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segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Erros Médicos: Segurança ampliada com conteúdo inteligente e tecnologia



Se você possuísse a informação de que toda semana mais de duas mil pessoas morrem em acidentes aéreos, ainda assim você voaria? E se você descobrisse que estes foram os mesmos riscos enfrentados da última vez em que precisou de um hospital? Isso seria motivo para você pensar duas vezes antes de procurar novamente auxílio médico?

De acordo com o US Center for Disease Control and Prevention (CDC) erros médicos são a terceira causa mais comum de morte nos EUA, correspondendo a mais de 250 mil vidas perdidas em 2013. Neste cenário, a dosagem de drogas é um componente significativo, com erros e eventos adversos causados por medicação inadequada respondendo por mais de 124 mil vidas ao ano – mais de duas mil por semana – e custando à saúde cerca de US$ 16 bilhões.

E isto tudo acontecendo em um mercado que já dispõe das mais avançadas ferramentas de suporte à decisão clínica e no qual se investe um volume de recursos superior ao de qualquer outro país do globo. Imagine então como seriam estes números em países menos desenvolvidos. No Brasil, por exemplo, segundo a ANADEM (Sociedade Brasileira de Direito Médico e Bioética) 700 mil pessoas são vítimas de erros médicos por ano. E exemplos de que grande parte acontece como resultado de equívocos na prescrição são fartos; a mídia os noticia quase diariamente.  

Erros médicos podem ser registrados em vários estágios do processo de tratamento: no momento da prescrição, na ordem de entrada, na dispensa, na administração da droga, ou quando o paciente é instruído a medicar-se em casa. Em qualquer uma destas etapas, existe a possibilidade de se escolher equivocadamente uma terapia de drogas que seja mais danosa do que benéfica ao paciente.

Um recorte em todos os erros médicos passíveis de serem previstos nos EUA mostra o que segue:

- erros de dosagem: 37%

- alergia a drogas e interações: 11%

- erros de dispensação: cerca de 100 ao dia

Uma estimativa plausível fala em 30 a 50 pessoas, a cada mil admissões hospitalares, vivenciando eventos adversos relacionados à medicação. No Brasil, o cenário é ainda mais dramático. Uma pesquisa do Instituto de Biociência (ICB) da USP sobre prescrição de medicamentos em idosos, por exemplo, realizada com base na avaliação de prontuários/prescrições da própria enfermaria da instituição, em um período de cinco meses, identificou problemas em nada menos que 924 destas prescrições, sendo 920 relacionados a erros de medicação.

As pessoas normalmente esperam que uma visita ao hospital tenha um final bem sucedido. Mas, ao contrário disso, em diversas situações essa experiência acaba sendo negativa, culminando, muitas vezes, na perda de uma vida. Para o prestador de cuidados à saúde, que é submetido a um juramento de nunca causar danos, este é um indicador que é simplesmente inaceitável.

O segmento de saúde destaca-se por ser um ambiente de trabalho acelerado, de alta coação. Há urgência no atendimento e pressão para manter a carga de trabalho. Muitas vezes, é um desafio adquirir e processar toda a informação necessária para garantir um atendimento seguro.

Na maior parte das vezes, os profissionais de saúde possuem o treinamento necessário e estão dedicados a garantir que nada de errado ocorra. Porém, as referências sobre os medicamentos mudam rapidamente e manter-se atualizado é muito difícil. Sem acesso a informações frescas, ou sem o benefício de sistemas automáticos de checagem, cria-se um gap na habilidade do profissional em otimizar a segurança no uso da droga adequada.


Efeitos Secundários
É claro que a principal preocupação no que diz respeito a erros de medicação é o eventual dano que possam causar aos pacientes. Há porém importantes efeitos secundários, sentidos  pelos hospitais, sistemas de saúde e pelas pessoas que estão no dia a dia do atendimento. Por exemplo, o envolvimento em um erro médico mina completamente a motivação de um profissional. As instituições também perdem muito em credibilidade junto às suas comunidades, o que pode afetar a habilidade da equipe em desempenhar a sua real missão.

São, porém, as consequências financeiras as que causam o efeito mais devastador para uma instituição de saúde. O custo de terapias corretivas, testes adicionais, novas medicações e readmissão hospitalar, necessários para tratar os erros médicos, poderia ser  evitado se o erro original não houvesse ocorrido.

E o tempo demandado no tratamento de eventos adversos e readmissões coloca pressão adicional sobre um corpo clínico já bastante estressado, drenam recursos que já são escassos e criam tempos de triagem e de espera ainda maiores para pacientes em circunstância de menos urgência.

O que fazer?
O mais importante a ser feito pelos líderes das instituições hospitalares para reduzir a incidência de erros de medicação é equipar suas equipes com informação atual, relevante e acessível. Médicos, enfermeiros, farmacêuticos e técnicos devem ter acesso a informações seguras sobre as drogas, em uma base consistente. Eles também devem implementar sistemas de checagem, seja por meio de melhorias de processos ou por via da automação, de forma que isto incremente o trabalho destes dedicados profissionais.

