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segunda-feira, 6 de julho de 2020

A necessidade da testagem rápida e ampla para combater o coronavírus


Desde o início do ano há uma crise sanitária em todo o mundo, em função do coronavírus. E, infelizmente, o Brasil ainda possui uma baixa taxa de testagem para a doença. Conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS) esse índice deve ser de 10 a 30 vezes a mais que o número de infectados. E, no Brasil, segundo o Our World in Data, plataforma de dados de Oxford, são realizados, aproximadamente, 1,1 testes para cada caso confirmado. Em função dessa testagem reduzida, o número de casos positivos identificados pode não ser real.

De acordo com a OMS, quanto maior o número de casos confirmados, maior deve ser o índice de testes. No Brasil, até 12 de junho, eram mais de 800 mil casos confirmados e cerca de 400 mil em acompanhamento. Com isso, o país é, atualmente, a segunda nação com mais infectados no mundo, atrás, apenas dos Estados Unidos, com aproximadamente dois milhões de infectados.

Ainda segundo o Our World in Data, na primeira semana de junho, o Brasil totalizava uma média de 2,28 pessoas testadas a cada 100 mil habitantes, enquanto na Itália e nos EUA, a média era de 69,25 e 61,59 testados, respectivamente. Dessa forma, a quantidade de testes realizados no Brasil não demonstra a precisão no número de infectados e mortos, tornando os dados divergentes da realidade.

Atualmente, o período para que a resposta de um teste de detecção da covid-19 seja entregue e contabilizada pelo Gerenciador de Ambiente Laboratorial (GAL), sistema usado pelo Ministério da Saúde para registrar as contaminações pelo coronavírus, pode ser de até uma semana. Pois nessa testagem é considerado apenas o exame molecular, conhecido por RT-PCR, que é feito somente em laboratórios por meio da coleta de uma secreção do nariz.

Esse tempo é longo, se tratando da urgência em que as medidas necessárias devem ser tomadas para a contenção desse vírus. Por exemplo, uma vez que uma pessoa fez o teste, mas não tem o resultado em tempo oportuno, ela pode se tornar uma fonte de propagação, mesmo sem saber. Isso reafirma a importância do diagnóstico rápido para evitar o aumento da doença.

No Brasil, já existem testes, aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), que cumprem esse papel de entrega de resultados em um curto intervalo de tempo. Entre eles está o Alfa Scientific, importado dos Estados Unidos, capaz de detectar o vírus a partir do sétimo dia de contato com o organismo. Ele é feito por meio da coleta de sangue, com uma picada no dedo ou por punção venosa. Após o sangue ser misturado com o reagente, o teste aponta o resultado em até 10 minutos.

Além disso, ele permite identificar se a pessoa, em algum momento, teve contato com o patógeno da doença, mesmo não tendo ficado doente. Ele já está sendo utilizado, por exemplo, em empresas que já retomaram suas atividades e querem garantir a segurança de seus colaboradores, como é o caso de algumas mineradoras que atuam no estado de Minas Gerais.

Testes como esses que agilizam o processo de detecção do novo coronavírus podem ser importantes aliados nesse momento, contribuindo para que o Brasil supere esse desafio sanitário, econômico e comunitário.






Rodrigo Silveira - diretor da Orbitae

Crescimento de doenças respiratórias no inverno aumenta risco de contaminação pelo novo Coronavírus


Crises alérgicas e infecções virais podem inflamar o sistema respiratório e baixar a imunidade dos pacientes, deixando-os mais vulneráveis a Covid-19

O inverno é um período mais propenso às doenças respiratórias, já que o tempo mais frio aumenta a umidade do ar e faz com que as partículas em dispersão aérea fiquem mais tempo viáveis. Com isso, a médica clínica da S.O.S. Vida, Patrícia Bagano, explica que esse ambiente é mais favorável a propagação de infecções virais, como o novo Coronavírus.
Além disso, esse crescimento histórico nesse período do ano, aumenta o risco de contaminação pelo novo Coronavírus, já que quadros alérgicos e doenças respiratórias afetam a imunidade dos pacientes, deixando-os mais vulneráveis. "As pessoas que tem asma ou que já se encontram infectadas por resfriados, gripes ou outras doenças respiratórias têm inflamação no sistema respiratório e aumento na produção de muco, o que favorece, sim, o contágio por Covid-19", pontua.
Para o infectologista da S.O.S. Vida Matheus Todt, a pandemia deve complicar ainda mais esse cenário, já que o aumento de outros quadros virais vai sobrecarregar ainda mais as unidades de saúde. Os especialistas orientam que pessoas com sintomas leves evitem procurar hospitais, pois elas podem acabar se contaminando nessas instituições ou no trajeto. A ida à emergência só é recomendada quando há febre alta por mais de três dias, falta de ar e prostração excessiva. A orientação para quem está com o quadro clínico mais leve é manter repouso, hidratação e o tratamento em casa.
Esse cuidado é ainda mais importante, já que as doenças respiratórias possuem sintomas semelhantes, portanto há dificuldade de diferenciá-las. A infecção respiratória causada pelo novo Coronavírus provoca sintomas que se assemelham aos apresentados por pacientes acometidos de outras síndromes respiratórias brandas, como a gripe e o resfriado, que não justificariam a exposição na emergência nesse cenário de pandemia.
Os quadros mais comuns de Covid-19 apresentam febre, tosse seca, fadiga e dificuldade de respirar. "A diferenciação das chamadas doenças de inverno de COVID-19 é um desafio, pois os sintomas são muito parecidos. No entanto, existe um sintoma bem característico, que é a anosmia, ou ausência de olfato, que não atinge todas pessoas, mas com sua presença liga o sinal de alerta para essa doença. A falta de ar, mesmo que leve, também é um sinal de alarme e indicativo de que o paciente deve comparecer imediatamente à emergência", orienta a médica.
Já a gripe é uma infecção aguda do sistema respiratório, provocado pelo vírus Influenza, com grande potencial de transmissão. Os enfermos costumam apresentar tosse, febre, congestão nasal, dor de garganta, dor de cabeça, fadiga e dor muscular. A maioria dos sintomas melhora depois de três a cinco dias, porém alguns podem durar um pouco mais.
Por sua vez, o resfriado comum é uma infecção viral que acomete as vias respiratórias superiores (nariz e garganta), que costuma ter sintomas mais brandos do que a gripe, que desaparecem em poucos dias.
Os sintomas da Covid-19 e recomendações sobre o tratamento da doença estão detalhados em um ebook produzido pela S.O.S. Vida para orientar sobre cuidados e medidas de prevenção ao novo Coronavírus. A publicação está disponível gratuitamente no site da S.O.S. Vida (https://sosvida.com.br/coronavirus-ebook/).


