A Geração Z, formada por pessoas nascidas por volta de 1997 e
2010, já ocupa um espaço cada vez maior no mercado de trabalho. Até 2030,
estima-se que um em cada três profissionais ativos será dessa geração, sendo
que em alguns segmentos, ocupará mais de 50% da massa de trabalho. Com um
perfil digital nativo e uma visão de mundo moldada pela tecnologia, eles trazem
novas expectativas para o ambiente corporativo. Porém, essas mesmas
características que os diferenciam também estão entre os fatores que mais os
expõem a desligamentos, seja por decisão própria ou por parte das empresas.
Segundo o relatório 2025 Gen Z and Millennial Survey da Deloitte
Global 2025, a Geração Z apresenta propensão
a mudanças constantes e as empresas enfrentam dificuldades em reter esse
público. O problema, no entanto, não se limita à alta rotatividade voluntária e
por considerarem a empresa como um intercâmbio de experiências e não como o
único sentido da vida estar em apenas 1 CNPJ por 40 anos. Muitas demissões são
involuntárias e estão relacionadas a comportamentos e expectativas que se
chocam com a cultura organizacional vigente.
1. Dificuldade de adaptação ao ambiente corporativo
Embora a Geração Z seja fluente no uso de tecnologia e inovação,
ainda existe um grande contraste entre o estilo de trabalho que eles esperam e
a realidade de muitas empresas. Estruturas hierárquicas rígidas, burocracias
excessivas e lideranças pouco abertas ao diálogo costumam gerar desconforto. Em
muitos casos, o jovem profissional acaba não conseguindo se adaptar, e isso se
reflete em falta de engajamento, queda de produtividade e, em último estágio,
demissões.
Ricardo Dalbosco, Doutor e especialista no futuro do trabalho e comunicação multigeracional,
explica que “a Geração Z não aceita comandos cegos. Esse público quer
compreender o propósito por trás das ordens e participar ativamente
das decisões. Quando o ambiente corporativo não oferece espaço para esse
diálogo, surgem conflitos que podem levar ao desligamento precoce”.
2. Expectativas desalinhadas com a realidade
A Geração Z busca propósito, flexibilidade e ascensão
rápida. Muitos jovens chegam às empresas esperando progressões de carreira
aceleradas, liberdade para gerir sua rotina e benefícios alinhados ao
bem-estar. Quando encontram ambientes rígidos, com poucas oportunidades de
crescimento e políticas de trabalho pouco flexíveis, a frustração aparece. Esse
desalinhamento impacta o engajamento e pode levar tanto à saída voluntária
quanto a avaliações negativas que resultam em demissão.
3. Questões ligadas à saúde mental
Pesquisas da American
Psychological Association revelam que a
Geração Z é a que mais relata altos níveis de estresse e ansiedade. Esse dado
se torna ainda mais relevante no ambiente de trabalho, onde a pressão por
resultados, o acúmulo de tarefas e a ausência de apoio emocional ampliam a
vulnerabilidade. O reflexo é evidente: absenteísmo, perda de foco e dificuldade
em manter relações profissionais saudáveis. Quando não existe suporte adequado,
muitas empresas acabam optando pela substituição desses colaboradores.
Além disso, os levantamentos mostram quais são os maiores fatores
de estresse relatados por essa geração: 77% dos adultos da Geração Z apontam o
trabalho como um estressor significativo (em comparação a 64% dos adultos em
geral); 81% indicam o dinheiro como fonte relevante de estresse (também acima
dos 64% do total de adultos); e 46% citam a economia como fator de preocupação
(número próximo aos 48% gerais).
4. Baixa tolerância à frustração
A Geração Z cresceu em um contexto de gratificação
imediata, impulsionado pelo acesso rápido à informação, pelas
redes sociais e pelo consumo digital instantâneo. Essa vivência formou
profissionais que, em muitos casos, demonstram baixa tolerância a processos
demorados ou a feedbacks negativos. Em ambientes de alta pressão, onde a
resiliência é essencial, essa característica pode gerar choques diretos com
líderes e colegas, acelerando o risco de desligamento.
5. Conflitos geracionais no ambiente de trabalho
De acordo com Dalbosco, atualmente, convivem até cinco
gerações em uma mesma organização. Isso cria um
ambiente rico em diversidade, mas também propenso a choques de visão e
linguagem. Enquanto gerações mais antigas valorizam hierarquia, tempo de casa e
disciplina, a Geração Z prioriza autonomia, flexibilidade e autenticidade. O
resultado é um ambiente de tensão, no qual pequenas diferenças de percepção
podem se transformar em atritos recorrentes. Muitas demissões ocorrem
justamente porque empresas e profissionais não conseguem transformar esses
choques em aprendizado mútuo.
Como a Geração Z pode reduzir o risco de demissão
Para evitar desligamentos, a Geração Z precisa investir em autogestão e protagonismo de carreira. O primeiro passo é desenvolver competências comportamentais, como comunicação assertiva, resiliência e inteligência emocional. Esses elementos são fundamentais para lidar com a pressão e com a diversidade de perfis dentro das empresas.
Outro ponto essencial é buscar mentores
internos e externos. Aprender com profissionais mais experientes acelera a
adaptação e ajuda a compreender melhor a dinâmica organizacional. Da mesma
forma, alinhar expectativas de forma transparente com gestores evita
frustrações e cria um ambiente de confiança.
O cuidado com a saúde mental também deve ser
prioridade. Estabelecer rotinas de autocuidado, buscar apoio profissional
quando necessário e respeitar limites pessoais são atitudes que contribuem para
maior estabilidade no trabalho. Finalmente, é crucial conectar o próprio
propósito com o impacto real da função. Profissionais que enxergam sentido no
que fazem tendem a ter maior motivação e menor risco de demissão.
As principais causas de demissão da Geração Z não estão ligadas à falta de capacidade técnica, mas sim ao desalinhamento de expectativas, à dificuldade de adaptação cultural e à gestão das emoções. Trata-se de uma geração que valoriza propósito e autenticidade, mas que ainda precisa aprender a lidar com os desafios de ambientes corporativos que nem sempre acompanham a mesma velocidade de mudança.
Ricardo Dalbosco, PhD. - Palestrante referência em Comunicação Multigeracional e o Futuro do Trabalho, sendo estrategista de marca pessoal, referência nacional e com experiência em projetar marcas pessoais de profissionais de sucesso de quatro continentes, além de marcas corporativas. É Doutor com foco em influência digital, escritor Best-Seller, conselheiro de empresas, vencedor de prêmios, além de colunista e consultado por diversas mídias de renome nacional. É o maior formador de LinkedIn Top Voices e Creators no Brasil, trabalhou em diversos lugares pelo mundo e é considerado o profissional de confiança de vários executivos, empresários e board members no país.
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