Com a adoção e o apoio de sistemas de suporte a decisão clínica direcionados a medicamentos, os profissionais podem receber alertas automáticos diretamente no prontuário eletrônico do paciente (PEP), o que lhes possibilita saber de antemão quando existe uma preocupação relacionada a medicação. Podendo assim fazer uma avaliação e, se necessário, optar por uma recomendação alternativa na hipótese de considerar-se que a terapia de medicação original tem o potencial de criar um evento adverso.

Os clínicos podem também usar as referências de drogas disponíveis nestes sistemas em cada etapa do processo - prescrição, dispensa, administração e educação do paciente - para verificar dosagens e outros aspectos de segurança que auxiliam a prevenir erros de medicação.

Nada substitui um profissional de cuidados com a saúde capaz e bem treinado. Porém, dispor da informação para guiar a medicação segura por todo o processo, assim como o uso de ferramentas eletrônicas sofisticadas que ampliem os seus esforços, pode ter um impacto significativo.




Mark Bonfiglio, BS, PharmD - Vice Presidente de Operações de Conteúdo da Wolters Kluwer Clinical Drug Information – unidade focada no desenvolvimento de soluções que auxiliam os profissionais em seus esforços para reduzir erros de medicação, aumentar a qualidade, diminuir custos e incrementar a experiência do paciente.



Trabalho infantil no Brasil: problema que persiste e requer atuação articulada e políticas públicas



Mais de 3 milhões de criança ainda são vítimas de Trabalho Infantil no Brasil. Apesar das últimas décadas terem registrado redução contínua, porém lenta, especialistas no tema são unânimes ao afirmarem que é preciso unir esforços de diferentes áreas da sociedade. Debate foi tema foi promovido pelo Programa Arise, em Seminário ocorrido em Porto Alegre nos dias 18 e 19 de agosto.

O trabalho infantil é uma violação dos direitos fundamentais das crianças e adolescentes previstos na Constituição”. A afirmação é da secretária Executiva do Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil (FNPETI), Isa de Oliveira. Conforme as estatísticas da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, em 2014, havia 41,1 milhões de crianças no Brasil, entre as quais 3,3 milhões (8,1%) eram ocupadas. No entanto, de 1992 a 2015, houve uma redução contínua e lenta no número de trabalhadores infantis. A projeção é de que, em 2020, aproximadamente 1,9 milhão deste público ainda esteja na prática produtiva. 

Conforme os dados apresentados por Isa, a Região Sul está em primeiro lugar em número de crianças trabalhando, com 10,2%, índice superior à média nacional. O Rio Grande do Sul é o quarto estado no número de casos de trabalho infantil (10,7%). “Crianças e adolescentes estão deixando de estudar para poder trabalhar”, afirma.

Já a Juíza do Trabalho do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (RS), Andréa Sain Pastous Nocchi, aponta para uma grande dificuldade na coleta de dados sobre o problema, assim como relaciona este ao trabalho escravo, à falta de políticas públicas, à violência e à educação precária. Segundo ela, a aprendizagem é um fator importante para a redução do trabalho infantil, mas não é o único. Ela deve andar junto às políticas públicas e ao envolvimento da família. Andréa ressalta o fato de que o Brasil não conseguiu atingir a meta de erradicar as piores formas de crianças e adolescentes em atividades produtivas até 2015, assim como havia se comprometido. Ela ainda defende que o objetivo só será alcançado com investimentos na educação.

A EDUCAÇÃO COMO FERRAMENTA PARA ERRADICAÇÃO DO TRABALHO INFANTIL  ­– A doutora em Economia Aplicada pela University of Minessota e Pós-Doutorada em Ciências Sociais Aplicada na Inglaterra e Estados Unidos, Ana Lúcia Kassouf resgata o histórico do trabalho infantil no Brasil, que começou na escravidão e se consolida na Revolução Industrial. Conforme ela, nos anos 90, começa o processo de redução do trabalho infantil em virtude do aumento do número de crianças na escola e da renda familiar. Já Tânia Fortuna, coordenadora Geral do Programa de Extensão Universitária “Quem quer brincar”, da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) defende que o brincar é um direito da criança e um fator importante para o seu desenvolvimento. Segundo ela, transformações podem ocorrer através das práticas pedagógicas lúdicas. 