Mais que cáries: falta de higiene bucal pode originar doenças


Relaxamento com os cuidados diários com a boca durante o isolamento social preocupa especialista. Boca também pode revelar sinais de baixa imunidade do organismo


A boca é órgão de deleite para um dos maiores prazeres do ser humano - a alimentação - mas é também é porta de entrada para bactérias e outros microrganismos. Nela pode começar outros problemas de saúde, que vão além das cáries, gengivites e problemas nos dentes. Para se ter uma ideia, um estudo divulgado pelo Instituto do Coração (Incor), da Universidade de São Paulo (USP), aponta que 45% das doenças cardíacas têm início na cavidade bucal, podendo ser nos dentes, lábios, gengiva, língua e bochecha. Entre elas estão a endocardite bacteriana, aterosclerose, arritmia, AVC (acidente vascular cerebral) e até mesmo o infarto. 

Por isso, manter a higiene bucal em dia e estar atento a alterações na boca é essencial. Mas o cirurgião-dentista André Ferreira, que possui um consultório no centro clínico do Órion Complex, em Goiânia, tem observado que, devido ao isolamento social, muitas pessoas têm descuidado de cuidados básicos como a escovação frequente. “A boca não é separada do restante do organismo, pelo contrário, através dela bactérias, vírus e fungos acessar a corrente sanguínea e se espalhar pelo restante do corpo, chegando aos outros órgãos”, explica.

Até mesmo pacientes internados em unidades de terapia intensiva (UTI) precisam de cuidados odontológicos. “Quando os médicos detectam alguma infecção na boca do paciente nos acionam, independente se o paciente está com alimentação convencional ou não, o que determina nossa intervenção é a gravidade do caso”, revela André. Ele detalha que nestas situações os dentistas realizam a remoção do foco de infecção, a qual pode ser dar por meio de profilaxia (limpeza simples), raspagens (limpeza profunda), eliminação de doenças gengivais, abcessos, cistos, entre outros.


Cuidados

O dentista recomenda que não se deve negligenciar os cuidados básicos da higiene bucal, como usar o fio dental e fazer a escovação regular após as refeições. “As pessoas devem fazer um check-up bucal no mínimo uma vez ao ano, no qual o profissional faz um exame clínico avaliando os dentes, bochechas e demais regiões bucais. Se necessário, são pedidos exames complementares”. Além disso, André ressalta que é preciso cuidar da alimentação. “Antigamente se falava que um grande vilão para os dentes era apenas o açúcar. Hoje sabemos que há lesões não cariosas e outros problemas que acontecem pelos alimentos ácidos”.

É na boca também onde aparece vários sinais da baixa imunidade, como aftas, diversas formas de estomatite, amigdalite, herpes e inflamações gengivais e periodontais. O ideal, diz o especialista, é observar sua cavidade bucal e procurar um especialista sempre que perceber sintomas recorrentes ou persistentes, além de aspectos físicos diferentes.


Para MSF, COVID-19 não pode significar retrocesso em combate ao HIV


Relatório do Unaids indica que meta de redução de mortes não será cumprida em 2020. Preocupação é que a pandemia dificulte acesso a medicamentos cause interrupção de tratamentos.


O Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV e AIDS (UNAIDS) divulgou hoje o Relatório Global de Atualização de AIDS para 2020. O documento mostra que o mundo não vai conseguir cumprir metas críticas para 2020, incluindo a redução de 50% das mortes relacionadas ao HIV entre 2015 e o final de 2020. Este objetivo, entre outros, foi acordado por todos os Estados Membros da ONU na Declaração Política de 2016 sobre HIV e AIDS.

De acordo com o UNAIDS, 690 mil pessoas morreram de causas relacionadas ao HIV em 2019. Ainda que o número seja o mais baixo desde 1993, ainda é alto demais e significa que o mundo não está no caminho certo para cumprir a meta de 2020. A cobertura do tratamento também é muito baixa. Até o final de 2019, 67% das pessoas (25,4 milhões) que precisam de tratamento com antirretrovirais (ARVs) tinham acesso aos medicamentos. Isso deixa uma lacuna de 12,6 milhões de pessoas vivendo com HIV que ainda precisam de tratamento e não têm acesso a ele.

A organização internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) ressalta a importância de programas e políticas públicas para reduzir o número de infecções por HIV e comorbidades relacionadas ao retrovírus, especialmente em meio à pandemia de COVID-19. Assim, MSF se juntou ao UNAIDS para instar os países a implementarem práticas para reduzir o impacto da COVID-19 nos serviços de tratamento do HIV, incluindo maneiras de fornecer às pessoas com o retrovírus condições de continuar o tratamento por vários meses, reduzindo assim o número de deslocamentos necessários às unidades de saúde.

Apesar das promessas, o mundo falhará no compromisso de reduzir as mortes por HIV até o final de 2020. O custo de não cumprir esses compromissos está evidenciado nestas 820 mil mortes adicionais desnecessárias, de acordo com o UNAIDS”, lamentou o médico Eric Goemaere, Coordenador da Unidade de HIV/TB e líder do projeto de COVID-19 de MSF na África do Sul. “O que esses números nos dizem é que as mortes relacionadas ao HIV não estão diminuindo rápido o suficiente, mesmo antes da COVID-19.

Segundo o médico, a COVID-19 ameaça causar interrupções nos tratamentos de pacientes com HIV. “Agora, tememos que, com qualquer interrupção nos atendimentos de pacientes de HIV devido à pandemia, mais vidas sejam perdidas. Não podemos nos dar ao luxo de voltar atrás na epidemia de HIV/AIDS à luz da pandemia de COVID-19”, ressaltou.

O relatório também mostra evidências crescentes vindas da África Subsaariana de que pessoas vivendo com HIV e pessoas com tuberculose correm maior risco de serem infectadas e de morrer pelo novo coronavírus. O UNAIDS também alertou para as implicações das interrupções nos serviços de assistência a pessoas com HIV como consequência da COVID-19.

