Reconhecimento
internacional e a expansão do mercado de vinhos abrem espaço para profissionais
migrarem pelo visto de habilidades especiais, desde que amparados por
comprovação documental
A crescente valorização do mercado de vinhos nos
Estados Unidos tem criado oportunidades inéditas para sommeliers brasileiros
que desejam atuar no país. Embora muitas vezes vistos como profissionais
restritos ao universo da gastronomia de luxo, especialistas têm demonstrado que
a atividade pode ser enquadrada na categoria de “habilidade excepcional”
exigida pelo visto EB-2, rota que garante residência permanente a estrangeiros
que comprovem relevância nacional em suas áreas de atuação.
De acordo com dados do Wine Institute, o
consumo de vinhos nos EUA ultrapassou 33 bilhões de dólares em 2023,
consolidando o país como o maior mercado do mundo. O setor vem demandando
profissionais qualificados em importação, harmonização e consultoria
especializada. Nesse contexto, a figura do sommelier ganha destaque como
mediador cultural e estratégico para negócios gastronómicos e vinícolas.
Daniel Toledo, advogado
especializado em Direito Internacional e professor honorário da Universidade de
Oxford, destaca que esse tipo de profissão pode, sim, se enquadrar no EB-2. “Um
sommelier premiado, que tenha reconhecimento em concursos internacionais ou
experiência em restaurantes de prestígio, pode comprovar que sua atuação supre
uma necessidade do mercado americano. O mesmo raciocínio vale para outras áreas
não tradicionais, como tatuadores ou paisagistas”, explica.
Para avançar no processo, entretanto, o
profissional precisa apresentar um dossiê sólido com certificados, reportagens,
cartas de recomendação e histórico de atuação. “Não basta exercer a profissão.
É preciso demonstrar a relevância do trabalho e como ele contribui de forma direta
para os Estados Unidos. Sem isso, o risco de negativa aumenta muito”, adverte
Toledo.
O desafio para sommeliers brasileiros, segundo o
advogado, está em comprovar diferenciais competitivos frente à mão de obra
local. “O governo americano busca profissionais que tragam algo novo. Um
sommelier especializado em vinhos brasileiros ou em harmonizações inovadoras
pode ter um diferencial que justifique o interesse nacional”, avalia.
Números recentes reforçam a expansão desse caminho
migratório. Em 2023, brasileiros obtiveram 7.800 vistos EB-2, quase quatro
vezes mais do que em 2019, segundo estatísticas oficiais do Departamento de
Estado. Mas a taxa de aprovação ainda é um obstáculo: apenas 57,4% dos pedidos
feitos por brasileiros foram aceitos em 2023, bem abaixo da média global acima
de 80%.
Na avaliação de Toledo, a explicação
para esse índice mais baixo está diretamente ligada à falta de assessoria
especializada. “Um erro na escolha de documentos ou no argumento apresentado
pode comprometer o processo inteiro. É fundamental que cada etapa seja
conduzida com cautela e estratégia jurídica, sob pena de transformar o sonho do
Green Card em frustração”, alerta.
Toledo e Advogados Associados
Para mais informações, acesse o site ou pelo instagram.
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