O ministro do Superior Tribunal do Trabalho, Lelio Bentes Corrêa, também defende a educação de qualidade e o respeito aos direitos humanos como ferramentas fundamentais para combater o trabalho infantil no Brasil. “Não se combate o trabalho infantil só com medidas imediatas. É fundamental que se invista em educação de qualidade, que se assegure a permanência destas crianças e adolescentes na escola e que elas tenham o direito a sua formação profissional, que está prevista na Constituição brasileira”, defende. O Brasil é o terceiro país do mundo em evasão escolar.  Para o ministro, os fatores econômicos, diretamente relacionados ao trabalho infantil, ganham mais força em épocas de crise. “Mais influente que o fator cultural, é o econômico. É necessário assegurar às famílias condições de emprego e renda para que elas possam ser agentes de resgate da sua própria cidadania”, frisa.

TRABALHO INFANTIL NA AGRICULTURA FAMILIAR – A perspectiva do trabalho infantil na agricultura familiar aponta para a necessidade de Políticas Públicas que tratem o meio rural igual ao meio urbano. Entre os desafios apontados por ele estão um projeto de vida com qualidade e felicidade para o jovem rural e fazer com que os adolescentes “tomem gosto” pela agricultura.  O professor e pesquisador da UFRGS, Sergio Schneider, aponta para diversos aspectos, entre eles, a necessidade de se continuar a reflexão da temática do trabalho infantil na agricultura familiar e os avanços no entendimento do que é trabalho neste setor. Schneider fez relação entre trabalho infantil e vulnerabilidade social, assim como aponta a necessidade do cumprimento da legislação de maneira global. E, ainda, defende que é preciso que as escolas urbanas abordem a agricultura familiar, com espaço de valorização e uma integração entre campo e cidade.    

TRABALHO E ARTE – Já a advogada, mestre e doutoranda em Saúde Pública pela Universidade de São Paulo, Sandra Cavalcante, aponta para as características do trabalho infantil artístico, mostrando os impactos que sua prática tem na vida das crianças, como a baixa no rendimento escolar e a mudança na convivência com os colegas. Segundo a pesquisadora, hoje não há uma regulamentação própria para o trabalho infantil artístico, o que faz com o que a criança fique sem proteção nesta atividade. “Atualmente, para que as crianças possam trabalhar no meio artístico é necessária apenas uma autorização judicial. No entanto, é preciso impor restrições”, afirma.

ARISE, UM PROGRAMA COM BONS RESULTADOS – São 2.230 crianças e adolescentes atendidos, mais de 600 mães treinadas para comercialização de panificação e compotas, 194 jovens (14 a 17 anos) formados e 520 professores capacitados. Estes números comprovam a transformação que o Programa Alcançando a Redução do Trabalho Infantil pelo suporte à Educação (ARISE) vem promovendo, desde 2012, nos municípios de Arroio do Tigre, Ibarama, Lagoa Bonita do Sul e Sobradinho, na Região Centro Serra do Vale do Rio Pardo, no Rio Grande do Sul. 

Desenvolvido em parceria pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), ONG Winrock Internacional (WI) e Japan Tobacco International (JTI), disponibiliza, no turno inverso ao das aulas, oficinas de Artes, Artesanato, Pintura, Violão, Idiomas, Educação Ambiental, Reforço Escolar e Informática. Além disso, mantém o Centro de Formação do Jovem Rural, em Arroio do Tigre, com cursos técnicos de qualificação. “Com o programa queremos rever conceitos para gerar mudanças. Isso é fundamental. Mentes abertas para fazer a diferença”, destaca o diretor de Assuntos Corporativos e Comunicação da JTI, Flávio Goulart.

Os bons resultados alcançados pelo Programa, que tem o apoio de diversas entidades e das prefeituras locais, estão registrados nos relatórios anuais, bem como no site oficial da iniciativa (www.ariseprogram.org). Conforme a diretora do Arise e coordenadora da ONG Winrock, Luísa Siqueira, para o início das atividades do programa foram realizadas pesquisas junto às comunidades alvo. As oficinas, as capacitações e todas as ações são realizadas conforme a realidade de cada localidade. “Todo o levantamento leva a um trabalho desenvolvido em cima de três pilares: educação, conscientização e sustentabilidade”, ressalta.  Neste sentido, a conscientização sobre o trabalho infantil ganhou destaque com a produção de um programa de rádio semanal, numa emissora local, produzido pelos próprios participantes e focado na divulgação das atividades e sobre os conceitos relacionados ao tema do trabalho infantil.

A oficial de Projetos da OIT, Márcia Soares, destacou que a educação é o foco principal do Arise. “A escolarização é apenas um momento e a educação de forma integral e contextualizada é um direito fundamental. Por isso, reter a criança e o adolescente na escola é o caminho para combater e erradicar o trabalho infantil”, frisa.

A problemática do trabalho infantil no Brasil foi debatida, no Plenário do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), em Porto Alegre, nos dias 18 e 19 de agosto. O Seminário ARISE – Trabalho Infantil: Desafios e Superações foi promovido pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), pela ONG Winrock Internacional (WI) e Japan Tobacco International (JTI).



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