“Estamos muito atrasados em enfrentar adequadamente o número inaceitável de mortes de pessoas vivendo com HIV”, explicou Goemaere. “Devemos fazer todo o possível para redobrar nossos esforços, continuar a ampliar o tratamento contra o HIV e manter os ganhos e as vidas salvas com tanto esforço. Não podemos nos arriscar a retroceder, pois o progresso até o momento é precioso demais para não ser preservado.”


Sobre Médicos Sem Fronteiras

Médicos Sem Fronteiras é uma organização humanitária internacional que leva cuidados de saúde a pessoas afetadas por conflitos armados, desastres naturais, epidemias, desnutrição ou sem nenhum acesso à assistência médica. Oferece ajuda exclusivamente com base na necessidade das populações atendidas, sem discriminação de raça, religião ou convicção política e de forma independente de poderes políticos e econômicos. Também é missão da MSF chamar a atenção para as dificuldades enfrentadas pelas pessoas atendidas em seus projetos. Para saber mais visite o site de MSF-Brasil.


A covid-19 e a insuficiência da ciência atual


Ninguém, em sã consciência, pode negar que a defesa do homem em face dessa inusitada pandemia lança raízes na ciência, lembrada segundo o senso comum. 


Essa foi a ideia lançada tantas vezes no Brasil dos últimos tempos. Porém, seria preferível optar-se pela referência ao conhecimento. Claro que, sob a ignorância e o achismo, somente se poderia atingir o ponto nefasto a que chegamos, não só em prejuízo dos brasileiros como de toda a humanidade, em razão da multiplicação geográfica da contaminação. 

Isso porque o conhecimento foi corretamente cindido em duas fórmulas pelos epistemólogos: divide-se em técnica e em ciência. Distinguem-se porque a técnica nos ensina o "como". E a ciência nos diz o "porquê". O "como" consertar um aparelho de televisão nos leva ao resultado pragmático desejado, mas permanecemos, em geral, ignorantes do "porquê" as medidas adotadas produziram a recomposição útil do objeto.

Em relação às medidas da crise, a ciência, em verdade, executa técnicas. A técnica do isolamento e do distanciamento social, da constante limpeza das mãos, do álcool gel, tudo para evitar que o vírus penetre por nossas cavidades expostas: a boca, o nariz e os olhos. E, uma vez contraído o mal, a técnica dos respiradores e dos procedimentos medicamentosos. Mesmo a descoberta de uma vacina, fundada em exaustivas experiências empíricas, seria uma técnica de obstruir os efeitos danosos do vírus no ser humano, não uma ciência. 

Descobrir a ciência seria explicar os motivos pelos quais homem e vírus não podem coabitar neste planeta. As razões de sua incompatibilidade. Quais as propriedades biológicas de cada qual que os excluem da vida harmônica sobre o planeta Terra. 

Sabe-se que o vírus já se encontrava neste páramo cósmico quando se desenvolveu a vida humana. Porém, não será, obviamente, o direito de propriedade - o direito do primeiro ocupante, um de seus fundamentos - que nos dará uma explicação científica.

Se o homem, até hoje, domina apenas pequena parcela de seu potencial cognitivo, isso ocorre no domínio das ciências. Ele conhece quase que completamente todas as técnicas, o que lhe possibilita a vida contemporânea de incríveis avanços tecnológicos. Mas ainda conhece pouco sobre o "porquê" da internet, das comunicações e das visões à distância em tempo real, enfim de todas essas conquistas, que imprecisamente se dizem científicas e que nos proporcionaram inimagináveis comodidades existenciais. 

O avanço no campo estrito da ciência será um dos legados paradoxais dessa triste pandemia, que leva a vida de muitos de nossos irmãos da espécie. Em tempo que não se pode prever a ciência nos desvendará quais sejam as condições originárias de ocupação de um planeta - sempre mutáveis e incertas, segundo o enunciou Heinsenberg e sua física quântica das probabilidades -  por várias espécies e os modos pelos quais poderão conviver na ocupação dos espaços cósmicos. 

Até hoje, a atividade científica se voltou ao mundo macrofísico. Foi ele o objeto da física de Newton e mesmo de Einstein, da energia, da matéria, das grandes distâncias e de sua relatividade, que revolucionaram os conhecimentos humanos e nos proporcionaram o "admirável mundo novo". Todavia, pouco se caminhou na esfera microfísica, como na microbiologia, onde encontramos o vírus. Por interesses políticos, posto que um foguete espacial tripulado pode render votos, enquanto o financiamento das pesquisas biológicas do invisível tem tanta importância para os donos da política como o investimento em saneamento básico.




Amadeu Garrido de Paula - poeta e ensaista literário, é advogado, atuando há mais de 40 anos em defesa de causas relacionadas à Justiça do Trabalho e ao Direito Constitucional, Empresarial e Sindical. Fundador do Escritório Garrido de Paula Advocacia e autor dos livros: “Universo Invisível” e “Poesia & Prosa sob a Tempestade”. Ambos à venda na Livraria Cultura.

Barriga solidária: saiba como funciona e quais as regras no Brasil



Especialista em reprodução humana esclarece todas as dúvidas


Apesar de ainda ser considerado um tabu, a Barriga Solidária, também conhecida como útero de substituição, cada vez mais tem feito parte da realidade de muitas famílias onde a mãe, por problemas genéticos ou outras enfermidades, não consegue gerar o próprio filho.

Recentemente, um casal de brasileiros ganhou notoriedade e comoveu a todos por atravessarem o oceano, em plena pandemia, com destino a Ucrânia para buscar a filha gerada em barriga de aluguel.  O que muitos não sabem é que no Brasil, apesar de não haver legislação específica sobre o tema, algumas resoluções criadas pelo Conselho Federal de Medicina regulamentam o processo de Barriga Solidária garantindo toda a segurança no processo. Como o assunto ainda é pouco discutido, Fernando Prado, ginecologista e obstetra, especialista em reprodução humana da Clínica Neo Vita tira as principais dúvidas.

  1. Quando a Barriga Solidária é indicada?
A técnica de reprodução assistida é indicada para mulheres que não podem engravidar por alguma alteração uterina que atrapalha o desenvolvimento embrionário e em casos de mulheres que retiraram o útero ou que não podem engravidar por possuir alguma doença grave que coloque em risco sua vida e a do bebê. Também é indicada para casais homoafetivos masculinos ou homens solteiros, que realizam a chamada “produção independente masculina”.

