades e necessidades.

 

Unidos pelo único

Assim como cada paciente é único, cada tumor também é. Outra importante bandeira da campanha é a importância da medicina de precisão, que tem como foco o atendimento personalizado com base nas características de cada paciente. Quando falamos em câncer de mama, o segundo tumor mais comum entre as mulheres no Brasil, a testagem genética para pacientes e seus familiares representa um grande avanço no controle da doença, pois oferece informações que possibilitam a implementação de medidas preventivas e terapêuticas personalizadas. 

No Brasil, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) garante o acesso ao painel genético, mas, no Sistema Único de Saúde (SUS), apenas os estados do Amazonas, Goiás, Minas Gerais, Rio de Janeiro e o Distrito Federal possuem legislação voltada para detecção e manejo de câncer de mama e ovário hereditários. Mesmo assim, a aplicação ainda não se mostra efetiva. 

“O acesso à saúde não é o mesmo para todas as pessoas. Em países desenvolvidos, a mortalidade de pacientes de câncer de mama caiu nos últimos 40 anos, enquanto no Brasil ela cresceu. Fatores como o acesso limitado a exames e a tratamentos adequados contribuem para o aumento desses índices.”, declara a Dra. Maira. 

O acesso à testagem genética por pessoas com indicação clínica em todo o território nacional é urgente, pois ela viabiliza escolhas de tratamento mais adequadas, ampliando as chances de diagnóstico precoce, prevenindo recidivas, e identificando novos possíveis casos de câncer na família. Além de salvar vidas, uma política nacional de testagem genética pode contribuir de forma custo-efetiva por reduzir o escalonamento de custos em tratamentos de alta complexidade ao longo dos anos.




FEMAMA - Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama
Conheça o trabalho da FEMAMA aqui.


Entenda os mitos e verdades sobre a mamografia e o câncer de mama

Fundação responsável por mais de 30 mil mamografias gratuitas no estado de São Paulo esclarece informações falsas e verdadeiras envolvendo o exame 

 

O câncer de mama é o tipo que mais mata mulheres no Brasil. Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), 73 mil é o número previsto de novos casos da doença para o triênio de 2023-2025 no país. Mas, se detectado em fase inicial as chances de tratamento e de cura do câncer de mama podem ser de 98%. O Dia Nacional da Mamografia, celebrado em 5 de fevereiro, reforça a conscientização e a mensagem sobre a importância do exame preventivo que pode salvar vidas.   

De acordo com a Médica radiologista especialista em mamas da Fundação Instituto de Pesquisa e Estudo de Diagnóstico por Imagem (FIDI), Dra. Vivian Milani, “a mamografia se destaca por reduzir a incidência de mortalidade por câncer de mama, diagnosticando a doença antes mesmo de existir alguma alteração mamária”. No entanto, existem muitos mitos que envolvem o exame e, por este motivo, a FIDI reuniu uma lista de perguntas ‘É Mito ou Verdade’, respondidas por Dra. Vivian, para identificar informações acerca do exame.  

 

É Mito ou Verdade?  

 

Fazer o exame de mamografia previne o câncer de mama?  

Mito - fazer o exame não previne a doença, mas se feito com regularidade, previne o descobrimento da enfermidade em estágios avançados, por isso é indicado que os exames sejam realizados sob orientação médica e, preferencialmente, seja estabelecida uma rotina de exames preventivos, principalmente para mulheres acima de 35 anos de idade.   

   

O exame de mamografia é simples?  

Verdade a mamografia é considerada um procedimento simples, rápido e não invasivo, realizada por uma técnica em radiologia. 

 

A radiação ionizante do exame de mamografia pode afetar a saúde?  

Mito – definitivamente é um mito, o exame de mamografia utiliza radiação ionizante (raios-x), mas a dose é muito baixa, sendo o benefício do exame muito maior do que a dose de radiação absorvida pela paciente.  

 

O ultrassom da mama substitui a mamografia?  

Mito – Ambos os exames, ultrassom da mama e a mamografia são muito importantes e se complementam entre si, mas não substituem um ao outro. O ultrassom da mama é um exame de imagem que permite detectar lesões presentes, especialmente nas mamas mais jovens e densas. Já a mamografia é um tipo específico que possibilita a identificação precoce de alterações nas mamas malignas ou benignas.  

 

Existe uma idade ideal para fazer exame de mamografia?  

VerdadeO exame deve ser realizado periodicamente a partir dos 50 anos, mas em casos da existência de alguma alteração palpável ou antecedente familiar, pode ser realizada antes. 

 

A alimentação interfere no tratamento do câncer de mama?  

Verdade – A alimentação das pacientes de câncer de mama deve ser a mais natural possível e equilibrada, contendo proteínas, vegetais, frutas e cerais para que a mulher possa ter nutrientes e melhorar o sistema imunológico. A água é muito bem-vinda, com estimativa de dois litros por dia.  

 

O fator genético é determinante para o câncer de mama?  

Mito – Já se sabe que o fator genético está associado a 8% dos casos e os fatores ambientais são responsáveis por 92%, como por exemplo, obesidade, falta de exercícios físicos, tabagismo e etilismo (o álcool tem se mostrado cada vez mais, um vilão para o surgimento do câncer de mama. O risco aumenta de 7 a 10% se a mulher ingerir uma dose pequena de álcool por dia). Neste caso, a Organização Mundial da Saúde alerta como prejudicial uma dose diária de 100ml de vinho, e/ou 285 ml de cerveja, por exemplo. 

  

Por fim, existem inúmeras questões sobre o que é mito ou verdade sobre a mamografia, mas acima de tudo o importante é cuidar da saúde e dedicar diariamente um tempo para o autocuidado. “A saúde da mulher precisa vir em primeiro lugar, por isso é importante realizar os exames diagnósticos com periodicidade, não deixando de consultar um médico especialista uma vez ao ano, assim tanto a detecção da doença, quanto o tratamento poderá ser mais ágil e eficaz”, afirma Dra. Vivian Milani.  

 

 

Vivian Milani - Médica radiologista com especialização em mama pelo Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR), entidade nacional que representa oficialmente a área no Brasil, e mestrado sobre a Incidência do câncer de mama na população feminina, pela UNIFESP. Desde a residência médica decidiu focar no diagnóstico de câncer de mama, somando duas décadas de dedicação ao tema. Atuou nas primeiras edições das carretas da mamografia, com início no ano de 2014. Além de ser preceptora na área da radiologia mamária, para médicos residentes no Hospital do servidor público estadual – IAMPSE, atualmente também ministra aulas para médicos e técnicos na Fundação Instituto de Pesquisa e Estudo de Diagnóstico por Imagem (FIDI), para o aperfeiçoamento em radiologia mamária, e faz parte do Conselho Curador da FIDI.  
LinkedIn:
https://www.linkedin.com/in/vivian-milani 



FIDI - Fundação privada sem fins lucrativos que reinveste 100% de seus recursos em assistência médica à população brasileira, por meio do desenvolvimento de soluções de diagnóstico por imagem, realização de atividades de ensino, pesquisa e extensão médico-científica, ações sociais e filantrópicas.
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