Belimumabe é o primeiro biológico aprovado pela Anvisa para adultos e crianças com lúpus e nefrite lúpica
Rio de Janeiro, outubro de 2025 – Um novo tratamento
para nefrite lúpica (NL) ativa em crianças a partir dos 5 anos de idade acaba
de ser aprovado pela Anvisa no Brasil. O belimumabe (comercialmente conhecido
como Benlysta), da biofarmacêutica GSK, é o primeiro imunobiológico disponível
no Brasil para tratar a condição[i]. A nefrite lúpica é uma inflamação grave
dos rins causada pelo Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES), que pode levar à
doença renal em estágio terminal, exigindo diálise ou transplante renal[ii].
Segundo revisões na literatura, de 40% a 80% dos
casos de crianças e adolescentes com LES podem desenvolver nefrite lúpica[iii],
sendo fator determinante para o aumento de complicações, hospitalizações e
taxas de mortalidade relacionadas à doença em crianças[iv]. A condição é
tratada com terapia convencional - imunossupressores não seletivos e
corticosteroides, que visam evitar a progressão da doença e sua evolução para
insuficiência renal terminal[v]. A nova indicação de belimumabe para pacientes
pediátricos com NL amplia as possibilidades de abordagens terapêuticas visando
controlar a condição.
A Dra. Blanca Bica, Chefe do Serviço de Reumatologia
do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF), da Universidade
Federal do Rio de Janeiro, Professora Associada de Reumatologia da UFRJ e
membro da Sociedade Brasileira de Reumatologia, destaca que essa aprovação
representa uma mudança muito importante no cuidado e tratamento de crianças que
sofrem com a doença. “Pela primeira vez passamos a contar com uma terapia
biológica que pode auxiliar na preservação da função renal dos pacientes que
desenvolvem NL, permitindo um controle mais eficaz da doença e reduzindo os
danos físicos e psicológicos que afetam as crianças com doenças crônicas como o
lúpus eritematoso sistêmico. Isso é especialmente importante diante da
gravidade da condição, e pensando nas consequências que a doença pode causar na
vida dessas crianças”, reforça a médica.
Com base na raridade da condição, a aprovação
regulatória foi baseada em uma extrapolação de dados de eficácia e
farmacocinética[vi], a qual espera-se que o perfil de segurança em pacientes
pediátricos com NL seja consistente com os perfis de segurança observados em
adultos e crianças com LES e adultos com NL, com base no que é observado nessas
populações[vii],[viii].
Para a reumatologista e gerente médica de imunologia
da GSK, Nathalie David, a aprovação representa um marco importante para
crianças que vivenciam uma doença tão severa. “Oferecer uma nova opção
terapêutica para nefrite lúpica pediátrica é uma importante conquista. Para nós
da GSK, é um orgulho expandir as possibilidades de tratamento com uma molécula
que tem mais de uma década de experiência clínica no tratamento do LES e NL em
adultos e LES em crianças, que passa agora a ser indicada também à população
pediátrica com NL, suprindo uma necessidade médica até então não atendida”.
Sobre a nefrite lúpica (NL)
O Lúpus eritematoso sistêmico (LES), a forma mais
comum de lúpus, é uma doença autoimune crônica e incurável, associada à uma
série de sintomas que podem variar ao longo do tempo, incluindo dores ou
inchaço nas articulações, fadiga extrema, febre inexplicável, erupções cutâneas
e danos a órgãosii. A nefrite lúpica (NL) é uma condição grave e comum do LES,
que causa inflamação nos pequenos vasos sanguíneos que filtram resíduos nos
rins (glomérulos)ii.
A NL pode levar à doença renal em estágio terminal,
que requer diálise ou transplante renal. Apesar das melhorias no diagnóstico e
no tratamento nas últimas décadas, a NL continua sendo um indicativo de
prognóstico ruim[ix],[x]. As manifestações da NL incluem proteinúria, elevação
da creatinina sérica e alteração do sedimento urinário.
Sobre o BENLYSTA (belimumabe)
O BENLYSTA, um inibidor específico de BLyS, é um
anticorpo monoclonal humano que se liga ao BLyS solúvel. O BENLYSTA não se liga
diretamente às células B. Ao se ligar ao BLyS, o BENLYSTA inibe a sobrevida das
células B, incluindo as células B autorreativas, e reduz a diferenciação das
células B em plasmócitos produtores de imunoglobulina. Aprovado pela primeira
vez em 2011, é o primeiro e único biológico aprovado tanto para LES quanto para
NL em mais de 50 anos.
GSK
Material dirigido ao público em geral. Por favor, consulte o seu médico.
Referências
[i] Diário Oficial da União (DOU). RESOLUÇÃO-RE Nº 2.561, DE 10 de julho DE 2025.
[vi] Clinical Pharmacokinetics (2024) 63:1313–1326, https://doi.org/10.1007/s40262-024-01422-y
[viii] Brunner HI, et al. RMD Open. 2021;7(3):e001747
[ix] Gordon C, Hayne D, Pusey C, et al. European Consensus Statement on the Terminology used in the Management of Lupus Glomerulonephritis. Lupus 2009;18:257-26.
[x] Waldman M and Appel GB. Update of the Treatment of Lupus Nephritis. Kidney International 2006;70:1403-1412
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