  1. Como é feito o procedimento?
O tratamento é realizado a partir de uma fertilização in vitro, com a formação de embriões (óvulo e espermatozoide do casal), que são transferidos para o útero de outra mulher que é considerada uma doadora temporária. A Barriga Solidária passa por todas as etapas para receber o embrião, sendo submetida a uma estimulação do útero com uso de hormônios que preparam o endométrio (tecido de revestimento do útero) para receber os embriões.

  1. Quem pode ser a Barriga Solidária?
Segundo a resolução do Conselho Federal de Medicina, a mulher que será a barriga solidária deve pertencer à família de um dos parceiros em parentesco consanguíneo até o quarto grau, ou seja, mãe, filha, avó, irmã, tia, sobrinha ou prima. Mas quando a pessoa não tem o grau parentesco exigido, o Conselho Regional de Medicina deve emitir uma autorização antes de realizar o tratamento. Vale ressaltar que a doação temporária do útero não pode ter caráter comercial ou lucrativo.

  1. A Barriga Solidária passa por alguma avaliação clínica?
Sim. É feita uma avaliação médica sobre suas condições de saúde gerais, ginecológicas e obstétricas que vai avaliar se há riscos para si ou para a criança que será gerada. Também são realizados exames para doenças infecciosas de todos os participantes do processo para que não aconteça nenhum tipo de contaminação durante o tratamento. Além disso, é fundamental que a barriga solidária tenha um seguro de saúde para que tenha acompanhamento médico adequado durante a gestação.

  1. Casais homoafetivos podem recorrer à Barriga Solidária?
Sim. No caso de mulheres é recomendado que uma das parceiras ceda os óvulos, que serão fertilizados com um banco de sêmen, e a outra parceira faz a gestação. Nesses casos o bebê nasce literalmente de duas mães. Já para os casais homoafetivos masculinos é necessário também uma doadora de óvulos, que deve ser anônima, já que a barriga solidária não pode ser a doadora.

  1. Como é feita a escolha da maternidade?
A maternidade fica a escolha dos pais genéticos e deve ser combinada previamente com o hospital para que seja tranquila a adaptação da paciente que deu à luz, evitando-se traumas ou problemas psicológicos.

  1. A criança é registrada normalmente em nome dos pais?
Sim. Após o nascimento o registro é feito no nome dos pais genéticos, sem a necessidade de ação judicial para obter a certidão de nascimento. Esse avanço se deu graças a um Provimento do Conselho Nacional de Justiça, editado em 2017.


COAPH Saúde lista 5 tendências da medicina pós-pandemia



Especialistas apontam que situações extraordinárias, como a pandemia do coronavírus, se tornam aceleradoras de processos e criam tendências no mercado e na sociedade. De acordo com Dr. Hugo Leandro, emergencista, médico legista e diretor médico da Cooperativa de Atendimento Pré e Hospitalar (COAPH Saúde), é possível perceber na medicina algumas tendências de comportamento, de tecnologia e de relação médico e paciente no contexto pós-pandemia. Confira o que o especialista aponta de mudanças no cenário da medicina nos próximos tempos:


1. Mais informações – Com a pandemia, as pessoas se viram com mais necessidade de orientações por meios mais rápidos como o telefone, o WhatsApp, mensagens de texto, telemedicina etc. “Essas são plataformas que ajudam muito a combater e prevenir doenças por meio da informação. É importante sempre que as informações sejam de fontes confiáveis, oficiais ou recebidas e checadas diretamente com seu médico”, explica Dr. Hugo Leandro, diretor médico da COAPH Saúde.


2. Telemedicina – A telemedicina – que prevê o contato entre médico e paciente por meios virtuais - é eficiente para o acompanhamento de um paciente que o médico já conhece e precisa apenas checar a evolução do seu quadro. O contato físico ainda precisa acontecer na rotina médica, nada o substitui, mas é uma tendência que vem trazer mais praticidade nas consultas em que médico e paciente não podem se encontrar. "A telemedicina permitirá acesso de imagem e voz criptografadas dos dois lados (médico e paciente) para garantir privacidade e segurança das informações. Com isso, será possível ainda que o prontuário médico – com certificação dos órgãos de controle – fique comum entre os profissionais para caso o paciente precise mudar seu médico ou ainda receber um diagnóstico mais preciso. Um médico em uma determinada localidade pode ainda mandar o laudo para colegas a distância que têm especialidade naquela determinada situação e o mesmo devolve com sua opinião, tornando o diagnóstico mais assertivo", destaca Dr. Hugo Leandro, diretor médico da COAPH Saúde.  


3. Tecnologia – A medicina tende a receber cada vez mais apoio da inteligência artificial. A integração de robôs para interagir com o paciente e facilitar a comunicação com o médico à distância deve avançar nos próximos anos. Outra tendência é a utilização de drones para atendimentos de urgência. "Por exemplo, um familiar de um paciente que está tendo uma arritmia ou parada cardíaca poderá acionar o seu serviço de saúde que poderá, por exemplo, enviar rapidamente um drone mais próximo com equipamento desfibrilador externo automático, de fácil manuseio, enquanto a equipe médica não chega", explica Dr. Hugo Leandro.


4. Home Care e Hóspices  – O Home Care consiste em dar continuidade ao tratamento hospitalar na residência do paciente quando não há mais necessidade de internação. O processo é feito a partir do trabalho de uma equipe multidisciplinar que acompanha o paciente. O atendimento na residência é bom para o paciente que passa a ter mais contato com a família e pode ter até uma recuperação mais rápida, além de reduzir os riscos de infecção hospitalar. "Outra mudança importante é em relação ao cuidado especializado de pacientes que precisam de atenção de profissionais da saúde, mas que não precisam de internação. Haverá o aumento da procura de uma assistência de saúde que seja mais de cuidado do que de tratamento. Por exemplo, hospitais e instituições de saúde fundamentalmente ligados à enfermagem, assistência social e psicologia.  Isso desocupa leitos, abre vagas para quem realmente precisa e evita a exposição a infecções e complicações hospitalares", completa Hugo.


5.  Avaliação armada
 – Outra grande tendência é a chamada avaliação armada, quando o paciente pode fazer o uso de alguns equipamentos - como medidor de pressão e de níveis glicêmicos - por ele mesmo com a orientação de profissionais da saúde. O delivery de equipamentos médicos já é uma realidade que tem dado muito certo.


