Pesquisas analisam biodiversidade de insetos e sua influência na qualidade dos grãos
O maior cafezal urbano do mundo, manejado pelo Instituto Biológico
(IB-Apta), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo,
fica na Vila Mariana, zona sul da capital paulista, e está novamente coberto
por flores brancas e perfumadas. A segunda florada do ano começou na última
segunda-feira, 6 de outubro, e está marcando um período essencial para o
desenvolvimento dos grãos que serão colhidos em maio.
De acordo com a pesquisadora Harumi Hojo, responsável pelo cafezal, “a importância da florada está diretamente ligada ao potencial de produção do café. A quantidade e a qualidade das flores nos dão uma perspectiva sobre como será a colheita”. O fenômeno, que normalmente ocorre entre setembro e novembro, dura poucos dias e transforma o espaço em um espetáculo natural de perfume doce e intenso.
Além da beleza, a florada é um lembrete da importância dos
polinizadores. Abelhas e marimbondos, ao buscarem néctar, transportam grãos de
pólen de uma flor para outra, promovendo a fertilização. “Esses insetos
contribuem não apenas para a qualidade e quantidade dos grãos, mas também para
a biodiversidade local”, explica Harumi. “Eles são fundamentais para a
polinização cruzada e até mesmo para a autopolinização, fortalecendo a robustez
genética do cafezal.”
Durante a florada, o Instituto também realiza pesquisas para
identificar quais espécies de polinizadores atuam no cafezal e de que forma
contribuem para a produção. Segundo Harumi Hojo, abelhas nativas têm papel
fundamental nesse processo, pois ajudam a uniformizar o tamanho dos frutos e
aumentar seu teor de doçura. Para isso, os pesquisadores utilizam redes
entomológicas e armadilhas coloridas – em tons de branco, amarelo e azul – com
uma solução de água e sabão que atrai os insetos sem causar impacto
significativo ao ambiente.
O Instituto Biológico mantém cerca de 2.200 pés de café em uma
área de dez mil metros quadrados, abrigando seis variedades, entre elas o bourbon
amarelo, mundo novo e catuaí. Criado na década de 1950 para pesquisas sobre
doenças e pragas em cafezais, o espaço hoje é também um ponto turístico,
educativo e cultural.
Anualmente, o IB realiza o evento Sabor da Colheita, que já soma mais de 17 edições e celebra o ciclo do café, aproximando o público urbano das origens do grão. As visitas ao cafezal são gratuitas e devem ser agendadas via formulário disponível no Instagram @cafezalurbanoib.

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