Desde o início do ano há uma crise sanitária em todo o mundo, em função do coronavírus. E, infelizmente, o Brasil ainda possui uma baixa taxa de testagem para a doença. Conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS) esse índice deve ser de 10 a 30 vezes a mais que o número de infectados. E, no Brasil, segundo o Our World in Data, plataforma de dados de Oxford, são realizados, aproximadamente, 1,1 testes para cada caso confirmado. Em função dessa testagem reduzida, o número de casos positivos identificados pode não ser real.
De acordo com a OMS, quanto maior o número de casos
confirmados, maior deve ser o índice de testes. No Brasil, até 12 de junho,
eram mais de 800 mil casos confirmados e cerca de 400 mil em acompanhamento.
Com isso, o país é, atualmente, a segunda nação com mais infectados no mundo,
atrás, apenas dos Estados Unidos, com aproximadamente dois milhões de
infectados.
Ainda segundo o Our World in Data, na primeira semana
de junho, o Brasil totalizava uma média de 2,28 pessoas testadas a cada 100 mil
habitantes, enquanto na Itália e nos EUA, a média era de 69,25 e 61,59
testados, respectivamente. Dessa forma, a quantidade de testes realizados no
Brasil não demonstra a precisão no número de infectados e mortos, tornando os
dados divergentes da realidade.
Atualmente, o período para que a resposta de um
teste de detecção da covid-19 seja entregue e contabilizada pelo Gerenciador de
Ambiente Laboratorial (GAL), sistema usado pelo Ministério da Saúde para
registrar as contaminações pelo coronavírus, pode ser de até uma semana. Pois
nessa testagem é considerado apenas o exame molecular, conhecido por RT-PCR,
que é feito somente em laboratórios por meio da coleta de uma secreção do
nariz.
Esse tempo é longo, se tratando da urgência em que
as medidas necessárias devem ser tomadas para a contenção desse vírus. Por
exemplo, uma vez que uma pessoa fez o teste, mas não tem o resultado em tempo
oportuno, ela pode se tornar uma fonte de propagação, mesmo sem saber. Isso
reafirma a importância do diagnóstico rápido para evitar o aumento da doença.
No Brasil, já existem testes, aprovados pela
Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), que cumprem esse papel de
entrega de resultados em um curto intervalo de tempo. Entre eles está o Alfa
Scientific, importado dos Estados Unidos, capaz de detectar o vírus a partir do
sétimo dia de contato com o organismo. Ele é feito por meio da coleta de
sangue, com uma picada no dedo ou por punção venosa. Após o sangue ser
misturado com o reagente, o teste aponta o resultado em até 10 minutos.
Além disso, ele permite identificar se a pessoa, em
algum momento, teve contato com o patógeno da doença, mesmo não tendo ficado
doente. Ele já está sendo utilizado, por exemplo, em empresas que já retomaram
suas atividades e querem garantir a segurança de seus colaboradores, como é o
caso de algumas mineradoras que atuam no estado de Minas Gerais.
Rodrigo
Silveira - diretor da Orbitae