Pandemia colabora com aumento de casos de câncer no Brasil


Estudo realizado pelo Instituto Oncoguia aponta que o número de mortes por câncer crescerá até o final do ano


O medo de contaminação e de piores resultados levou muitos cirurgiões e associações no mundo todo a recomendar a limitação de procedimentos cirúrgicos oncológicos, incluindo as técnicas minimamente invasivas, durante a pandemia. Em um estudo publicado essa semana no British Journal of Surgery, os pesquisadores analisaram as cirurgias digestivas, urológicas e de mama entre 1º de março e 9 de abril de 2020 e compararam com o mesmo período de 2019. A conclusão é que os procedimentos para câncer podem ser realizados com segurança em pacientes sem infecção demonstrável, desde que o hospital tenha menos de 25% dos leitos ocupados por pacientes com Covid-19, crie áreas separadas para estes procedimentos, além de um programa eficiente de teste para Covid-19.

“Um dos principais desafios na era covid-19 e pós-covid em relação ao câncer é não deixar que diagnósticos e tratamentos deixem de ser realizados. O que vimos nos meses que se passaram foram pacientes não acessando os médicos com medo de se contaminar. E por conseguinte, hipóteses diagnósticas e exames complementares não foram solicitados. Soma-se a isso o fato de que doenças oncológicas não deixaram de existir, muito pelo contrário, as doenças evoluíram e se manifestaram da pior forma, gerando mais complicações.”, pontua Dr. Ricardo Cotta, médico, cirurgião oncologista do aparelho digestivo, especialista no procedimento de cirurgia minimamente invasiva no Hospital Quinta D’Or e cirurgião do Hospital Miguel Couto, no Rio de Janeiro.

O levantamento mais recente do Instituto Nacional do Câncer (INCA) mostra que haverá 625 mil novos casos de câncer no país esse ano e, segundo a instituição, a melhor forma de evitar a doença é a prevenção. Sem fazer consultas, nem exames de rotina como ultrassonografia, sangue e ressonância magnética, entre outros, não há diagnóstico precoce. O fato preocupa os profissionais de saúde, que preveem um aumento do número de pessoas infectadas pelo câncer. De acordo com o Instituto Oncoguia, organização de apoio a pessoas com câncer, as mortes causadas pela doença podem crescer 20% até o fim de 2020 e até mesmo os tipos com alto índice de cura terão tratamento mais difícil. 

Um exemplo de câncer que pode ser descoberto cedo com exames simples e tem quase 100% de cura é o câncer de tireoide, o mais comum da cabeça e pescoço e o quinto tumor mais frequente em mulheres nas regiões Sudeste e Nordeste. 

“Os tumores de cabeça e pescoço têm características mais dependentes do tempo, que são as complicações que podem levar à morte do paciente, principalmente a compressão da via aérea. Os cânceres que surgem dentro da cavidade oral, ou da laringe, podem comprimir a via aérea e obstruir, gerando falta de ar, mesmo que os tumores não sejam tão grandes. Isso torna a detecção precoce fundamental, pois além de ter um prognóstico melhor, também evita outros riscos que os tumores mais agressivos podem causar além da insuficiência respiratória, como o sangramento dentro da árvore brônquica, mais abrupto. Com certeza, a demora do paciente ao tratamento e o medo de procurar atendimento médico nos primeiros sintomas vão criar um impacto nos tumores de cabeça e pescoço.”, explica Leonardo Rangel, cirurgião de cabeça e pescoço, especialista pelo INCA, professor e pesquisador da UERJ.



Do medicamento ao refrigerante: a história da evolução das farmácias e a inserção dos produtos de conveniência


Hoje, farmácias oferecem uma gama de produtos variados para os seus consumidores


No Brasil, o primeiro boticário surgiu no século XX, oriundo de Portugal. Nos anos 50, a sociedade começou a utilizar dos conhecimentos dos fármacos para a compra de remédios. Com isso, as pesquisas na área farmacêutica, bem como a industrialização e comercialização de medicamentos ganharam força. Mas o cenário das boticas, dos fármacos e dos próprios boticários mudou muito desde então. Hoje, além das transformações na própria área farmacêutica, os estabelecimentos também mudaram muito. Desde 1973, com a criação da Lei Federal n° 5.991 do Conselho Federal de Farmácia, foi introduzido o termo drugstore - espécie de minimercado que vende produtos de higiene, perfumaria, jornais entre outros. Com isso, as farmácias foram agregando as mercadorias e hoje já são muito diferentes desde o seu surgimento.

“Por quase 15 anos, fui funcionário da empresa e sempre me dediquei ao máximo. Neste longo período acompanhei muitas mudanças, como a chegada dos produtos de conveniência nas lojas. Antes, a farmácia era sinônimo de venda de medicamentos e hoje podemos oferecer ao cliente um mix de produtos que vai desde perfumaria até alimentos e bebidas”, comenta Amilton Coelho, morador de Palhoça, em Santa Catarina, que há mais de anos trabalha no ramo farmacêutico.


Inclusão da tecnologia

Seguindo os passos da evolução na comercialização de produtos nas farmácias, outro ponto que ganhou destaque foram as ferramentas tecnológicas ligadas ao negócio. Sistemas de gestão de farmácias, websites, vendas por WhatsApp, redes sociais entre outras opções, facilitam a gestão das vendas e a comunicação efetiva com os consumidores. Para o diretor de marketing da mypharma.com.br, Carlos Henrique Soccol é crucial que os lojistas adotem algumas ferramentas para se manterem competitivos no mercado.

“Por questões de sobrevivência, o lojista precisa ter um bom ERP, que é um software que integra todas as soluções digitais de gestão em uma única plataforma;  um website interessante e redes sociais para divulgar sua marca e produtos”, sugere.

Além de um sistema de gestão eficiente é importante que o lojista implemente estratégias do meio digital para o negócio. Com a pandemia do novo Coronavírus, as vendas online cresceram e seguem nesse ritmo de ascensão. Manter estratégias bem preparadas para atender ao público é fundamental.

“Para o lojista atual é importante ter o ciclo completo: WhatsApp, Facebook, Instagram, Google Meu Negócio e um bom site otimizado para ranquear no Google. Mas ainda mais importante que estar em todas as redes, é estudar marketing digital para delegar a função a um colaborador ou empresa terceirizada. Estudar antes de contratar fará toda a diferença. No próprio blog da www.mypharma.com.br/blog/ tem vários artigos sobre o tema. Vale a pena a leitura”, incentiva Carlos.



