A indústria brasileira dá sinais de recuperação. De acordo com dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em 2024, o setor apresentou um crescimento de 3,3% em relação ao ano anterior, representando aproximadamente 24,7% do PIB brasileiro. Em 2025, apesar de um cenário de tarifas e juros elevados, segundo o IBGE, o segmento registrou avanço de 0,8%, resultado que ficou acima das expectativas do mercado. Não há como negar que os indicadores são promissores; entretanto, para quem vive o dia a dia da produção seriada, o cenário ainda é desafiador.
Isso é, o setor vive entre o seu potencial e o
risco de inércia ao mesmo tempo, marcado por margens apertadas, pressão por
eficiência e a urgência crescente por digitalização. Embora muitas fábricas já
deram os primeiros passos automatizando processos e conectando máquinas, ainda
assim, uma parcela dessas organizações continua operando com ilhas de
informação, dados espalhados em planilhas, sistemas que não se conversam e
decisões tomadas com base em percepções, não em fatos.
No entanto, o mercado está cada vez mais acelerado.
Ao mesmo tempo, os clientes exigem rastreabilidade, prazos mais curtos e
sustentabilidade. Um reflexo disso pode ser observado na Europa, que já
determina para a exportação de produtos a adequação ao CBAM (taxação de
carbono) e ao Digital Product Passport, exigindo visibilidade total da cadeia
produtiva. Considerando o cenário atual, é fato que em 2026, não será
suficiente produzir bem, mas com inteligência. Diante disso, listo seis tendências
para o setor ficar de olho no próximo ano:
#1 Inteligência Artificial: essa ferramenta, sem dúvidas, continuará liderando o ranking de
tendências, afinal, já é uma realidade. Dessa forma, sua aplicação deverá ser
ampliada nas atividades de chão de fábrica, atuando na previsão e identificação
de falhas, bem como contribuindo na otimização da tomada de decisões.
#2 Edge Computing: mais do que processar os dados, é fundamental utilizá-los para agir em
tempo real. Nesse sentido, essa tecnologia apoia o processamento de dados no
local em que são gerados, permitindo o fácil acesso e consulta das informações.
#3 Conectividade privada: garantir a comunicação segura entre máquinas e sistemas é essencial. Por
isso, essa tendência desponta como mais um elemento crucial para a indústria,
visto que promove uma conexão de rede segura, que, além de proteger dados
sensíveis e melhorar a performance da rede, também garante que apenas
dispositivos e usuários autorizados possam acessá-la.
#4 Plataformas de dados
industriais: centralizar as informações viabiliza análises
inteligentes. Por isso, o uso dessas plataformas –soluções que coletam,
gerenciam e analisam dados em tempo real de equipamentos, sensores e sistemas
de produção – ajuda a criar uma visão unificada e aumentar a eficiência do
setor.
#5 Gêmeos digitais: pode parecer algo futurístico, mas, hoje, já é possível simular
cenários, prever falhas e otimizar o desempenho sem interferir no ambiente
físico. Isso para a indústria é altamente vantajoso, pois ajuda a reduzir custos
de engenharia, além de permitir análises com maior segurança para a equipe.
#6 Cibersegurança e
conformidade: garantir a segurança já virou regra. Na Europa, por
exemplo, a Diretiva Europeia NIS2 (Segurança de Redes e Sistemas de Informação
2) já se tornou um pré-requisito para competir globalmente. Sendo assim, é
essencial garantir a conformidade e o controle dos sistemas, a fim de expandir
o âmbito da comercialização e atender às normas vigentes em demais países.
Todas essas tendências ajudam a ilustrar que,
atualmente, o maior obstáculo enfrentado pela indústria não é a tecnologia, mas
a maturidade sobre o tema, apesar de tantas evoluções. Isso é, as ferramentas
estão disponíveis, porém ainda falta governança, integração e cultura. E, por
isso, muitas iniciativas param no piloto, porque não há estrutura para escalar.
Na prática, é como se TI e operação não falassem a mesma língua, os dados não
são confiáveis e o investimento ainda é visto como custo e não como alavanca de
competitividade.
Neste contexto, contar com o apoio de uma
consultoria especializada nas atividades fabris é uma excelente alternativa.
Isso porque a equipe não irá apenas vender a tecnologia, mas traduzi-la em
resultado, através do diagnóstico da maturidade digital, da definição de prioridades
com base no ROI, da integração de ERP, MES e chão de fábrica, da criação da
governança de dados confiáveis, do treinamento da equipe e da adequação da
empresa às normas internacionais.
O risco de não agir ou ignorar a transformação digital não é uma escolha neutra. Aquelas que não investirem em automação e integração de dados sofrerão consequências, desde a perda de velocidade até o aumento de custos operacionais. A indústria seriada tem fôlego; entretanto, para transformar eficiência em inteligência, será preciso agir rápido. Afinal, o desafio não é mais “se”, mas quando sua empresa estará pronta.
Tânia Alves- CEE da Okser
Okser
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