Seconci-SP reforça cuidados com a saúde ocular



Oftamologista da entidade explica formas de prevenção às doenças dos olhos

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no Brasil, existem mais de 6,5 milhões de pessoas com deficiência visual, sendo 582 mil cegas e 6 milhões com baixa visão. A entidade ainda aponta que cerca de 80% dos casos de cegueira são tratáveis ou preveníveis, como a catarata e o deslocamento de retina. Para reforçar os cuidados e a importância do Dia da Saúde Ocular, lembrado anualmente em 10 de julho, o Seconci -SP (Serviço Social da Construção) traz o oftalmologista da entidade, dr. Edgard Macedo, para explicar formas de prevenção às enfermidades que podem causar a perda de visão.
Em tempos de quarentena e isolamento social, é natural que as pessoas tenham cada vez mais contato com telas - seja em smartphones, computadores e televisores. "Passar muito tempo olhando para telas não prejudica necessariamente a visão. O grande problema é passar muito tempo em contato com telas e não piscar, o que causa o ressecamento da córnea conjuntiva. Ao piscar, a lágrima leva nutrientes para a córnea, que se não estiver bem nutrida irá apresentar irritações", alerta o dr. Macedo.
O especialista também chama a atenção para os cuidados básicos de higiene que devemos ter com os olhos. O ideal é fazer limpeza com água corrente ou soro fisiológico, evitar coçar os olhos e não utilizar colírios sem prescrição médica. Esse tipo de produto, no entanto, deve ser recomendado por um oftalmologista, à exceção dos colírios lubrificantes, que não têm contraindicação. Vale alertar que colírios que contam com corticoide em sua composição podem aumentar a pressão dos olhos.
Além dos hábitos de higiene, ter uma rotina alimentar equilibrada é importante para a saúde ocular. Isso porque algumas vitaminas e nutrientes têm o poder de retardar a degeneração macular relacionada à idade - problema que pode levar à cegueira, entre outras enfermidades, como o ressecamento ocular e até a catarata. O consumo de alimentos com poderes antioxidantes protege contra o desenvolvimento e progressão de problemas já existentes. Cenoura, abóbora, tomate, leite, fígado de boi, entre outros alimentos, possuem Vitamina A. Óleos vegetais e gérmen de trigo possuem vitamina E, enquanto peixes, ovos, carnes, cereais integrais contam com vitamina B12.
O dr. Macedo ressalta que um adulto deve consultar anualmente seu oftalmologista para checar sua visão. Caso o paciente tenha alguma patologia como glaucoma, é preciso ir a um especialista a cada 4 meses, em média. Além disso, não se recomenda que as pessoas façam exames oculares em óticas, onde os profissionais de optometria prescrevem óculos - o que foi proibido pela Superior Tribunal Federal (STF).
Aos pacientes que optam pelo uso das lentes de contato, vale o alerta de que as lentes não substituem os óculos. "É importante ter sempre um óculos com o grau atualizado para alternar com o uso das lentes. Não é recomendado usá-las por longos períodos e dormir com elas nos olhos - o que pode ressacar o produto. A manutenção deve ser feita diariamente para evitar infecções", explica Edgard.
Por fim, o especialista pontua sobre os cuidados que os portadores de diabetes devem ter com a saúde ocular. Se as taxas de glicemia no sangue não mantiverem um nível saudável, a doença pode levar a cegueira - é uma das maiores causas desse quadro no mundo. Além disso, o paciente diabético tem tendência a desenvolver catarata antes de um paciente que não tem a doença.


Chegada de pacientes críticos ao HCor cresce 27% durante pandemia


Número de exames de diagnóstico realizados cai 71%; hospital implantou série de medidas de segurança para retomada de consultas, exames e procedimentos médicos


No contexto da pandemia de Covid-19, aumento de casos da doença e o isolamento social, muitas pessoas deixaram suas rotinas de exames e tratamentos de lado por receio de se contaminar. Após o início da quarentena, o hospital registrou aumento de 27,8% de pacientes considerados críticos (que tiveram passagem pela UTI em algum momento da internação) – entre os meses de abril, maio e junho. O levantamento foi realizado apenas com pacientes não infectados pelo novo coronavírus e os dados são comparados com o mesmo período de 2019.

Pedro Mathiasi, infectologista e Superintendente de Qualidade e Segurança do HCor, explica que o aumento no volume de pacientes críticos se dá porque as pessoas têm evitado a ida ao hospital para acompanhamento médico e até mesmo interrompido os tratamentos em andamento por medo de contaminação. “A maior parte de nossos pacientes são considerados de risco, no entanto, as doenças crônicas demandam acompanhamento rotineiro e, em alguns casos, procedimentos como quimioterapia e hemodiálise, que não podem ser descontinuados em hipótese alguma sem orientação médica”, destaca.

Para Alexandre Abizaid, cardiologista do HCor, os pacientes têm chegado ao hospital com doenças em estágios muito avançados, como infartos ou insuficiência cardíaca e, por isso, precisam passar mais de uma semana internados. “Além da não interrupção dos tratamentos de doenças já conhecidas é importante que os pacientes tenham atenção aos principais sinais e sintomas do corpo”, observa.

Concomitante a este aumento, a realização de exames de diagnóstico caiu 71% no HCor, com 38.299 checagens anteriormente, contra 10.928 agora. Os especialistas ressaltam que a decisão de postergar exames ou consultas médicas depende inteiramente da estabilidade da doença e do autoconhecimento do próprio paciente na observação de sinais de alerta. No entanto, alguns quadros necessitam de monitoramento constante, como aqueles com hipertensão arterial não controlada ou indivíduos que sofreram infarto do miocárdio.


HCor mais seguro

Com um projeto intitulado “HCor mais Seguro”, o Hospital implementou medidas específicas para aumentar ainda mais a segurança de seus pacientes, sobretudo em seus prontos-socorros e na realização de exames.

A higienização das mãos com álcool em gel na entrada do hospital, em consultas médicas ou realização de exames e procedimentos é obrigatória, assim como o uso de equipamentos de proteção individual. Há uma triagem antes de qualquer visita, por telefone, e na chegada do paciente, para saber se há a presença de sintomas gripais, como febre. Todos devem ficar a pelo menos 1,5 metro a 2 metros de distância. 

O ambiente é, ainda, dividido em fluxos preferenciais, com orientações baseadas em escalas de cores para pacientes considerados não Covid e outro para aqueles que apresentam sintomas gripais, inclusive com a utilização de elevadores específicos.



O que muda no tratamento psiquiátrico quando se pega covid-19



Segundo dados da consultoria IQVIA, nos doze meses terminados em maio, a venda de medicamentos psiquiátricos chegou a 3,76 bilhões de comprimidos nas farmácias brasileiras, o que equivale a 5,75% de aumento em relação ao mesmo período do ano anterior. Isso proporcionou uma receita de R$ 3,58 bilhões. Somente os antidepressivos, tiveram um aumento no faturamento de 15,7%, chegando a R$ 3,24 bilhões. Em maio, de acordo com os dados da consultoria, o crescimento foi de 9,62% na venda desses remédios.

A pandemia contribuiu para o aumento recente de transtornos mentais e a consequente necessidade de medicações psiquiátricas. Todo esse cenário atual intensificou sintomas de ansiedade, estresse, insônia e outros, motivando as pessoas a buscarem tratamento”, afirma a psiquiatra Dra. Danielle Admoni, especialista pela ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria) e psiquiatra geral da Unifesp.

Mas, e quem faz uso de medicação psiquiátrica e testa positivo para a covid-19? É preciso parar com os antidepressivos? É perigoso tomar ansiolíticos junto com alguma medicação para sintomas do coronavírus? Para tirar essas e outras dúvidas, a Dra. Danielle Admoni listou cuidados importantes sobre interações medicamentosas:


Ansiolíticos

Os medicamentos contra ansiedade, chamados benzodiazepínicos (alprazolam, clonazepam, bromazepam, etc), agem no cérebro através de um importante neurotransmissor inibitório, o ácido gama-amino-butirico (GABA). Disso, resultam os efeitos ansiolíticos, de indução de sono, ação anticonvulsivante, sedativa, de relaxamento, entre outros.

Todos os benzodiazepínicos podem levar à depressão respiratória, principalmente se administrados por via parenteral (endovenosa), sendo contraindicados em casos de alterações respiratórias, assim como os antipsicóticos típicos de baixa potência. Se  necessário, é mais seguro o uso de benzodiazepínicos de meia vida mais curta, como o lorazepam, que possui ação menos prolongada.


Antidepressivos

Dependendo da classe de antidepressivo, pode ocorrer ação no sistema serotoninérgico, através da diminuição de receptação de serotonina e/ou no sistema noradrenérgico,  na fenda sináptica (ou seja, entre um neurônio e outro). O efeito antidepressivo resulta desse aumento dos neurotransmissores na sinapse.

A duloxetina é considerada um antidepressivo seguro durante o tratamento de covid-19 com antivirais e hidroxicloroquina. Já a paroxetina e a mirtazapina devem ter suas doses reduzidas em uso concomitante ao tratamento de covid-19, enquanto citalopram e escitalopram não devem ser administrados junto com as medicações para o coronavírus.

A associação de hidroxicloroquina com os antidepressivos trazodona, sertralina, mirtazapina, fluoxetina e amitriptilina podem causar riscos cardíacos, além de alterar os resultados no eletrocardiograma.


Antipsicóticos

Agem principalmente bloqueando os receptores chamados pós-sinápticos do sistema dopaminérgico, responsável tanto pelos efeitos terapêuticos, como redução de alucinações e delírios, como pelos efeitos colaterais. Alguns antipsicóticos, além do bloqueio da dopamina, bloqueiam os receptores pós-sinápticos serotoninérgicos.

Um importante exemplo de mudança durante a quarentena é em relação ao paciente que usa clozapina (um antipsicótico bastante eficaz, mas com muitos efeitos colaterais). Se o mesmo estiver estável (clínica e laboratorialmente), o exame de hemograma, antes feito, no mínimo, uma vez ao mês, pode ser modificado para cada 3 meses, evitando deslocamentos durante a quarentena.

Na fase aguda e sintomática do covid-19, deve ser evitado o uso de olanzapina oral e intramuscular de curta ação, antipsicóticos de primeira geração (ou atípicos) e de baixa potência (ou seja, mais sedativos) e anti-histamínicos sedativos. Ou seja, é mais seguro usar medicações injetáveis de curta ação (como haloperidol ou aripiprazol) ou via oral (como risperidona, paliperidona ou haloperidol).

Já os estabilizadores de humor e anticonvulsivantes, como o lítio e outras medicações que requerem dosagens frequentes, podem ter os exames um pouco mais espaçados em pacientes estáveis durante a quarentena.

Gabapentina, pregabalina e topiramato são considerados seguros quando usados com antivirais e hidroxicloroquina, enquanto fenobarbital, fenitoína, lamotrigina, ácido valpróico e carbamazepina devem ter suas doses diminuídas.

“Em suma, muitas mudanças devem ocorrer no tratamento concomitante para covid-19 em transtornos psiquiátricos. Seja na dose ou frequência de reavaliação, ou pelo fato de que algumas medicações devem ser suspensas e/ou substituídas. Vale frisar que é essencial manter as medicações nas doses corretas, junto com o acompanhamento psiquiátrico, mesmo durante a quarentena. Outro ponto importante é que, ao medicar pacientes com covid-19 para quadros de agitação, é fundamental monitorar a parte cardíaca e respiratória, uma vez que os sintomas podem se sobrepor, como taquicardia e dispneia”, finaliza a psiquiatra Danielle Admoni.



Por que o Coronavírus é mais perigoso para os idosos?


Entre as razões está a capacidade de resposta do sistema imunológico, que fica mais lenta e fraca à medida em que a pessoa envelhece


Com o avanço da pandemia de COVID-19 no país, foi possível observar que o número de pessoas infectadas com menos de 60 vem aumentando, sendo até superior ao dos idosos. No entanto, é ainda com a população da terceira idade que o risco de letalidade segue preocupante.

Segundo dados do Governo de São Paulo, mesmo não sendo a maioria dos casos confirmados da doença, o percentual de óbitos entre pessoas com 60 anos ou mais é de aproximadamente 78%.

Uma das razões apontadas pelos especialistas é de que, com a idade, são maiores os riscos de o paciente apresentar doenças preexistentes que podem agravar um quadro de COVID-19.

Doenças crônicas, como diabetes, asma, hipertensão ou doença cardíaca, são fatores de risco, pois fragilizam o organismo do idoso, tornando-o mais vulnerável à evolução do vírus.

Conforme explica a Dra. Aline Thomaz, geriatra da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, mesmo sem apresentar comorbidades, os idosos correm maior risco de complicações e sintomas mais graves do que os que acometem crianças, jovens e adultos.

“Até 39 anos, a taxa de mortalidade é de 0,2%. Sobe para 0,4% em pessoas acima de 40 anos. Chega a 1,3% na faixa de 50 e 69 anos e avança para 8% dos 70 aos 79 anos. No caso dos infectados com mais de 80 anos, a taxa dá um grande salto, chegando a 14,8%”, destaca.

A médica ressalta que o principal motivo é a capacidade de resposta do sistema imunológico mais lenta e fraca à medida em que a pessoa envelhece e isso prejudica a reação corporal aos patógenos e à infecção viral.

Dessa forma, os cuidados devem ser redobrados. Veja a seguir as dicas da especialista.


Como os idosos podem se proteger

“O maior cuidado, sem sombra de dúvida, é respeitar com rigor o isolamento social”, frisa a médica.
Ela esclarece que, enquanto perdurar a recomendação do Ministério da Saúde, o idoso só deve sair de casa em caso de extrema necessidade.

Também é importante vacinar-se contra a gripe, além de seguir as recomendações gerais de prevenção do contágio, como manter distância de 2 metros de outras pessoas, lavar constantemente as mãos e não tocar os olhos, nariz e boca com as mãos não lavadas.

Além disso, a especialista destaca que uma boa qualidade de vida é essencial para fortalecer o sistema imunológico.

“Ter uma noite de sono de qualidade, adotar a prática de exercícios físicos, uma alimentação equilibrada e atividades saudáveis, como leitura, trabalhos manuais e outras opções de lazer, são bons exemplos de como se manter saudável”, afirma a Dra. Aline, fazendo um alerta sobre a importância de cuidar também da saúde mental do idoso durante a quarentena.

Segundo ela, é necessário estar atento aos sinais para evitar o desenvolvimento de um quadro depressivo. “Ser isolado de amigos e familiares ou impedido de sair de casa e ter sua rotina alterada podem gerar sintomas como ansiedade, medo, tristeza e pensamentos negativos.”

A geriatra ressalta que os sintomas tendem a diminuir no decorrer do período de adaptação, mas, caso isso não ocorra, deve-se buscar suporte profissional. “Diversos profissionais da saúde mental atualmente realizam atendimento online periódico, focados no apoio durante a quarentena”, explica.

E para os idosos que são assistidos por cuidadores, vale destacar a importância de evitar o contato físico, como apertos de mão, abraços e beijos. O idoso e seu cuidador devem manter as mãos higienizadas e todas as superfícies e objetos de uso desinfetadas, como celulares, controle da TV, maçanetas, mesas etc.

“Outro ponto muito importante em relação aos prestadores de serviços, especialmente cuidadores, é que evitem ao máximo o contato com outras pessoas e lugares durante a sua jornada de cuidado ao idoso assistido”, reforça a especialista.


Retomada dos atendimentos eletivos

Com o objetivo de voltar a dar assistência às demais comorbidades que afetam a vida dos idosos e demais pacientes, sobretudo daqueles que dependem de uma melhora de suas condições para ter mais qualidade de vida, o Hospital São Camilo fez rigorosas adaptações, com atenção especial à segurança do paciente.

Foram estabelecidos novos fluxos, isolando os espaços de atendimento aos casos suspeitos e confirmados de COVID-19 das demais áreas, desde a entrada até a saída do Hospital.

Antes de entrar no prédio, todos os pacientes são triados no intuito de identificar sintomas ou histórico suspeito, com direcionamento ao serviço de urgência, quando necessário.

Além disso, as consultas do Centro Médico são realizadas a cada 30 minutos. Ao entrar no Hospital, os pacientes recebem máscaras descartáveis e são orientados, através de sinalizações, a manter distanciamento social nas áreas de espera e elevadores.

Já para os casos cirúrgicos, a decisão seguirá, em cada caso, de acordo com o alinhamento entre o médico e o paciente, priorizando sua saúde e segurança em todas as etapas do processo.



Erisipela é uma doença infecciosa que pode ser agravada pelo diabetes


Pé diabético e linfedema são condições propícias à doença


A erisipela é uma doença inflamatória e infecciosa, que atinge a pele e a camada de gordura embaixo dela. Em geral, se manifesta nos membros inferiores, como pernas e pés.  É muito comum que seja contraída por bactérias – a principal delas é a Estreptococo beta-hemolítico do grupo A – que penetra a pele por meio de ferimentos, como picadas de inseto, micoses, ou até mesmo em um pequeno corte ou ferida. Esses locais de início de infecção são chamados de ‘portas de entrada’.

O linfedema, que é o inchaço causado por obstrução do sistema linfático, pode ser um fator que predispõe a doença. De acordo com o levantamento da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV), esse mal acomete aproximadamente 15% da população mundial. Além disso, úlceras, muito comuns em quadros de pés diabéticos com ferimentos, também são fatores influentes para o surgimento de erisipela. 

A angiologista e membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV), Dra. Melissa Andreia de Moraes Silva, diz que “a pessoa com diabetes tem mais chances de desenvolver a erisipela, principalmente por possuir uma imunidade alterada. O tratamento também se torna um desafio maior, pois, alguns pacientes com pé diabético apresentam problemas de circulação arterial associados, que dificultarão a cicatrização das lesões”.

Os sintomas iniciais são parecidos com uma gripe: mal-estar, fadiga, calafrios e febre. Com o avanço do quadro, manchas vermelhas com bordas delimitadas surgem no membro afetado. Essa reação pode causar dor, coceira e inchaço no local acometido.

A erisipela possui estágios e progride com o passar do tempo. Podem ser do tipo bolhosa ou necrotizante. No primeiro caso, apresenta bolhas na superfície da pele e, no segundo, há morte das células do tecido, causando feridas conhecidas como necrose.

 A Dra. Melissa ainda afirma que o tratamento é feito com antibióticos. “Nas fases iniciais da doença é utilizado na forma de comprimidos, por via oral. Porém, em fases mais avançadas e graves pode ser necessário o uso de antibióticos com administração endovenosa, associados às medidas de suporte hospitalar, como internação em UTI, em alguns casos”, finaliza.





Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV)


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